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sexta-feira, 1 de maio de 2009
Não haja ilusões!
Hoje como sempre para o capitalista, o trabalhador é um monte de carne facilmente substituível por outra carne que se sujeite a condições ainda piores que o anterior. Assim foi, assim é e assim continuará a ser até que outros Maios se levantem.
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segunda-feira, 6 de abril de 2009
... novamente o mesmo discurso do medo e a teorização dos inimigos.
Chega a ser anedótica a questão que hoje foi levantada sobre o alegado míssil da R.P.D. da Coreia como é absurda a perseguição à intenção do Irão desenvolver um programa nuclear. Afinal quem decide quem são os bons e quem são os maus? Quem pode ser portador do armamento mais mortífero sob a ideia da protecção do mundo e quem se apresenta como seu inimigo? Não é compreensível tanto assanhamento perante uma consequência lógica da (até agora aparentemente inevitável) uni polaridade imperialista. Principalmente quando a "força" que nos tem vindo a guiar pela "luz" da verdade democrática e liberal nada argumenta perante a força militar e capacidade nuclear de estados pouco recomendáveis como Israel ou, pior ainda, o Paquistão.
Esta força arbitrária que funciona com uma lógica irracional, como uma religião que nos faz distinguir os bem e os mal intencionados do planeta, quer-nos levar a crer que a Coreia do Norte ou o Irão são menos humanos, menos civilizados, menos capazes do sentido de auto-preservação ou que não se sentem tão cobardes perante o risco de não existência. O mesmo sentimento que os ricos têm perante a miséria. Esta auto-preservação dos ricos tem-se traduzido politicamente nesta forma clássica e já gasta de sistemas económicos baseados pura e simplesmente na exclusão de muitos para a manutenção do poder e opulência de poucos. A mesma lógica se aplica aos povos que são vistos como bárbaros à luz do dogma liberal ocidental. Não interessa aqui saber, porque não é isso que está em causa, se as formas de poder de cada um destes países é a ideal. Até porque sabemos que a forma ideal de poder é precisamente aquela que está por realizar. Sabemos que o Irão tem questões pertinentes que devem ser analisadas à luz dos direitos humanos e que a ideologia Juche da Coreia do norte não é propriamente o sistema mais agradável de se viver por ter transformado a ideologia numa forma avançada de religião militarista. Mas há uma verdade que tem de ser dita. Nenhum destes países tem na sua História tantas vítimas quanto aqueles que, orgulhosamente armados de todo o tipo de armas (até de biológicas que não hesitaram a usar em algumas partes do mundo) se têm oposto ao desenvolvimento de programas nucleares por estes dois países.
Só poderia compreender uma postura desse tipo vinda de quem se propõe a promover o desarmamento progressivo de todo o planeta no que diz respeito a armas de destruição maciça. Mas esse está longe de ser o caso. Bem pelo contrário. Pelo que a União Europeia e os EUA unidos na sua aliança monolítica imperialista e auto-preservante da supremacia económica, política e moral ocidental, mantém uma espécie de modernas cruzadas contra infiéis de qualquer parte do mundo onde se ouse desafiar a verdade dessa supremacia.
Um mundo multiplar é urgente.
Esta força arbitrária que funciona com uma lógica irracional, como uma religião que nos faz distinguir os bem e os mal intencionados do planeta, quer-nos levar a crer que a Coreia do Norte ou o Irão são menos humanos, menos civilizados, menos capazes do sentido de auto-preservação ou que não se sentem tão cobardes perante o risco de não existência. O mesmo sentimento que os ricos têm perante a miséria. Esta auto-preservação dos ricos tem-se traduzido politicamente nesta forma clássica e já gasta de sistemas económicos baseados pura e simplesmente na exclusão de muitos para a manutenção do poder e opulência de poucos. A mesma lógica se aplica aos povos que são vistos como bárbaros à luz do dogma liberal ocidental. Não interessa aqui saber, porque não é isso que está em causa, se as formas de poder de cada um destes países é a ideal. Até porque sabemos que a forma ideal de poder é precisamente aquela que está por realizar. Sabemos que o Irão tem questões pertinentes que devem ser analisadas à luz dos direitos humanos e que a ideologia Juche da Coreia do norte não é propriamente o sistema mais agradável de se viver por ter transformado a ideologia numa forma avançada de religião militarista. Mas há uma verdade que tem de ser dita. Nenhum destes países tem na sua História tantas vítimas quanto aqueles que, orgulhosamente armados de todo o tipo de armas (até de biológicas que não hesitaram a usar em algumas partes do mundo) se têm oposto ao desenvolvimento de programas nucleares por estes dois países.
Só poderia compreender uma postura desse tipo vinda de quem se propõe a promover o desarmamento progressivo de todo o planeta no que diz respeito a armas de destruição maciça. Mas esse está longe de ser o caso. Bem pelo contrário. Pelo que a União Europeia e os EUA unidos na sua aliança monolítica imperialista e auto-preservante da supremacia económica, política e moral ocidental, mantém uma espécie de modernas cruzadas contra infiéis de qualquer parte do mundo onde se ouse desafiar a verdade dessa supremacia.
Um mundo multiplar é urgente.
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quarta-feira, 18 de março de 2009
A guerra contra a democracia
Um documentário interessante (embora prefira os textos do autor) de John Pilger sobre a democracia, imperialismo e libertação dos povos na sua versão pós-pós-moderna. O pós-modernismo do fim da hitória e da morte dos ideais está definitivamente enterrado.
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sexta-feira, 6 de março de 2009
Tantos lucros!
Foram hoje divulgados dois dados interessantes quanto aos lucros de duas das principais empresas nacionais. Assim, a GALP revelou ter tido no ano de 2008, 478 milhões de euros de lucro. Por sua vez a EDP reportou 1092 milhões de euros de lucro no mesmo ano representando um acréscimo de 20% relativamente ao ano anterior.
Tendo em conta que, durante o ano de 2008 existiu um efeito altamente nocivo do aumento dos preços dos combustíveis que não foi acompanhado de uma descida tão célere quando o valor do crude desceu (beneficiando a GALP do efeito stock) podemos dizer que este é um lucro sustentado num esforço financeiro de particulares e sobretudo de pequenas e médias empresas durante esse período. Mas continua durante o presente anos pois os preços dos combustíveis não acompanharam na mesma medida e no mesmo tempo os preços do crude.
Quanto à EDP, não deixa de ser estranho vivermos num país cujos gastos com energia, (mais uma vez recaindo o esforço sobre os particulares, pequenas e médias empresas) são dos mais elevados senão os mais elevados da Europa.
Tendo em conta que, durante o ano de 2008 existiu um efeito altamente nocivo do aumento dos preços dos combustíveis que não foi acompanhado de uma descida tão célere quando o valor do crude desceu (beneficiando a GALP do efeito stock) podemos dizer que este é um lucro sustentado num esforço financeiro de particulares e sobretudo de pequenas e médias empresas durante esse período. Mas continua durante o presente anos pois os preços dos combustíveis não acompanharam na mesma medida e no mesmo tempo os preços do crude.
Quanto à EDP, não deixa de ser estranho vivermos num país cujos gastos com energia, (mais uma vez recaindo o esforço sobre os particulares, pequenas e médias empresas) são dos mais elevados senão os mais elevados da Europa.
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domingo, 1 de março de 2009
Aumentos de tarifários nas telecomunicações
Já era esperada a notícia dos aumentos mas mesmo assim não seixa de ser escandaloso que isso suceda, principalmente no actual momento económico nacional e global.
Mas, quanto aos aumentos nem sequer há muito a dizer. O que deve ser mencionado é que, mais uma vez, e à margem de qualquer actuação de entidades reguladoras, os operadores actuam em conjunto e aumentam em igual percentagem que se sabe, de antemão, ser de 2,5%. Com o maior descaramento se fala em mercado livre a nas vantagens da concorrência. Esse velho mito desmentido no dia-a-dia da cartelização do universo das telecomunicações (principalmente as móveis) no nosso país.
Mas, quanto aos aumentos nem sequer há muito a dizer. O que deve ser mencionado é que, mais uma vez, e à margem de qualquer actuação de entidades reguladoras, os operadores actuam em conjunto e aumentam em igual percentagem que se sabe, de antemão, ser de 2,5%. Com o maior descaramento se fala em mercado livre a nas vantagens da concorrência. Esse velho mito desmentido no dia-a-dia da cartelização do universo das telecomunicações (principalmente as móveis) no nosso país.
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capitalismo
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Associação Nacional de Proprietários propõe Sociedade Pública de Aluguer
Parece estar na moda esta solução. Uns têm as propriedades ou o capital. Os outros, os contribuintes em geral devem servir de fiadores para que não haja quebra no rendimento dos primeiros. É isto que defende a ANP. É como quem diz, escolhemos viver em sistema capitalista desde que eu capitalize e o estado assegure. Ver aqui.
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Economia
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Mas qual concorrência?
Um dos princípios básicos (ao que dizem) do sistema capitalista é que a concorrência gera melhor qualidade de produto ou serviço a preço mais baixo. Sendo este um dos mitos transformados em ciência económica é contrariado no dia-a-dia pela evidência que o capitalismo é, só por si a negação da ideia da concorrência. O pilar onde assenta o sistema capitalista é precisamente na concentração do capital e nos monopólios, muitas vezes disfarçados, nas fusões e aquisições constantes rumo a uma gigantesca corporação global.
Alguns bons aprendizes, como Portugal, criam "autoridades" para regular a concorrência e supostamente para evitar que existam situações de monopólio. Mas se assim é como se explica que, em 17 de Dezembro de 2008 essa "Autoridade da Concorrência" tenha deliberado favoravelmente tomando uma Decisão de Não Oposição do controlo exclusivo da TVTEL pela TVCABO? Na decisão sublinhava-se o acompanhamento da "imposição de condições e obrigações destinadas a garantir a manutenção da concorrência efectiva no mercado da televisão por subscrição, nos termos e para os efeitos do artigo 35.º, n.º 1 alínea b) e n.º 3, da Lei n.º 18/2003, de 11 de Junho (“Lei da Concorrência”)."
Na grande maioria do país as pessoas que decidem optar por um serviço de televisão por subscrição não têm outra alternativa que não a TVCABO. Os clientes, neste caso da zona do Porto, que tinham um concorrente e que subscreviam o seu produto em alternativa ao da TVCABO (agora convertida em ZON) deixaram de o poder fazer. E se não querem ZON, não podem querer mais nada pois não existe alternativa. E a isto a "Autoridade da Concorrência diz SIM?
O problema nem são os monopólios em si mas sim o facto de serem monopóplios privados que crescem sem controlo, na prática sem qualquer regulação efectiva. Este é um caos entre muitos e, diga-se de passagem bem mais grave que o negócio pensado há uns tempos entre BCP e BPI porque na banca existem alternativas tanto privadas como públicas. No serviço de subscrição de TV elas não existem de todo.
Alguns bons aprendizes, como Portugal, criam "autoridades" para regular a concorrência e supostamente para evitar que existam situações de monopólio. Mas se assim é como se explica que, em 17 de Dezembro de 2008 essa "Autoridade da Concorrência" tenha deliberado favoravelmente tomando uma Decisão de Não Oposição do controlo exclusivo da TVTEL pela TVCABO? Na decisão sublinhava-se o acompanhamento da "imposição de condições e obrigações destinadas a garantir a manutenção da concorrência efectiva no mercado da televisão por subscrição, nos termos e para os efeitos do artigo 35.º, n.º 1 alínea b) e n.º 3, da Lei n.º 18/2003, de 11 de Junho (“Lei da Concorrência”)."
Na grande maioria do país as pessoas que decidem optar por um serviço de televisão por subscrição não têm outra alternativa que não a TVCABO. Os clientes, neste caso da zona do Porto, que tinham um concorrente e que subscreviam o seu produto em alternativa ao da TVCABO (agora convertida em ZON) deixaram de o poder fazer. E se não querem ZON, não podem querer mais nada pois não existe alternativa. E a isto a "Autoridade da Concorrência diz SIM?
O problema nem são os monopólios em si mas sim o facto de serem monopóplios privados que crescem sem controlo, na prática sem qualquer regulação efectiva. Este é um caos entre muitos e, diga-se de passagem bem mais grave que o negócio pensado há uns tempos entre BCP e BPI porque na banca existem alternativas tanto privadas como públicas. No serviço de subscrição de TV elas não existem de todo.
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capitalismo
domingo, 28 de dezembro de 2008
sábado, 27 de dezembro de 2008
O oportunismo capitalista da crise
Um facto inegável e indesmentível passa diante dos nossos olhos. Aqueles que, com a sua gula de riqueza, pariram e criaram esta crise, são exactamente os mesmos que agora nos fazem crer que tudo está tão mau que justifica os “ajustamentos” que irão ser introduzidos nas empresas no ano que se aproxima. No fundo, nada mais que a mesma velha receita de sempre: redução de postos de trabalho, redução de salários ou congelamento dos aumentos dos mesmos e por último a natural “mendigagem” ao estado por apoios múltiplos às empresas quando todo o tempo, o gastam a amaldiçoar o excessivo peso deste ou a sua demasiada intervenção na economia.
A palavra “crise” serve para atordoar os atingidos pelos efeitos da própria numa vaga mediática que tenta, ainda assim, explicar o que não tem explicação. Não é por acaso que, aqueles que comentam o actual estado da economia são precisamente os que sempre defenderam as fórmulas que nos trouxeram a esta situação.
É fundamental que cada desempregado, cada excluído directa ou indirectamente por efeitos desta crise, compreenda integralmente as consequências que devem advir da situação criada. É importante que não se premeie num período eleitoral que se aproxima, a direita política que sempre se apoiou nestas soluções económicas e financeiras desastrosas e sempre defendeu o mercado como o seu “bem” mais “sagrado”. Esta direita merece definhar politicamente, em resposta às consequências das suas teorias económicas que tentaram mutilar a política como instrumento base na regulação do poder económico de classe.
A palavra “crise” serve para atordoar os atingidos pelos efeitos da própria numa vaga mediática que tenta, ainda assim, explicar o que não tem explicação. Não é por acaso que, aqueles que comentam o actual estado da economia são precisamente os que sempre defenderam as fórmulas que nos trouxeram a esta situação.
É fundamental que cada desempregado, cada excluído directa ou indirectamente por efeitos desta crise, compreenda integralmente as consequências que devem advir da situação criada. É importante que não se premeie num período eleitoral que se aproxima, a direita política que sempre se apoiou nestas soluções económicas e financeiras desastrosas e sempre defendeu o mercado como o seu “bem” mais “sagrado”. Esta direita merece definhar politicamente, em resposta às consequências das suas teorias económicas que tentaram mutilar a política como instrumento base na regulação do poder económico de classe.
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008
As organizações SÃO as PESSOAS!
Há uns dias fui confrontado com uma frase que me levou alguns dias para digerir. Proferida pelo Professor Doutor Manuel Pinto Teixeira, referia-se à incapacidade de trabalho em geral dos portugueses. A incapacidade de trabalho gerada numa cultura de irresponsabilidade e de uma certa tendência de desenrasque geral.
Sou levado a concordar com parte do conteúdo ou com a ideia geral de que temos na nossa identidade nacional o factor que contribui para que tudo se faça de forma atabalhoada. Que se contornem as regras, que se violem os princípios do funcionamento esperados das regras e das convenções. Somos realmente assim?
O exemplo dado na mesma sessão não poderia ter sido melhor escolhido. O caso da TSF. Acontece que sou um ouvinte desde que me lembro de ter consciência do mundo e das coisas que nos rodeiam dessa rádio. O que me atraiu nesse projecto foi justamente a excelente qualidade dos seus profissionais que se revelou na programação de excelência que esta emissora tinha há uns anitos atrás. Não quero com isto dizer que tenha deixado de ter na totalidade, mas a qualidade baixou muitos pontos com o novo sistema mercantilista das notícias. E o exemplo concreto foi o do cronista Fernando Alves que me lembro desde sempre nas suas famosas inspirações únicas reveladas pela manhã, dos “sinais” de um mundo visto pelos olhos devoradores do comportamento humano, criados em iluminados momentos de inspiração e ditados ao microfone da rádio com uma das últimas vozes verdadeiramente radiofónicas na rádio portuguesa.
Fernando Alves foi-nos assim apresentado como um incorrigível incumpridor de regras, como um homem intolerável em determinados momentos e extremamente afável noutros, no espírito do “tem dias”… Para mim, que cresci a ouvir a TSF mesmo quando ainda não podia muito bem compreender o que estava por trás daquelas terríveis notícias fabulosamente cobertas da primeira guerra do Golfo Pérsico a voz e as crónicas do Fernando Alves, bem como outros trabalhos que passaram por reportagens e entrevistas, parece-me quase que ofensiva a alusão ao cronista como exemplo de mau comportamento na organização TSF.
Fernando Alves foi uma das figuras que criaram a identidade da TSF ao longo dos anos e mantém-se como um património, talvez mesmo o único que resta, da grande rádio que a TSF já foi. A questão central aqui é que as organizações SÃO as pessoas e são PARA as pessoas. A noção com que fiquei da ideia que foi transmitida é que as organizações não podem suportar identidades pessoais com carácter próprio, que não podem permitir que não se siga à risca um plano traçado num qualquer gabinete porque tudo está estudado ao milímetro incluindo as emoções geradas por cada frase, por cada entoação, por cada hesitação. As organizações necessitariam portanto de se desumanizar para se mecanizarem como homens e mulheres cada vez mais descartáveis, mudos e quedos nos seus lugares esquematizados. E o exemplo é melhor ainda porquanto se trata de um trabalho criativo. Fernando Alves é um mau funcionário mas que cumpre os seus objectivos e mantém um nível criativo invulgar. Porque não foi ainda descartado? Porque a relação custo – benefício indica que ele, ainda assim, como incorrigível incumpridor de regras, cumpre com os objectivos e realiza mais-valia para a sua organização.
Mas a questão não morre neste exemplo. Serão os portugueses um povo de intrujas e de calões que não querem trabalhar e que se desenrascam com o que apanham à mão? Essa é uma boa ideia para vender a quem tiver a vontade de, mais uma vez ser “comido” com verdades feitas que não passam de mistificações. Os trabalhadores portugueses são como todos os outros. Há-os de todas as formas e feitios e lá por fora são dos mais produtivos. Então se assim é, porque não acontece o mesmo por aqui?
Na minha opinião existe um ponto fulcral onde tudo falha no nosso país. Os quadros superiores e intermédios das empresas privadas e públicas são, na sua grande maioria entregues a pessoas pouco qualificadas, senão tecnicamente, pelo menos humanamente. Ou então tecnicamente a nível de recursos humanos. As organizações estão pejadas de escroques e escumalha autoritária de assalariados que se comportam como cães ao serviço de um único propósito, a própria ascensão e dos amigos. Aqui é uma realidade indesmentível. Somos um país de cunhas. Sem as cunhas não teríamos a orde de bestas a pilotar as nossas organizações, os criadores e fazedores de relações laborais precárias, os lambe-botas do sistema que os chicoteia mas ao mesmo tempo lhes oferece o chicote para a vingança nos elos mais fracos.
Na sua esmagadora maioria os quadros intermédios e mesmo muitos superiores são escolhidos entre os que revelam mais desumanidade, os cães raivosos e irracionais das instituições que são capazes de destruir tudo por onde passam. Só assim se explica que a produtividade seja muito mais baixa por aqui. É que os quadros intermédios e superiores são, eles mesmos, incapazes de gerir, não as organizações em si, mas as pessoas. Acontece que as pessoas são a única verdadeira riqueza estável de uma organização e podem ser tão produtivas quanto melhor forem geridas, quanto melhor se souber proporcionar relações estáveis de trabalho, estímulos realistas à produção, informação concreta e em tempo real da situação financeira das organizações, participação nas ideias e nos resultados produzidos pelas mesmas, estímulos à vinculação às funções onde cada um esteja mais adaptado e se sinta bem.
Não vale sequer a pena falar das questões salariais. É ridículo pensarmos que temos de ter excelentes profissionais quando por pouco menos dinheiro, poderiam estar em casa a servir-se dos dinheiros públicos para financiar o desemprego. O desemprego e o baixo consumo privado devem-se primariamente à cultura de baixos salários e de altos impostos (que não seriam altos se o Estado cumprisse as funções para as quais são recolhidos). Os trabalhadores no activo acabam por financiar toda a actividade económica do país. Ainda se lhes deve pedir mais? Não será agora a vez que qualificar técnica e humanamente os nossos quadros das organizações? Não será a vez de terminar com a absurda ideia de que a competitividade gera melhor produtividade, em contraponto com a ideia de que a cooperação e o trabalho organizado de equipa é factor de mais estímulo e melhor desempenho? Que a alta rotatividade de quadros gera menos despesa com pessoal em contraponto com a ideia de que a estabilidade gera maior confiança e mais identidade com a organização levando por sua vez a maior e melhor produtividade?
Sou levado a concordar com parte do conteúdo ou com a ideia geral de que temos na nossa identidade nacional o factor que contribui para que tudo se faça de forma atabalhoada. Que se contornem as regras, que se violem os princípios do funcionamento esperados das regras e das convenções. Somos realmente assim?
O exemplo dado na mesma sessão não poderia ter sido melhor escolhido. O caso da TSF. Acontece que sou um ouvinte desde que me lembro de ter consciência do mundo e das coisas que nos rodeiam dessa rádio. O que me atraiu nesse projecto foi justamente a excelente qualidade dos seus profissionais que se revelou na programação de excelência que esta emissora tinha há uns anitos atrás. Não quero com isto dizer que tenha deixado de ter na totalidade, mas a qualidade baixou muitos pontos com o novo sistema mercantilista das notícias. E o exemplo concreto foi o do cronista Fernando Alves que me lembro desde sempre nas suas famosas inspirações únicas reveladas pela manhã, dos “sinais” de um mundo visto pelos olhos devoradores do comportamento humano, criados em iluminados momentos de inspiração e ditados ao microfone da rádio com uma das últimas vozes verdadeiramente radiofónicas na rádio portuguesa.
Fernando Alves foi-nos assim apresentado como um incorrigível incumpridor de regras, como um homem intolerável em determinados momentos e extremamente afável noutros, no espírito do “tem dias”… Para mim, que cresci a ouvir a TSF mesmo quando ainda não podia muito bem compreender o que estava por trás daquelas terríveis notícias fabulosamente cobertas da primeira guerra do Golfo Pérsico a voz e as crónicas do Fernando Alves, bem como outros trabalhos que passaram por reportagens e entrevistas, parece-me quase que ofensiva a alusão ao cronista como exemplo de mau comportamento na organização TSF.
Fernando Alves foi uma das figuras que criaram a identidade da TSF ao longo dos anos e mantém-se como um património, talvez mesmo o único que resta, da grande rádio que a TSF já foi. A questão central aqui é que as organizações SÃO as pessoas e são PARA as pessoas. A noção com que fiquei da ideia que foi transmitida é que as organizações não podem suportar identidades pessoais com carácter próprio, que não podem permitir que não se siga à risca um plano traçado num qualquer gabinete porque tudo está estudado ao milímetro incluindo as emoções geradas por cada frase, por cada entoação, por cada hesitação. As organizações necessitariam portanto de se desumanizar para se mecanizarem como homens e mulheres cada vez mais descartáveis, mudos e quedos nos seus lugares esquematizados. E o exemplo é melhor ainda porquanto se trata de um trabalho criativo. Fernando Alves é um mau funcionário mas que cumpre os seus objectivos e mantém um nível criativo invulgar. Porque não foi ainda descartado? Porque a relação custo – benefício indica que ele, ainda assim, como incorrigível incumpridor de regras, cumpre com os objectivos e realiza mais-valia para a sua organização.
Mas a questão não morre neste exemplo. Serão os portugueses um povo de intrujas e de calões que não querem trabalhar e que se desenrascam com o que apanham à mão? Essa é uma boa ideia para vender a quem tiver a vontade de, mais uma vez ser “comido” com verdades feitas que não passam de mistificações. Os trabalhadores portugueses são como todos os outros. Há-os de todas as formas e feitios e lá por fora são dos mais produtivos. Então se assim é, porque não acontece o mesmo por aqui?
Na minha opinião existe um ponto fulcral onde tudo falha no nosso país. Os quadros superiores e intermédios das empresas privadas e públicas são, na sua grande maioria entregues a pessoas pouco qualificadas, senão tecnicamente, pelo menos humanamente. Ou então tecnicamente a nível de recursos humanos. As organizações estão pejadas de escroques e escumalha autoritária de assalariados que se comportam como cães ao serviço de um único propósito, a própria ascensão e dos amigos. Aqui é uma realidade indesmentível. Somos um país de cunhas. Sem as cunhas não teríamos a orde de bestas a pilotar as nossas organizações, os criadores e fazedores de relações laborais precárias, os lambe-botas do sistema que os chicoteia mas ao mesmo tempo lhes oferece o chicote para a vingança nos elos mais fracos.
Na sua esmagadora maioria os quadros intermédios e mesmo muitos superiores são escolhidos entre os que revelam mais desumanidade, os cães raivosos e irracionais das instituições que são capazes de destruir tudo por onde passam. Só assim se explica que a produtividade seja muito mais baixa por aqui. É que os quadros intermédios e superiores são, eles mesmos, incapazes de gerir, não as organizações em si, mas as pessoas. Acontece que as pessoas são a única verdadeira riqueza estável de uma organização e podem ser tão produtivas quanto melhor forem geridas, quanto melhor se souber proporcionar relações estáveis de trabalho, estímulos realistas à produção, informação concreta e em tempo real da situação financeira das organizações, participação nas ideias e nos resultados produzidos pelas mesmas, estímulos à vinculação às funções onde cada um esteja mais adaptado e se sinta bem.
Não vale sequer a pena falar das questões salariais. É ridículo pensarmos que temos de ter excelentes profissionais quando por pouco menos dinheiro, poderiam estar em casa a servir-se dos dinheiros públicos para financiar o desemprego. O desemprego e o baixo consumo privado devem-se primariamente à cultura de baixos salários e de altos impostos (que não seriam altos se o Estado cumprisse as funções para as quais são recolhidos). Os trabalhadores no activo acabam por financiar toda a actividade económica do país. Ainda se lhes deve pedir mais? Não será agora a vez que qualificar técnica e humanamente os nossos quadros das organizações? Não será a vez de terminar com a absurda ideia de que a competitividade gera melhor produtividade, em contraponto com a ideia de que a cooperação e o trabalho organizado de equipa é factor de mais estímulo e melhor desempenho? Que a alta rotatividade de quadros gera menos despesa com pessoal em contraponto com a ideia de que a estabilidade gera maior confiança e mais identidade com a organização levando por sua vez a maior e melhor produtividade?
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domingo, 14 de dezembro de 2008
Dinheiro = dívida
Dinheiro = dívida.
Perceber o que é e como se cria o dinheiro.
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
AS FESTAS, AS SESTAS E AS BESTAS
Hoje consigo cumprir mais um capítulo de incumprimento do dever de ser social. Não o sou nem quero ser. A fantasia espalha-se. É contagiosa que baste para iludir uns quantos. Não estou e não sou para aturar imbecilidades de pessoas que não conheço nem quero conhecer. Sorrisos de circunstâncias complicadas em dias em que tudo é posto em causa sinónimo de amanhãs incertos, nas mãos de uns quantos fazedores de felácios, carreiristas e oportunistas. Os que encolhem nos outros para terem mais por onde chupar. Que se socorrem dos números manipulados para mutilar as vidas de muitos a seu prazer, sempre com as mesmas caras de merda com as quais foram paridos.
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008
CASO BPN - A irracionalidade do dinheiro
Segundo o DE on-line "Na última semana, ou seja após o anúncio da nacionalização, foram levantados do BPN mais de 300 milhões de euros de depósitos. Este valor equivale a bastante mais do dobro do que tinha sido levantado pelos depositantes do BPN nas semanas que antecederam o anúncio da nacionalização."
E a parte mais interessante:
"A constatação do levantamento de mais de 300 milhões na última semana mostra que os clientes e depositantes do BPN aceleraram os seus movimentos de resgate das contas de que dispunham no banco depois do anúncio da nacionalização. Atitude que contrasta com a mensagem de confiança e de segurança que o Estado procurou transmitir aos depositantes do banco através das garantias que o ministro das Finanças deu a todos os que tinham o seu dinheiro no BPN.
Isto representa o cúmulo da irracionalidade. Durante anos muitos portugueses depositaram no BPN as suas poupanças e tinham uma relação de confiança com um banco de é investigado desde 2001. Surgiu a grave crise financeira internacional. O anterior CEO do grupo saiu de uma forma pouco clara (alegadamente doença) e começaram a sair histórias escabrosas sobre a actuação da administração cessante e sobre o posicionamento e participações ilegais do banco em outras instituições para cobrir milhões em perdas (onde andam esses milhões? Estarão realmente perdidos?) O Governador do Banco de Portugal deixa escapar aquando da falência do Lehman Brothers nos EUA que temos duas instituições financeiras com dificuldades. Um mês mais tarde é divulgado parte do lote de ilegalidades e manobras do banco nos mercados e é apresentado de urgência o facto consumado da necessidade de nacionalização.
Depois de o BPN estar nas mãos seguras do estado através da CGD é que estes loucos retiram o seu dinheiro das contas? Depois do banco estar seguro é que receiam o enorme risco que correram antes? E retiram dinheiro dos cofres de um banco público para o depositar sabe-se lá em que instituição financeira privada? Está provada a estupidez dos portugueses...
E a parte mais interessante:
"A constatação do levantamento de mais de 300 milhões na última semana mostra que os clientes e depositantes do BPN aceleraram os seus movimentos de resgate das contas de que dispunham no banco depois do anúncio da nacionalização. Atitude que contrasta com a mensagem de confiança e de segurança que o Estado procurou transmitir aos depositantes do banco através das garantias que o ministro das Finanças deu a todos os que tinham o seu dinheiro no BPN.
Isto representa o cúmulo da irracionalidade. Durante anos muitos portugueses depositaram no BPN as suas poupanças e tinham uma relação de confiança com um banco de é investigado desde 2001. Surgiu a grave crise financeira internacional. O anterior CEO do grupo saiu de uma forma pouco clara (alegadamente doença) e começaram a sair histórias escabrosas sobre a actuação da administração cessante e sobre o posicionamento e participações ilegais do banco em outras instituições para cobrir milhões em perdas (onde andam esses milhões? Estarão realmente perdidos?) O Governador do Banco de Portugal deixa escapar aquando da falência do Lehman Brothers nos EUA que temos duas instituições financeiras com dificuldades. Um mês mais tarde é divulgado parte do lote de ilegalidades e manobras do banco nos mercados e é apresentado de urgência o facto consumado da necessidade de nacionalização.
Depois de o BPN estar nas mãos seguras do estado através da CGD é que estes loucos retiram o seu dinheiro das contas? Depois do banco estar seguro é que receiam o enorme risco que correram antes? E retiram dinheiro dos cofres de um banco público para o depositar sabe-se lá em que instituição financeira privada? Está provada a estupidez dos portugueses...
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terça-feira, 11 de novembro de 2008
BPN salva Governo
Chamo a atenção para o artigo que pode ser visto aqui (Diário Económico).
Algumas conclusões a tirar e algumas que vêm reafirmar a que já constatei em posts anteriores:
1) A nacionalização era o melhor caminho e inevitável para não colocar em causa todo o sistema financeiro português. Com efeito, já expressei aqui a opinião de que esta era uma medida necessária e facilmente explicável porque estanca uma ferida no sistema financeiro numa instituição que, no caso de ser bem gerida, tem toda a possibilidade de se tornar lucrativa. É obvio que as naiconalizações estão a ser utilizadas sobretudo para salvar instituições financeiras da desgraça e banqueiros da miséria. Mas neste caso o estado português poderá, a curto prazo retirar lucros actuando na banca comercial mantendo a estrutura front-office do BPN. Em suma, nacionalização necessária. Instituição com fortes possibilidades de se tornar (assim haja vontade para tal) na vertente banca comercial mais dura da CGD evidentemente com bons resultados. A CGD tem provado que o estado pode gerir bem, quando quer, mesmo sendo gerido pelos inimigos desse mesmo estado.
2)Não existe aqui um problema de falta de regulamentação. O que existe é claramente um caso criminal a ser averiguado. Temos como certa a ideia de que as auditorias e os auditores produzem sempre resultados à medida dos pedidos das administrações uma vez que são institições que fazem parte integrante do sistema e servem justamente para assinar os resultados que as empresas querem apresentar e não os resultados reais. No caso BPN de 2002 a 2007 há um vazio comleo de informação negativa. Só com a administração de Abdool Vakil surgem as primeiras informações de que algo pode estar muito errado.
3) O Governador Vitor Constâncio, um mês antes de rebentar esta bomba, ele próprio ajuda a acender o rastilho avisando que dois bancos poderão estar em dificuldades. Não disse os nomes mas era certo que se referia ao BPN e ao Finibanco. Como o caso BPN já era do domínio público houve uma corrida aos balcões e ao sistema de net-banking para levantamentos e transferências de depósitos.
4) Tendo sido detectado um buraco de 700 milhões, onde para este dinheiro? Serão efectivamente prejuízos ou estarão bem guardados na posse de accionistas que se arriscam a ser ainda premiados com indemnizações com o processo de nacionalização?
5) O caso BPN é levado a um extremo por se tratar de uma pequena instituição financeira mas o que dizer de todas as irregularidades com o sector da banca nomeadamente com o BCP e processos onde muito frequentemente tem aparecido por vias directas ou indirectas o BES?
6) Pela positivo tenho de realçar que o BPN, como banco público está a manter a postura perante o cliente e os produtos atractivos de muito baixo risco como os depósitos de curto prazo com rendibilidades bastante acima da média, e neste caso bem se pode dizer que muito acima da sua casa-mãe, a Caixa Geral de Depósitos tornando-se, enquanto banco público numa excelente instituição para captar poupanças. Daí surge-me a dúvida que esta nacionalização seja algo que tenha como fim último a anexação à CGD. Infelizmente penso que o objectivo é, a médio prazo, devolver o banco a quem o criou, e destruiu, os privados, nessa altura por meia dúzia de tostões e com as contas limpas. Cumpre-nos o dever de exigir do estado uma boa gestão e um caminho viável e próspero para o BPN como satélite ou integrado futuramente na CGD. Mas não acredito que essa seja a intenção.
Ora, o título é simples de explicar. É que esta foi a atitude mais correcta do governo. E muito embora seja criticável a possibilidade de indemnização aos accionistas é de louvar o que vem por trás a obrigar os outros bancos a maiores rácios de solvabilidade, o que pode mesmo significar várias pequenas nacionalizações à medida das necessidades da banca. O caso BPN coloca o governo bem na fotografia. Infelizmente não foram explicadas pelos media as razões pelas quais a esquerda (PCP e BE) votaram contra este processo. É que não podemos cair no erro de premiar os infractores ou mesmo potenciais criminosos, e estes processos arrastam-se por décadas nos tribunais.
Algumas conclusões a tirar e algumas que vêm reafirmar a que já constatei em posts anteriores:
1) A nacionalização era o melhor caminho e inevitável para não colocar em causa todo o sistema financeiro português. Com efeito, já expressei aqui a opinião de que esta era uma medida necessária e facilmente explicável porque estanca uma ferida no sistema financeiro numa instituição que, no caso de ser bem gerida, tem toda a possibilidade de se tornar lucrativa. É obvio que as naiconalizações estão a ser utilizadas sobretudo para salvar instituições financeiras da desgraça e banqueiros da miséria. Mas neste caso o estado português poderá, a curto prazo retirar lucros actuando na banca comercial mantendo a estrutura front-office do BPN. Em suma, nacionalização necessária. Instituição com fortes possibilidades de se tornar (assim haja vontade para tal) na vertente banca comercial mais dura da CGD evidentemente com bons resultados. A CGD tem provado que o estado pode gerir bem, quando quer, mesmo sendo gerido pelos inimigos desse mesmo estado.
2)Não existe aqui um problema de falta de regulamentação. O que existe é claramente um caso criminal a ser averiguado. Temos como certa a ideia de que as auditorias e os auditores produzem sempre resultados à medida dos pedidos das administrações uma vez que são institições que fazem parte integrante do sistema e servem justamente para assinar os resultados que as empresas querem apresentar e não os resultados reais. No caso BPN de 2002 a 2007 há um vazio comleo de informação negativa. Só com a administração de Abdool Vakil surgem as primeiras informações de que algo pode estar muito errado.
3) O Governador Vitor Constâncio, um mês antes de rebentar esta bomba, ele próprio ajuda a acender o rastilho avisando que dois bancos poderão estar em dificuldades. Não disse os nomes mas era certo que se referia ao BPN e ao Finibanco. Como o caso BPN já era do domínio público houve uma corrida aos balcões e ao sistema de net-banking para levantamentos e transferências de depósitos.
4) Tendo sido detectado um buraco de 700 milhões, onde para este dinheiro? Serão efectivamente prejuízos ou estarão bem guardados na posse de accionistas que se arriscam a ser ainda premiados com indemnizações com o processo de nacionalização?
5) O caso BPN é levado a um extremo por se tratar de uma pequena instituição financeira mas o que dizer de todas as irregularidades com o sector da banca nomeadamente com o BCP e processos onde muito frequentemente tem aparecido por vias directas ou indirectas o BES?
6) Pela positivo tenho de realçar que o BPN, como banco público está a manter a postura perante o cliente e os produtos atractivos de muito baixo risco como os depósitos de curto prazo com rendibilidades bastante acima da média, e neste caso bem se pode dizer que muito acima da sua casa-mãe, a Caixa Geral de Depósitos tornando-se, enquanto banco público numa excelente instituição para captar poupanças. Daí surge-me a dúvida que esta nacionalização seja algo que tenha como fim último a anexação à CGD. Infelizmente penso que o objectivo é, a médio prazo, devolver o banco a quem o criou, e destruiu, os privados, nessa altura por meia dúzia de tostões e com as contas limpas. Cumpre-nos o dever de exigir do estado uma boa gestão e um caminho viável e próspero para o BPN como satélite ou integrado futuramente na CGD. Mas não acredito que essa seja a intenção.
Ora, o título é simples de explicar. É que esta foi a atitude mais correcta do governo. E muito embora seja criticável a possibilidade de indemnização aos accionistas é de louvar o que vem por trás a obrigar os outros bancos a maiores rácios de solvabilidade, o que pode mesmo significar várias pequenas nacionalizações à medida das necessidades da banca. O caso BPN coloca o governo bem na fotografia. Infelizmente não foram explicadas pelos media as razões pelas quais a esquerda (PCP e BE) votaram contra este processo. É que não podemos cair no erro de premiar os infractores ou mesmo potenciais criminosos, e estes processos arrastam-se por décadas nos tribunais.
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008
GOVERNO SALVA BPN
Não me custa nada apontar as grandes visões que por vezes os mais rasteiros governos têm. Não estou a referir-me especificamente a este. Falo em geral. Acho que este governo tem tido especialmente no último ano algumas atitudes meritórias e que temos de encarar como positivas. Talvez não suficientes. Talvez menos correctas se tivermos em conta meramente o nosso ponto de vista ideológico e, portanto, minimalista em relação a soluções que não ponham em causa o próprio sistema.
Este governo tem conseguido em algumas medidas estabelecer um ponto de equilíbrio interessante entre o sistema e as suas lacunas. A borrar a pintura de uma forma atroz vem justamente a grande contradição que é a posição na Europa sobre a legislação laboral traduzida no novo código do trabalho vergonhoso, anti-socialista e reaccionário no pior termo que esta palavra pode ter nos dias de hoje.
No entanto, pondo de parte as grandes discordâncias de sistema, esta acção, tomada com vista à nacionalização do BPN revelou-se muito importante para a saúde e estabilidade das finanças portuguesas. Mas mais ainda do que esta acção é o facto de se obrigar os bancos a reforçarem o dinheiro que realmente têm em contraponto com aquele que devem. Isto obriga a que os bancos tomem uma de duas opções. Ou aumentam capital por vias próprias, pelos seus accionistas ou por novos. Ou recorrem à verba que o estado acaba de colocar à disposição dos bancos para este efeito. Se o fizerem o estado exige que este valor seja tomado não como empréstimo mas como participação activa do próprio estado no banco.
Depois de há umas semanas Constâncio ter cometido a gafe que acabou por ajudar à queda do BPN causando um levantamento maciço de depósitos deste banco e consequentemente a sua falta de liquidez imediata, agora aparece o governador com o ministro das finanças a anunciar o inevitável.
Estas duas medidas aparecem no mesmo dia em que o estado promete uma célere resolução no pagamento das dívidas do estado às empresas do qual é devedor. Parecendo que não, tudo isto está interligado e gera-se aqui um muro contra alguns maus ventos que ainda estar por chegar até nós. O governo acautela o capitalismo de forma positiva. É uma estupidez pensar que o capitalismo pode e deve ser derrubado desta forma. Esta não é uma dinâmica de destruição mas será, sem dúvida, de mudança radical no próprio sistema. Que se desiludam os que pensam que este se tornará menos injusto ou arbitrário. Apenas percorrerá outros caminhos para a mesma aplicação das velhas doutrinas liberais convertidas.
Assim como a ganância dos gestores leva a conduzirem empresas por caminhos longínquos de todos os textos criados e recriados da boa prática de gestão empresarial também os governantes vão cair novamente na tentação de devolver ao livre mercado o que agora estão a querer regular. Esta medida pecará se for temporária. Esta medida estará condenada se não se condenarem as más práticas e as gestões danosas, por exemplo, dos senhores do BPN, todos eles barões e ex-governantes do PSD cavaquista. Esta medida poderá ser mal compreendida e aceite se insistirem em indemnizar accionistas culpados da presente situação como se recebessem ainda um prémio por isso. Assim é dito da esquerda comunista à direita Popular.
É uma importante medida. Resta ver as consequências e tudo o que se segue.
Este governo tem conseguido em algumas medidas estabelecer um ponto de equilíbrio interessante entre o sistema e as suas lacunas. A borrar a pintura de uma forma atroz vem justamente a grande contradição que é a posição na Europa sobre a legislação laboral traduzida no novo código do trabalho vergonhoso, anti-socialista e reaccionário no pior termo que esta palavra pode ter nos dias de hoje.
No entanto, pondo de parte as grandes discordâncias de sistema, esta acção, tomada com vista à nacionalização do BPN revelou-se muito importante para a saúde e estabilidade das finanças portuguesas. Mas mais ainda do que esta acção é o facto de se obrigar os bancos a reforçarem o dinheiro que realmente têm em contraponto com aquele que devem. Isto obriga a que os bancos tomem uma de duas opções. Ou aumentam capital por vias próprias, pelos seus accionistas ou por novos. Ou recorrem à verba que o estado acaba de colocar à disposição dos bancos para este efeito. Se o fizerem o estado exige que este valor seja tomado não como empréstimo mas como participação activa do próprio estado no banco.
Depois de há umas semanas Constâncio ter cometido a gafe que acabou por ajudar à queda do BPN causando um levantamento maciço de depósitos deste banco e consequentemente a sua falta de liquidez imediata, agora aparece o governador com o ministro das finanças a anunciar o inevitável.
Estas duas medidas aparecem no mesmo dia em que o estado promete uma célere resolução no pagamento das dívidas do estado às empresas do qual é devedor. Parecendo que não, tudo isto está interligado e gera-se aqui um muro contra alguns maus ventos que ainda estar por chegar até nós. O governo acautela o capitalismo de forma positiva. É uma estupidez pensar que o capitalismo pode e deve ser derrubado desta forma. Esta não é uma dinâmica de destruição mas será, sem dúvida, de mudança radical no próprio sistema. Que se desiludam os que pensam que este se tornará menos injusto ou arbitrário. Apenas percorrerá outros caminhos para a mesma aplicação das velhas doutrinas liberais convertidas.
Assim como a ganância dos gestores leva a conduzirem empresas por caminhos longínquos de todos os textos criados e recriados da boa prática de gestão empresarial também os governantes vão cair novamente na tentação de devolver ao livre mercado o que agora estão a querer regular. Esta medida pecará se for temporária. Esta medida estará condenada se não se condenarem as más práticas e as gestões danosas, por exemplo, dos senhores do BPN, todos eles barões e ex-governantes do PSD cavaquista. Esta medida poderá ser mal compreendida e aceite se insistirem em indemnizar accionistas culpados da presente situação como se recebessem ainda um prémio por isso. Assim é dito da esquerda comunista à direita Popular.
É uma importante medida. Resta ver as consequências e tudo o que se segue.
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terça-feira, 28 de outubro de 2008
Economia para totós… ou será por totós?
Há uns anos atrás O ex-primeiro-ministro Eng. Guterres afirmou categoricamente que estávamos a atravessar uma crise. É obvio que ele queria dizer pura e simplesmente que era um incapaz (como governante, entenda-se). Após esta deserção o país optou por uma nova liderança que anunciava a salvação. Porém, sempre por factores externos, também era diagnosticada a crise e culpabilizado o anterior governo. O primeiro-ministro deixa que se construa o álibi que o salvará e corre desertando para a União Europeia naquilo que prometiam ser o mais honroso cargo atribuído a um político nacional. Enquanto este senhor Dr. Barroso se prepara para participar na fase de conspiração para a guerra com Bush e Blair em Portugal vive-se a mesma anedota da crise mas desta vez agravada pelo facto de ter ficado à frente do governo um homem ao qual foram negadas quaisquer possibilidades de poder alegar que aí estava a crise. Transformaram-no na crise naquele que foi um dos mais tristes espectáculos de cumplicidade entre a sabujice dos meios de comunicação social e uma bem montada estratégia por um lado do partido socialista e por outro dos seus pares do PSD que não podiam admitir um homem como Santana à frente dos destinos do partido e muito menos do governo. Sem o álibi da crise mas com a legitimidade democrática das sondagens da Marktest o então Presidente da República resolve dissolver uma assembleia democraticamente eleita e com uma maioria governamental coincidindo esse acto com a minúscula distância temporal da eleição do futuro líder socialista.
Na campanha eleitoral muito se falou da crise ou crises e muitas promessas foram debitadas em nome de programas que se sabiam nunca poderem ser cumpridos. A comunicação social cilindrou Santana e elegeu ou fez eleger Sócrates.
Desde que o Eng. José Sócrates assumiu o poder não se fala noutra coisa que não a crise. Se é a mesma, se é outra, se os contextos são diferentes, é algo que devemos pensar, mas a crise é o que existe em comum a todos estes os dirigentes porque também comuns são as soluções e as fórmulas apresentadas. O álibi de Sócrates é a crise internacional ajudada a criar por um dos seus antecessores à escala mundial quando decidiu participar em mais um dos cenários de intervencionismo unilateral e imperialista dos norte-americanos. E não bastando tal demonstração de miserável lambe-botismo à portuguesa ainda teve de o promover em território nacional colocando o país numa situação complicada.
O que distingue Sócrates é que ele passa pela apresentação da crise como vítima de circunstâncias que lhe são totalmente alheias para explicar o relativo insucesso das suas aplicações políticas práticas. Sim, eu disse relativo insucesso. Sócrates aparece hoje vencedor dos que, à sua direita, diziam que era uma estupidez o estado ser proprietário da Caixa Geral de Depósitos. Não que ele não pense da mesma forma, mas agiu de forma diferente. Sócrates aparece no actual cenário, um capítulo avançado dessa eterna crise, como um social-democrata reformador e sobretudo como alguém que resolveu apostar em inovações, ou inovação, como queiram. O discurso da crise permanece o mesmo. Está lá a desculpabilização mas estão também outras coisas como a possibilidade histórica de alterar sem grandes protestos, por exemplo, a legislação laboral. As pessoas estão bêbadas de crise, entorpecidas pela Euribor e pelas cartas das financiadoras a pedir dinheiro. O que é certo é que esta crise eterna é uma máquina de criar excluídos. As práticas socialistas deste governo têm diminuído esses efeitos mas a ferida é bem maior que o penso que a cobre.
Segundo dados recentemente divulgados o valor dos imóveis tem vindo a cair de forma acentuada nos últimos dois anos à semelhança do que sucedeu nos Estados Unidos e que despoletou a chamada crise do subprime. Corremos o mesmo risco de pagarmos algo que não vale uma pequena fracção do valor de aquisição e respectiva hipoteca.
Os economistas dizem que tudo está bem. Que é tudo passageiro e que melhores dias já se vislumbram. Outros mais pessimistas dizem que o fim deste processo de crise, a tal eterna crise, ainda não tem fim à vista. Os mais realistas dizem que estamos apenas no início de algo desconhecido mas que pode transformar radicalmente a sociedade. Ora, tam como o socialismo mitigado de Sócrates demonstra cá pelo nosso pequeno país o capitalismo tornou-se invencível e indestrutível pelo que é só uma questão de tempo e, ou estaremos mortos, ou saídos da crise. Na perspectiva mais realista, se não mortos continuaremos na mesma crise com outros protagonistas. A crise faz parte do processo. É uma espécie de betão que estanca as feridas do capital.
Quando os gigantes do capitalismo começam a despedir em massa continuamos sem ouvir ou ler sobre milionários que ficam miseráveis. Os economistas resolveram reinventar Marx precisamente para salvar o capitalismo, os capitalistas e sobretudo o principal, o capital. Esses economistas até ontem neo-liberais até ao osso hoje são keynesianos e foram lamber os restos do marxismo na intervenção do estado não onde Keynes a previa (absorvendo os restos humanos, as sobras humanas que o mercado não quer) mas antes redistribuindo a riqueza (ou a dívida) dos povos e dos estados pelos milionários do sistema financeiro que, por sua vez, é suposto financiar a economia. Aquilo a que já se chama de Socialismo dos ricos ou o salvamento do credor e não do devedor. Devedor esse que é precisamente a matriz do desenvolvimento do próprio sistema capitalista.
O mercado de capitais está a experimentar momentos complicados, à semelhança de outras alturas. Estas crises são cíclicas. Talvez por isso ouvi com relativo interesse um debate para totós sobre economia na RTP-N que terminou de uma forma espantosa. O apresentador pergunta aos entrevistados se este é o momento ideal para investir em acções. A resposta é clara. Sim, este é o momento ideal se tivermos pelo menos dez anos para esperar pelo retorno e soubermos investir de forma dispersa. Por momentos relembrei muitos dos textos que tenho vindo a ler dobre a matéria e voltei à realidade de que aqueles senhores são economistas. À semelhança da estupidez do comentário de Constâncio sobre a saúde financeira de dois pequenos bancos levando a um levantamento enorme de depósitos do BPN obrigando este banco a recorrer a um empréstimo da CGD, a mesma estupidez é demonstrada pelos economistas em questão. Em primeiro lugar é necessário cair na realidade de que as poupanças dos portugueses muito reduzidas e que o nível de endividamento está já em níveis incomportáveis. Se esta é uma boa altura para o investimento na bolsa não o será certamente para quem não conhece sequer a palavra investimento pois não lhe é apresentada outra fundamental que é o rendimento. Não menos de dez anos é o que prometem estes senhores para um retorno razoável de investimento. Seria bom se a vida humana fosse eterna ou se houvesse dinheiro a rodos para sustentar esse parasitarismo financeirista.
Na campanha eleitoral muito se falou da crise ou crises e muitas promessas foram debitadas em nome de programas que se sabiam nunca poderem ser cumpridos. A comunicação social cilindrou Santana e elegeu ou fez eleger Sócrates.
Desde que o Eng. José Sócrates assumiu o poder não se fala noutra coisa que não a crise. Se é a mesma, se é outra, se os contextos são diferentes, é algo que devemos pensar, mas a crise é o que existe em comum a todos estes os dirigentes porque também comuns são as soluções e as fórmulas apresentadas. O álibi de Sócrates é a crise internacional ajudada a criar por um dos seus antecessores à escala mundial quando decidiu participar em mais um dos cenários de intervencionismo unilateral e imperialista dos norte-americanos. E não bastando tal demonstração de miserável lambe-botismo à portuguesa ainda teve de o promover em território nacional colocando o país numa situação complicada.
O que distingue Sócrates é que ele passa pela apresentação da crise como vítima de circunstâncias que lhe são totalmente alheias para explicar o relativo insucesso das suas aplicações políticas práticas. Sim, eu disse relativo insucesso. Sócrates aparece hoje vencedor dos que, à sua direita, diziam que era uma estupidez o estado ser proprietário da Caixa Geral de Depósitos. Não que ele não pense da mesma forma, mas agiu de forma diferente. Sócrates aparece no actual cenário, um capítulo avançado dessa eterna crise, como um social-democrata reformador e sobretudo como alguém que resolveu apostar em inovações, ou inovação, como queiram. O discurso da crise permanece o mesmo. Está lá a desculpabilização mas estão também outras coisas como a possibilidade histórica de alterar sem grandes protestos, por exemplo, a legislação laboral. As pessoas estão bêbadas de crise, entorpecidas pela Euribor e pelas cartas das financiadoras a pedir dinheiro. O que é certo é que esta crise eterna é uma máquina de criar excluídos. As práticas socialistas deste governo têm diminuído esses efeitos mas a ferida é bem maior que o penso que a cobre.
Segundo dados recentemente divulgados o valor dos imóveis tem vindo a cair de forma acentuada nos últimos dois anos à semelhança do que sucedeu nos Estados Unidos e que despoletou a chamada crise do subprime. Corremos o mesmo risco de pagarmos algo que não vale uma pequena fracção do valor de aquisição e respectiva hipoteca.
Os economistas dizem que tudo está bem. Que é tudo passageiro e que melhores dias já se vislumbram. Outros mais pessimistas dizem que o fim deste processo de crise, a tal eterna crise, ainda não tem fim à vista. Os mais realistas dizem que estamos apenas no início de algo desconhecido mas que pode transformar radicalmente a sociedade. Ora, tam como o socialismo mitigado de Sócrates demonstra cá pelo nosso pequeno país o capitalismo tornou-se invencível e indestrutível pelo que é só uma questão de tempo e, ou estaremos mortos, ou saídos da crise. Na perspectiva mais realista, se não mortos continuaremos na mesma crise com outros protagonistas. A crise faz parte do processo. É uma espécie de betão que estanca as feridas do capital.
Quando os gigantes do capitalismo começam a despedir em massa continuamos sem ouvir ou ler sobre milionários que ficam miseráveis. Os economistas resolveram reinventar Marx precisamente para salvar o capitalismo, os capitalistas e sobretudo o principal, o capital. Esses economistas até ontem neo-liberais até ao osso hoje são keynesianos e foram lamber os restos do marxismo na intervenção do estado não onde Keynes a previa (absorvendo os restos humanos, as sobras humanas que o mercado não quer) mas antes redistribuindo a riqueza (ou a dívida) dos povos e dos estados pelos milionários do sistema financeiro que, por sua vez, é suposto financiar a economia. Aquilo a que já se chama de Socialismo dos ricos ou o salvamento do credor e não do devedor. Devedor esse que é precisamente a matriz do desenvolvimento do próprio sistema capitalista.
O mercado de capitais está a experimentar momentos complicados, à semelhança de outras alturas. Estas crises são cíclicas. Talvez por isso ouvi com relativo interesse um debate para totós sobre economia na RTP-N que terminou de uma forma espantosa. O apresentador pergunta aos entrevistados se este é o momento ideal para investir em acções. A resposta é clara. Sim, este é o momento ideal se tivermos pelo menos dez anos para esperar pelo retorno e soubermos investir de forma dispersa. Por momentos relembrei muitos dos textos que tenho vindo a ler dobre a matéria e voltei à realidade de que aqueles senhores são economistas. À semelhança da estupidez do comentário de Constâncio sobre a saúde financeira de dois pequenos bancos levando a um levantamento enorme de depósitos do BPN obrigando este banco a recorrer a um empréstimo da CGD, a mesma estupidez é demonstrada pelos economistas em questão. Em primeiro lugar é necessário cair na realidade de que as poupanças dos portugueses muito reduzidas e que o nível de endividamento está já em níveis incomportáveis. Se esta é uma boa altura para o investimento na bolsa não o será certamente para quem não conhece sequer a palavra investimento pois não lhe é apresentada outra fundamental que é o rendimento. Não menos de dez anos é o que prometem estes senhores para um retorno razoável de investimento. Seria bom se a vida humana fosse eterna ou se houvesse dinheiro a rodos para sustentar esse parasitarismo financeirista.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Entre o inferno e a salvação...

A imagem tem 33 anos e representa o momento histórico da nacionalização da banca portuguesa pouco depois do 25 de Abril, de forma a assegurar que este sector terminasse com a sabotagem sobre múltiplas formas à economia nacional então em processo. As movimentações da banca tinham a intenção clara de inviabilizar a evolução política democrática pelo seu comprometimento com o anterior sistema e com as oligarquias reinantes.
António Borges, uma das mais importantes figuras da opinião económica e do PSD actual defendeu há poucos meses que deveríamos caminhar para a privatização do único banco do estado, a Caixa Geral de Depósitos. Ainda não se conheciam os acontecimentos últimos desta crise que agora assola os mais desenvolvidos redutos do neo-liberalismo. Esta ideia vem na mesma senda dos crimes económicos cometidos quando se privatizaram companhias como a Galp, a EDP ou a PT. Vem sobretudo em contra-corrente com a pouca-vergonha das soluções apresentadas para conter a sangria da actual crise financeira. No mesmo caminho que leva os contribuintes das nações mais afectadas a pagarem duramente a factura da irresponsabilidade criminosa de alguns no sector e de muitos na política. E, pasme-se, aqueles que tiveram as mesmas linhas de pensamento que este prestigiado economista.
Relembrar as nacionalizações de há 33 anos em Portugal serve apenas para ilustrar como aquilo que os ultra-liberais apontam como tendo sido o responsável pelo atraso do nosso país serve hoje de ferramenta para salvar o próprio sistema capitalista. Mas mesmo isso pode não chegar. O caso da Islândia é disso um exemplo. É o próprio estado que se encontra falido. Como é possível suceder uma crise desta envergadura num dos países mais ricos do mundo? Pior do que tentar chegar a uma resposta breve e simples é tentar compreender como é que pode a contracção de mais uma dívida perante a Rússia pode trazer a solução ao problema deste país.
Chegámos ao ponto em que temos de compreender que não podemos andar uma vida inteira a parecer algo que não somos. A viver bem às custas de um endividamento que nos pode cair em cima a qualquer momento ceifando-nos toda uma vida de trabalho e de esforço. Temos de compreender que, aconteça o que acontecer os responsáveis por toda esta confusão nunca serão sequer beliscados por esta crise. Os contribuintes pagarão a manutenção das suas fortunas. Aliás, é de pensar porque já se falam de tantas falências e de algumas “nacionalizações” de instituições financeiras e não se ouça rigorosamente nada sobre ricos a ficarem pobres. Nem vai suceder porque estes pobres, mas sobretudo as camadas intermédias, irão providenciar a manutenção das suas riquezas através destes processos fraudulentos de nacionalização que não são mais que o absorver das dívidas nas contas do estado para salvaguardar os interesses dos especuladores e das grandes fortunas.
À semelhança do que aconteceu no Portugal do pós-25 de Abril em que, no dia seguinte toda a gente passou a ser revolucionária até ao osso, mesmo os que sempre dormiram com o regime Salazar-Caetano, hoje todos os liberais escarnecem o neo-liberalismo e que sempre foram pela regulamentação dos mercados. Não nos iludamos. Os novos esquerdistas e direitistas com discurso de esquerda são da mesma laia que os que saíram do MRPP para a liderança da política e da intelectualidade de direita no Portugal actual. Eles sempre quiseram tudo desregulamentado e entregue aos mesmos patrões de sempre, os seus ou melhor ainda, eles mesmos.
Estes são os senhores que nos querem fazer crer que as nacionalizações do 25 de Abril eram más mas que as actuais são boas porque são a tábua de salvação do próprio sistema financeiro. Os mesmos que venderam por valores ridículos aos privados empresas públicas lucrativas e algumas delas monopólios. Os mesmo que sempre têm feito um finca-pé ideológico contra o intervencionismo estatal.
À esquerda tem de haver uma postura forme de salvaguarda da identidade ideológica da diferenciação entre os processos de nacionalização e o actual processo de fraudes de nacionalização de dívidas absorvendo no estado os falhanços e os irregularidades e irresponsabilidades assumidas pela alta finança e pela política sempre cooperante e conivente. A esquerda tem de manter firme a ideia de que a banca e os seguros têm sempre de ter uma âncora firme no estado.
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quarta-feira, 8 de outubro de 2008
O debate mais estúpido do mundo
Acerca deste segundo debate entre os dois candidatos à presidência dos EUA e segundo um dos comentadores da CNN (não sei quem porque me pareciam todos iguais) McCain prometeu pagar as casas de toda a gente e Obama prometeu cuidados de saúde para toda a gente, o que é bom para um país que se encontra falido. A expressão é dele. A realidade também.
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Não fora a mão protectora e o capitalismo um destes dias acordava morto
Cada dia que vai passando sobre este carrocel de acontecimentos respeitantes à crise financeira vai-nos dando uma imagem mais real e mais tenebrosa quanto às causas e consequências de tudo isto. Mais preocupante é termos a noção que as soluções apresentadas são apenas e só a potenciação dos factores de crise. A manutenção da desregulamentação e a injecção de capital onde ele foi suprimido por manobras criminosas. Um sistema político e económico que tem como base da sua propaganda o sucesso e a eficácia premeia justamente os mais capazes desta espécie de Darwinismo económico. É que os mais fortes são sempre os que sobrevivem mesmo que as estruturas que criaram e mantiveram se desfaçam em pó. Desaparecem as estruturas empresariais mas o capital não se move das finanças pessoais de cada um dos criminosos dos movimentos de capitais. Não fora a mão protectora dos políticos cobardes e cumplices e o capitalismo um destes dias acordava morto.
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