Sobre Cuba muito se diz, na grande maioria das vezes sem qualquer conhecimento sobre as realidades efectivas da vida do povo cubano. Esta sequeência de vídeos procura mostrar como se monta no ocidente uma mentira escabrossa sobre Cuba. Mais ainda, pretende desmontar essa mentira numa luta desigual contra tudo e todos os interesses que querem ver aquele país desistir de um projecto único, cheio de erros e lacunas mas também pleno de sucessos principalmente tendo em conta a realidade económica. É preciso que se reconheça que é aqui mesmo no ocidente e na Europa e EUA que se montam todas as fantasias sobre um regime pretensamente ditatorial e ao mesmo tempo se nega a outra parte, o outro lado da informação. Claro que ninguém tem a totalidade da razão mas deveriam ter, pelo menos, alguma vergonha na cara quando confundem jornalismo com invenções sobre realidades que não conhecem nem querem dar a conhecer. Cuba representa hoje a possibilidade clara da negação de que o individualismo dos sistemas liberais represente uma sociedade positiva. Cuba apresenta-se ao mundo na humildade de país pobre que reconhece a sua pobreza mas que, como qualquer pessoa humilde, oferece aos outros aquilo que tem em benefício das comunidades. A negação deste facto, independentemente de julgamentos políticos é, só por si, de uma desonestidade intelectual gritante e merece uma forte contestação.
Os que, com o mesmo espírito, vêem nestes vídeos de exercício desigual de contraditório, uma mera manobra de propaganda, devem procurar, pelo menos, fazer um exercício de visão e audição. Cada um que julgue por si. O que o canal público basco fez no programa que é comentado e dissecado é nada mais que aquilo que se faz todos os dias e a toda a hora em toda a comunicação social privada ou pública (os interesses são os mesmos) no ocidente. FIca a voz do outro lado. Fica a desmontagem da estupidez do novo jornalismo profissional e dos debates entre iguais a simular democracia. Fica mais um pedaço de desmontagem da farsa totaliária em que vivemos.
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terça-feira, 28 de abril de 2009
quarta-feira, 9 de julho de 2008
As FARC, de Saramago a Fidel.
O testemunho natural de um mercenário americano agora libertado e entregue à puta que o pariu da sua grande pátria americana pareceu-me apenas mais um passo na estratégia para transformar as FARC numa força meramente terrorista. As palavras do luso descendente foram justamente essas reforçando a ideia de que as FARC não são uma força revolucionária mas uma bando de crueis terroristas.
Mesmo que o teatro não estivesse já encenado há muito seria de todo natural que alguém que esteve sequestrado durante anos reaja com esta leveza de língua e de pensamento. Mas as palavras mais ou menos estudadas saem em favor de uma necessidade de desacreditar uma guerrilha que se quer desmantelada a todo o custo.
Não posso colocar de lado os testemunhos que li e ouvi de gente que partilhou dias, semanas e em alguns casos meses com elementos desta guerrilha e que contam o que se passa naquele núcleo de rebeldes que escaparam à subserviência ao partido comunista colambiano por não compreenderem como pode o partido não reagir à postura criminosa do governo e das forças para-militares que ao longo das últimas décadas têm eliminado massivamente a esquerda colombiana. O Partido sempre reagiu politicamente e participa (desembrado pelo constante assassinato de militantes e eleitos) na vida política fantasiosamente normal da Colombia. As FARC são o produto violento da violência oficial de estado apoiado no narco-tráfico com a benção e os dólares do amigo americano do norte.
Há algum tempo José Saramago disse sobre as FARC que se tratava de um bando de criminosos e não de um grupo de guerrilheiros. O meu profundo respeito por Saramago levou-me a pensar que a verdade estaria algures a meio entre as palavras de Saramago e os textos produzidos com alguma raiva e muito desapontamento por muitos comunistas portugueses em defesa das FARC. Reli então alguns textos sobre a Colombia, o seu processo político e a sua história e lembrei-me de alguns textos publicados então no "Avante!" por Miguel Urbano Rodrigues. A ideia foi reforçada por todas estas palavras. Saramago disse o que pensava e disse-o de uma forma clara como comunista que sempre foi. Um comunista que sempre pensou livremente à margem de todos os "ismos" que feriram de morte o legado ideológico de Marx, Engels e Lenin.
Nada há de comum entre a análise de Saramago e a do mercenário americano. As mesmas palavras têm aqui sabores radicalmente diferentes.
Tenho uma certa relutancia em considerar as FARC como terroristas dado o contexto no qual nasceram e cresceram num país profundamente ferido. Daí que as palavras de Fidel tenham sido de tal forma esclarecedoras que me levaram a compreender qual o meio termo onde devemos encaixar a tal verdade sempre procurada. Fidel, posicionou as FARC no papel necessário de força revolucionária e de guerilha, mas criticou (no seguimento do imenso esforço levado a cabo pela Venezuela, Equador e França), a forma de acção deste grupo apelando a que todos os reféns sejam libertados. Os sequestros foram uma arma que apenas surtiu efeito contra a própria guerrilha e trouxe inimigos à sua causa dentro e fora do campo ideológico, mas sobretudo prestou um péssimo serviço à causa socialista em qualquer ponto do mundo. Mas Fidel alerta para o facto de que não devem as FARC depor as armas. Entendo (por pura liberdade imaginativa) que Fidel esteja a puxar as orelhas a uma forma de agir que não se enquadra na visão revolucionária vista pelos olhos de um velho combatente entrincheirado e bloqueado mas livre de pensar e com uma revolução em grande medida vitoriosa.
Entre Fidel, Saramago e Miguel Urbano Rodrigues, três comunistas diferentes que igualmente admiro, escolho as palavras dos três como verdade não deixando de ter uma ponta de desejo de ver continuar uma luta, certamente com outros contornos e necessariamente com a libertação de todos os reféns, das FARC em território de uma América que parece querer acordar do pesadelo do imperialismo do vizinho do norte. Vizinho que já colocou forças armadas marítimas ao largo das costas do hemisfério sul... e que falta faz o Che.
Mesmo que o teatro não estivesse já encenado há muito seria de todo natural que alguém que esteve sequestrado durante anos reaja com esta leveza de língua e de pensamento. Mas as palavras mais ou menos estudadas saem em favor de uma necessidade de desacreditar uma guerrilha que se quer desmantelada a todo o custo.
Não posso colocar de lado os testemunhos que li e ouvi de gente que partilhou dias, semanas e em alguns casos meses com elementos desta guerrilha e que contam o que se passa naquele núcleo de rebeldes que escaparam à subserviência ao partido comunista colambiano por não compreenderem como pode o partido não reagir à postura criminosa do governo e das forças para-militares que ao longo das últimas décadas têm eliminado massivamente a esquerda colombiana. O Partido sempre reagiu politicamente e participa (desembrado pelo constante assassinato de militantes e eleitos) na vida política fantasiosamente normal da Colombia. As FARC são o produto violento da violência oficial de estado apoiado no narco-tráfico com a benção e os dólares do amigo americano do norte.
Há algum tempo José Saramago disse sobre as FARC que se tratava de um bando de criminosos e não de um grupo de guerrilheiros. O meu profundo respeito por Saramago levou-me a pensar que a verdade estaria algures a meio entre as palavras de Saramago e os textos produzidos com alguma raiva e muito desapontamento por muitos comunistas portugueses em defesa das FARC. Reli então alguns textos sobre a Colombia, o seu processo político e a sua história e lembrei-me de alguns textos publicados então no "Avante!" por Miguel Urbano Rodrigues. A ideia foi reforçada por todas estas palavras. Saramago disse o que pensava e disse-o de uma forma clara como comunista que sempre foi. Um comunista que sempre pensou livremente à margem de todos os "ismos" que feriram de morte o legado ideológico de Marx, Engels e Lenin.
Nada há de comum entre a análise de Saramago e a do mercenário americano. As mesmas palavras têm aqui sabores radicalmente diferentes.
Tenho uma certa relutancia em considerar as FARC como terroristas dado o contexto no qual nasceram e cresceram num país profundamente ferido. Daí que as palavras de Fidel tenham sido de tal forma esclarecedoras que me levaram a compreender qual o meio termo onde devemos encaixar a tal verdade sempre procurada. Fidel, posicionou as FARC no papel necessário de força revolucionária e de guerilha, mas criticou (no seguimento do imenso esforço levado a cabo pela Venezuela, Equador e França), a forma de acção deste grupo apelando a que todos os reféns sejam libertados. Os sequestros foram uma arma que apenas surtiu efeito contra a própria guerrilha e trouxe inimigos à sua causa dentro e fora do campo ideológico, mas sobretudo prestou um péssimo serviço à causa socialista em qualquer ponto do mundo. Mas Fidel alerta para o facto de que não devem as FARC depor as armas. Entendo (por pura liberdade imaginativa) que Fidel esteja a puxar as orelhas a uma forma de agir que não se enquadra na visão revolucionária vista pelos olhos de um velho combatente entrincheirado e bloqueado mas livre de pensar e com uma revolução em grande medida vitoriosa.
Entre Fidel, Saramago e Miguel Urbano Rodrigues, três comunistas diferentes que igualmente admiro, escolho as palavras dos três como verdade não deixando de ter uma ponta de desejo de ver continuar uma luta, certamente com outros contornos e necessariamente com a libertação de todos os reféns, das FARC em território de uma América que parece querer acordar do pesadelo do imperialismo do vizinho do norte. Vizinho que já colocou forças armadas marítimas ao largo das costas do hemisfério sul... e que falta faz o Che.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Ainda bem que temos os carros topo de gama e uma vida de luxo, no terceiro mundo têm... saúde?? (2)
Segundo notícia publicada no site da revista Visão online "Cuba regista vacina contra cancro do pulmão. Uma vacina «terapêutica» que pode aumentar 30 a 40% do tempo de vida dos doentes terminais de cancro do pulmão foi registada pelo Centro de Imunologia Molecular (CIM) cubano"
De acordo com a notícia o produto designa-se por CIMAVAX EGF e é um compsto entre duas proteínas.
A aposta na ciência é um caminho traçado desde há muito tempo pelo sistema cubano que está a alcançar resultados a vários níveis sendo que este é um dos que se apresenta como mais mediático. Sendo ainda mais significativo tratando-se de um país submetido a um bloqueio de décadas. No entanto, na minha opinião, penso não ser o mais importante no momento. Nem sempre o mais mediático é o mais importante. Penso serem mais relevantes as iniciativas levadas a cabo por exemplo na Nicarágua onde médicos cubanos na chamada "Operação Milagre" realizaram mais de 25000 intervenções cirúrgicas de oftalmologia sobretudo nas camadas da população que não têm meios para pagar no sector privado.
É importante ter estas dados em conta quando se fala em direitos humanos pois a saúde é o bem e em consequência o direito mais fundamental ao ser humano.
De acordo com a notícia o produto designa-se por CIMAVAX EGF e é um compsto entre duas proteínas.
A aposta na ciência é um caminho traçado desde há muito tempo pelo sistema cubano que está a alcançar resultados a vários níveis sendo que este é um dos que se apresenta como mais mediático. Sendo ainda mais significativo tratando-se de um país submetido a um bloqueio de décadas. No entanto, na minha opinião, penso não ser o mais importante no momento. Nem sempre o mais mediático é o mais importante. Penso serem mais relevantes as iniciativas levadas a cabo por exemplo na Nicarágua onde médicos cubanos na chamada "Operação Milagre" realizaram mais de 25000 intervenções cirúrgicas de oftalmologia sobretudo nas camadas da população que não têm meios para pagar no sector privado.
É importante ter estas dados em conta quando se fala em direitos humanos pois a saúde é o bem e em consequência o direito mais fundamental ao ser humano.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Ainda bem que temos os carros e os computadores topo de gama e uma vida de luxo, no terceiro mundo têm... saúde?
O nosso Serviço Nacional de Saúde é um desastre. E isso já todos nós sabemos. Tornaram-no num desastre para que possa servir de uma boa desculpa para a proliferação de uma oferta provada paga a peso de ouro por quem pode. Ou pior ainda paga por todos os contribuintes para benefícios de alguns.
Deparei-me hoje com um texto publicado no jornal cubano "Granma" na sua versão digital. Ao que parece lá também existem computadores, mas não só.
"A vida de Vânia Correia, jovem portuguesa de 29 anos, natural de Porto Alto, em Santarém, a 80 quilómetros ao norte de Lisboa, mudou bruscamente aquele dia de fevereiro de 2003.
Como consequência de um acidente com maquinaria agrícola, sofreu lesões nas vértebras, com perda do cabelo e desfiguração de uma parte de seu rosto. Passado um mês em estado de coma, despertou com a triste realidade que estava paralisada do pescoço para abaixo. Nove meses de internamento e de fisioterapia no Centro de Reabilitação de Alcoitão conseguiram uma recuperação parcial da mobilidade dos braços.
Vânia sempre esteve convencida que podia voltar a andar e recuperar o movimento das pernas. Ao ter conhecimento do trabalho que Cuba desenvolve nessa área, enviou sua história clínica ao Centro Internacional de Restauração Neurológica (CIREN), de Havana, e mediante uma campanha de recolha de fundos que incluiu doações e espectáculos artísticos, reuniu a quantidade necessária para a viagem.No dia 10 de Setembro do ano passado, o canal RTP N anunciou finalmente a saída de Vânia para Cuba. O diário 24 Horas, que seguiu de perto o caso, reproduziu no dia 17 de Outubro declarações da própria jovem a partir do CIREN, onde, após sessões diárias de reabilitação, reconheceu sentir-se muito feliz e ter conseguido progressos importantes. "Estou a tentar caminhar com a ajuda de barras de suporte que reforçam as minhas pernas. Também estou a fortalecer os meus braços".
A publicação Global Notícias informou do regresso de Vânia a Portugal, a 11 de Novembro passado, para submeter-se a novas operações que corrigirão sequelas do acidente.Os seus progressos foram bons e a reabilitação deu seus frutos. Dotada de próteses externas nas pernas, movimenta-se com a ajuda de um andarilho especial e umas barras de apoio. Com a voz mudada e sem poder dissimular seus desejos enormes de voltar à ilha do Caribe, para continuar o tratamento, afirma: "Ganhei força na perna esquerda e já consigo movimentar o pé. A mão esquerda se abre um pouco, tem mais força. A perna direita é a que está mais um pouco lenta. Mas conseguirei", sublinha.
"Devido ao nível de paralisia que tinha, os profissionais da saúde ficaram assombrados com minha evolução. Ninguém se imagina como me sinto. Não tenho palavras. Tentarei viajar para Cuba outras tantas vezes como possa, até que os médicos me digam que já não é possível evoluir mais.
"VANIA NÃO É A ÚNICA
O caso de Vânia não é o único que conhecemos através da imprensa. Diariamente, chegam-nos informações de Simão Ferreira, Catarina, Tiago Tavares e outros tantos.
Simão Ferreira, menino de 21 meses com irritabilidade cerebral, um raro caso de epilepsia conhecido como Síndrome de West, foi tratado durante três meses em Cuba. Em declarações ao Correio dá Manhã seus pais falam de um verdadeiro "milagre" e uma mudança "como da noite por dia". Antes, o menino chorava ininterruptamente durante 19 horas diárias, dormia pouco e rejeitava todos os alimentos. Agora dorme oito horas seguidas e não vomita.
Catarina, igualmente com paralisia cerebral, ao retorno de Cuba experimenta "melhorias visíveis", segundo sua família, e mostra-se mais disposta e animada, o que alimentou as esperanças da família de voltar e repetir o tratamento.
E Tiago Tavares, de 11 anos, também com paralisia cerebral, foi um caso muito seguido pela SIC. Dois anos depois, ao retorno de sua segunda viagem a Cuba, no dia 7 de Setembro de 2007, os espectadores estupefactos viram Tiago entrar caminhando no estudio de televisão, ajudado pela mãe.
Laura Tavares, mãe de Tiago, diz que os médicos cubanos são diferentes dos portugueses "quanto aos métodos e a formação". Os seus métodos de tratamento se baseiam "em uma fisioterapia intensiva e em bloco, em que cada músculo do corpo é exercitado, diariamente e durante todo o dia".
Num artigo publicado no dia 8 de Outubro no órgão regional O Setubalense, a jornalista Ana Maria Santos diz que "é cada vez maior o número de pacientes portugueses que buscam em Cuba a solução para seus problemas de saúde e se alguns não pedem a cura, pelo menos esperam obter uma melhoria na qualidade de vida que em Portugal não podem obter (…) e muitas dessas pessoas, portadoras de doenças consideradas sem cura, viajam ao país caribenho na busca de algum milagre e do qual algumas vezes retornam contando que o têm conseguido"."
É um caso para pensar que a nossa via de transformar a saúde numa actividade mercenária poderá estar a anos-luz de distância de uma qualidade pretendida, já que não seja a nível científico, pelo menos a nível humano. E muita humanidade falta na nossa democracia tão cumpridora dos direitos humanos. E eu que pensava que a saúde era um deles.
Deparei-me hoje com um texto publicado no jornal cubano "Granma" na sua versão digital. Ao que parece lá também existem computadores, mas não só.
"A vida de Vânia Correia, jovem portuguesa de 29 anos, natural de Porto Alto, em Santarém, a 80 quilómetros ao norte de Lisboa, mudou bruscamente aquele dia de fevereiro de 2003.
Como consequência de um acidente com maquinaria agrícola, sofreu lesões nas vértebras, com perda do cabelo e desfiguração de uma parte de seu rosto. Passado um mês em estado de coma, despertou com a triste realidade que estava paralisada do pescoço para abaixo. Nove meses de internamento e de fisioterapia no Centro de Reabilitação de Alcoitão conseguiram uma recuperação parcial da mobilidade dos braços.
Vânia sempre esteve convencida que podia voltar a andar e recuperar o movimento das pernas. Ao ter conhecimento do trabalho que Cuba desenvolve nessa área, enviou sua história clínica ao Centro Internacional de Restauração Neurológica (CIREN), de Havana, e mediante uma campanha de recolha de fundos que incluiu doações e espectáculos artísticos, reuniu a quantidade necessária para a viagem.No dia 10 de Setembro do ano passado, o canal RTP N anunciou finalmente a saída de Vânia para Cuba. O diário 24 Horas, que seguiu de perto o caso, reproduziu no dia 17 de Outubro declarações da própria jovem a partir do CIREN, onde, após sessões diárias de reabilitação, reconheceu sentir-se muito feliz e ter conseguido progressos importantes. "Estou a tentar caminhar com a ajuda de barras de suporte que reforçam as minhas pernas. Também estou a fortalecer os meus braços".
A publicação Global Notícias informou do regresso de Vânia a Portugal, a 11 de Novembro passado, para submeter-se a novas operações que corrigirão sequelas do acidente.Os seus progressos foram bons e a reabilitação deu seus frutos. Dotada de próteses externas nas pernas, movimenta-se com a ajuda de um andarilho especial e umas barras de apoio. Com a voz mudada e sem poder dissimular seus desejos enormes de voltar à ilha do Caribe, para continuar o tratamento, afirma: "Ganhei força na perna esquerda e já consigo movimentar o pé. A mão esquerda se abre um pouco, tem mais força. A perna direita é a que está mais um pouco lenta. Mas conseguirei", sublinha.
"Devido ao nível de paralisia que tinha, os profissionais da saúde ficaram assombrados com minha evolução. Ninguém se imagina como me sinto. Não tenho palavras. Tentarei viajar para Cuba outras tantas vezes como possa, até que os médicos me digam que já não é possível evoluir mais.
"VANIA NÃO É A ÚNICA
O caso de Vânia não é o único que conhecemos através da imprensa. Diariamente, chegam-nos informações de Simão Ferreira, Catarina, Tiago Tavares e outros tantos.
Simão Ferreira, menino de 21 meses com irritabilidade cerebral, um raro caso de epilepsia conhecido como Síndrome de West, foi tratado durante três meses em Cuba. Em declarações ao Correio dá Manhã seus pais falam de um verdadeiro "milagre" e uma mudança "como da noite por dia". Antes, o menino chorava ininterruptamente durante 19 horas diárias, dormia pouco e rejeitava todos os alimentos. Agora dorme oito horas seguidas e não vomita.
Catarina, igualmente com paralisia cerebral, ao retorno de Cuba experimenta "melhorias visíveis", segundo sua família, e mostra-se mais disposta e animada, o que alimentou as esperanças da família de voltar e repetir o tratamento.
E Tiago Tavares, de 11 anos, também com paralisia cerebral, foi um caso muito seguido pela SIC. Dois anos depois, ao retorno de sua segunda viagem a Cuba, no dia 7 de Setembro de 2007, os espectadores estupefactos viram Tiago entrar caminhando no estudio de televisão, ajudado pela mãe.
Laura Tavares, mãe de Tiago, diz que os médicos cubanos são diferentes dos portugueses "quanto aos métodos e a formação". Os seus métodos de tratamento se baseiam "em uma fisioterapia intensiva e em bloco, em que cada músculo do corpo é exercitado, diariamente e durante todo o dia".
Num artigo publicado no dia 8 de Outubro no órgão regional O Setubalense, a jornalista Ana Maria Santos diz que "é cada vez maior o número de pacientes portugueses que buscam em Cuba a solução para seus problemas de saúde e se alguns não pedem a cura, pelo menos esperam obter uma melhoria na qualidade de vida que em Portugal não podem obter (…) e muitas dessas pessoas, portadoras de doenças consideradas sem cura, viajam ao país caribenho na busca de algum milagre e do qual algumas vezes retornam contando que o têm conseguido"."
É um caso para pensar que a nossa via de transformar a saúde numa actividade mercenária poderá estar a anos-luz de distância de uma qualidade pretendida, já que não seja a nível científico, pelo menos a nível humano. E muita humanidade falta na nossa democracia tão cumpridora dos direitos humanos. E eu que pensava que a saúde era um deles.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Que outro caminho?
O processo revolucionário em Cuba parece estar de pedra e cal. Fidel Castro, mesmo havendo sido eleito deputado nas últimas eleições, renunciou a uma nova possível nomeação para a presidência do Conselho de Ministros e para a posição de Commandante em Chefe das forças militares. É uma decisão esperada e preparada para que não aconteça em Cuba o mesmo que aconteceu à URSS de Gorbachov.
O mais estranho é que, merecendo a revolução cubana uma atenção especial por todas as esquerdas e mesmo por todas as direitas, haja hoje uma expectativa de que algo pode vir a acontecer ali que pode mudar radicalmente a face política do regime. A essa ideia respondem de Miami com aplausos. Dali espera-se não só a morte física de Fidel como a morte do regime cubano. Dai e de muitos outros lados, icluindo de alguns pouco esperados. Muitas esquerdas folclóricas esfregam as mãos de contentes. Esperam uma Cuba regressada à sua anterior posição de bordel e casino dos americanos para depois pregar por uma outra via de um socialismo que não conseguem defenir. As esquerdas socialistas sem socialismo alinham pela mesma bitola das direitas sem moral.
O mais estranho é que, merecendo a revolução cubana uma atenção especial por todas as esquerdas e mesmo por todas as direitas, haja hoje uma expectativa de que algo pode vir a acontecer ali que pode mudar radicalmente a face política do regime. A essa ideia respondem de Miami com aplausos. Dali espera-se não só a morte física de Fidel como a morte do regime cubano. Dai e de muitos outros lados, icluindo de alguns pouco esperados. Muitas esquerdas folclóricas esfregam as mãos de contentes. Esperam uma Cuba regressada à sua anterior posição de bordel e casino dos americanos para depois pregar por uma outra via de um socialismo que não conseguem defenir. As esquerdas socialistas sem socialismo alinham pela mesma bitola das direitas sem moral.
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