quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Mais sobre Cuba

Eis que surgem as primeiras notícias de iniciativas do novo presidente cubano. Claro que Cuba está necessitada de um grande consenso na América Latina por forma a conseguirem livrar-se do pesado bloqueio de décadas. Sendo assim o presidente Raúl Castro decide encontrar-se com o representante... do Vaticano.

Claro que o Vaticano está permanentemente em manobras diplomáticas. Até se falou da possibilidade da visita de Bento XVI à ilha. Será que Fidel é que está doente mas Raúl é que se encontra senil? Para que raio querem eles a visita do líder da instituição que mais apoiou as mais violentas ditaduras da América Latina plantadas pelos Estados Unidos? É sabido que a mioria dos cubanos são católicos mas isso não me parece uma justificação a não ser que, tal como os próprios Estados Unidos, o Vaticano ainda tenha esperança em que Cuba venha a ser aquilo que nunca foi com Fidel, um país seguidor dos mais importantes princípios cristãos, como o Chilie de Pinochet. Porque é certo que se em vez de Fidel, Cuba tivesse tido um Pinochet não teriam havido bloqueios mas antes ajudas.

Como costumo dizer, quem viver verá o que daqui vai sair...

Estranhos consensos para uma triste realidade

Não fiquei surpreendido com as palavras proferidas pelo Eng. Belmiro de Azevedo sobre o nosso sistema fiscal e sobre o modo como estado português se tem vindo a financiar. Afirma o empresário que os impostos elevados têm sido a base de sustentação do estado bem como o aumento dos preços dos serviços tem sido a base do crescimento e manutenção dos lucros dos bancos. Belmiro compara assim duas realidades muito idênticas. Contudo, a questão do estado e da forma como este se comporta a nível fiscal é muito mais complexo.

Muitos poderão afirmar que a carga fiscal em Portugal não é das maiores. Mas quando dão exemplos de países onde essa carga fiscal é maior reparamos que são países onde o nível de vida é muito melhor e onde os sistemas de protecção social funcionam. Ou seja, as pessoas compreendem para que servem, na prática, os seus impostos.

Em Portugal isso não sucede. Muito pelo contrário. Deparamo-nos com uma triste realidade em que tanto as empresas como os particulares se vêem sobrecarregados de impostos, vivem para pagar impostos e o resultado disso é uma ineficiência total na distribuição das receitas fiscais. O país perde competitividade, e isso é importante, mas pior ainda é que não consegue transformar uma sobrecarga fiscal em serviços de qualidade prestados pelo estado.

Os erros processuais têm sido uma constante numa instituição que tem tentado sacar dinheiro indiscriminadamente a todos quantos não se podem defender, permanecendo os mais poderosos ao abrigo das perseguições do fisco. A Justiça tributária actua como uma espécie de justiça à margem do sistema judicial geral e mesmo até do sistema democrático. Na realidade, estes senhores podem fazer tudo quanto queiram em nome de meras desconfianças. A actuação destes serviços é um perigo para a própria democracia. Os processos de penhoras têm decorrido apenas sobre quem não tem quaisquer possibilidades de fuga. A injustiça está na base do sistema e da sua aplicação por interesse político e por necessidade básica de sobrevivência económica. Os políticos, na sua incapacidade crónica de gerir o país vão roubando os cidadãos apropriando-se dos seus bens.

É um estranho consenso. Não que tenha quaisquer complexos em concordar com o Eng. Belmiro de Azevedo. Ele diz muitas coisas com as quais tenho de concordar. O que não invalida o facto de considerar que ele pertence ao grupo de pessoas que está a transformar este país num gigantesco centro comercial ajudando a matar os pequenos negócios e a transformar esses pequenos empresários em empregados das grandes superfícies comerciais. E ao fazê-lo está a preparar uma corrida que levará a um monopólio no futuro onde, logicamente, os preços vão ter tendência a subidas enormes.

É que a crítica do Eng. Belmiro aos bancos até está correcta mas deveria olhar mais para o seu próprio negócio. Quando o Continente absorveu o Carrefour em Portugal os preços dispararam com a entrada da marca continente. Isso é tão visível que em algumas das lojas Carrefour o fluxo de clientes diminuiu logo após as primeiras semanas.

Mais reafirmo que, enquanto não forem cumpridos os pressupostos pelos quais o estado nos cobra impostos continuamos a lidar com um estado quem não é nem socialista nem capitalista. É um estado ladrão. E a DGCI é uma instituição terrorista que vai, em seu nome, fazendo a pilhagem.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Um acontecimento histórico que passou (quase) despercebido

O Chipre foi às urnas e escolheu claramente o caminho da busca da reunificação. Demetris Christofias, do AKEL - Partido Progressista do Povo Trabalhador do Chipre, venceu as eleições com 53,36% dos votos num sufrágio onde participaram mais de 90% dos cidadãos eleitores.

Christofias torna-se assim no primeiro presidente Comunista de um país da UE o que se torna relevante para todos os outros partidos da esquerda socialista no espaço europeu.

Torna-se cada vez mais claro que a propaganda anti-comunista vai deixando de fazer efeito aos poucos não obstante o facto de toda a comunicação social estar nas mãos dos seus maiores opositores e fazer sempre questão de transmitir essa mesma imagem. O anti-comunismo vai deixando de ser uma moda. É certo que nasceram outras esquerdas socialistas e muitos partidos comunistas transfiguraram-se pouco restando dos velhos combates.

Estou certo que algumas mudanças críticas eram necessárias para que se pudesse dar o ressurgimento da confiança num ideal que foi mutilado por uma História pouco favorável. As experiências sociais do socialismo científico revelaram-se desastrosas em muitos aspectos mas a ideia base continua por trás do que faz mover as mais diversas esquerdas socialistas nesta europa globalizada pela negativa. Uma esquerda que volta a querer assumir o seu papel internacionalista, ou como chamam novas tendências "alter-globalista".

O AKEL é um partido com uma história muito importante e espera-se que possa vir a desempenhar um ainda mais importante com o processo que se segue para reatar o diálogo com a parte cipriota governada pelos turcos.

Embora aparentemente tenha pouca importancia a nível mundial, os olhos de todos os progressistas devem estar aqui bem concentrados. Experiências como o "Die Linke" na Alemanha podem muito bem vir a projectar um futuro bem diferente aos povos europeus. A mudança não está apenas na América Latina com os resultados do Fórum de São Paulo a dar amplos fruto numa viragem à esquerda deste sub-continente.

O facto de um Comunista haver sido democraticamente eleito num país da União Europeia elimina todas as desculpas para uma intervenção externa de pressão para resultados adversos na sua governação. É óbvio que isto é incómodo para Washington e Londres no entanto não é este o tempo e o espaço para intervir na europa como o fizeram por outras partes do mundo. Grande parte deste mundo está com as atenções voltadas (positiva ou negativamente) para as eleições nos EUA e para os resultados práticos das mudanças que irão ser produzidas após este ciclo.

Apenas mais uma nota de rodapé. Estranho que na esquerda portuguesa apenas o Partido Comunista Português se tenha manifestado, congratulando-se com esta vitória eleitoral.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Ainda bem que temos os carros e os computadores topo de gama e uma vida de luxo, no terceiro mundo têm... saúde?

O nosso Serviço Nacional de Saúde é um desastre. E isso já todos nós sabemos. Tornaram-no num desastre para que possa servir de uma boa desculpa para a proliferação de uma oferta provada paga a peso de ouro por quem pode. Ou pior ainda paga por todos os contribuintes para benefícios de alguns.

Deparei-me hoje com um texto publicado no jornal cubano "Granma" na sua versão digital. Ao que parece lá também existem computadores, mas não só.

"A vida de Vânia Correia, jovem portuguesa de 29 anos, natural de Porto Alto, em Santarém, a 80 quilómetros ao norte de Lisboa, mudou bruscamente aquele dia de fevereiro de 2003.

Como consequência de um acidente com maquinaria agrícola, sofreu lesões nas vértebras, com perda do cabelo e desfiguração de uma parte de seu rosto. Passado um mês em estado de coma, despertou com a triste realidade que estava paralisada do pescoço para abaixo. Nove meses de internamento e de fisioterapia no Centro de Reabilitação de Alcoitão conseguiram uma recuperação parcial da mobilidade dos braços.

Vânia sempre esteve convencida que podia voltar a andar e recuperar o movimento das pernas. Ao ter conhecimento do trabalho que Cuba desenvolve nessa área, enviou sua história clínica ao Centro Internacional de Restauração Neurológica (CIREN), de Havana, e mediante uma campanha de recolha de fundos que incluiu doações e espectáculos artísticos, reuniu a quantidade necessária para a viagem.No dia 10 de Setembro do ano passado, o canal RTP N anunciou finalmente a saída de Vânia para Cuba. O diário 24 Horas, que seguiu de perto o caso, reproduziu no dia 17 de Outubro declarações da própria jovem a partir do CIREN, onde, após sessões diárias de reabilitação, reconheceu sentir-se muito feliz e ter conseguido progressos importantes. "Estou a tentar caminhar com a ajuda de barras de suporte que reforçam as minhas pernas. Também estou a fortalecer os meus braços".

A publicação Global Notícias informou do regresso de Vânia a Portugal, a 11 de Novembro passado, para submeter-se a novas operações que corrigirão sequelas do acidente.Os seus progressos foram bons e a reabilitação deu seus frutos. Dotada de próteses externas nas pernas, movimenta-se com a ajuda de um andarilho especial e umas barras de apoio. Com a voz mudada e sem poder dissimular seus desejos enormes de voltar à ilha do Caribe, para continuar o tratamento, afirma: "Ganhei força na perna esquerda e já consigo movimentar o pé. A mão esquerda se abre um pouco, tem mais força. A perna direita é a que está mais um pouco lenta. Mas conseguirei", sublinha.

"Devido ao nível de paralisia que tinha, os profissionais da saúde ficaram assombrados com minha evolução. Ninguém se imagina como me sinto. Não tenho palavras. Tentarei viajar para Cuba outras tantas vezes como possa, até que os médicos me digam que já não é possível evoluir mais.

"VANIA NÃO É A ÚNICA

O caso de Vânia não é o único que conhecemos através da imprensa. Diariamente, chegam-nos informações de Simão Ferreira, Catarina, Tiago Tavares e outros tantos.

Simão Ferreira, menino de 21 meses com irritabilidade cerebral, um raro caso de epilepsia conhecido como Síndrome de West, foi tratado durante três meses em Cuba. Em declarações ao Correio dá Manhã seus pais falam de um verdadeiro "milagre" e uma mudança "como da noite por dia". Antes, o menino chorava ininterruptamente durante 19 horas diárias, dormia pouco e rejeitava todos os alimentos. Agora dorme oito horas seguidas e não vomita.

Catarina, igualmente com paralisia cerebral, ao retorno de Cuba experimenta "melhorias visíveis", segundo sua família, e mostra-se mais disposta e animada, o que alimentou as esperanças da família de voltar e repetir o tratamento.

E Tiago Tavares, de 11 anos, também com paralisia cerebral, foi um caso muito seguido pela SIC. Dois anos depois, ao retorno de sua segunda viagem a Cuba, no dia 7 de Setembro de 2007, os espectadores estupefactos viram Tiago entrar caminhando no estudio de televisão, ajudado pela mãe.

Laura Tavares, mãe de Tiago, diz que os médicos cubanos são diferentes dos portugueses "quanto aos métodos e a formação". Os seus métodos de tratamento se baseiam "em uma fisioterapia intensiva e em bloco, em que cada músculo do corpo é exercitado, diariamente e durante todo o dia".

Num artigo publicado no dia 8 de Outubro no órgão regional O Setubalense, a jornalista Ana Maria Santos diz que "é cada vez maior o número de pacientes portugueses que buscam em Cuba a solução para seus problemas de saúde e se alguns não pedem a cura, pelo menos esperam obter uma melhoria na qualidade de vida que em Portugal não podem obter (…) e muitas dessas pessoas, portadoras de doenças consideradas sem cura, viajam ao país caribenho na busca de algum milagre e do qual algumas vezes retornam contando que o têm conseguido"."

É um caso para pensar que a nossa via de transformar a saúde numa actividade mercenária poderá estar a anos-luz de distância de uma qualidade pretendida, já que não seja a nível científico, pelo menos a nível humano. E muita humanidade falta na nossa democracia tão cumpridora dos direitos humanos. E eu que pensava que a saúde era um deles.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Terrorismo oficial de estado, ou porque não anda este país para a frente...

Sempre sonhei escrever um texto com um título comprido. Comprido e com uma verdade daquelas que magoam o nosso sentir mais profundo. Por muito anti-nacionalista que seja não consigo deixar de gostar deste país e de ter a noção de que vivemos numa situação insustentável. A incompetência dos nossos políticos desde a fundação da nação mas sobretudo desde o pós 25 de Abril tem sido desastrosa para o povo português.

Vários tentáculos do estado nasceram e desenvolveram-se para manter todo um rol de injustiças e de ridicularias e transformaram o saque desavergonhado e a pilhagem vil em letra de lei. As instituições do estado liberal dos parasitas que nos governam e bem melhor se governem são organizações de terrorismo de estado. Ladrões comuns protegidos pela lei e pelo vício de lei. É para eles necessário fazer hoje o que a igreja católica fazia há uns séculos atrás, chamar a si toda a propriedade. Pretendendo ser um estado liberal é um estado terrorista e saqueador para manter os cargos e as benesses às classes dirigentes. E saqueia através do público para beneficiar sempre o privado à boa moda do novo liberalismo. O mercado é que controla mas o dinheiro e os monopólios ajudados pelos amigos no poder é que controlam o mercado.

Pior que al-qaeda, que IRA ou ETA só mesmo a DGCI. O terrorismo de estado do mercado liberal e da injustiça fiscal em prol dos senhores do poder.

A cada português que esteja e condições de emigrar, que nunca envie um único cêntimo para esta centrifugadora de dinheiro comum. A cada trabalhador que lute constantemente para que não lhe seja furtada uma parcela substancial do valor do seu trabalo em favor, não de um estado social mas de uma sociedade mafiosa de estado que nos governa. A cada pequeno empresário, que por todos os meios contorne as regras e leis que fazem do fisco o maior usurpador dos seus bens. Que os rouba nos seus rendimentos pesoais, de negócio e de trabalho de cada um dos funcionários.

Derrotar esta máquina infernal é derrotar o estado ápodrecido deste país. Repito que não sou nacionalista. Pelo contrário sou um iberista e um europeísta convicto. Contudo é impossível ver o país onde nasci ser brutalizado por estes vandalos de gravata sem alguma revolta.

Lutar contra o terrorismo é eliminar estes senhores, se não com armas e revoluções porque passaram de moda, que seja nas urnas. O voto branco, o voto nulo e sobretudo o voto na oposição aos dois partidos do saque são fundamentais para fazer finalmente acordar este país do sono profundo em que mergulhou após o PREC.

Que outro caminho?

O processo revolucionário em Cuba parece estar de pedra e cal. Fidel Castro, mesmo havendo sido eleito deputado nas últimas eleições, renunciou a uma nova possível nomeação para a presidência do Conselho de Ministros e para a posição de Commandante em Chefe das forças militares. É uma decisão esperada e preparada para que não aconteça em Cuba o mesmo que aconteceu à URSS de Gorbachov.

O mais estranho é que, merecendo a revolução cubana uma atenção especial por todas as esquerdas e mesmo por todas as direitas, haja hoje uma expectativa de que algo pode vir a acontecer ali que pode mudar radicalmente a face política do regime. A essa ideia respondem de Miami com aplausos. Dali espera-se não só a morte física de Fidel como a morte do regime cubano. Dai e de muitos outros lados, icluindo de alguns pouco esperados. Muitas esquerdas folclóricas esfregam as mãos de contentes. Esperam uma Cuba regressada à sua anterior posição de bordel e casino dos americanos para depois pregar por uma outra via de um socialismo que não conseguem defenir. As esquerdas socialistas sem socialismo alinham pela mesma bitola das direitas sem moral.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

O comboio...

São quase três horas da madrugada. Ouço o apito algo frenético do comboio que passa. Aproximo-me da janela para o ver na sua marcha lenta. Vai carregado, ou talvez não. Nao interessa. Espero pela última carruagem. Espero pelo último comboio.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Profissões em saldos

Não é novidade nenhuma que as relações de trabalho se estão a tornar cada vez mais precárias. O recurso a estratégias como o contrato informal através de relação efectiva e continuada no tempo a recibos verdes é disso um exemplo crescente. Mas a maior das bizarrias nesta área prende-se justamente com os seus profissionais.

Seria suposto, que os profissionais ligados aos recursos humanos fossem acima de tudo pessoas capazes de encontrar as soluções certas para as necessidades apresentadas, mas hoje o que lhes é pedido é cada vez mais contraditório com as suas funções e com o que aprendem nos seus cursos.

E a dificuldade principal dá-se logo ao inicio com a sua própria integração no mercado de trabalho. Os profissionais de recursos humanos recém-licenciados ou recém-chegados ao mercado são bombardeados com propostas de estágios não remunerados que, na prática, apenas representam aquilo que lhes vai ser pedido durante a sua carreira como profissionais nesta área, que consigam o melhor trabalho pelo menor custo possível. Neste caso e em cada vez mais casos em outras áreas trata-se pura e simplesmente de trabalho gratuito. E o trabalho gratuito nestes sectores sensíveis representa uma desvalorização sistemática e uma descredibilização dos profissionais em questão. Qualquer bom profissional de recursos humanos só pode considerar uma humilhação desmedida estes anúncios constantes de empresas sem escrúpulos que procuram este tipo específico de mão de obra. Um bom profissional, que está seguro de que sabe e de que tem valor não pode nunca aceitar este tipo de desvalorização da sua profissão a não ser que esteja já convicto de que o seu trabalho futuro não vai passar de conseguir para os outros o mesmo que conseguiu para si mesmo. Um bom negócio para o patrão e um péssimo negócio para o profissional.

Num mercado em que as empresas de recursos humanos têm vindo a crescer e a ocupar uma importante fatia na colocação nomeadamente de trabalhadores temporários é caso para reflectirmos sobre a importância dos profissionais de recursos humanos aos quais se juntam pela negativa outros profissionais ligados às áreas dos serviços sociais dos quais sempre se espera o trabalho voluntário e a dedicação plena.

Profissionais sem auto-estima fazem empresas desumanas e ineficazes. A exagerada rotatividade de quadros geram a despersonalização e a desumanização das empresas e transforma cada funcionário numa bomba humana potencial. E a génese de tudo isto pode muito bem estar nas cedências demasiadas por parte de quem tem a responsabilidade de escolher as pessoas certas para os lugares certos.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

"Gray-Out" - Um lugar merecido na história...

Por lapso meu, ou quem sabe se por alguma questão psicológica que está longe da minha compreensão, ainda não coloquei neste espaço o único feedback que dá um lugar na história do rock progressivo à banda na qual tive o prazer de participar durante alguns anos.

Hoje, um mail que recebi fez-me acordar para esta realidade. Eu ainda não comentei o comentário. Nem é preciso. Não o farei até porque ele reflecte toda a verdade que há para ser dita sobre o trabalho em causa. Contudo tenho de agradecer publicamente a quem teve a amabilidade de o fazer, sabendo de antemão que o fez com toda a verdade e sinceridade.

Creio que posso agradecer em nome de todos os que participaram nesse projecto.

O texto diz então o seguinte:


"When a person starts to really dive deep in the meadows of his own country progressive fields, chances are that sooner or later he starts to come across the outmost hidden and rare (well kept secrets) works of progressive rock.
Gray-Out were not more than a group of friends exploring one of the most mind-filling, dream-chaser, fantastic odyssey there is: Music!

While not exactly knowing what style, what tag or what category people would put them into, the musicians were simply constructing sonic voyages of their musical ideas, without strings attached and without imposing any barrier to those ideas. They called themselves Gray-Out and self released, almost for in-house consumption, a raw and very personal album entitled Miséria Humana (Human Misery). This happened in 1997, and right after the group disbanded (for many reasons, as we all know life always reserves us sudden changes of all kinds). Some of its members decided then to form a new band, that has been slowly and securely constructing a name for themselves - Dispatch Note.

Miséria Humana is an album that, while totally non-professional, rough edged and ill produced, still shows one or two simple characteristics that make it surpass all its flaws and become a real gem of an album: it has a soul like few have, and it shows a band exploring great ideas, mixing modern alternative rock with experimentation (avant-garde), symphonic layers entwined with good guitar parts that many times seem inspired by Pink Floyd. The PF and avant-garde experimentations come accompanied by influences from Portuguese rockers Radio Macau and perhaps Sétima Legião and then some (probably non-intentional) more atmospheric domains à lá Francis, but the mix that was achieved here makes Gray-Out a really original band in the late 90’s Portuguese panorama. With the right production and more worked out and experienced female vocals, and taking out one or two lesser tracks, this album could really be a landmark!!

Eclipse Solar is without a doubt the better achieved track in the album, with its symphonic and avant-garde musicality. A 12+ minute quest for identity in a fresh and innovative capsule. This tendency is kept in the instrumental As Sombras but then totally dismissed in the lesser Assim, sem mais, which in my opinion is one of those tracks that can make you forget how good the album was so far…
In Onde vão? is where the band comes closer to Radio Macau, a fast rock track that sequences the attitude adopted for the previous track but here with much more success. While not progressive, this is an interesting rock track clearly inspired by a very recognizable fringe of the 90’s Portuguese mainstream rock.
The rock instrumental Retalhos da Miséria Humana is, again, a more inspired track, letting the band explore some semi-progressive (most of it in a more hard tone but including a slower, more harmonic mid section) patterns, and it includes some excellent melodic guitar lines.

The small Rio Adormecido is a not so memorable track with a good Sax solo, that enriches the music by providing it with some extra colors. Ah, the vocals here are some of the best in the album.
Another instrumental follows, in the same vein as tracks 3 and 6, in which the keys take some more prominent role accompanied by thoughtful guitar lines in the background.

Almas Encarceradas is a laid back track that starts very well, with another great Sax solo. When the vocals start, the good atmosphere that had been created is a bit lost, but still this is one of the most interesting tracks in the album.
The main course of the bands musicality, instrumentally wise, is again shown in the shorter Eclipse Final where the band again explores the style adopted before, in track 3, 6 and 8.
Unknown Song is a lovely instrumental that is spoiled by the completely out-of-tune vocals. Bettering the sung part here would not only save the music, but would also make it one of the most achieved ones in the album.
Finally, Orgia brings the band back to some more experimental, and therefore progressive, fields. The use of dissonances and atonal guitar lines on top of a symphonic keyboard texture and a well sequenced rhythm line does make this track into a great closer act for the album.
Should this album contain more tracks oriented by the philosophy shown in Orgia, Eclipse Solar and Retalhos da Miséria Humana and it would easily be one of the greatest Portuguese Prog albums from the 90’s. As it is, is still a great discovery, but one punctuated by major flops in the company of major wins!
And overall, this album shows a young, non-professional group of friends exploring, mainly for the fun of it, their idealistic musical concept. It is a real joy to discover, and it has some very good moments while also punctuated with some that are not good at all and that could well be dismissed if the album is someday to be re-released with better production. In the end, I am fully satisfied and honored to have been given the possibility of listening to it, thanks to Paulo Mouta (bass) who kindly send me a copy. "

Pode ser encontrado em: http://www.proggnosis.com/MUSIC_DBCDInfo.asp?txtCDID=23177

Dispatch Note em concerto

Fica aqui o convite para quem queira assistir ao concerto desta banda. Meus "velhos" amigos e companheiros das lides musicais.

Dia 2 de Fevereiro, às 23 horas no Muralhas Rock Bar, Rua António Silva, 1 Zona Ind. Tapada Adroana,Alcabideche.

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"Já faleceram... ao menos têm para onde ir..."

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Uma das bandas que faltavam à história dos concertos em Portugal

Com este anúncio fiquei extremamente surpreendido pela positiva. Temos algumas grandes lacunas na nossa história de concertos. Grandes bandas que não tivemos a oportunidade de ver ao vivo porque começámos muito tarde a entender a música como um espectáculo que se quer servido ao vivo. Só após o 25 de Abril o rock se libertou de uma pesada herança de obscurantismo e marginalidade a que fora condenado pelo regime. Diga-se a bem a verdade que não estivmos sós. Bandas como os Rolling Stones eram proscritos em países como o nosso antes da revolução mas curiosamente também o eram noutros países como a URSS. A estupidez política tem destas coisas. O último álbum desta duradoura banda revela o que eu considero um espírito revolucionário na música e principalmente nas palavras, que eu já não esperaria ouvir destes senhores tão bem colocados social e economicamente.

Mas não é de todo sobre essa banda o que nos traz aqui. A referência é meramente um exemplo típico de quanto somos pequenos e muita coisa nos passa ao lado.

Felizmente não está a passar ao lado este ressurgimento do rock progressivo e estamos mesmo na vanguarda em conjunto com outros países que têm uma tradição muito maior do que a nossa na produção e divulgação de bandas e espectáculos deste género.

Já foi mencionada aqui várias vezes a organização de um evento que está a ultrapassar fronteiras pela sua qualidade. Este ano, e é precisamente aí que recai o tema principal deste post, a fasquia foi colocada bem alto ao trazerem ao nosso país uma das grandes bandas mundiais que por muito infortúnio nosso nunca tinha passado pelos nossos palcos, os franceses ANGE que estarão assim a encerrar o promeiro dia do GAR versão de 2008.

Com uma notícia desta magnitude, para mim, já só falta dizerem que vêm cá os PFM... mas isso já seria pedir demais.

Não esquecer de marcar na agenda, 5 e 6 de Abril em Gouveia para mais uma edição do Gouveia Art Rock...

Quanto a mim a ver se é desta que consigo finalmente estar presente.

Discografia a conhecer:

Caricatures (1972)
Le Cimetière des Arlequins (1973)
Au-delà du délire (1974)
Emile Jacotey (1975)
Par les fils de Mandrin (1976)
Tome VI : Live 1977 (1977)
En concert : Live 1970-1971 (1977)
Get-apens (1978)
Vu d'un chien (1980)
Moteur (1981)
La Gare de Troye (1983)
Fou (1984)
Egna (1986)
Tout feu tout flamme... C'est pour de rire (1987)
A propos de... (1982)
Sève qui peut (1987)
Vagabondages (Compilation) (1989)
Les larmes du Dalaï Lama (1992)
Mémo (Compilation) (1994)
Un p'tit tour et puis s'en vont : Live 1995 (1995)
La Voiture à eau (1999)
Rêve partie : Live 2000 (2000)
Culinaire lingus (2001)
Tome 87 (Live) (2002)
Ange en concert : Par les fils de Mandrin (Millésimé 77) (2004)
? (2005)
Le Tour de la Question (2007)
Souffleurs de Vers (2007)

domingo, 20 de janeiro de 2008

Falência de justiça

Correndo o risco de uma catalogação fácil na prateleira da demagogia, o tema da justiça é uma dos temas em que ns tornámos numa espécie de anedota de nós próprios.

Temos uma criminalidade crescente e que dá frutos ao contrário do que se tenta fazer entender. O crime compensa cada vez mais. Enquanto autoridades como a nova polícia de costumes, ASAE, continuarem a perder tempo e dinheiro dos contribuintes com situações absurdas os problemas reais da nossa justiça ficarão por cumprir.

Não se cumprem porque não há pessoal, não há sistema, não há leis, não há polícia. Parece que sim, contudo é tudo uma grande ilusão. A polícia é virtual e serve para muito pouco. É um corpo que por certo faz o que pode mas não tem o apoio de tudo quanto deveria estar por trás. Os juízes são uma corporação de previligiados. Os advogados são pagos para baralhar e confundir. Para encontrar os buracos na lei onde sabem que existe um buraco enorme com pedaços de lei.

Os criminosos sabem muito bem onde estão e como proceder. Um furto passa num abrir e fechar de olhos a abuso de confiança e em dez minutos estão na rua os que lesaram e continuarão a lesar o património dos outros, isto quando não mesmo a integridade física.

O problema começa e montante. Na política. Existe um medo de mexer com estas corporações. Existe um interesse em manter esta cultura do medo. Um sistema como o nosso mantém-se no medo, na necessidade de protecção, de segurança privada onde o estado não cumpre com o seu dever e obrigação. Um sistema que não paga a vida de um agente pelo justo valor do risco que pode correr ao prestar uma protecção efectiva. Um sistema em que se vive melhor por trás dos muros dos condomínios fechados. Um sistema que cobra à parcela mais desfavorecida da sociedade o preço pela miséria, para alimentar a fortuna dos protegidos.

E a política torna-se cumplice do ladrão e do assassino. A política da mentira é potenciadora de uma sociedade sem carácter e sem quaisquer valores pelos bens e pela vida humana. Por exemplo vimos muita indignação quando um bando de jovens destruiu parcialmente um campo de milho trangénico no Algarve mas não vemos um centésimo da firmeza no discurso contra o pequeno delinquente que promove uma espécie de terror urbano nas principais cidades do nosso país. E percebe-se a diferença? É óbvia. Numa estão a defender-se os interesses não da propriedade do senhor em causa mas sim de uma colheita cuja patente do produto pertence à poderosa empresa norte-americana Monsanto. Assim não fosse e teria passado ao lado das televisões e jornais. Como passam ao lado os milhares de crimes diários contra viaturas, bens dentro de viaturas, assaltos, furtos de todas as formas, vandalismos diversos, furtos em lojas e outros estabelecimentos. Não se fala, não porque não acontecem mas porque não têm impacto sobre um sistema que está criado para que assim seja. Esses delinquentes após entregues nas mãos das autoridades desaparecem e só se vêem na próxima acção que fizerem novamente nas mãos das autoridades.

Uma prova de que a justiça não funciona e de que não temos senão de partir para uma nova forma de defesa contra estas atitudes que colocam em causa a segurança das pessoas e dos seus bens. Leis efectivas e seu cumprimento mais efectivo. A sociedade não pode continuar a suportar políticos incompetentes e cobardes que não conseguem tomar verdadeiras atitudes contra a sistema instalado. Até porque eles são o sistema e só assim se mantêm no poder.

Uma sociedade com um verdadeiro sistema de justiça tem de ser uma que consiga promover uma mais equilibrada distribuição da sua riqueza. Mas também uma sociedade que tem de punir com toda a firmeza que seja possível na lei todos os que atentam contra ela e contra os princípios básicos de vida comunitária. Nem anarquia nem Gulag. Existirá certamente um ponto de equilíbrio que se conseguirá encontrar quando efectivamente tivermos quem nos governe procurando a melhor sociedade possível mesmo falando de seres humanos. O que é complicado e mesmo antagónico.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Mais uma palhaçada...

Esta, confesso, passou-me ao lado. Mas teria de chegar até estas linhas de alguma forma. Fui lembrado de uma notícia que passou nos primeiros dias do ano sobre a redução do IVA nos ginásios. Claro que a minha menção a esta medida só pode ir na direcção de manifestar uma posição clara de repúdio por esta medida uma vez que se trata de mais uma palhaçada.

Continuamos no caminho errado de favorecer os que mais podem. Não. Esqueçam o que eu disse. É que na realidade os preços não vão baixar. Estas empresas vão é aproveitar esta benesse para aumentar as suas margens de lucro. Duvido que baixem mensalidades. Este governo só promove e protege actividades inúteis e parasitárias. É uma pena que assim seja.

Já agora, se é um frequentador destes espaços, exija o recibo!

BEDUÍNOS A GASÓLEO no GAR 2008

Foi anunciada mais uma participação na edição de 2008 do GAR (Gouveia Art Rock). Desta vez e para surpresa positiva trata-se do anúncio da apresentação de uma banda nacional que tem vindo a caminhar por sonoridades diversas rumo à música progressiva.

Embora desconhecendo por completo ainda qualquer trabalho desta formação penso que a qualidade com que a organização do festival tem brindado os previlegiados que têm assistido a este evento único do género no panorama musical nacional e já reconhecido além-fronteiras, dita que será certamente mais um bom momento musical.

Um bem haja à organização do evento através da PP-AC.

Por favor haja um pouco de pluralismo!

O Dr. Luis Filipe Menezes veio por estes dias chamar a atenção para um problema muito preocupante. Tem a ver com a presença dos opinion makers do costume na televisão. E chamou a atenção dos jornalistas e da generalidade dos portugueses para o facto de existir um bloco compacto de intervenientes no espaço televisivo que lhe é desfavorável, mesmo quando dois dos principais comentadores (Pacheco Pereira e Marcelo Rebelo de Sousa) são militantes do seu partido.

Pedro Santana Lopes veio repetir essa mesma ideia no programa "o dia D" na SIC Notícias numa entrevista fabulosa e que pode resultar num amplo estudo dos fenómenos da política nacional para quem ainda se interesse por saber o que move e como se movem muitos dos senhores da nossa cena política. Faltam líderes de opinião ao PSD oficial que participem regularmente nas televisões seja a que nível for para repor algum equilíbrio a uma tendência cada vez mais flagrante de procurar opiniões independentes fora do universo socialista e partidárias de aparelho na esfera do PS.

Menezes e Santana têm toda a razão, a meu ver, quando vêem Vitorino e Coelho como guardas avançados do governo sempre prontos a explicar todas as curvas e contra-curvas da governação socialista. Mas há que ir mais longe. É que a democracia portuguesa não se resume por enquanto aos dois partidos de sistema. Os meios de comunicação social continuam a dar um tempo e uma importância que não corresponde à ordem de grandeza dos partidos nas urnas. Por exemplo, Paulo Portas continua a ser uma figura omnipresente mesmo representando um partido que tem perdido representação a cada eleição. Os partidos à esquerda do PS têm uma visibilidade mediática muito distante da sua verdadeira dimensão eleitoral. Distante por defeito, como é óbvio.

Voltando a Santana Lopes e à referida entrevista na SIC Notícias, a jornalista não se cansou de referir que a "quadratura do circulo" é um programa que deriva do antigo "Flashback" da TSF e que vai fazer exactamente vinte anos. Há vinte anos atrás os convidados foram o "esquerdista" Pacheco Pereira, o comunista José Magalhães e o centrista Nogueira de Brito. Por filiação partidária, PSD, PCP e CDS. Pacheco Pereira em vinte anos tornou-se no patrão dos blogs nacionais, defensor de causas absurdas e parece ser cada vez mais uma voz, sem qualquer dúvida inteligente, mas de uma direita estanha. Um desalinhado do PSD, de qualquer um dos PSD desde Cavaco que bate em tudo e em todos, mesmo no jornalismo que o promove como figura inquestionável do comentário político nacional. E estranhamente aliado de alguma extrema-direita, principalmente daquela que está neste momento com processos a decorrer. A defesa de crimes comuns como meros crimes de delito de opinião torna JPP, um ex-marxista-leninista-maoísta numa figura muito complexa. José Magalhães, sem qualquer tipo de surpresa está hoje orgulhosamente no governo socialista e muito me espanta que não esteja em posição de maior destaque. Lá chegaremos. Um dos mais importantes representantes do desporto nacional do lambe-botismo, teve durante este programa da TSF a sua transformação de comunista Marxista Leninista convicto, a dissidente, a autocolante da sua nova visão da luz ideológica que passa a defender com o maior dos vigores na era Guterres. Nogueira de Brito sempre me pareceu um homem sério de uma direita tradicional e clássica num CDS palpitante que passou pelo Liberalismo Nacionalista de Manuel Monteiro já com Portas a suportar na imprensa. Um CDS que perdeu força e expressão mas continuou com um representante na nova "quadratura". Lobo Xavier representa não o CDS-PP de hoje, mas algo próximo dos interesses por trás dos partidos do sistema. Jorge Coelho, por fim é o homem-partido. O robot socialista.

No canal público os dois comentadores residentes complementam-se. Dizem o mesmo com palavras diferentes. São prometidos líderes de qualquer coisa que se projecta num futuro incerto e, certamente, as vozes e caras oficiais do sistema político português centrado num único rumo e numa única visão da sociedade.

Resumindo e baralhando, Santana e Menezes têm razão ao sentirem o peso da máquina socialista por tudo quanto é lado. Mas têm de provar do seu próprio veneno pois o PSD no poder tem exactamente esta mesma necessidade de concentração. O que tem é tido um forte e cruel adversário pela frente. A mediatização das figuras que foram construidas por cima de Santana e Menezes custa ao PSD uma credibilidade que, e digo isto sem qualquer compromisso porque me encontro noutra esfera política bem distante, acaba por tornar quase impossível a tarefa de erguer o partido e de criar de novo os laços necessários para a implantação de uma máquina que se quer de poder.

Sócrates, como primeiro-ministro já teve muitos mais episódios de tudo quanto tornou o santanismo impopular e consegue manter uma imagem perante as pessoas de determinação e rigor. A Santana foi atribuida uma imagem instável, baralhada, emotiva, demasiado focada na sua vida pessoal que nem importa saber se é verdadeira ou construida mas que nada tem por certo a ver com um percurso político. A Sócrates foi atribuida uma imagem autoritária e arrogante, paternal como os portugueses apreciam num dirigente político. Sócrates foi levado ao colo pelos jornalistas e por um presidente da República que se deixou levar pelo interesse do seu partido pensando que esse correspondia aos interesses do país. Sampaio dissolve a Assembleia da Repúblida pouco depois da estabilização de Sócrates na liderança do PS. A máquina socialista é poderosa. Santana é traído pelos seus próprios pares e herda várias grandes mentiras encobertas por Guterres (o primeiro a escapar) e depois por Barroso (o segundo a escapar com uma boa desculpa). O PSD dos barões não suporta a ideia de que o seu vice-presidente se possa tornar no governante que se segue. Santana sempre foi uma voz crítica dentro da estrutura social-democrata e nunca escondeu a sua postura política de um PSD marcadamente à direita.

Curioso. Hoje temos em discurso um PSD claramente à esquerda deste PS que governa mesmo com Menezes a apresentar-se como um defensor de um liberalismo levado a alguns extremos. mesmo assim não se aproxima da prática do actual governo.

Para Santana e Menezes convinha que ficasse claro que não existe uma oposição. Existem várias. E que vozes fora do quadrante do PS oficial faltam mas não apenas para defender a linha traçada legitimamente pelo actual líder do PSD. A democracia em Portugal ainda é feita com mais partidos que necessitam de ter igualmente essa mesma voz nos meios de comunicação social. A política portuguesa não são propriedade privada de Sócrates ou de Portas. por enquanto ainda pode e deve ser um direito de cidadania que assiste a cada um de nós. Virá um tempo em que será diferente. Esse tempo começa a construir-se nas novas leis eleitorais que se preparam nos bastidores. Enquanto isso não sucede é conveniente para a saúde da nossa democracia que cada um de nós vote, em consciência nas oposições, aquelas que não são representadas nos programas televisivos mas que podem garantir a sobrevivência de uma democracia pluripartidária em Portugal. Marcelo, Vitorino, Coelho, Xavier ou Pacheco são todos uma só voz, a do sistema instalado e da sua manutenção mesmo que assim por vezes não pareça.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

GAR 2008

Por norma os inícios de anos apenas trazem más notícias. Claro que a grande maioria das pessoas andam distraídas com outras coisas e passam-lhes ao lado até lhes doerem na carteira.

No entanto, e porque neste mundo temos pessoas que se esforçam por manter e criar coisas boas e que nos vão dando algumas alegrias e momentos muito bem passados, há que fazer referência desde já, e ainda com muitas surpresas (comentário meu mas do qual estou certo) por revelar, à próxima edição de um dos mais importantes acontecimentos do Prog a nível mundial.

Com efeito o GAR (Gouveia Art Rock) na sua edição de 2008 tem já anunciadas as presenças de ARANIS (Bélgica), THINKING PLAGUE (E. U. A.) e do virtuoso PÄR LINDH.

Como tem vindo a ser tradição o festival realizar-se-á no Teatro Cine de Gouveia, nos dias 5 e 6 de Abril de 2008.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

No país do Pateta-alegrismo

Há algo em que os nacionalistas e os patriotas têm razão. O povo português tem um modo de ser muito próprio que se distingue de muitos outros povos. E, segundo eles, só por isso merecemos ser um país livre e independente. Isso nem se discute. Claro que merecemos. A questão é saber se isso nos traz qualquer benefício e se nós, enquanto portugueses temos algo a acrescentar ao mundo ou a nós mesmos.

Correm por aí boatos de que estamos mais modernos, mais inteligentes, até mais produtivos. Basta sair à rua por estes dias desta “silly season” de inverno, em direcção aos centros comerciais e tomamos conta dos entupimentos de lixo humano que se conseguem gerar às custas daquilo que faz realmente mover o verdadeiro português. Um conceito, talvez uma ideologia ou uma filosofia muito próprias copiadas das piores experiências mundiais com pitadas das especiarias bem nacionais. O pateta-alegrismo português alimentado pela vaidade, pelo espírito de porco que o português retrai por trás do seu cristianismo militante e borbulhante.

O português que compra e deve porque tem de ter. O verbo ter é o verbo nacionalista. Ter e mostrar. A arrogância de ter, de querer e de comprar, não amanhã, não mediante necessidade, mas hoje porque assim manda a ilusão de ser algo mais que o português do lado. Sempre, mas sempre tristemente solidários com o que menos tem com o sorriso escondido e o punho cerrado, e o pensamento no dia de hoje. É verdade que o amanhã não existe. Por isso devemo-nos entulhar de festas e jantaradas. E muito temos para festejar. Um novo ano que entra com aumentos desmesurados para tudo quanto são bem de consumo essencial.

Claro que essas preocupações não vão estar presentes nas bebedeiras de hoje à noite quando cair um dia e nascer outro exactamente igual, apenas mais caro. São estas mudanças subtis que nos enfiam no rabo a cada ano que passa embrulhadas em papel de oferta e nós agradecemos porque, afinal, vivemos mais um dia, mais um ano.

O pateta-alegrismo nacionalista desculpa toda a corja que nos governa desde sempre porque tudo se desculpa num trago de vinho ou de espumante de baixa qualidade para a maioria que não sabe nem necessita saber exigir melhor. Estamos como queremos, estamos como podemos e sabemos. Estamos como nos deixam estar para estarmos alegres e contentes. Nada como a pobreza, e também a de espírito…

sábado, 15 de dezembro de 2007

Liberalismos

Por razões que não são para aqui chamadas alguém me transmitiu a ideia, sempre acompanhada de factos reais apresentados prontamente, de que a Espanha vive o liberalismo económico de uma forma radicalmente diferente da nossa. Diferente e muito mais inteligente uma vez que os espanhóis são ultra proteccionistas e tudo fazem par aincutir nas pessoas a ideia de que o produto espanhol é aquele ao qual deve ser dada toda a prioridade no acto do consumo.
Muito embora tenha a perfeita noção de que isto é contra o princípio pelo qual a Europa pretende que todos os países se guiem, a Eapanha coloca-se numa posição de mandar este diktat europeu às urtigas e, por isso mesmo, sofre muito menos com a concorrência interna e principalmente com a concorrência externa. Para dar um exemplo concreto, os produtos fabricados na China mas onde a Eapanha tenha uma forte tradição de produção, como por exemplo o sector das ferragens, têm muita dificuldade de penetração no mercado espanhol mesmo sabendo que o mesmo produto (ou réplica) tem um custo de produção, e em consequência disso pode representar uma maior margem de comercialização, que o produto asiático.
Em Portugal passa-se exactamente o contrário. Num país muito mais pequeno e com um mercado muito menos interessante, o que sucede é que o produto replicado dos originais ( na grande maioria de origem europeia ou americana) é muito mais barato, mas ao invés de se aproveitar para trabalhar com margens maiores e portanto mais seguras para as empresas importadoras, o mercado encolhe a margem ao mínimo para que se possa eliminar toda a concorrência interna. Assim, de ano para ano vão caindo por terra projectos empresariais que poderiam muito bem ter vingado num liberalismo à espanhola.
O problema é que já vamos tarde. Quando os senhores que nos governam decidem que nós até podemos prestar para alguma coisa e portanto devemo-nos auto-promover em campanhas de puro e simples insuflar de ego, é quando esse mesmo ego já se encontra furado por todo o mal que lhe foram fazendo todos estes mesmos senhores, não desde o 25 de Abril, não desde o salazarismo, mas desde o nascimento do país. Mas essa mesma história que já nos colocou supostamente numa vanguarda de mudança hoje coloca-nos nos menos dos mais da vanguarda liberal. Dos que servem para servir...

sábado, 24 de novembro de 2007

Um tema pouco habitual

Decerto não se lerá por aqui muito sobre futebol e muito menos sobre as suas personagens. Contudo não poderia ficar impune esta situação que me parece dever ser analisada.

Refiro-me à questão da selecção nacional de futebol. confesso que nunca tive uma especial simpatia pelo actual seleccionador nacional. Não penso que os resultados por ele obtidos sejam nada de extraordinário. Lembro mesmo que no Europeu anterior à entrada dele para o cargo de seleccionador, Portugal teve uma presença brilhante mas que terminou de um modo algo triste e injusto. Em suma, não me parece que tudo o que desde então se passou com a selecção seja fruto da sabedoria e da teimosia do brasileiro Scolari. Sim, a palavra "brasileiro" foi colocada de propósito e não foi como provocação como já se perceberá.

O Sr. Scolari, responsável por um grupo de trabalho que teve de sofrer inúmeras alterações, pode não ter tanto mérito como já lhe chegaram a atribuir mas devo confessar que recentemente lhe descobri uma qualidade que me obriga a escrever sobre esta coisa que é o futebol e o que o rodeia. A qualidade de não suportar o insuportável. A interminável estupidez dos insaciáveis jornalistas desportivos portugueses.

Ainda não consegui sequer perceber muito bem a função destes senhores. Entrevistas, comentários, análises. Tudo do mais perfeito ridículo. Perguntas para as quais não há resposta possível. E mais perguntas sobre nada de interesse. Se vão jogar para ganhar. Se A ou B está contente ou descontente porque joga ou fica no banco. Enfim, uma panóplia de coisas interessantes par aquem não tem vida para viver.

Ao Sr. Scolari não pararam de repetir o mau desempenho. E não é pouco? Como chegamos lá assim? Mas é possível? Somos uns coxos! O herói é uma besta. Não sabe que X joga melhor naquela posição que Y. Para isso até eu faria melhor. E com a insanidade mental de uma sociedade entorpecida pergunta-se porque custou tanto o sucesso. Porque custou tanto chegar onde outros bem maiores e melhores do que nós não conseguiram. É verdade os ingleses tropeçaram e não vão estar onde os portugueses irão estar com este enorme insucesso que foi a qualificação.

A reacção que este senhor teve na conferência de imprensa ao abandonar os jornalistas, deixando-os com as suas perguntas inteligentes órfãs, foi uma reacção normal de um ser humano que tem vergonha na cara e não está para aturar mais portugueses estúpidos e mal educados. Este senhor brasileiro que instigou meio Portugal a colorir-se nas cores de uma bandeira feia e nos sons de um hino intragável, é o mesmo que hoje recebe, de acordo com a boa tradição portuguesa, um valente pontapé no traseiro. Eu sei, ele não se vai ainda embora. Muito embora o deva estar a desejar. Vai cumprir a sua função e o seu contrato. Poucos portugueses o fazem, mas este senhor está imune a essas portuguesisses. Não se foi mas já tem a cama feita. Caso venha um mau resultado já sabe o que o espera. Mas caso consiga um bom resultado coitados dos jornalistas. Eu sei o que faria se fosse um Scolari campeão. Nada mais nada menos que, em plena conferência de imprensa no final do campeonato... "agora ide-vos foder!"