Imagine que vive num país que foi invadido. Que lhe negaram durante décadas o direito a considerar sequer a hipótese de ter uma independência ou auto-determinação. O seu país deixou de poder existir porque o território foi ocupado, descontinuado e mutilado. As vias de comunicação entre as diversas partes do território foram cortadas. O leitor faz parte dos milhares de resistentes que vivem entalados entre muros que negam a sua própria sobrevivência, que sofreram massacres e perseguições ao longo destas décadas e que criaram uma imensidão de refugiados espalhados um pouco por todos os países das redondezas.
O direito internacional garante que o seu direito é igual ao de todos os outros povos que lutam por ter o seu próprio país em condições normais de estabilidade territorial e em plena soberania.
Após décadas de vergonhosa ocupação a força ocupante promete-lhe que o deixa ter acesso ao seu direito caso opte por uma soberania mutilada, sem direito a defesa e a controlo de espaço aéreo. No SEU país. No seu território. Imagine que o ocupante é uma das maiores potências militares do mundo e a quarta potência nuclear mundial.
Pode parar de imaginar pois a inimaginável proposta de acordo de Israel para a solução da questão palestiniana foi vomitada a toque de caixa do patrão de Washington. Seria uma anedota engraçada se não fosse uma História desumana.
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segunda-feira, 15 de junho de 2009
domingo, 14 de junho de 2009
... e a vitória de Ahmadinejad!
Não nutro simpatia especial pelo Irão, muito menos pelo seu poder instituido. COntudo também nesta questão do nuclear há que ter em consideração que o Irão tem iguais direitos na investigação e uso desta tecnología.
Quando todos diziam que venceria o candidato ocidentalizado e moderado, a vitória foi para o actual presidente Mahmud Ahmadinejad. E sempre que estas coisas sucedem são logo lançadas suspeitas de fraude eleitoral.
Dessas coisas nada sei. Apenas que existe uma resistência heroica de uma esquerda mutilada neste país que deve ser observada. Sei que onde se mistura a religião com a política nunca podem daí advir coisas boas (vejamos o exemplo americano e o seu fundamentalismo cristão). A vitória não será boa para ninguém a começar no povo iraniano que nele terá votado por volta dos sessenta por cento. Contudo, há um factor positivo a ter em conta, a derrota vincada dos interesses americanos e israelitas no Irão.
Quando todos diziam que venceria o candidato ocidentalizado e moderado, a vitória foi para o actual presidente Mahmud Ahmadinejad. E sempre que estas coisas sucedem são logo lançadas suspeitas de fraude eleitoral.
Dessas coisas nada sei. Apenas que existe uma resistência heroica de uma esquerda mutilada neste país que deve ser observada. Sei que onde se mistura a religião com a política nunca podem daí advir coisas boas (vejamos o exemplo americano e o seu fundamentalismo cristão). A vitória não será boa para ninguém a começar no povo iraniano que nele terá votado por volta dos sessenta por cento. Contudo, há um factor positivo a ter em conta, a derrota vincada dos interesses americanos e israelitas no Irão.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
A irracionalidade da guerra
Nada me move contra os judeus em particular – uma vez que falar sobre guerra torna por estes dias incontornável a questão de Israel e Palestina – nem tenho qualquer animosidade para com o estado de Israel, e vejo como uma realidade importante reconhecer o seu direito à existência específica com as características que são compreensíveis num estado formado da forma como este foi.
O problema reside justamente no nascimento, na forma e não no conteúdo, uma vez que nenhum povo pode reclamar o seu direito a existir e a ter um estado ocupando e massacrando os povos que, por todas as razões possíveis são os legítimos ocupantes do território reclamado.
O estado de Israel nasceu torno e tarde ou nunca se endireitará. A vingança do povo massacrado pelo nazismo é ser ele mesmo exterminador de inimigos reais ou potenciais, acossado e estimulado por uma comunidade numerosa e imensamente rica com organizações mais ou menos formais um pouco por todo o mundo. Israel tem sido tantas vezes, a mão e os olhos do imperialismo norte americano onde representa o maior lobby em termo de quantidade de membros e de financiamento aos políticos americanos.
Na curta visita que Obama fez a Israel antes da sua eleição ele disse algo que poderá ter passado despercebido a quase toda a gente. Disse esperar ver o estado de Israel em breve com a cidade de Jerusalém como capital. Esta cidade tem um significado muito especial para as três religiões monoteístas: o judaísmo, o islamismo e o cristianismo. Aquela frase foi tão reveladora quanto a outra que disse no seu discurso na noite da vitória eleitoral cujo conteúdo era simplesmente que os americanos iriam derrotar os seus “inimigos”.
Os ataques de Israel a Gaza foram já condenados por muitos países mas sobretudo por muitos povos. Por muita gente que, independentemente da posição que o país tenha perante a situação, resolveu manifestar-se contra esta guerra.
Israel tem o direito de se defender de ataques. Contudo o que se viu não foram ataques que justificassem, à luz do direito internacional. Não foram de todo proporcionais e não descriminaram alvos. E isto sucede porque os alvos são uma população inteira.
O resultado efectivo destas práticas de guerra imperialista é que os inimigos do Hamas estão hoje a seu lado. A nível internacional, aqueles que sempre foram contra o Hamas e a sua visão islâmica do governo da Autoridade Palestiniana em contraposição com as forças progressistas que sempre dominaram a estrutura dessa mesma débil Autoridade até à vitória eleitoral do Hamas, hoje encontram-se na posição de defensores das posições do Hamas contra essas forças progressistas e contra a postura genocída de Israel. Este país conseguiu a proeza de colocar meio mundo a defender uma organização que até há pouco tempo odiava, porque se compreende facilmente que, com o pretexto de derrubar o Hamas, o que se vai fazendo é esfaimar e atirar sobre uma população inteira.
Assim sendo, a guerra termina de qualquer forma. Sem palestinianos não há Palestina e Israel vive e os EUA mantêm a sua guarda avançada intacta, invicta e intocável pelas autoridades que vão brincando ao direito internacional quando este serve de arma política contra os inimigos do império.
O problema reside justamente no nascimento, na forma e não no conteúdo, uma vez que nenhum povo pode reclamar o seu direito a existir e a ter um estado ocupando e massacrando os povos que, por todas as razões possíveis são os legítimos ocupantes do território reclamado.
O estado de Israel nasceu torno e tarde ou nunca se endireitará. A vingança do povo massacrado pelo nazismo é ser ele mesmo exterminador de inimigos reais ou potenciais, acossado e estimulado por uma comunidade numerosa e imensamente rica com organizações mais ou menos formais um pouco por todo o mundo. Israel tem sido tantas vezes, a mão e os olhos do imperialismo norte americano onde representa o maior lobby em termo de quantidade de membros e de financiamento aos políticos americanos.
Na curta visita que Obama fez a Israel antes da sua eleição ele disse algo que poderá ter passado despercebido a quase toda a gente. Disse esperar ver o estado de Israel em breve com a cidade de Jerusalém como capital. Esta cidade tem um significado muito especial para as três religiões monoteístas: o judaísmo, o islamismo e o cristianismo. Aquela frase foi tão reveladora quanto a outra que disse no seu discurso na noite da vitória eleitoral cujo conteúdo era simplesmente que os americanos iriam derrotar os seus “inimigos”.
Os ataques de Israel a Gaza foram já condenados por muitos países mas sobretudo por muitos povos. Por muita gente que, independentemente da posição que o país tenha perante a situação, resolveu manifestar-se contra esta guerra.
Israel tem o direito de se defender de ataques. Contudo o que se viu não foram ataques que justificassem, à luz do direito internacional. Não foram de todo proporcionais e não descriminaram alvos. E isto sucede porque os alvos são uma população inteira.
O resultado efectivo destas práticas de guerra imperialista é que os inimigos do Hamas estão hoje a seu lado. A nível internacional, aqueles que sempre foram contra o Hamas e a sua visão islâmica do governo da Autoridade Palestiniana em contraposição com as forças progressistas que sempre dominaram a estrutura dessa mesma débil Autoridade até à vitória eleitoral do Hamas, hoje encontram-se na posição de defensores das posições do Hamas contra essas forças progressistas e contra a postura genocída de Israel. Este país conseguiu a proeza de colocar meio mundo a defender uma organização que até há pouco tempo odiava, porque se compreende facilmente que, com o pretexto de derrubar o Hamas, o que se vai fazendo é esfaimar e atirar sobre uma população inteira.
Assim sendo, a guerra termina de qualquer forma. Sem palestinianos não há Palestina e Israel vive e os EUA mantêm a sua guarda avançada intacta, invicta e intocável pelas autoridades que vão brincando ao direito internacional quando este serve de arma política contra os inimigos do império.
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