domingo, 28 de março de 2010

Subsídios e subvenções

Numa altura em que se fala de cortes profundos para aqueles que poucos recursos têm, nomeadamente através dos subsídios de desemprego e das pensões de reforma que continuam a níveis ridículos, continuam a ler-se este tipo de notícias que, na realidade, não são nada de novo! A ver aqui o quanto do nosso património comum vai para subsídios e subvenções aos nossos governantes.

Um PSD renovado?

... e ainda havia por aí quem gozasse o facto de este partido ter apresentado ao país um Primeiro-Ministro como Pedro Santana Lopes (que não considero nem de perto nem de longe que seja tudo aquilo que de mal dele se diz), agora podem fazer festivais de comédia com a ascensão de mais um fantoche político sem qualquer tipo de mérito ou credibilidade publica ou política. O que vale é que os partidos do centro desta ditadura democrática jamais caem por mais ridículos que sejam nas suas escolhas. Senão veja-se o PS e o nosso actual Primeiro-Ministro!

domingo, 14 de março de 2010

Ainda o PEC, sobre o desemprego

Segundo o que foi divulgado pela TSF é intenção do Governo reduzir aos subsídios de desemprego com vista a estimular o regresso à vida activa.

Temos muitos ângulos por onde analisar esta questão. É necessário saber, e com toda a certeza o governo estará munido de uma informação suficientemente clara para argumentar que a redução no subsídio, ou nas condições para a sua obtenção se traduz efectivamente num regresso à vida activa dos actuais desempregados. Sabem então qual o tipo de desempregados que temos e querem-nos de volta à vida activa.

Temos de considerar antes do mais que, os desempregados que têm efectivamente direito ao subsídio de desemprego não são nem de perto nem de longe a totalidade dos desempregados inscritos nos centros de emprego. O seu número é muito menor. Outra coisa a ter em conta é que nos centros de emprego não são os locais ideais para se procurar trabalho real, aquele que existe no dia-a-dia dos mercados de trabalho. Essas oportunidades têm de ser procuradas directamente junto das empresas ou, em alternativa, junto de outras empresas que recrutam nas mais diversas formas. O próprio mercado está estruturado de forma a privilegiar as empresas que prestam serviços nas áreas de recursos humanos em detrimento de uma espécie de mercado social de trabalho que constitui por si só uma utopia que apenas gera ilusões dos mais diversos teores. Assim sendo, temos de considerar se o mercado tem efectivamente capacidade para absorver estas pessoas se elas pretenderem regressar á vida activa. Não querendo trazer para este espaço de breve reflexão dados estatísticos, baseio-me no senso comum, com todo o erro que possa trazer, para afirmar que o mercado não tem essa capacidade. Mas, em conjunto com isso, existe um número considerável de desempregados, que o são de forma sistemática e que não querem de facto, ingressar na vid activa normal de trabalho. E isto pode suceder tendo como um dos possíveis motivos, a não exigência de provas concretas e palpáveis de que o indivíduo (porque a análise tem de ser caso a caso) procura realmente trabalho.

A primeira obrigação do Estado, e o trabalho é antes de mais um direito e assim tem de ser visto, é fazer com que os indivíduos entendam que as oportunidades não nascem em instituições já por si minadas de forma a serem ineficazes. Não existe um mercado social de trabalho porque existe um negócio muito bem estruturado e montado em torno destas questões na esfera privada. E assim sendo, é obrigação do Estado formar os indivíduos para que saibam como e onde procurar trabalho. Faz parte do exercício da cidadania. Para que exista um apoio no desemprego há que haver efectivamente uma situação de desemprego, mas também uma situação de procura e empenho nessa procura de alternativas no mercado. Tem este a capacidade de resposta positiva em muitos dos sectores mais atingidos? Acredito que não tem, de facto e aí sim, deve intervir de uma forma bem mais contundente.

Antes de mais, para distinguir os tipos de desempregados há que promover uma cultura de trabalho alternativo. Quem recebe subsídio de desemprego deve automaticamente estar sujeito a um programa de trabalho social. Claro que não pode ser obrigatório, seria mesmo inconstitucional. Contudo é muito mais fácil premiar com uma extensão de prazo e aumento do rendimento proveniente desse subsídio, aqueles que, procurando efectivamente trabalho, participam na vida social e das comunidades. Aqueles que à partida não aceitam esta solução, serão exactamente os mesmos que estacionam nos centros de emprego à espera que caiam do céu propostas de trabalho. Nestes casos deve haver aquilo que o governo agora sugere, uma redução com vista à reintegração ou integração na vida activa. Mas será que isso produz realmente resultados?

Há que separar desde logo as diversas tipologias de desempregados. Tem de ser visto de forma diferenciada os casos de desemprego involuntário em áreas de actividade que estão por si mesmas em decadência, ou em processos de deslocalização, por exemplo, esvaziando-se em muitos casos o tipo de funções exercidas e para as quais os indivíduos têm formação específica. Ou ainda o trabalho indiferenciado de indivíduos que não têm grande formação e cuja idade não permita o reingresso pleno ao mercado de trabalho até por questões discriminatórias desse mesmo mercado que não cabe aqui analisar. Sem essa diferenciação não é possível qualificar as vontades e cruzá-las com as capacidades de ambos, mercado de trabalho e indivíduos, corresponderem nas suas necessidades mais específicas. O estado tem como obrigação, não conseguir empregos, mas antes preparar as pessoas que efectivamente querem estar na vida activa e que por qualquer problema involuntariamente se encontram em situação de desemprego. Preparar com a informação, como já disse de quais as reais ferramentas ao dispor das pessoas para procurarem “existir” e “contar” para o mercado real de trabalho. Formar os indivíduos que estão à partida mais limitados e fragilizados para as áreas onde existem necessidades específicas quer no sector público quer no sector privado. Ao estado cabe proteger as empresas e os indivíduos adaptando a legislação de forma a premiar os esforços de ambos, empresas e indivíduos, através de incentivos ou reduções fiscais, por exemplo. Mas, um Estado que está empenhado nessa dupla protecção social, pode e deve, ao reduzir no subsídio de desemprego, constituir um fundo que vá complementar os vencimentos, ou seja um subsídio de reingresso que deve ser aplicado em conjunto com benefícios fiscais para os empregadores.

Não me parece ter sido essa a ideia ou ser essa a intenção do governo com esta proposta. Está aqui contemplada a parte do corte que, aparentemente, prejudica aqueles que não querem o regresso á vida activa, mas vai atingir muitos que t~em essa vontade e que por razões de vária ordem não conseguem ingressar ou reingressar no mercado real de trabalho. O Estado é responsável também pela não descriminação na selecção de pessoas nas organizações em função seja de que critério for, excepto a própria vontade de trabalhar.

Mais uma vez, com este tipo de medidas, o que sucede é que o mercado encolhe ainda mais. Não é por causa da redução do subsídio que surgirão mais oportunidades para os que querem, e não vão deixar de viver de expediente aqueles que o não querem.

Portugal, um pequeno país que viu reduzido ao mínimo o seu tecido industrial e que é um país pobre de recursos, dá-se ao luxo de ter políticas sociais que sustentam comunidades inteiras que apenas sobrevivem à custa de formas de parasitarismo social e nada faz para agir contra isso. Houve uma correcção ligeira nas atribuições dos rendimentos mínimos quando passaram a designar-se como rendimentos sociais de inserção. Em alguns casos estes rendimentos acompanham os subsídios de desemprego e temos famílias inteiras que vivem meramente das contribuições sociais.

Os conceitos que estão na génese dos rendimentos de inserção são não só correctos, como fundamentais numa sociedade moderna. Contudo, não podemos confundir rendimentos de inserção com rendimentos fixos de indivíduos, famílias ou comunidades que em circunstancia alguma participam activamente na sociedade contribuindo com o seu trabalho e os seus impostos.

A única forma que é transmitida pelos políticos e nomeadamente pelo poder para resolver esta situação é a aplicação de um critério arbitrário não diferenciando positivamente aqueles que desenvolvem esforços reais de obtenção de trabalho ou que têm condições particulares de limitação no ingresso no mercado real de trabalho.

Quer então parecer, se seguirmos esta linha de pensamento, que apenas se pretende aqui uma medida que não é correctiva nem se aplica apenas aos que não querem, mas antes arbitrária e não diferencia positivamente os que efectivamente querem estar na vida activa. Logo, acaba por ser mais um embuste político e económico pois não gera qualquer mais-valia para a sociedade, para as pessoas atingidas em concreto e para as empresas que efectivamente pretendem criar postos de trabalho e com condições realmente dignas para quem pretende trabalhar.

Esse é o outro prato da balança. As empresas têm de ser protegidas no seu esforço e na sua tarefa social de criar postos de trabalho (quando se trata efectivamente de uma tarefa social que pode e deve existir). E devem ser mais protegidas quanto menos limitativo é o vínculo laboral a criar.

Esta visão global é que deve servir de base a qualquer intervenção nas condições da atribuição do subsídio de desemprego pelo que considero errada a forma de colocar a questão pelo governo. Mais uma vez se cortam precisamente nos elos mais fracos da cadeia. É já um hábito estrutural mas altamente pernicioso do sistema político e económico em que nos têm feito viver.

domingo, 7 de março de 2010

After Crying em Portugal na edição de 2010 do GAR

À semelhança do que tem vibdo a ser já um hábito no panorama musical português, realizar-se-á neste ano a edição de 2010 do Gouveia Art Rock. É um evento que tem vindo a ganhar bastante prestígio internacional e que teve já grandes momentos com presenças muito importantes ao nível da música progressiva. Com algumas alterações no suporte de organização do próprio festival, sucede que parece resistir a alguma desmobilização dos amantes deste género musical. E resiste porque a sua qualidade se impôs a todos os níveis.

Uma presença a destacar este ano é a desta banda húngara, os After Crying. A conhecer ou a relembrar.







O progressivo está de boa saúde e recomenda-se!

sábado, 6 de março de 2010

Sempre a mesma receita

Numa curta análise é necessário ver se entendemos a lógica do pensamento económico que está por trás de decisões desta ordem. Como é necessário manter as contas públicas na ordem e reduzir o défice, uma das soluções apresentadas pelo governo através do Programa de Estabilidade e Crescimento, é precisamente a alienação de participação do Estado em empresas que manifestamente dão lucro e que são um encaixe constante de dinheiro precisamente nos cofres do Estado.

Apresentando-se como uma solução sempre possível no imediato, perece-me que, cortar nas participações rentáveis que o Estado Português detém nas empresas em questão e que vão entrar em mais um processo de privatizações corresponde a vender as galinhas que nos vão dando os ovos para comermos.

À semelhança do passado, o Estado tem alienado participações muito importantes em empresas rentáveis em nome de encaixes extraordinários de dinheiro para diminuir artificialmente o défice. Contudo há dois efeitos a ter em consideração. Ao privatizar, deixando de ter participação, deixa de ter o Estado ganhos com as suas participações. Ganhos esses que são constantes e sustentados. E tem um ganho imediato e definitivo com a venda, que pouco depois é diluído e cessa o seu efeito nas contas públicas. Mas pior ainda, é que o Estado toma a decisão de privatizar aquilo que lhe dá lucro e não aquilo que pesa efectivamente sobre as contas públicas. A TAP pode ser considerada um exemplo disso e está inscrita neste leque de privatizáveis, mas a realidade é que ninguém tem a coragem política de tocar num dos nossos maiores sorvedouros de dinheiros públicos. E antes o fizessem em vez de venderem o que dá lucro. Ao Estado cabe uma importante tarefa de manter empresas como a CP a prestar constantemente um importante serviço à sociedade e principalmente às zonas mais interiores, mesmo havendo sido já tão mutiladas as linhas ferras do nosso país. Mas a TAP não presta esse serviço público até pela sua própria natureza. O que não quer dizer que entenda que a TAP deva ser privatizada. Nenhuma empresa ou participação, principalmente as mais lucrativas, devem ser vendidas.

Alguns exemplos de participações a privatizar são as na Zon, na Lisnave, na Efacec, IPE Macau, Lisnave, SIMAB, Sociedade Águas da Curia e estranhamente para quem ainda tem bem fresco na memória o escândalo que absorveu tantos milhões dos contribuintes portugueses para ser agora vendido a privados indo parar sabe-se lá a que mãos de novo, o Banco Português de Negócios!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Ainda fora do Progressivo

Pela primeira vez em Portugal na próxima edição do Rock in Rio Lisboa.



SNOW PATROL

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Mentalidades tacanhas

É frequente pesquisarmos por estudos nas mais diversas matérias na internet. Curiosamente só há muito pouco tempo começámos a ver disponibilizados, ainda que de uma forma muito tímida, trabalhos de portugueses. Quase todas as matérias são quase que inundadas com trabalhos, por exemplo, de nacionalidade brasileira. E isto revela aquilo que se passa desde tenra idade nos bancos das escolas. A cultura da competição que se desenvolveu sobretudo depois do enorme falhanço geracional do pós-25 de Abril, trouxe-nos a uma cultura mesquinha da reserva do saber enquanto factor ou arma de competição defensiva ou mesmo agressiva. Faz parte da essência da própria sociedade tal como está concebida essa centralização numm esforço individual negativo e competitivo anulando desde sempre o espírito de colectivo e de cooperação.

Na prática isso traduz-se numa didficuldade enorme em conseguirmos textos sérios sobre os mais diversos temas, pior ainda tratando-se de textos científicos que tenhamm origem nas nossas Universidades. E isso sucede fundamentalmente por duas coisas. A preguiça mental que resulta no simples colar e cortar de textos disponibilizados sem a necessária aferição da validade científica ouda sua autenticidade. Ou por outro lado a falta de vontade de partilhar conhecimento por potencial ameaça. Qualquer uma das duas é a tradução prática da tacanhez de espírito dos portugueses.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Deve ser anedota

Hoje ouvia na TSF que, com este Orçamento de Estado, haveria um desagravamento fiscal caso os salários não aumentassem mais que a inflação, tendo sido esta de 0,8%. Quer isto dizer o obvio. Que se os aumentos dos salários não ultrapassarem a fasquia do aumento das tabelas de deduções, os impostos baixam. Mas, loucura total, na ordem das centésimas de ponto percentual!

Ainda bem que temos especialistas que nos dizem estas coisas. Esperemos não estarmos desgraçados se nos apresentarem um aumento superior aos 0,8%. Não vá o país ficar de um momento para o outro repleto de pessoas a viver com melhores rendimentos! Isso seria uma loucura ainda maior!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

E passado algum tempo...

... descobrimos como o tempo voa!!






PORCUPINE TREE - THE INCIDENT (2009) - TIME FLIES

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Portugal - do marialvismo ao rabetismo

Poucas décadas separam estes dois diferentes países, cada um mais decandente que o outro. A esquerda política onde sempre me incluí e continuo a incluir, vê como causa sua e como causa importante a questão tão badalada do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Num país onde existem graves problemas estruturais cometem-se graves erros jurídicos e sociais para tapar buracos de outros mais graves que todos sentimos a cada dia. Sistema jurídico decadente e que não funciona, desde os legisladores incapazes até à aplicação errónea e tardia (quando aplicada) da justiça. Sistema de saúde paralisado e entregue de mão beijada aos serviços privados e às convenções tão convenientes, com um serviço nacional de saúde esvaziado de sentido e de meios. Um sistema de educação que envergonha que está a tomar o mesmo rumo da saúde e está a entregar de mão beijada aos privados aquele dever público tão importante que é educar as novas gerações. A própria concepção do que erradamente ainda chamam de sistema democrático é todos os dias colocada em causa quando o poder está nas mão da economia e não da política. E o que pensam os políticos? Para colmatar todas estas lacunas o melhor é mesmo criar causas absurdas e artificiais como a que aqui se apresenta.

Nem toda a esquerda é consensual nesta matéria. Felizmente existem pessoas que pensam as coisas de forma livre e contra estas modas que derivam de um conceito esquerdista radical e que nada tem a ver com direitos humanos e muito menos com justiça social. Prende-se antes com a destruição de um conceito civilizacional que não deve ser substituido por outro que constitui pior aberração social do que aquela que as nossas actuais instituições já conssubstanciam.

Não defendo um referendo porque pura e simplesmente não creio que ele sirva neste como em nenhum outro caso. Já na matéria da IVG tudo deveria ter sido resolvido em sede própria que era a Assembleia da Republica. Neste caso penso o mesmo. Contudo, e face aos graves problemas de governação que se estão a fazer sentir, esta é uma questão fracturante que ocupa o pensamento das pessoas e as distrai de problemas realmente sérios. E este espaço é mais um aprova disso.

Os políticos, e nomeadamente a esquerda, e muito em particular o PCP deveria distanciar-se pura e simplesmente destas paneleirices. Mas isso é meramente a minha opinião pessoal.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Hiper-explorados

Esta é uma realidade vivida há já muito tempo. As razões que levam a esta greve anunciada, e que infelizmente não vai resultar em nada, é algo que vem sendo prática comum no sector da distribuição em Portugal. Não bastam as violações constantes do Código do Trabalho mesmo na sua versão mais rosa no que dz respeito à manipulação e abuso da figura do contrato a termo, bem como do recurso insistente de trabalhadores temporários para necessidades constantes efectivas (não me refiro a reforços de época) agora aparecem, como se fosse novidade, as questões dos horários de trabalho alargados neste período natalício.

Certo estou que o patronado da distribuição preenche na totalidade as fileiras conservadoras e portanto católicas, apostólicas romanas, dando às famílias a máxima importância. Só que, por famílias entenda-se as suas próprias, porque para os miseravelmente assalariados do sector essa mesma família torna-se praticamente invisível durante este mês. Para se compreender o enquadramento leia-se aqui a razão para a justa convocação da greve no sector.

Contudo, tudo isto não passa de um enorme embuste, uma vez que estes horários já vêm a ser praticados ao longo dos anos em várias empresas de distribuição, membros da mesma APED que diz não entender os motivos da greve. Esses e outros atropelos à lei nas questões dos horários, deveriam sensibilizar aqueles que não trabalham neste sector para, à falta de condições para haver uma greve efectiva, pois a maioria dos trabalhadores possui vínculos precários, serem eles mesmos a boicotar as compras no dia 24 de Dezembro. Infelizmente sabemos que isto também não irá acontecer, mas fica o repto.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Mais uma vez o natal

Qual a motivação de organizações que estão constantemente a apertar nos custos e a queixar-se de que os lucros baixam a cada ciclo e ao mesmo tempo gastam fortunas em jantaradas e almoçaradas para alguns lambe-botas e beija-luvas? Esta é uma época curiosa em que isso sucede em muitas organizações por todo o país. Vão-se organizando os jantarinhos mais ou menos abastecidos do natal dos ainda empregados. E quando ao longo do ano se ouvem todas as necessidades de cortes permenentes porque por um ou outro motivos as coisas correm menos bem como desculpa para a precarização crescente e constante miserabilismo salarial, chegamos a esta altura a saltam da cartola jentarinhos de natal para funcionários papalvos, os colaboradores na novilíngia do exploradorismo oficial. Jantarinhos à borla que saem do corpo de cada um de todos os papalvos que aceitam participar nas farsas que são estas formas presuntas de coesão de equipas que há muito se encontram desfeitas num espírito corporativo que não tem qualquer significado prático. Não é de espantar que esta seja a pior das alturas, o mais radical golpe na inteligência dos trabalhadores. doces ilusões que se esfumam logo no mês seguinte. A candura dos convites personalizados das chefias intermédias e superiores armados em accionistas a cada momento que lhes interessa, quais diminuidos cerebrais, é de levar à náusea.

As organizações seguem sendo o reflexo das próprias pessoas que as constituem e das políticas que vão adoptando. Por mim creio que seria mais honesto queimar esse dinheiro que gastá-lo nestas sessões de parasitarismo social já que ofende demasiado o senso destes senhores fazer as pessoas participarem dos lucros das organizações que ajudam a existir no dia a dia.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

As novas tribos...

As novas tribos passeiam-se nos Shoppings a qualquer dia e a qualquer hora repletos de companhia das famílias que vão disfarçando as múltiplas formas de solidão. As novas tribos refugiam-se por trás do cartão, enquanto este tiver números para debitar. As novas tribos são maioritariamente desfazadas de todas as realidades, desalinhadas com todas as formas de desalinhamento.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Vale a pena pensar um pouco sobre os novos conceitos em Recursos Humanos

Uma peça interessante, claro que políticamente marcada, mas nem por isso deixa de ser interessante e de merecer uma reflexão profunda sobre as novas práticas de gestão e de gestão de recursos humanos. Diria no termo correcto, de gestão desumana de recursos.

A ler aqui.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Hmm, já cheira a Natal!...

De facto, mesmo com as narinas algo entupidas devido às normais e constantes ameaças de constipação que são apanágio desta época - e isto depois de já ter contribuido para as estatisticas daqueles que já tiveram gripe dos pobres, e dos que ainda não contribuiram nem vão contribuir para o enriquecimento ilícito da idústria farmaceutica às custas de uma enorme vigarice que é esta suposta nova estirpe e a descoberta fulminante da sua vacina (valha-nos a ignorância a a cultura do medo sobre os pobres tolos) - já se sente o cheiro putrefacto da época natalícia.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O que dizer quando nada é novidade...

De facto, tudo o que tem vindo a acontecer um pouco por todo este mundo e na nossa pequena amostra em particular, nada de novo nos trouxe deste o meu último post com algum conteúdo. Tudo permanece exactamente na mesma.

Não tudo, claro. Eu próprio não permaneço na mesma. Mas isso não tem qualquer interesse. A vida dá efectivamente muitas voltas antes de se esgotar. E quem pensar que ela é uma construção garantida e previsível que se desengane. Daí que é estranho que na vida das pessoas em particular existam por vezes verdadeiras revoluções quando no geral, na sociedade enquanto identidade colectiva (se ainda nos é permitido utilizar esta linguagem provavelmente considerada arcaica) nada de novo se passa. Tudo continua na mesma ilusão de que tudo existe de uma forma que não é, na realidade, aquela que se nos apresenta.

Continuamos com a ilusão de que vivemos em sociedades democráticas e livres. Temos a triste ilusão de sermos protagonistas de uma História que é escrita em meia dúzia de mesas por meia dúzia de pessoas que conseguem permanecer aos comandos de um mundo que supõe não ser sequer comandado. bom, há quem acredite que é comandado mas por uma mão invisível mais ou menos subtil de uma inteligência superior. Não seria de facto difícil existir uma, mas felizmente isso não sucede. Desengane-se quem acredita em Deus porque tal como a democracia, Deus é apenas mais uma mentira. Ainda por cima daquelas que qualquer réstea de racionalidade apaga com toda a simplicidade.

Agora comemora-se por aí a queda de um muro que ocorreu algures no tempo há 20 anos. Ao que parece essa queda pariu maravilhas e tudo passou a viver de acordo com as leis globais que regem as sociedades modernas e também globais. Ocorre que muito do que foi construido do outro lado e destruido do lado de cá, começa a transparecer. Uma mentira repetida mil vezes pode até tornar-se verdade, mas uma verdade murmurada à exautão pode tornar-se audível. É tudo uma questão de nos entendermos. É possível que tenha chegado a um consenso global de que é preciso sacrificar e hipotecar a verdade e a humanidade em prol da sumptuosidade de uma minoria? Pelos vistos esse consenso foi alcançado há precisamente 20 anos quando caiu o muro de Berlim. As pessoas não queriam muros estre a certeza da pobreza mas a dignidade da construção social em liberdade, igualdade e justiça, e a possibilidade da riqueza mesmo que por cima da miséria e aniquilação de outros. As pessoas preferiramm claramente os BMW aos Trabant. Quem não o faria? Se fossemos alemães estaríamos a celebrar a queda daquele muro. Se fossemos ocidentais porque achariamos que chegara a vez dos nossos irmãos de leste conhecerem a beleza e a diversidade do mundo capitalista. Se fossmos orientais, porque teriamos atingido o tão esperado sistema que nos permitia, como individuos sermos tudo aquilo que a nossa imaginação nos possa dar. seríamos livres finalmente para dizermos tudo o que quisessemos desde que nunca contra quem supostamente nos garante o sustento. Bom, então não há grande diferença, afinal. A liberdade ganha não foi uma conquista assim tão pomposa quando a realidade da economia engoliu os empregos e as indústrias do leste alemão. As verdades traduziram-se numa ocidentalização lenta mas eficaz mas que se vê a cada passo falhada nos seus propósitos mais teóricos.

Tal como dizia, isto é tudo letra do mesmo texto. Nada disto é novidadde. Há precisamente 20 anos debatiam-se (termo simpático para dizer "enterravam-se") as ideologias e o seu fim nestas revoluções mais ou menos silenciosas contra sistemas tão putrefactos quanto os nossos actuais o são. A questão aqui é percebermos que os erros do passado nunca podem apagar ideais de futuro. infelizmente, nada de novo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Transformação social

Estamos na rampa final para mais um processo eleitoral onde vamos ser chamados a dizer quais os deputados que queremos ver na Assembleia da República. Sim, este é um ponto crucial para compreendermos como está deturpado o nosso sistema eleitoral. Não vamos eleger, como nos querem fazer entender, o primeiro-ministro. Esse é indigitado pelo Presidente da República e não tem de ser necessariamente o vencedor das eleições. O que vamos eleger é um conjunto de deputados que vão compor o hemicíclo e que vão conduzir este sistema semi-democrático.

É importante que se distribuam os votos por forma a compensar quem está nas diversas frentes e a castigar quem as abre. Castigar aqueles que durante décadas têm destruido este país mesmo que travestindo essa destruição de modernidade. Certamente não é útil o voto que plantar mais deputados dos dois monolitos políticos que são os dois partidos do tão designado "bloco central". Claro que a referência não é inocente. Querem algumas forças da sociedade reavivar esta solução porque têm medo do veredicto popular. Apesar de tudo fazerem para a manipulação grosseira do voto, ainda conseguem falar vezes sem conta nesta solução absurda que nos atiraria para mais cinquenta anos de um obscurantismo neo-salazarista.

O verdadeiro voto útil é aquele que for depositado em consciência fora dos principais partidos do sistema. É fundamental reforçar principalmente os partidos à esquerda do PS e principalente a coligação encabeçada pelo único partido verdadeiramente vertical no nosso país, o Partido Comunista. Fundamental para um processo de transformação social de novo tipo. Sem cópias ou colagens, é com estes homens e mulheres que o futuro nascerá se o quiserem viver de forma mais humana, democrática e justa. O processo pode mesmo começar aqui.