quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Quando a hipocrisia capitalista deriva da estupidez consumista

Conversava há uns dias com emigrantes portugueses na Alemanha que falavam da revolta quase generalizada naquele país contra a marca finlandesa de telemóveis Nokia, na sequência do encerramento da sua fábrica em Bochum no ano de 2008. Diziam que chegaram ao ponto de praticamente não existirem terminais Nokia disponíveis no mercado alemão, mesmo para os eventuais clientes da marca que pretendam continuar a sê-lo, sendo assim um boicote generalizado que perdura até ao presente.

O que deve ser tido em conta neste caso é algo que muitas empresas alemãs, um pouco por todo o mundo, incluindo em Portugal, têm feito, encerrando unidades de produção mesmo em países que são grandes consumidores dos seus produtos apenas por razões de redução de custos de produção. Seria então de considerar que estas empresas que encerram poderiam estar em dificuldades financeiras e, assim sendo, teriam de optar por outras estratégias. Assim não sucedeu quando a unidade de produção das viaturas comercias Opel na Azambuja, mas a dualidade de critérios serve normalmente os mais ricos em favor dos mais pobres, como em todas as outras circunstâncias na vida.

O encerramento da fábrica de Bochum está enquadrado nas consequências lógicas de uma globalização mal compreendida e pior explicada. A referida unidade industrial, havia recebido fundos e benefícios fiscais avultados para a sua instalação na referida cidade alemã.

Ao contrário da esmagadora maioria das empresas alemãs deslocalizadas, a Nokia direccionou a sua produção de equipamentos de baixa e média gama para a Roménia e para a Hungria, respectivamente. A produção no continente asiático foi praticamente abandonada no que diz respeito aos terminais, tendo ficado naquele continente a produção dos acessórios. Podemos dizer que a Nokia limitou a sua produção à Europa, em algo que podia e deveria ser visto como algo de estratégico num momento particularmente difícil para o fabricante finlandês, mas também coincidentemente, num momento de grande dificuldade nas economias europeias.

É precisamente aqui que podemos e devemos analisar o que está por trás deste encerramento da unidade de Bochum. Será apenas uma questão de redução de custos, puro e simples, numa lógica meramente economicista? É óbvio que o fabricante opera num mercado muito agressivo e tem de reduzir os seus custos, mas a origem do problema está a ocidente e a oriente da velha Europa e representa uma das maiores falácias mercantilistas de que há memória.

A origem dos problemas do mais conceituado fabricante de hardware de terminais móveis do mundo está em primeiro plano nos Estados Unidos da América e é gerado pelo poder avassalador de Marketing de duas gigantes tecnológicas, a Apple e a Google. Por outro lado, a oriente, porque os grandes fabricantes emergentes da Ásia, optaram por unir-se à plataforma pseudo-open-source da Google no sentido de reduzir ainda mais custos de produção e aumentar o retorno dos investimentos avultados que estão a fazer em desenvolvimento de hardware. Fabricantes como a HTC e mais recentemente a Samsung e a LG tudo têm feito para conquistar mercado nos terminais móveis um pouco por todo o mundo, sustentados na ideia lançada pela Apple de fazer do sistema operativo escolhido a base fundamental de todo o suposto desenvolvimento tecnológico.

A plataforma Android, e a plataforma iOS da Apple (da qual foram retirar o mote de basear no sistema a evolução tecnológica), cresceram baseados em conceitos avançados de marketing, pese embora o facto de não acompanharem no hardware aquilo que anunciam como sendo as grandes revoluções no software. Daí que se tornou comum a ideia de inovação associada às duas marcas que em nada inovaram de facto em termos de utilização real e funcionalidade dos equipamentos abrangidos pelos sistemas em causa.

Enquanto estes sistemas eram alimentados, a Nokia apostou no desenvolvimento próprio da sua plataforma profissional de sempre, que antes fora desenvolvido de forma fechada por um conjunto de fabricantes, mas que, por razões óbvias, havia de transformar em open source para um rápido desenvolvimento de aplicações em conjunto com o desenvolvimento da plataforma em si. O fabricante finlandês descurou o facto de haver uma pressão de mercado para equipamentos com interactividade meramente táctil e continuou concentrado no seu mercado alvo que havia de se alterar profundamente. Um mercado altera-se quando as necessidades elas próprias lhes são induzidas. Quando se presume ou faz presumir que se geram avanços tecnológicos quando de facto nada de realmente inovador é criado. Contudo não se pode descurar o poder do marketing dos gigantes informáticos que tinham já meio caminho andado para a construção do sucesso.

2008 foi um ano de viragem crítica. A Nokia não havia produzido nada que pudesse rivalizar com uma falácia de marketing crescente e inevitável. Curiosamente a fábrica de Bochum estava algo longe destes temas pois produzia os modelos que viriam a ser transferidos para a Roménia, ou seja, os de gama baixa. Nessa gama de mercado a Nokia manteve e mesmo reforçou a sua presença no mercado. Contudo, o grande problema estava ao nível do desenvolvimento de software e hardware nas categorias superiores, nomeadamente nos “smartphones” onde rivalizou com a plataforma Windows durante alguns anos e depois não acompanhou o aparecimento do iOS e do Android com a mesma intensidade e ferocidade de marketing com que a Apple e a Google defenderam os seus sistemas.

Tal como na linguagem comunicacional política, gerou-se no mercado a ideia de que aquilo que era pretendido destruir, se encontrava obsoleto. Nos sectores tecnológicos a obsolescência faz-se sentir de uma forma demasiado rápida mesmo sendo, de facto, artificial. Foi sendo plantada na cabeça das pessoas a imagem de obsolescência da marca Nokia e do sistema por ela mantido nos seus equipamentos de gama média e alta. Na realidade, o atraso existente na aposta no formato dos equipamentos serviu para que a manobra de marketing (sobretudo da Apple) resultasse em pleno. A pseudo-novidade iPhone transformou-se num ícone de vendasum pouco por todo o mundo e sobretudo na Europa. Mas em paralelo com esta plataforma fechada, e para um público diferente crescia nas suas margens uma multitude de dispositivos baseados no sistema desenvolvido pela Google, que, a par com a Apple, desenvolveu uma campanha gigantesca que originou mesmo a rendição incondicional de grandes marcas como a Sony Ericsson e a HTC. A ironia do destino é que a Sony Ericsson, que sempre foi considerada como o melhor fabricante de hardware de terminais móveis preterindo a plataforma Symbian, que sempre havia equipado os seus equipamentos profissionais, acabou por entrar no universo android, valendo-lhe o quase desaparecimento do mercado em todos os segmentos. Quanto à HTC, que liderara por anos nos smartphones com a plataforma Windows, viu reduzida a sua quota de mercado global, e no mercado europeu desapareceu dos lugares cimeiros. A conjugação de factores que levou ao triunfo da irracionalidade comercial de uma suposta superioridade de sistemas face aos seus concorrentes foi evidente ao ponto de se haver mesmo gerado um fenómeno comum da identificação da nomenclatura do sistema com o objecto em si. E nessa sentido a estratégia das marcas orientais foi muito orientada para um sucesso que estava desenhado embora não se compreenda numa lógica meramente técnica.

O encerramento da fábrica da Nokia em Bochum, bem como notícias posteriores, deveriam alertar as consciências dos europeus para o facto de andarmos a alimentar um sistema de marketing viral. E é viral porque se alimenta de ideias falsas de obsolescência. Não existe qualquer explicação possível para uma supremacia técnica. Essa supremacia é falsa e mesmo fraudulenta. A procura por uma designação que em nada é familiar ao futuro utilizador é a aplicação de todas as técnicas de marketing bem conhecidas. É simples induzir o pensamento de que algo é melhor que outra coisa qualquer, ainda que seja impossível de facto estabelecer comparação directa. Mas as mentiras comerciais, sobretudo as das grandes corporações, transformam-se em verdades com toda a facilidade. As manobras da Apple e da Google surtiram efeito mesmo quando os utilizadores não compreendam de facto que estão a adquirir gato por lebre, que os artigos representam mero lixo comercial em forma de coisas apresentadas como úteis e eficazes. Muitos dos que na Alemanha protestaram violentamente contra a Nokia por encerrar a sua fábrica, transportavam já nos seus bolsos os pedaços de lixo tecnológico produzidos na China e na Coreia, felizes e contentes com o facto de serem portadores do último grito tecnológico que mais não é que a derradeira falácia comercial de derrubou em grande medida a influencia enorme da nokia no mercado europeu. Curiosamente a marca finlandesa continua a produzir na Europa enquanto as suas maiores rivais, Apple, Samsung e LG, vêm da china e da Coreia respectivamente. A Europa continua a enterrar-se nas incongruências de um capitalismo hipócrita que deriva fundamentalmente da estupidez consumista e da absorção facilitada de mentiras inqualificáveis por parte dos gigantes tecnológicos numa política de servilismo integral ao grande império americano.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Alterar o ensino

Duas coisas a alterar completamente no universo do ensino: Restaurar o conhecimento em detrimento do facilitismo, restaurando a autoridade e importância do professor como entidade a respeitar e a aceitar como autoridade educadora. Terminar de uma vez por todas com as ingerências dos pais nas escolas, uma vez que o papel dos pais é educarem em casa. Nas escolas são os professores que educam, os pais apenas causam ruído na protecção constante e exagerada das virtudes (ainda que virtuais) das suas crias.

sábado, 13 de agosto de 2011

A beleza no Progressivo

De um país e de uma realidade que me são particularmente especiais. Embora quase que completamente desconhecido deve ser visitado e revisitado. O tema é de uma simplicidade fantástica dentro de um universo progressivo despretensioso e mesmo de sonoridade algo ingénua onde faz o elogio de uma beleza particular...

FERNANDO YVOSKY - Eres Bella (Venezuela - 1975)

(De)Formação

Na actual visão pós-pós-moderna, a formação é algo que se centra mais na forma apalhaçada de transmitir conhecimentozinhos do que nos conteúdos que vão sendo debitados à pressa e sem grande profundidade. Parece que é uma moda pois os nossos governantes falam ao país como se estivessem a dar uma formação sobre aquilo que não sabem muito bem mas cuja forma transpira eloquência e soberba.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Estupidez paralelipipédica com a marca da maçã ratada...

O consumismo corrói o cérebro e torna as gentes em derivados desumanos, podres e rotos. Ninhos de merda que nadam no vómito da paralisia social acenando o cartão de crédito como porta para o céu. Deus quer vir-se na vossa boca depois de digitarem o código PIN...

domingo, 31 de julho de 2011

Inúteis, demitam-se!

Por mais mudanças conjunturais propostas em muitas empresas supostamente em situação de crise, a real solução raramente é apresentada. Se é necessário implementar cortes, que não se faça às cegas e comecem por tirar o sebo aniquilando postos parasitários de direcção que não servem para nada e nada produzem, consumindo uma grande parte do orçamento das empresas com as pessoas.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sarcasmo

O humor e o sarcasmo são armas muito mais poderosas que mil bombas das que desfiguraram os edifícios de Oslo, mas cujo efeito é precisamente o inverso. É construtor de pensamento e inteligência através do sorriso. Mas o sarcasmo é temido e abalado, considerado pessimismo e derrotismo, atirado para a categoria das coisas ruins por quem, vivendo na e da ignorância, teme constantemente o seu próprio ridículo.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

"Acordês"

Lanço desde já um apelo a todos os portugueses e a todos os que, não o sendo lêem e escrevem em português, para que desobedeçam ao referido acordo ortográfico e não utilizem ferramentas de correcção automática nos computadores que transformam o português em "acordês".

terça-feira, 12 de julho de 2011

Consentimento fabricado...

Mais um importante documentário a ser visto.

Noam Chomsky - Manufacturing Consent

Manufacturing Consent

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Século do "Eu"

Duvido que este passe por aí nas televisões. Um documentário excepcional de Adam Curtis que reflecte a forma como é feita a manipulação das mentes nas sociedades ditas democráticas.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Bloqueio a Cuba

Resultados de um bloqueio criminoso a um pequeno e pobre país. eis as armas do imperialismo económico e militar da corja norte americana.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Anesthetize... Porcupine Tree

Há razões que a própria razão desconhece, mas esta é uma banda que tenho de considerar como a melhor da actualidade e por esse motivo fica mais um dos temas que considero incontornáveis. Ao vivo e a cores...

domingo, 19 de junho de 2011

Em nome de Deus

Transcrevo na íntegra o texto publicado pelo Filipe Guerra no seu blogue "O quotidiano da miséria"

"Ratzinger, a Igreja Católica e a Croácia Ustacha"



"No passado fim-de-semana, o Papa BentoXVI(ora em diante designado por Ratzinger) fez uma visita à Croácia. Além do contacto que terá realizado com o povo católico croata, a sua visita fica marcada pelo conjunto de gestos simbólicos que tiveram lugar.
Ratzinger celebrou uma missa no Hipódromo de Zabreb, no exacto lugar onde o seu antecessor já havia realizado uma missa em 1994, numa altura em que a guerra dos balcâs estava em curso a apenas 40Km daquele local. Não foi por mero acaso que o Vaticano e a Alemanha foram os dois primeiros estados a reconhecerem a Croácia e a Eslovénia, como adiante se verá.

Aproveitando a sua passagem, Ratinger recebeu ainda o cantor croata Thompson e rendeu homenagem ao tumulo de Alojizje Stepinac.

Quem é o cantor Thompson?


Thompson é o infeliz nome artístico escolhido por Marko Perkovic, em homenagem à marca da arma utilizada na guerra dos balcãs. Mas Thompson vai muito mais longe.


A sua popularidade na Croácia deve-se não apenas às suas músicas, mas essencialmente ao carácter ferozmente católico e nazi-fascista da sua mensagem. Thompson gosta de utilizar simbologia e conteúdos fascistas nas suas performances e nas letras das suas músicas, fazendo questão de incendiar os seus concertos com ódio étnico e religioso contra a diversidade e é conhecido pelas suas entradas em cena saudando o público de braço em riste, de forma nazi. Por estas e outras atitudes, os seus concertos já foram proibidos em diversos países europeus como na Suiça.
Já no início da sua carreira as mensagens eram claras na utilização de letras com conteúdos ultranacionalistas e no recurso ao slogan ustacha Za Dom Spremni!(pela pátria prontos!)e em diversas entrevistas e declarações não escondeu o seu ideário, tais como: "não existe nada de mal nas minhas crenças de direita e ustaches", "os sérvios mentem, são esse tipo de gente, são os nossos eternos inimigos"(Julho 2002), "eu não me importo com os simbolos ustache, porque deveria?"(Agosto de 2005), "porque é que o público não deve gritar ustache!, ustache! durante os meus concertos"(Junho 2002).


(Ratzinger, tal como o Papa Karol Wojtyla recebe Thompson)

(a simbologia ustacha e nazi-fascista sempre presente nos concertos de Thompson)

Só uma impossível dose de bonomia ou de ingenuidade poderia desculpar a atitude consecutiva de dois Papas, em receber em tão hedionda personagem.
Ratzinger, que de há muitos anos a esta parte juntou à sua actividade teológica o domínio do rumo político e ideológico da Igreja Católica é o mesmo homem que na sua juventude pertenceu às "Juventudes Hitlerianas"(uma força avançada para os mais ideologicamente convictos). E na sua recente passagem pela Croácia foi muito além no branqueamento da História e no seu revisionismo, insultando e provocando as vítimas do holocausto nazi na Croácia, ao prestar homenagem ao tumulo do Cardeal Alojizje Stepinac.

Quem foi o Cardeal Alojizje Stepinac? Qual a sua relação e o que foi a Croácia ustacha?

Em 10 de Maio de 1941, logo após a entrada em Zagreb das tropas nazis de Hitler, nasce o NDH(Nezavisna Drzava Hrvatska), o Estado Independente da Croácia liderado por Ante Pavelic. Este Estado, tutelado pela Alemanha nazi, obedeceria igualmente ao princípio de um fuhrer subordinado a Adolf Hitler.



(o líder Ustacha Ante Pavelic)


No momento da invasão do Reino Jugoslavo, Hitler teve o apoio de um perigoso movimento interno instalado já na Croácia e apoiado pelo regime fascista de Mussolini, de cariz terrorista e filonazi, e até já acusado internacionalmente de tentativas de homicídio de diplomatas estrangeiros em França. Esse movimento filonazi e de forte cariz católico era o Partido Ustacha, de Ante Pavelic, que sonhava com uma Croácia católica livre da presença Sérvia ortodoxa.



(Ante Pavelic com Adolf Hitler)


É neste contexto que o Cardeal Stepinac é nomeado por Ante Pavelic Supremo Vigário Apostólico Militar do Exército Ustacha, facto muito exaltado pela a imprensa católica da época "Deus que controla o destino das nações e dirige o coração dos reis, deu-nos Ante Pavelic(...)Glória a Deus, a nossa gratidão a Adolf Hitler e infinita lealdade ao Chefe Ante Pavelic"

Uma investigação da Comissão de Crimes de Guerra na Jugoslávia concluiu que o Cardeal Stepinac foi um dos conspiradores contra o Reino da Jugoslávia e um apoiante ab initio da invasão nazi. O Cardeal Stepinac sonhava tal como as altas instâncias católicas com a edificação de um Estado católico nos balcâs, e o fanatismo étnico-religioso do Partido Ustacha era o instrumento perfeito para esse objectivo.
Durante este período, o Papa, de então, recebeu pessoalmente Ante Pavelic e uma delegação da Irmandade dos Grandes Cruzados, encarregados de converter ao catolicismo os povos daquela região.


(o Cardeal Alojizje Stepinac)




(O Cardeal Alojzilze Stepinac com altas instâncias nazi-fascistas italianas, alemãs e croatas)


Durante os quatro anos de existência do NDH, Estado Independente da Croácia, foram assassinados, por estimativas, 750mil sérvios, judeus, ciganos entre outros. A par da Alemanha, a Croácia foi o único país que possuiu campos de extermínio em massa.

Contudo, ao contrário da Alemanha nazi que perpetrava um extermínio indústrial mas discreto, a Croácia Ustacha além dos seus campos de extermínio, cometia execuções colectivas em locais públicos da Croácia e da Bósnia, com particular sadismo e de forma entusiástica, recorrendo à tortura pública e à humilhação. Segundo o historiador Friedriche Heer tudo resultava a partir de "um fanatismo arcaico de épocas pré-históricas", tendo Ante Pavelic sido "um dos maiores assassinos do séc.XX".


(Stejpan Filipovic, comunista croata enforcado aos 26 anos grita "morte ao fascismo, liberdade para o povo")


(o Cardeal Stepinac e os generais Ustacha)



No NDH, a confusão entre Estado e Igreja, entre políticos, militares, cardeais e padres era total. As suas declarações demonstram grande complementariedade. O Cardeal Stepinac considera que "depois de tudo, os croatas e os sérvio, pertencem a dois mundos diferentes, um polo norte e um polo sul, nunca se darão bem, nem por milagre de Deus", o Ministro da Justiça, o Ustacha Milan Zanitcha acha "Este Estado, o nosso país, é nosso e só nosso, não é para mais nínguem, limparemos dele todos os sérvios ortodoxos(...)Não ocultamos as nossas intenções, seremos fieis aos princípios Ustacha", mas palavras do Ministro da Educação Mile Budak conseguem ser ainda mais claras "A base do movimento Ustacha é a religião. Para as minorias como os sérvios, os judeus ou os ciganos temos três milhões de balas. Mataremos um terço da população sérvia, deportaremos outro terço e o outro terço converteremos na religião católica até que se assimilem como croatas".





(Ante Pavelic com padres franciscanos)


A ferocidade Ustacha era extrema e conseguia impressionar mesmo as altas patentes da Alemanha nazi, Reynard Heinrich(o inventor da solução-final nazi) em 17 de Fevereiro de 1942 escreveu a Himmler "o número de eslavos massacrados pelos croatas das formas máis sádicas está estimado em 300mil(...) a realidade é que na Croácia, os únicos sérvios que sobrevivem são os que se converteram ao catolicismo".
A violência extremada impressionou também as próprias forças fascistas italianas que controlavam parte do território croata e que se recusavam a devolver aos Ustacha alguns refugiados que chegavam à sua zona de controle. Tal facto revoltou o Cardeal Stepinac, que em carta ao Bispo de Mostar lhe escreve "se a parte mais católica da Croácia o deixar de ser no futuro, tal responsabilidade ante Deus e a História será da Itália católica".
A conversão forçada ao catolicismo, não obstante a sua carga simbólica e a violência que pressupunha para os convertidos, não era possível para todos. Primeiro porque ela pressuponha um preço de 180 dinares a entregar à Igreja Católica, e segundo, porque dessa conversão ficavam excluídos os sérvios com maior escolaridade, no pressuposto que estes nunca fariam uma real conversão. Quem não tivesse posses ou tivesse estudos era exterminado sem contemplações.



(imagem de uma conversão forçada)


Um pormenor(!) sórdido deste genocídio consiste no facto de que parte das atrocidades cometidas e de vários dos mandantes dos campos de extermínio serem sacerdotes e sobretudo padres franciscanos. Era quase impossível desenvolver-se uma acção punitiva Ustacha sem a presença de um padre franciscano. Sendo que destes, o mais conhecido de todos foi o padre franciscano Miroslav Filipovic, director do campo de extermínio de Jasenovac.



(o líder Ustacha Ante Pavelic rodeado de freiras)



O Campo de Extermínio de Jasenovac

Dos vários campos de extermínio edificados pelos Ustacha, o campo de Jasenovac foi o maior de todos, calculando-se que aí foram brutalmente assassinadas várias centenas de milhares de pessoas, maioritariamente sérvios, judeus, ciganos e croatas comunistas. Existem estimativas que apontam o número total de 700mil pessoas.
O campo possuia ainda no seu complexo um campo para crianças em Sisak e outro para mulheres em Stara Gradiska. Ainda que, muitas mulheres tenham sido deportadas para a Alemanha nazi e diversas crianças entregues a orfanatos católicos.
Refira-se também que as condições de permanência no campo eram desumanas, sem higiéne, bens alimentares ou a água necessários para a sobrevivência e ainda a obrigação de trabalhar. O campo era dirigido por Vjekoslav Luburic





(a entrada no Campo de Extermínio de Jasenovac)



O extermínio em Jasenovac era feito de diversas maneiras: por rajada de metralhadora, por cremação, envenenamento e uso de gases tóxicos(Ziklon B e dióxido sulfúrico) e através da faca srbosjek conhecida por "mata-sérvios".
Os extermínios tinham lugar em Granik, Gradina, Mlaka e Jablanac e ainda Velika Kustarica. Sendo que à medida que a derrota das forças do Eixo se aproximava, o ritmo de extermínio ia aumentando. Os corpos das vítimas eram cremados ou atirados ao rio.




(Srbosjek, a "mata-sérvios)


(guarda Ustacha numa vala comum)


(corpos esquartejados deixados no rio)



Um relato de um dos guardas do campo de Jasenovak ficou para a posteridade, segundo ele, "o franciscano Pero Brzyca, Ante Zrinuzic, Sipka e eu fizémos uma aposta para ver quam mataria mais prisioneiros numa noite. A matança começou e depois de uma hora eu já tinha morto muito mais que eles. Sentia-me no sétimo céu. Nunca tinha tido tanto extase na minha vida. Depois de duas horas já tinha morto mais de 1100 pessoas, enquanto os outros não conseguiram assassinar mais de 300 ou 400 cada um. E depois, no auge deste prazer reparei num velho que me olhava indiferente. Esse olhar impressionou-me, congelei durante algum tempo e nem me conseguia mexer. Aproximei-me dele e descobri que era do povo de Klepci, perto de Kapijina, e que toda a sua família já tinha sido assassinado enquanto ele trabalhava no bosque. Falava para mim com uma incompreensível paz que me incomodava muito mais que os desgarrados gritos que ouvia ao meu redor. Imediatamente senti a necessidade de terminara com a sua paz mediante a tortura, mediante o seu sofrimento, para poder voltar ao meu extase, para poder continuar a retirar prazer de infligir dor.
Ordenei-lhe que gritasse Viva Pavelic! ou corto-te uma orelha. Não falou. Cortei-lhe a orelha. Não disse nada. Disse-lhe que gritasse Viva Pavelic! ou corto-te a outra orelha. Não disse nada. Cortei-lhe a outra orelha. Ameacei-o que lhe cortava o nariz se não gritasse Viva Pavelic!, ao que ele me respondeu "Faça o seu trabalho, criatura". Estas palavras confundiram-me e congelaram-me, arranquei-lhe os olhos, depois o coração, cortei-lhe a garganta de orelha a orelha. Mas algo se rompeu dentro de mim e não consegui matar mais nessa noite. O franciscano Pero Brsyca ganhou a aposta e eu paguei-lhe".

A Igreja Católica soube sempre o que se estava a passar. Padres e bispos da região houve que se entretinham a enviar cartas para o Vaticano onde até escreviam poesia sobre estes acontecimentos. Ante Pavelic tinha o desplante de oferecer ao seu biógrafo pessoal e a alguns dignatários estrangeiros cestas carregadas de olhos humanos, e a rádio BBC em 16 de Fevereiro de 1942 reportava "As maiores atrocidades estão a ser cometidas à volta do Arcebispo de Zagreb. Correm rios de sangue. Os ortodoxos estão a ser condenados à força a converter-se ao catolicismo e não ouvimos do Arcebispo uma palavra de revolta sobre isto. Em vez disso, sabe-se que está tomar parte em desfiles nazis e fascistas".


Foi o colaboracionismo com as forças nazi-fascistas da Alemanha na Croácia, foi o Estado NDH, o movimento Ustacha e a sua barbaridade que Ratzinger foi homenagear no tumulo do Cardeal Alojizje Stepinac. Treze anos depois de João Paulo II, Karol Wotjyla, já ter procedido à sua beatificação.

Ante Pavelic - líder do NDH e do Partido Ustacha, após a 2ºguerra mundial, foge para um mosteiro franciscano em Nápoles, de onde, com a ajuda da igreja católica parte para a Argentina, onde fará parte do corpo de segurança pessoal de Perón, é visita frequente de eventos sociais da nobreza e da Igreja católica em Madrid, encontra amizade em Francisco Franco. É localizado na Argentina pelos Serviços Secretos da Jugoslávia e é baleado com dois tiros que lhe serão fatais. Está enterrado em Madrid.

Vjekoslav Luburic - comandante do Campo de Extermínio de Jasenovac, parte para Espanha e numa localidade perto de Valência faz-se passar por um reformado alemão que gosta de tomar conta do seu laranjal e de organizar iniciativas com a diocese local. Em 1969 é localizado pelos Serviços Secretos da Jugoslávia e é assassinado à porta de sua casa. As suas últimas palavras terão sido "já sabia que vocês um dia vinham".

Alojizje Stepinac - após a 2ºGuerra é julgado e condenado a 16 anos de prisão, dos quais apenas cumprirá 5 devido a um gesto de conciliação de Tito. Com a condição de ou ir para Roma ou ficar confinado à sua casa. Preferiu ficar em casa."

Filipe Guerra in "O Quotidiano da miséria!"

Vamos fazer dinheiro...



Mais uma excelente peça de análise do nosso mundo,

terça-feira, 7 de junho de 2011

Pesadelo...

"Como um enrolar de palavras que se repete continuamente. Sempre a mesma banalidade e a mesma intolerância por baixo da capa democrática de uma boa vontade iniludível ainda que tentada. Sucessão de mentiras e vagos planos, intróitos sem continuidade e enganos. Esperas sem chegadas, e adormecer, enfim, de um sono do qual nunca se acordou... pesadelo... "

Pedro Norman

Do Japão, Kimio Mizutani - A Bottle Of Codeine

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Venham as malas de cartão...

Começa bem. Passos Coelho diz que tem como objectivo "restabelecer a confiança no futuro, nos mercados e nos portugueses". Ora, confiança no futuro, claro, é algo que supostamente existe a seguir ao presente. Confiamos que exista um futuro, poderá é não ser propriamente melhor. Mas a seguir na escala de importâncias vem a confiança nos mercados. Esses valentes e escorreitos mercados (que por acaso até nem foram os que nos enterraram nesta lama onde nos encontramos). E depois, lá ao fundo, porque não, a talhe de foice, restaurar a confiança nos portugueses. E como fazer isso? Fazendo com que lhes sejam colocados novos desafios, os de pagar mais impostos, os de pagar mais pelos bens essenciais e pelos direitos constitucionais (ainda) da educação e saúde, facilitando o despedimento e derrocando a economia. Há que dar uma prova de confiança que, perante tudo isto, os idiotas que elegeram Passos Coelho conseguirão superar todos estes desafios. A grande maioria conseguirá certamente, no estrangeiro.

sábado, 28 de maio de 2011

domingo, 15 de maio de 2011

Recursos Humanos - Contributos da Psicologia

Mais um importante e interessante documentário a conhecer.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

“Estamos aqui para comunicar" ou os contra-censos da gestão moderna

Deve sempre estranhar quando na sua organização lhe disserem que “estamos aqui para comunicar”. Não que não seja fundamental a comunicação, e toda a gente, mesmo apenas usando o senso comum, compreende isso. Contudo depois as coisas vão aparecendo em formas de encenação de discurso que revela impossibilidades quer teóricas quer práticas, e a grande vantagem é que poucos realmente ficarão a pensar no que está por trás de todas estas necessidades repentinas de comunicação.


A principal contradição apresentada hoje nas organizações é a necessidade de uma reestruturação face a uma polivalência de recursos quando logo a seguir se comunica que a base para o crescimento é a diferenciação face aos outros players no segmento em causa.


A polivalência de recursos é sempre possível até um determinado nível, que será aquele que não seja percepcionado do lado de fora. Trata-se efectivamente de um processo de desqualificação e de desespecialização quando começam a ser evidenciadas as limitações ao nível de recursos. Se atentarmos no facto de ser a especialização e a excelência os principais factores diferenciadores entre organizações que, cada vez mais se assemelham no seu funcionamento e na sua filosofia, temos aqui uma impossibilidade de gestão ou uma prática de comunicação errónea que pode trazer maus indicadores ou ser de facto um aviso à navegação de que existem processos de mudança, mas não se compreende muito bem qual a dimensão e quais os contornos desta.


Isto é claro quando a própria economia está em mudança, quando se pensa que menores rendimentos trazem mais riqueza ou menos gastos às organizações quando não existe sequer a preocupação de entender qual a real parcela de valor que um trabalhador gera enquanto tal, mas também enquanto cliente e enquanto veículo de transmissão a terceiros clientes e potenciais clientes. Não olhar para esta verdadeira força ou subestimá-la, e ainda por cima com uma transmissão de ideias e com lançamento de comunicação contraditória, pode ser significativo quando se compreende a real dimensão das coisas.


Não é possível diferenciar pela banalização ou pela medianidade. Não é possível querer saber tudo de forma especializada porque existe uma impossibilidade intelectual e material para que isso suceda. O caminho de uma polivalência acima do visível ao exterior significa obrigatoriamente uma indiferenciação do trabalho, mas também um nivelamento por baixo nos standards de serviços e produtos, nomeadamente ao nível de know how uqe é atirado borda fora pela sua desvalorização principalmente a nível remuneratório.


Estas formas de comunicar contra-sensos na gestão moderna implicam no mundo empresarial o mesmo que a comunicação política implica na condução dos rumos de um país. E sabemos como, em conjunto, economistas e políticos, têm contribuído para a destruição de modos e standards de vida que até agora era dados como garantidos. O que acontece não é uma falta de rendimento mas antes uma distribuição demasiado assimétrica do mesmo levando a uma concentração numa minoria que tem hábitos de consumo muito específicos levando à destruição de muitos sectores de actividade, ou então à criação de grandes corporações que vão cada vez mais esmagando trabalhadores e consumidores, quer pela via do marketing, quer pela via da perda de direitos e regalias mesmo quando existe uma ilusão de que eles efectivamente existem.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Carta de condolências ao Presidente dos Estados Unidos da América





Caro Presidente dos Estados Unidos da América, Sr. Barack Hussein Obama,

Sei que, com esta carta, venho interpretar uma dor que poucos terão sentido, mas que, estando profundamente escondida no seu íntimo e de muitos que o acompanham, não deixa de existir e de lhe causar um aperto no peito. Dor pela perda de um velho amigo e aliado que se sacrificou a uma vida de retiro tão especial em nome do estilo de vida americano que o senhor presidente tão bem personifica. Dor, pela perda de um companheiro de décadas, que ajudou o seu país na luta contra o domínio soviético no Afeganistão quando a URSS via entrar o islamismo fundamentalista pelas suas fronteiras. Financiado pela sua agência de inteligência central ajudou com os seus mujahidines a derrotar as tropas soviéticas que ousaram invadir este país estável e pacífico que viveu sempre para alimentar economicamente os seus exércitos de espiões com o dinheiro do ópio. Dor, pelo desaparecimento de um verdadeiro patriota americano ainda que disfarçado de inimigo. Aquele que, em nome dos interesses do país que o senhor tão bem representa, aceitou fazer de peão num jogo de auto-mutilação que foi aquele ao qual chamaram de atentados de 11 de Setembro de 2001 na cidade de Nova Iorque, para que uma nova ordem mundial pudesse ser finalmente estabelecida e o seu país pudesse intervir arbitrariamente em qualquer ponto do mundo sem que os outros países lhe retirassem uma legitimidade moral para tais intervenções. Dor, por aquele que levou essa legitimidade ao ponto de ser conseguido um domínio pelo seu país sobre os países com as mais importantes reservas de petróleo do mundo, e aberto as portas para futuras intervenções nos restantes. Sabemos o quão escasso é esse bem, que estamos já na fase descendente da sua extracção e que cada vez implica maiores custos consegui-lo. Dor e pesar, por aquele que, em nome do bem-estar e do modo de vida americano se sacrificou a viver em montanhas como um animal selvagem e a ser falsamente perseguido pelos seus exércitos. Dor e pesar, por aquele que terá cometido (a ser real o que o senhor presidente transmitiu como notícia) um sacrifício que cada vez menos americanos estão dispostos a fazer pelo seu próprio país, o da morte, numa altura em que esta era tão importante para si, que lhe garantirá uma reeleição, e que permitirá ao seu povo descansar em paz sob a ilusão de que tudo está bem quando acaba bem. Mas, caro presidente, morreu o mais patriota dos americanos que, não o sendo, o foi como poucos. Um árabe que dedicou toda a sua vida a servir o país do senhor presidente e a abrir caminho para o que o senhor e os seus antecessores necessitavam. Morreu um patriota para que possam continuar a queimar impunemente um quarto dos recursos naturais escassos do mundo.
Como era de se prever, a sua dor foi contida e mesmo disfarçada de contentamento e a cultura e sabedoria dos seus soldados proporcionaram ao seu velho amigo e aliado um final desejado pelo próprio provavelmente convertido ao cristianismo, uma vez que os islâmicos não se sepultam daquela forma. O senhor não iria, mesmo disfarçando tão bem, cometer um atentado à memória de um dos maiores aliados do seu país desrespeitando a sua religião. Estou certo, por aquilo que vou conhecendo de si, que nunca o faria.
Por tudo isto, a minhas mais profundas condolências pelo desaparecimento do mais patriota dos americanos não americano Osama Bin Laden. Agora está a descansar em paz na certeza de que cumpriu integralmente a missão que lhe foi entregue, se realmente for verdade a sua morte.

Com os cumprimentos de sempre.

sábado, 30 de abril de 2011

Contos de fodas

O dia de ontem foi uma espécie de paraíso das sopeiras, um regalo para os olhos de todos quantos vêem na vida parasitárias dos monarcas um conto de fadas quando não passa de uma síntese de contos de fodas.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

FMI está aqui...

Se os portugueses efectivamente entendem que o FMI está por cá para os ajudar, e vêem nos seus políticos incompetência para gerir o país, o melhor mesmo é já nem haverem eleições e entrega-se a gestão de uma vez aos senhores do "Fundo". Assim como assim, já são eles que governam há muito tempo... e escusamos de andar a brincar às democracias...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

perceber a economia actual à Esquerda, sem complexos

Independentemente do que pensamos sobre este senhor, é importante ver e ouvir com atenção o que é dito nesta entrevista...

Criar, produzir, construir, resistir, persistir e lutar...

Num ambiente de crise,que não sendo conjuntural, é sem sombra de dúvidas, estrutural, impõe-se que a grande arma contra todas as soluções que nos querem fazer entender como sendo as únicas e as inevitáveis, seja a imaginação e a vontade de contrariar precisamente todas essas soluções. é certo e sabido que o esquema bem montado nos impede de escapar para lá de determinados limites.

Mas também é certo que, nessa imaginação, nessa fonte inesgotável de criatividade que o ser humano tem quando quer efectivamente ter, estão todas as respostas para a construção de novos caminhos, ou de velhos com novas roupagens, que nos possam devolver a dignidade, fazendo quebrar todos os elos de dependências parasitárias que os presentes sistemas têm como sua própria essência.

Criar, produzir, construir, resistir, persistir e lutar, são palavras que devem voltar a fazer parte da nossa linguagem corrente. Devem-nos guiar, a cada um no seu espaço com o intuito de aplicarmos conhecimentos e talentos de forma não só eficaz como eficiente.

Nestes dias aparecemos rendidos a dois tipos escumalha diferente. Àquela que nos desgovernou durante décadas e nos afundou na ausência de produção de quase todos os tipos criando e aprofundando formas intensas de dependência. E àquela que, aproveitando-se oportunamente da primeira, vem agora colher os restos de um país afundado na sua própria falta de senso, insanidade colectiva pelo delírio de grandeza consumista, quando em contrapartida nada se produz que efectivamente contraponha os gastos que nos fazem querer ter.

sábado, 9 de abril de 2011

Estados de Espírito

"Talvez seja meramente um estado de espírito passageiro aquele que me leva a estar tão longe de acreditar que são os homens capazes de superar a própria necessidade auto-destruidora. mas não creio que um estado de espírito derive de uma evidência. Por norma derivam de algo de irracional. A descrença, o cepticismos é o estado natural de todos quantos se preocupam em analisar que quiseram fazer da organização social. Porque transformaram o indivíduo numa contradição de si mesmo e o crescimento numa necessidade que apenas conduz a diversas formas de definhamento, desde o mais íntimo ao mais social. Como o indivíduo e o social que são uma e a mesma realidade, se tornaram corpos estranhos e mesmo antagónicos."

Texto de Pedro Norman

domingo, 3 de abril de 2011

Compreender o fenómeno

É algo que tem acontecido um pouco por todo o mundo. Aqui podemos compreender o fenómeno. Um documentário a ser visto.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Sindicatos e precários

Os sindicatos não representam nem pretendem representar os trabalhadores precários com falsos recibos verdes. Assim sendo, deveriam centrar-se na obtenção de uma forma especial de organizar estes trabalhadores e sobretudo de os proteger, como fazem e muito bem, com os trabalhadores por conta de outrem. Cabe aos sindicatos virem ao encontro de uma necessidade real de trabalhadores que, para além de o serem, ainda o são de forma muitas vezes fraudulenta. Leva a crer que os próprios sindicatos consideram estes trabalhadores, à semelhança das elaboradas estatísticas nacionais, não como trabalhadores mas antes como empresários que não são.

Realmente neste campo há que fazer um trabalho imenso dentro das centrais sindicais de intenso combate a estas situações precárias, mas também de uma enorme protecção aos trabalhadores envolvidos, ainda que não sindicalizados. Outras formas de organização têm de ser encontradas. A solidariedade e a luta nascem precisamente neste tipo de atitudes e não no abandono.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Godspeed You! black Empreror

Poucos conhecem, infelizmente, das bandas mais originais e mais brilhantes bandas da actualidade. Pode requerer alguma elasticidade auditiva mas merece bem a pena. Godspeed You! black Empreror - Sleep




Godspeed You! black Empreror - Blaise Bailey Finnegan III [1 of 2]

terça-feira, 22 de março de 2011

Mais papistas que o Papa II

Na nossa cultura organizacional actual, um comportamento adorado e incentivado é o dos cães de fila, dos lambe-botas e beija-luvas, de todos aqueles que são por si mesmos produtos e vítimas de uma sociedade competitiva e não cooperante. Os que tudo fazem ou dizem para cair nas boas graças das chefias.

Estamos a parir uma nova sociedade de bufos que se alimentam da crise, que se comportam como accionistas ou mandatários dos mesmos quando não passam de assalariados descartáveis e geram climas de mal-estar permanente. Delatores, parasitas, porcos e traidores da sua própria classe para saltarem para o patamar seguinte na cadeia do trabalho assalariado.

Mais papistas que o Papa I

Há por aí quem, no meio académico ou nas organizações, seja mais papista que o Papa e queira fazer transparecer como verdade aquilo que não passam de bodes expiatórios para as consequências da crise. Não tenhamos ilusões. Tudo isto se prepara para um único rumo, aquele que nos conduz a novas formas de escravatura quando nos roubam a cada passo todas as ferramentas para tomarmos nas mãos o poder de transformar.

É inadmissível que as academias preparem as pessoas numa óptica de pensamento único quando deveriam ser pólos ou fóruns de discussão aberta e clara do temas mais graves que se colocam à nossa sociedade actual. Mais do que uma demissão, há uma tendência premeditada e construída intencionalmente no sentido de alinhar o ensino com a forma actual de organização social que se provou desastrosa e mesmo anti-social. Querer compactuar no ensino e nas organizações com as desculpas que nos servem os incapazes que nos governam é o mesmo que assumirmos que preparamos as próximas gerações para o seu suicídio intelectual e moral. Assumir que estratégias empresariais são mais importantes que realidades sociais é absorver a ideia que as organizações são entidades supra-humanas quando elas existem porque a sociedade permite a sua existência compensando-as com a possibilidade de uns poucos enriquecerem às custas do trabalho de uma vasta maioria. Sociedade essa que nem sequer se preocupa com mecanismos de reequilíbrio a curto ou médio prazo ou com a constitucional e justa distribuição da riqueza. Depois querem despedir. E querem esmagar mais ainda salários. E enquanto isso determinados sectores florescem às custas do culto da suposta crise que se manifesta apenas para alguns. As academias e as organizações trabalham neste momento para um fim comum, por muito estranho que isso possa parecer, e esse fim é a continuidade de um sistema agonizante e podre, social e moralmente falando. Quando nesta altura deveríamos estar nos caminhos alternativos. É necessário chegarmos ao mesmo ponto a que chegou a Islândia?

sábado, 12 de março de 2011

À espera de evoluções no mundo...

...vou ouvindo como música de fundo.



RAMMSTEIN - ENGEL

segunda-feira, 7 de março de 2011

Sem palavras...

É bom que se entenda o que realmente significam as coisas e as pessoas. Não vale a pena comer toda a merda que nos querem colocar no prato. vivemos numa era de informação contaminada. em nome de alguma lucidez fica a foto, talvez polémica 8mas pouco me interessa isso) da figura do momento, e não certamente pelas razões que chovem por aí nos órgãos de comunicação.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Memórias.

Tropecei algures nesta bela colecção de memórias de alguém certamente, não as minhas por impossibilidade técnica de não existência, mas que se traduziu ainda assim em alguns momentos emblemáticos. Nunca compreendi muito bem se isto se encaixava no que aprendi a gostar como universo musical mas sempre me soou muito bem. por isso mesmo aqui fica o resultado do tropeção que não resultou de todo em queda...



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Repressão...

As diferenças óbvias dos tipos de repressão:

Em Cuba, manifestação das damas de Branco



Em Espanha, ou melhor dizendo no País Basco governado por Espanha



Retirado daqui


Podemos então depreender que um regime considerado uma ditadura há 50 anos conta com o seu próprio povo para reprimir com... palavras. Onde estão os exércitos, as tropas de choque e as bastonadas? Ficam para quem as conseguir inventar.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Estratégias de manipulação mediática

Numa interpretação muito recente, o académico americano Noam Chomsky retrata aquelas que considera como “estratégias de manipulação mediática” na comunicação política:

- Estratégia da distracção - consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distracções e de informações insignificantes.

- Criar problemas e oferecer soluções - Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reacção no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam sejam aceites, v.g. deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.

- Estratégia da Gradualidade – Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceite basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconómicas radicalmente novas foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990.

- Estratégia do diferimento - É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente.
Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

- Estratégia da menoridade - A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entoação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adoptar um tom infantilizante.

- Estratégia do emocional sobre a reflexão - Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto-circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos.

- Estratégia da manutenção da ignorância e mediocridade - Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível”

- Estratégia da complacência - Levar o público a crer que é moda o facto de ser estúpido, vulgar e inculto.

- Estratégia do reforço da auto culpabilidade - Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas pela sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de se rebelar contra o sistema económico, o indivíduo auto desvaloriza-se e culpa-se, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua acção.

- Estratégia de conhecimento do indivíduo superior ao auto-conhecimento -
No decurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência geraram uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano tanto no aspecto físico como no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo.


CHOMSKY, Noam. in http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=8ce8b102d40392a688f8c04b3cd6cae0&cod=6647 adaptado cit in MOUTA, P., RIBEIRO, M., FERREIRA F., "Comunicação Política", ISLA Gaia, 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Zeitgeist

Já que o tema veio à baila e consegui ver a totalidade desta interessante análise de como funciona a nossa sociedade, deixo aqui com alguma esperança de que outros também se interessem pelo conteúdo. No entanto alerto que analisar é relativamente simples, como diria alguém, difícil é transformar!!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Reflexões de Fidel - A questão do Egipto

Publico na íntegra o texto de Fidel Castro sobre a questão do Egipto, traduzido para português. Uma análise interessante.


"A Sorte de Mubarak esta traçada"


"A sorte de Mubarak esta traçada e já nem o apoio dos Estados Unidos poderá salvar o seu governo. No Egipto vive um povo inteligente que deixou a sua pegada na civilização humana. "Do alto destas pirâmides 40 séculos nos contemplam", contam que exclamou Bonaparte num momento de exaltação quando a revolução dos enciclopedistas o levou a essa extraordinária encruzilhada de civilizações.
No final da segunda Guerra Mundial, o Egipto estava sob a brilhante governação de Abdel Nasser, que em conjunto com Jawaharlal Nehru (herdeiro de Mahatma Ghandi), Kwame Nkrumah, Ahmed Sékou, líderes africanos, que com Sukarno, presidente da então recém libertada Indonésia, criaram o Movimento dos Países Não Alinhados e impulsionaram a luta pela independência das antigas colónias. Os povos do Sudeste Asiático, do Médio Oriente e de África, como Egipto, Argélia, Síria, Líbano, Palestina, Sahara Ocidental, Congo, Angola e Moçambique, entre outros, envolvidos na luta contra o colonialismo francês, inglês, belga e português, com o apoio dos Estados Unidos, lutavam pela independência apoiados pela União Soviética e da China.
A esse movimento em marcha, se juntou Cuba, após o triunfo da nossa Revolução.
Em 1956, a Grã-Bretanha, França e Israel, atacaram de surpresa o Egipto, que tinha nacionalizado o Canal do Suez. A corajosa e solidária acção da União Soviética, que inclusivamente ameaçou com a utilização do seu estratégico Rocket , paralisou os agressores.
A morte de Adel Nasser em 28 de Setembro de 1970, significou um golpe irreparável para o Egipto.
Os Estados Unidos não pararam de conspirar contra o mundo árabe, que concentra as maiores reservas petroliferas do planeta.
Não é necessário argumentar muito, basta ler as notícias do que inevitavelmente está a acontecer.

Vejamos as notícias:

28 de Janeiro

"(DPA) Mais de 100000 egípcios saíram hoje à rua para protestar contra o governo do presidente Hosnik Mubarak, apesar da proibição de manifestações, emitida pelas autoridades"

"Os manifestantes incendiaram sedes do Partido Democrático Nacional (PDN) de Mubarak e postos de vigilância policial, enquanto no centro do Cairo atiraram pedras à policia quando esta tentou dispersá-los com gás lacrimogéneo e balas de borracha"

"O Presidente norteamericano, Barak Obama, reuniu-se hoje com uma comissão de especialistas para se aconselhar sobre a situação, ao mesmo tempo que o porta-voz da Casa Branca, Robert Gobbs, avisou que os Estados Unidos reavaliaria as multimilionárias ajudas que concede ao Egipto, de acordo com a evolução dos acontecimentos.

"As Nações Unidas também emitiram uma forte messagem a partir de Davos, onde se encontrava o seu secretário geral Ban Ki-moon"

"(Reuters) - Presidente Mubarak ordena o recolher obrigatório no Egipto e a implantação do exército protegido por veículos blindados no Cairo e em outras cidades. Há relatos de violentos confrontos entre manifestantes e a polícia.

"Forças egípcias, protegidas por veículos blindados, implantaram-se sexta-feira no Cairo e em outras grandes cidades do país para acabar com os enormes protestos populares que exigem a demissão do presidente Hosni Mubarak.

"Fontes médicas assinalaram que até ao momento 410 pessoas ficaram feridas nos protestos, enquanto a televisão estatal anunciou o recolher obrigatório para todas as cidades"

"os acontecimentos representam um dilema para os Estados Unidos, que expressaram o seu desejo de que a democracia se estenda por toda a região. Contudo, Mubarak foi um aliado próximo a Washington por vários anos e o destinatário de muita ajuda militar"

"(DPA)" milhares de jordanos manifestaram-se hoje depois das orações de sexta-feira em todo o país, pedindo a demissão do primeiro ministro , Samir Rifai, e reformas politicas e económicas"

No meio do desastre politico que estava atingindo o mundo árabe, lideres reunidos na Suiça meditaram sobre as causas que davam lugar ao fenómeno, que inclusivamente classificaram como suicídio colectivo.

"(EFE) - Diversos lideres políticos pedem no Foro Económico de Davos uma mudança no modelo de crescimento"

"O actual modelo de crescimento económico, baseado no consumo e sem ter em consideração as consequências do meio ambiente, já não se pode manter por mais tempo pois põe em causa a sobrevivência do planeta, advertiram hoje vários lideres políticos em Davos"

"O modelo actual é um suicídio colectivo. Necessitamos de uma revolução no pensamento e na acção", advertiu Ban. "Os recursos naturais são cada vez mais escassos" acrescentou num debate acerca de como redefinir um crescimento sustentável no âmbito do Foro Económico Mundial."

" A mudança climática mostra-nos que o o modelo antigo está mais do que obsoleto", insistiu o responsável da ONU.

" O secretário geral acrescentou que, para além dos recursos básicos para a sobrevivência como a água e os alimentos, "se estão esgotando outro recurso, que é o tempo para fazer frente à mudança climática".

29 de Janeiro


"Washington (AP) - O Presidente Barack Obama tentou o impossível perante a crise egípcia: cativar a população furiosa com um regime autoritário de três décadas e, ao mesmo tempo, assegurar a um aliado chave que os Estados Unidos o apoiam.

"O discurso de 4 minutos do presidente, na noite de sexta-feira, representou uma cautelosa intenção de manter um equilíbrio difícil: Obama só poderia sair perdendo se o defendia entre os manifestantes que exigem a saída do presidente Hosni Mubarak e o regime que se apega com violência à sua posição de poder."

"Obama não pediu uma mudança de regime. Nem sequer disse que o anúncio de Mubarak foi suficiente"

"Obama fez as declarações mais fortes do dia em Washington, mas não se afastou do guião usado pela sua Secretária de Estado Hillary Clinton e o porta-voz da Casa Branca Robert Gibbs"

"(NTX) - O diário The Washington Post pediu hoje ao governo de Obama para usar a sua influência politica e económica para que o presidente Mubarak abandone o poder no Egipto"

"Os Estados Unidos deveriam usar toda a sua influência, incluindo os mais de mil milhões de dólares em ajuda que fornece todos os anos ao exercito egípcio, para assegurar o último resultado (a atribuição de poder por parte de Mubarak), indicou o diário no seu editorial"

"Obama na sua mensagem proferida na noite de sexta-feira, disse que continuaria trabalhando com o presidente Mubarak e lamentou não terem sido referido quaisquer eleições"

"O diário qualificou de não realistas as posições de Obama e as do vice-presidente, Joe Biden, que declarou a uma rádio que não chamaria ditador ao presidente egípcio e que achava que este não deveria renunciar"

"(AFP) - Organizações árabes dos estados unidos exortam o governo do Presidente Barak Obama a que deixe de apoiar a ditadura de Mubarak no Egipto"´

"(ANSA) -Os Estados Unidos mostraram-se novamente "preocupados" com a violência no Egipto e advertiram o governo de Mubarak que não pode agir como se nada tivesse ocorrido. Fox News disse que a Obama lhe restam duas más escolhas acerca do Egipto.

"Advertiu o governo do Cairo que não pode voltar a "baralhar as cartas" e actuar como se nada tivesse acontecido no país."

"A Casa Branca e o Departamento de Estado estão seguindo muito de perto a situação no Egipto, um dos principais aliados de Washington no mundo, e destinatário de uns 1.500 milhões de dólares anuais em ajudas civis e militares"

"Os meios de informação dos Estados Unidos estão a dar uma enorme cobertura aos distúrbios no Egipto, e vêm assinalando que a situação pode resultar, seja qual for o modo que se resolva, numa dor de cabeça para Washington"

"Apostamos no cavalo errado durante 50 anos", disse à Fox um ex agente da CIA, Michael Scheuer. "Pensar que o povo egípcio se vai esquecer que nós apoiamos ditadores durante meio século é uma ilusão", completou

"(AFP) - A Comunidade internacional multiplicou os seus avisos para que o presidente egípcio Hosni Mubarak empreenda reformas políticas e cesse a repressão das manifestações contra o seu governo, que este sábado prosseguem pelo quinto dia."

"Nicolas Sarkozi, Angela Merkel e David Cameron pediram ao presidente para "iniciar um processo de mudança" perante as "reivindicações legitimas" do seu povo e para "evitar a todo o custo o uso da violência contra os civis", no sábado numa declaração conjunta"

"Também o Irão pediu às autoridades egípcias para atenderem às reivindicações de rua "

"O rei Abdalá da Arábia Saudita considerou que as mudanças que os que protestam exigem, representam "ataques contra a segurança e estabilidade" do Egipto, levadas a cabo por "infiltrados" em nome da "liberdade de expressão"

" O monarca r«teklefonou a Mubarak para lhe expressar a sua solidariedade, informou a agência oficial saudita SPA"

31 de Janeiro :

"(EFE) Netanyahu teme que o caos no Egipto propicie o acesso dos islamitas ao poder"

"O primeiro-ministro de israelita, expressou hoje o seu receio de que a situação no Egipto permita o acesso dos islamitas ao poder, inquietação que disse partilhar com os dirigentes com quem contactou nos últimos dias.

"O primeiro-ministro recusou-se a comentar as noticias divulgadas pelos meios de comunicação locais que acusam Israel de ter autorizado hoje o Egipto a implantar as suas tropas na Península de Sinai pela primeira vez em três décadas, o que se considera uma violação ao acordo de paz de 1979 entre os dois países.

"Por outro lado e perante as criticas às potências ocidentais como Estados Unidos ou Alemanha que mantiveram laços estreitos com regimes totalitários árabes, a chanceler alemã afirmou "Não abandonamos o Egipto"

"O processo de paz entre israelitas e palestinianos encontra-se parado desde o passado mês de Setembro, principalmente pela recusa israelita em parar a construção no território palestiniano ocupado."

"Jerusalém (EFE) - Israel inclina-se pela manutenção no poder do presidente egípcio, Hisni Mubarak, a quem o chefe de estado israelita, Simon Peres, defendeu hoje ao dizer que "uma oligarquia fanática religiosa não é melhor que a falta de democracia"

"As declarações do chefe de Estado coincidem com a difusão pelos meios de comunicação local de pressões por parte de Israel feitas aos seus parceiros ocidentais para que baixem o tom das suas críticas ao regime de Mubarak, que o povo egípcio e a oposição tentam derrubar."

"Fontes oficiais não identificadas citadas pelo jornal "Haaretz" informaram que o Ministério dos Assuntos Exteriores enviou no sábado um comunicado às suas embaixadas nos Estados Unidos, Canadá, China, Rússia e em vários outros países para pedir aos embaixadores que enfatizem junto das autoridades locais respectivas, a importância que para Israel tem a estabilidade com o Egipto"

"Os analistas israelitas assinalam que a queda de Mubarak poderia por em perigo os Acordos de Camp David que o Egipto assinou com Israel em 1978 e posterior subscrição do Tratado de Paz bilateral em 1979, especialmente se tivesse como consequência a subida ao poder dos islamitas Irmãos Muçulmanos, que gozam de grande apoio popular"

"Israel vê Mubarak como o garante da paz na sua fronteira sul, para além de um apoio chave para manter o bloqueio à faixa de Gaza e isolar o movimento islamita palestiniano Hamas"

"Um dos maiores receios de Israel é que as revoltas egípcias, na sequência das tunisinas, alcancem também a Jordânia,debilitando o regime do rei Abdalá II, cujo país a par do Egipto, são os únicos árabes que reconhecem Israel"

" A recente nomeação do general Omar Suleim como vice-presidente egípcio e, portanto, possível sucessor presidencial, foi bem recebida em Israel, que manteve com o general relações próximas de cooperação em matéria de Defesa"

"Mas o rumo que seguem os protestos egípcios não permite dar por garantido que a continuidade do regime esteja assegurada, nem sequer que Israel possa continuar, no futuro, a ter no Cairo o seu principal aliado na região"

"Como se pode observar, o mundo enfrenta simultâneamente e pela primeira vez, três problemas:

Crise climática, crise alimentar e crise politica.
A elas pode-se acrescentar outros graves perigos.
os riscos da guerra são cada vez mais destrutivos e estão muito presentes.
Disporão os lideres políticos de suficiente serenidade e imparcialidade para lhes fazer frente?

Disto dependerá o destino da nossa espécie."

Fidel Castro Ruz, 1 de Fevereiro de 2011 in http://www.cubadebate.cu/reflexiones-fidel/2011/02/01/la-suerte-de-mubarak-esta-echada/ (traduzido)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Da Grécia...

Muito recentemente dados a conhecer em boa hora. Um som fantástico que me lembra outros sons mais a norte da Europa.

Transistor - living

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Tunisia - Questão a elucidar

"O povo levantou-se contra o colonialismo e a negação dos seus mais elementares direitos …

Mas note: pode haver mais de uma leitura.


Repentina, a notícia atraiu a atenção mundial: o ex-general Zine el-Abidine ben Alí, que há 23 anos governava a Tunísia – no coração do Magrebe, norte de África – fugiu com a sua família para a Arábia Saudita, abalado por uma revolta popular massiva e dirigida, entre outros flagelos, contra o desemprego, a miséria e a corrupção reinantes.

Enquanto que entre os analistas internacionais, há consenso de que os ajustes neoliberais promovidos pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e pelo B M (Banco Mundial) nesse país africano agravou a sua situação, relatórios destes organismos dizem o contrário, como seria de esperar.

Vejamos, por exemplo, alguns fragmentos do documento intitulado “Tunísia desenvolve economia e cria emprego” , difundido recentemente pelo BM:

“A Tunísia melhorou a sua competitividade e duplicou as exportações nos decorrer dos últimos 10 anos… acelerou o crescimento económico com a ajuda de uma série de empréstimos para políticas de desenvolvimento do Banco Internacional de Reconstrução e Fomento … deverá continuar a promover o investimento privado e aumentar a produtividade, para crescer entre 6 e 7% e reduzir o desemprego. .. O Banco está comprometido com o novo modelo de crescimento do Governo e dará o seu apoio através de trabalho analítico, assistência técnica e empréstimos a politicas de desenvolvimento para os próximos anos”.

Isto é como dizer: “A Tunísia é nossa “. E não do povo, mas sim da sua oligarquia, porque a nação Magrebe esta colonizada pelas potências imperialistas, em particular pela União Europeia. Só a França tem ali instaladas 200 mil empresas, às que se ligam empresas britânicas, belgas e espanholas.

Agora, revendo atentamente, para não passar por incauta, encontra-se esta rebelião popular a ser apoiada pelos estados Unidos (?!) …. Alemanha (?!) … França (?!) Et Voilà! Já temos outra possível leitura dos acontecimentos.

O presidente Barack Obama fez um apelo a favor de eleições “livres e justas” na Tunísia e destacou “a coragem e dignidade” do seu povo, depois da queda de Ben Alí. A União Europeia pronunciou-se por uma solução democrática “duradoura” e apelou à calma.

A insurreição continuava e as forças politicas internas anunciavam um novo “Governo de unidade”, integrado por algumas figuras da oposição, embora mantendo nos seus lugares ministros chave do anterior regime.

Fontes oficiais confirmaram que nesse futuro gabinete, que tentará integrar-se em poucos dias, para de seguida convocar eleições, não participam nem partidos de esquerda, nem partidos islamitas com o objectivo – dizem – de assegurar uma transição para um regime democrático, mas de “cores moderadas”. E nesse ponto, surge uma pergunta : Como é possível um regime democrático sem as forças nacionalistas mais assinaladas?

Tenhamos em conta, que a Tunísia esteve dominada durante muitas décadas pelo império francês. Está situada num lugar invejável para o turismo europeu, área em que, junto com a pesca, representa um dos rendimentos mais importantes do país. Após tantos anos de um processo de aculturação forçado, os muçulmanos continuam a reivindicar e a combater pelas suas origens.

Um colega de memória invejável recorda-nos que a busca de governos de “cores moderadas “ resulta numa arma da tradicional panóplia imperialista. Não o vivemos já em 1962, quando quase todos os governos e chanceleres da Organização de Estados Americanos (OEA) expulsaram Cuba do seu seio porque “a sua ideologia socialista extra-continental não era compatível com o sistema democrático da América”?

Relembremos brevemente também, a estratégia ianque-ocidental que se operou na Jugoslávia contra o presidente Slodoban Milosevic há 11 anos atrás e, mais recentemente, o golpe nas Honduras e a tentativa no Equador … Algo se esta a cozinhar. E não necessariamente a fogo lento. Oxalá a Tunísia saiba ser o exemplo de África."

Por Anary Lorenzo, 21 de Janeiro de 2011 (traduzido)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Egito... o caralho!!!

Sem avançar aqui em quaisquer considerações de ordem política, apenas quero deixar o meu veemente protesto com a estupidez que representa a aplicação do acordo ortográfico que mais não é senão uma cedência linguística de forma a, em mais um aspecto das nossas vidas, nos submetermos a interesses que não são de todo os nossos.

Mas vejamos quão estúpido é este acordo num exemplo tão simples. neste artigo, postado na RTP, o título do separador é precisamente "Egito". no corpo do texto sobre um país que se chama Egipto, aparece a expressão "Hosni Mubarak falou aos egípcios". Depreendo que no EGITO deveriam existir EGICIOS e não EGÌPCIOS... contudo a estupidez da aplicação deste acordo leva-nos a perceber que a forma "correcta" segundo os defensores desta aberração, é precisamente dizer que no Egito existem egípcios! Não é fantástico? Na língua inglesa e na língua castelhana, o nome do país é semelhante e escreve-se com o "p". por cá também se fazia, mas deixa-se cair em nome de um acordo idiota.

Aqui está um bom motivo para uma desobediência civil!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

The Gathering - Great Ocean Road

O melhor álbum desta grande banda holandesa que entretanto sofreu algumas metamorfoses. No entanto este som transporta-nos para um universo musical que relembra grandes bandas, ou grandes sonoridades que preencheram o imaginário de muitos que cresceram a ouvir criações sublimes.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Geração precária

Ainda não percebi se consigo gostar da música mas da letra sou um fã absoluto.

DEOLINDA - "parva que sou"

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Iraque, Wikileaks e o jornalismo

Sobre a invasão e guerra no Iraque, o wikileaks e Julian Assange. Mais um trabalho interessante o jornalista australiano john Pilger.


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Perspectiva

Talvez seja uma forma subliminar de tentar relembrar que um dia este país acreditou em alguma coisa, e depois, essa mesma geração, enterrou essa crença e entregou-se à mediocridade.



segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Retomando memórias de um país que já foi...

Petrus Castrus - Indecisão e Demência



Petrus Castrus - País Relativo



Petrus Castrus - Mestre

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Dead Can Dance

Estou confuso. não sei se acabei de conhecer ou se sempre me acompanharam estes sons... Sons de um passado futuro, acabados de nascer numa consciência que ainda não absorveu o significado de ser e estar num tempo e viver definitivamente noutro. Certamente o errado.

"Caso BPN: O que esconde Cavaco?"

Via Blogue Tabus de Cavaco

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Som clean... para um mundo dirty

Uma banda muito clara e cristalina. Muito bom som!



Um pilar ou um desafio?

Seria curioso entendermos porque algumas organizações importantes do nosso país desencorajam precisamente aquilo que é considerado como o pilar da construção das sociedades modernas, a formação e qualificação das pessoas. muitas não só não a promovem,de facto, como tentam minar e destruir mesmo as iniciativas individuais de aquisição dessa qualificação. Não admira que estejamos tão atrasados em relação a tanta coisa. A começar pela imbecilidade de muitos gestores à frente dessas mesmas organizações.