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quarta-feira, 1 de abril de 2009

O que há de errado neste "filme"?

FAIANÇAS BORDALO PINHEIRO. Governo anuncia que a continuidade desta empresa está garantida e que foi encontrado um comprador para a maioria do seu capital que vai garantir a laboração e a manutenção dos postos de trabalho.

Em declarações à TSF o representante da Visabeira (empresa que adquire agora mais de 75% do capital das Faianças Bordalo Pinheiro diz que o negócio correspondeu a um investimento de cerca de 1,8 milhões de Euros por parte deste grupo, juntando este negócio à OPA que será lançada pela Visabeira à Vista Alegre. Disse o mesmo representante que iriam de imediato procurar novos mercados e novos negócios e que nada poderia adiantar quanto aos postos de trabalho que, à partida, tudo indica que serão mantidos.

O ministro da economia declarou que a participação do estado para a salvação das FBP foi de dois milhões de Euros, mas fez questão de salientar que “não foi só meter dinheiro na empresa”, uma vez que o negócio envolveu também “a renegociação das dívidas aos bancos e à segurança social”. Quanto aos postos de trabalho garantiu que nem um se perderia.

Fazendo um apanhado de tudo isto é simples perceber que o estado contribuiu para a regularização das dívidas da FBP pagando 2 milhões de euros dos contribuintes. Por outro lado, e depois de limpa a casa, entrega-a a um grupo privado disposto a fazer o sacrifício de investir 1,8 milhões de euros para adquirir a maioria do capital da empresa em questão não procurando sequer a contrapartida da obrigação da manutenção dos postos de trabalho em causa.

Perante estas informações algo deve estar certamente errado neste "filme"...

1,9 milhões para a administração da CGD

Atente-se no artigo publicado aqui sobre a remuneração dos sete administradores da CGD no ano de 2008. Reflectir sobre isto é um imperativo nos dias que correm. É de lembrar que no dia de ontem foi anunciado que, com toda a probabilidade, atingiremos os dois digitos nos números oficiais do desemprego até ao final do corrente ano.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A crise atinge o retalho nos EUA

A Circuit City, uma das maiores companhias retalhistas de produtos electrónicos solicitou um processo de reorganização sob o Capítulo 11 do United States Bankrupcy Code tendo já anunciado o fecho de 115 lojas das 567 que o referido grupo detém. Este processo significa de imediato o desemprego de cerca de 7300 pessoas.

Esta situação deve-se a factores que se prendem com a concorrência crescente dos grupos Best Buy e Wall Mart (O maior grupo retalhista do mundo) e à redução significativa do poder de aquisição dos americanos.

Este recuo poderá ser, com uma gestão cuidada, estratégico para manter a empresa de portas abertas especializando-se a adaptando-se a novas oportunidades. Contudo a gula de que o sistema capitalista ao estilo americano é feito remete-me para a noção clara que este será um grupo empresarial a morrer em poucos meses com todas as consequências negativas que isso pode trazer. Mesmo que seja integrado num dos maiores competidores só piora a situação pois todas as fusões implicam despedimentos e redução de vencimentos.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Economia para totós… ou será por totós?

Há uns anos atrás O ex-primeiro-ministro Eng. Guterres afirmou categoricamente que estávamos a atravessar uma crise. É obvio que ele queria dizer pura e simplesmente que era um incapaz (como governante, entenda-se). Após esta deserção o país optou por uma nova liderança que anunciava a salvação. Porém, sempre por factores externos, também era diagnosticada a crise e culpabilizado o anterior governo. O primeiro-ministro deixa que se construa o álibi que o salvará e corre desertando para a União Europeia naquilo que prometiam ser o mais honroso cargo atribuído a um político nacional. Enquanto este senhor Dr. Barroso se prepara para participar na fase de conspiração para a guerra com Bush e Blair em Portugal vive-se a mesma anedota da crise mas desta vez agravada pelo facto de ter ficado à frente do governo um homem ao qual foram negadas quaisquer possibilidades de poder alegar que aí estava a crise. Transformaram-no na crise naquele que foi um dos mais tristes espectáculos de cumplicidade entre a sabujice dos meios de comunicação social e uma bem montada estratégia por um lado do partido socialista e por outro dos seus pares do PSD que não podiam admitir um homem como Santana à frente dos destinos do partido e muito menos do governo. Sem o álibi da crise mas com a legitimidade democrática das sondagens da Marktest o então Presidente da República resolve dissolver uma assembleia democraticamente eleita e com uma maioria governamental coincidindo esse acto com a minúscula distância temporal da eleição do futuro líder socialista.

Na campanha eleitoral muito se falou da crise ou crises e muitas promessas foram debitadas em nome de programas que se sabiam nunca poderem ser cumpridos. A comunicação social cilindrou Santana e elegeu ou fez eleger Sócrates.

Desde que o Eng. José Sócrates assumiu o poder não se fala noutra coisa que não a crise. Se é a mesma, se é outra, se os contextos são diferentes, é algo que devemos pensar, mas a crise é o que existe em comum a todos estes os dirigentes porque também comuns são as soluções e as fórmulas apresentadas. O álibi de Sócrates é a crise internacional ajudada a criar por um dos seus antecessores à escala mundial quando decidiu participar em mais um dos cenários de intervencionismo unilateral e imperialista dos norte-americanos. E não bastando tal demonstração de miserável lambe-botismo à portuguesa ainda teve de o promover em território nacional colocando o país numa situação complicada.

O que distingue Sócrates é que ele passa pela apresentação da crise como vítima de circunstâncias que lhe são totalmente alheias para explicar o relativo insucesso das suas aplicações políticas práticas. Sim, eu disse relativo insucesso. Sócrates aparece hoje vencedor dos que, à sua direita, diziam que era uma estupidez o estado ser proprietário da Caixa Geral de Depósitos. Não que ele não pense da mesma forma, mas agiu de forma diferente. Sócrates aparece no actual cenário, um capítulo avançado dessa eterna crise, como um social-democrata reformador e sobretudo como alguém que resolveu apostar em inovações, ou inovação, como queiram. O discurso da crise permanece o mesmo. Está lá a desculpabilização mas estão também outras coisas como a possibilidade histórica de alterar sem grandes protestos, por exemplo, a legislação laboral. As pessoas estão bêbadas de crise, entorpecidas pela Euribor e pelas cartas das financiadoras a pedir dinheiro. O que é certo é que esta crise eterna é uma máquina de criar excluídos. As práticas socialistas deste governo têm diminuído esses efeitos mas a ferida é bem maior que o penso que a cobre.

Segundo dados recentemente divulgados o valor dos imóveis tem vindo a cair de forma acentuada nos últimos dois anos à semelhança do que sucedeu nos Estados Unidos e que despoletou a chamada crise do subprime. Corremos o mesmo risco de pagarmos algo que não vale uma pequena fracção do valor de aquisição e respectiva hipoteca.

Os economistas dizem que tudo está bem. Que é tudo passageiro e que melhores dias já se vislumbram. Outros mais pessimistas dizem que o fim deste processo de crise, a tal eterna crise, ainda não tem fim à vista. Os mais realistas dizem que estamos apenas no início de algo desconhecido mas que pode transformar radicalmente a sociedade. Ora, tam como o socialismo mitigado de Sócrates demonstra cá pelo nosso pequeno país o capitalismo tornou-se invencível e indestrutível pelo que é só uma questão de tempo e, ou estaremos mortos, ou saídos da crise. Na perspectiva mais realista, se não mortos continuaremos na mesma crise com outros protagonistas. A crise faz parte do processo. É uma espécie de betão que estanca as feridas do capital.

Quando os gigantes do capitalismo começam a despedir em massa continuamos sem ouvir ou ler sobre milionários que ficam miseráveis. Os economistas resolveram reinventar Marx precisamente para salvar o capitalismo, os capitalistas e sobretudo o principal, o capital. Esses economistas até ontem neo-liberais até ao osso hoje são keynesianos e foram lamber os restos do marxismo na intervenção do estado não onde Keynes a previa (absorvendo os restos humanos, as sobras humanas que o mercado não quer) mas antes redistribuindo a riqueza (ou a dívida) dos povos e dos estados pelos milionários do sistema financeiro que, por sua vez, é suposto financiar a economia. Aquilo a que já se chama de Socialismo dos ricos ou o salvamento do credor e não do devedor. Devedor esse que é precisamente a matriz do desenvolvimento do próprio sistema capitalista.

O mercado de capitais está a experimentar momentos complicados, à semelhança de outras alturas. Estas crises são cíclicas. Talvez por isso ouvi com relativo interesse um debate para totós sobre economia na RTP-N que terminou de uma forma espantosa. O apresentador pergunta aos entrevistados se este é o momento ideal para investir em acções. A resposta é clara. Sim, este é o momento ideal se tivermos pelo menos dez anos para esperar pelo retorno e soubermos investir de forma dispersa. Por momentos relembrei muitos dos textos que tenho vindo a ler dobre a matéria e voltei à realidade de que aqueles senhores são economistas. À semelhança da estupidez do comentário de Constâncio sobre a saúde financeira de dois pequenos bancos levando a um levantamento enorme de depósitos do BPN obrigando este banco a recorrer a um empréstimo da CGD, a mesma estupidez é demonstrada pelos economistas em questão. Em primeiro lugar é necessário cair na realidade de que as poupanças dos portugueses muito reduzidas e que o nível de endividamento está já em níveis incomportáveis. Se esta é uma boa altura para o investimento na bolsa não o será certamente para quem não conhece sequer a palavra investimento pois não lhe é apresentada outra fundamental que é o rendimento. Não menos de dez anos é o que prometem estes senhores para um retorno razoável de investimento. Seria bom se a vida humana fosse eterna ou se houvesse dinheiro a rodos para sustentar esse parasitarismo financeirista.