É evidente que, para que possa haver uma séria alteração do rumo das coisas a esquerda tem de aparecer mais unida que dividida. É certamente um bom sinal que estas movimentações aconteçam justamente nesta altura em que ainda é possível forçar o PS a uma maioria simples (uma vez que outra coisa ainda não é alcançável). No entanto devemos ter algumas coisas em consideração. Um PS com maioria simples é muito mais tentado a governar com os partidos que lhe são política e economicamente mais próximos fazendo acordos pontuais aqui e ali mas sempre, ou quase sempre, à sua direita.
Mesmo tendo uma ligeira simpatia pela figura política de Manuel Alegre que vai aparecendo como consciência crítica da esquerda do PS gostaria de compreender como é que esta “aliança” algo forçada destas esquerdas tão diversas termina no dia das eleições. É que Manuel Alegre vai estar na mesma lista do mesmo partido a engrossar os números que deputados que irão dar forma ao governo socialista. Os eleitores não irão ter nos seus boletins de voto a hipótese de votar no PS de Sócrates ou no PS de Alegre. No final das contas o voto vai para a mesma maioria. Em conclusão a voz de Manuel Alegre é em absoluto uma das formas mais inteligentes do PS somar votos. Soma o dos contentes com a governação e soma o dos descontentes que nas horas difíceis votam em consonância com a estratégia do governo. E ninguém no seu perfeito juízo acredita que o PS possa retirar Manuel Alegre das suas listas, onde ele pode ser verdadeiramente útil à estratégia global do partido.
Ficaria seriamente mais impressionado caso Manuel Alegre e todos os outros históricos do PS fundassem um partido ou movimento próprios ou pura e simplesmente participassem nos movimentos os partidos que já existem à esquerda do PS mesmo que como independentes. Só assim faz efectivamente sentido esta movimentação. Caso contrário trata-se meramente de areia nos olhos dos eleitores. Acredito, que com boas e genuínas intenções mas sem resultado prático se tudo isto não se tornar em algo de palpável nas urnas de voto.
Acredito profundamente que deve caminhar-se para um entendimento progressivo das esquerdas socialistas mesmo que isso não se traduza numa aliança eleitoral convencional (que vejo como impossível por enquanto entre BE e PCP e que nem será desejável neste momento pela carga histórica e política dos dois partidos) mas que pode aparecer em forma de entendimentos sobre as principais questões onde existem amplos consensos. O PCP é uma força fundamental à esquerda sendo mesmo um dos pilares da construção democrática do nosso país. O Bloco de Esquerda é um movimento novo sem uma firme identidade ideológica e por isso mesmo com o álibi histórico de não ter estado do lado de quaisquer erros. Daí a grande dificuldade de compreensão destas duas esquerdas tão próximas e tão distantes. É que o Bloco alega pretender caminhar para um socialismo rejeitando todas as formas que este tem vindo a assumir. A negação da história, dos seus erros mas também dos seus avanços, do pragmatismo das alianças estratégicas com as forças que internacionalmente podem bloquear uma intervenção com vista a desmantelar qualquer hipotética alternativa socialista na “nossa Europa” é o que impede estas esquerdas de se entenderem mutuamente. Perante o agravamento da crise a nível mundial é fundamental, é mesmo uma obrigação destas esquerdas alcançarem um entendimento sob pena de perdermos a mais flagrante oportunidade histórica talvez de sempre.
No entanto vejo-me forçado a repetir o mote que me leva a esta intervenção reduzindo à nossa pequena realidade. A tal questão de saber o que as pessoas retiram desta “aliança” estranha de quem, na hora da verdade irá aparecer em lados opostos das escolhas eleitorais. Afinal, votar em Alegre é votar em Sócrates e no seu governo… será que vamos ter surpresas nesta matéria?
sexta-feira, 30 de maio de 2008
quinta-feira, 29 de maio de 2008
O rufar dos tambores
A situação política e económica do país está a criar uma forte participação popular. Sobre todos os aspectos desta crise têm falado muitos analistas e quase todos no meio sentido. Ela veio para ficar. Mas numa análise mais profunda temos uma cada vez maior divisão entre os que acreditam que tudo se torna inevitável e que o mercado está a ser consumido pelas suas próprias regras e aqueles que vêm no sistema em si o motor de toda esta imprevisibilidade que nos arrasta para aquilo que esses mesmos comentadores vão adivinhando, sérias convulsões sociais.
Parece, tudo isto, mais uma anedota do determinismo económico que vivemos e que assenta num sistema que se quer cada vez mais liberal mas com um liberalismo que se quer cada vez mais também com pilares bem fundos na sustentação dos estados. A hegemonia proclamada dos sectores privados subsiste e comprova-se na mendigagem e na regulamentação por baixo das mesas e nas subsídio-dependências criadas e alimentadas por um sistema económico que se apresenta como única solução e última via. Contudo um sistema que não consegue explicar de forma racional e muito menos controlar a forma irracional como o valor do barril de petróleo vem subindo nos últimos meses. Todos os dias ouvimos os mesmos comentadores paridos e criados na doutrina económica oficial que ontem a subida se deveu a um atentado na Nigéria, hoje no facto de as reservas petrolíferas nos Estados Unidos estarem mais baixas do que o previsto e amanhã será por outra coisa qualquer.
Os países produtores e exportadores de petróleo não entendem eles mesmo a razão de tais subidas. Não houve grandes alterações na extracção e na distribuição. As quantias lançadas no mercado são suficientes para a normal utilização mesmo com os actuais níveis de desenvolvimento das chamadas economias emergentes. Assim sendo, e não estando ninguém verdadeiramente empenhado em criar alternativas que sejam viáveis e duradouras ao petróleo, sabemos que muitos estão interessados justamente em manter estes aumentos insuportáveis porque a sociedade actual não está preparada para substituir a suas principal fonte de energia sobretudo para os transportes. É difícil explicar um português porque pagam os venezuelanos 30 cêntimos de euro por cada litro de gasolina ou porque pagam os norte americanos em média (uma vez que lá os mercados realmente estão liberalizados) 1,04 dólares por litro de gasolina (preço de retalho, ou seja ao consumidor final). É ainda mais difícil explicar como mesmo ao lado temos uma diferença que ronda em média os 20 cêntimos em Espanha pela mesma gasolina sendo que a carga fiscal aplicada em Portugal ronda os 60% do valor ao consumidor.
Alguns ultra-liberais já apareceram a pedir uma regulamentação pela baixa do ISP estando a pedir algo que é antagónico com as suas ideias e os seus princípios e mais uma vez exigindo do estado que venha resolver os problemas criados pelas regras especulativas do mercado que alimentam e no qual apenas vêem virtudes.
O que esta crise mundial (mas encarada levianamente a nível nacional e não apenas em Portugal) vai produzir é um exército de pobres que podem muito bem arrombar as portas das fortalezas onde esta gente se refugia. O fim desta novela está longe de estar à vista e pode muito bem ser que os comentadores tenham razão num ponto do que dizem. Irão certamente nascer e crescer um pouco por todo o lado convulsões sociais com consequências imprevisíveis. Contudo, o tão proclamado fim da história com a “perestroika” do Sr. Gorbatchov que ditou o fim de um caminho alternativo pouco viável e pleno de erros, não chegou há uma década atrás. Antes pelo contrário, hoje comprova-se que o próprio sistema capitalista apresenta uma crise e que o mercado só por si não pode nunca funcionar sem que se criem estas crises cíclicas geradoras de uma pobreza sistemática numa vasta maioria da população mundial. Não é possível acreditarmos que não se esperava que o desenvolvimento de países como a China, fossem desestabilizar as forças económicas mundiais. Estamos a falar de um sexto da população mundial e com aspirações a prosperidade e desenvolvimento e que tem pela sua frente uma batalha gigantesca para conseguir prosseguir num caminho onde a ilusão consumista possa coexistir com a protecção social devida numa sociedade com o modelo político actual.
Com tudo isto e muito mais urge participar no processo de mudança e na construção da barreira que possa travar a insanidade do livre arbítrio do mercado. Urge o colocar em causa os próprios fundamentos do nosso sistema político, social e sobretudo económico.
Em Portugal essa batalha é encabeçada por muitos cidadãos que participam e juntam a sua voz em iniciativas como o comício que junta forças políticas como o BE, a Renovação Comunista e alguns elementos da esquerda do PS como Manuel Alegre ou Helena Roseta no dia 3 de Junho pelas 21:30 no Teatro Trindade em Lisboa. No dia 5 de Junho tem lugar outra esperada grandiosa manifestação popular convocada pela CGTP com vista a alertar para os perigos das pretendidas alterações na legislação do trabalho.
Parece, tudo isto, mais uma anedota do determinismo económico que vivemos e que assenta num sistema que se quer cada vez mais liberal mas com um liberalismo que se quer cada vez mais também com pilares bem fundos na sustentação dos estados. A hegemonia proclamada dos sectores privados subsiste e comprova-se na mendigagem e na regulamentação por baixo das mesas e nas subsídio-dependências criadas e alimentadas por um sistema económico que se apresenta como única solução e última via. Contudo um sistema que não consegue explicar de forma racional e muito menos controlar a forma irracional como o valor do barril de petróleo vem subindo nos últimos meses. Todos os dias ouvimos os mesmos comentadores paridos e criados na doutrina económica oficial que ontem a subida se deveu a um atentado na Nigéria, hoje no facto de as reservas petrolíferas nos Estados Unidos estarem mais baixas do que o previsto e amanhã será por outra coisa qualquer.
Os países produtores e exportadores de petróleo não entendem eles mesmo a razão de tais subidas. Não houve grandes alterações na extracção e na distribuição. As quantias lançadas no mercado são suficientes para a normal utilização mesmo com os actuais níveis de desenvolvimento das chamadas economias emergentes. Assim sendo, e não estando ninguém verdadeiramente empenhado em criar alternativas que sejam viáveis e duradouras ao petróleo, sabemos que muitos estão interessados justamente em manter estes aumentos insuportáveis porque a sociedade actual não está preparada para substituir a suas principal fonte de energia sobretudo para os transportes. É difícil explicar um português porque pagam os venezuelanos 30 cêntimos de euro por cada litro de gasolina ou porque pagam os norte americanos em média (uma vez que lá os mercados realmente estão liberalizados) 1,04 dólares por litro de gasolina (preço de retalho, ou seja ao consumidor final). É ainda mais difícil explicar como mesmo ao lado temos uma diferença que ronda em média os 20 cêntimos em Espanha pela mesma gasolina sendo que a carga fiscal aplicada em Portugal ronda os 60% do valor ao consumidor.
Alguns ultra-liberais já apareceram a pedir uma regulamentação pela baixa do ISP estando a pedir algo que é antagónico com as suas ideias e os seus princípios e mais uma vez exigindo do estado que venha resolver os problemas criados pelas regras especulativas do mercado que alimentam e no qual apenas vêem virtudes.
O que esta crise mundial (mas encarada levianamente a nível nacional e não apenas em Portugal) vai produzir é um exército de pobres que podem muito bem arrombar as portas das fortalezas onde esta gente se refugia. O fim desta novela está longe de estar à vista e pode muito bem ser que os comentadores tenham razão num ponto do que dizem. Irão certamente nascer e crescer um pouco por todo o lado convulsões sociais com consequências imprevisíveis. Contudo, o tão proclamado fim da história com a “perestroika” do Sr. Gorbatchov que ditou o fim de um caminho alternativo pouco viável e pleno de erros, não chegou há uma década atrás. Antes pelo contrário, hoje comprova-se que o próprio sistema capitalista apresenta uma crise e que o mercado só por si não pode nunca funcionar sem que se criem estas crises cíclicas geradoras de uma pobreza sistemática numa vasta maioria da população mundial. Não é possível acreditarmos que não se esperava que o desenvolvimento de países como a China, fossem desestabilizar as forças económicas mundiais. Estamos a falar de um sexto da população mundial e com aspirações a prosperidade e desenvolvimento e que tem pela sua frente uma batalha gigantesca para conseguir prosseguir num caminho onde a ilusão consumista possa coexistir com a protecção social devida numa sociedade com o modelo político actual.
Com tudo isto e muito mais urge participar no processo de mudança e na construção da barreira que possa travar a insanidade do livre arbítrio do mercado. Urge o colocar em causa os próprios fundamentos do nosso sistema político, social e sobretudo económico.
Em Portugal essa batalha é encabeçada por muitos cidadãos que participam e juntam a sua voz em iniciativas como o comício que junta forças políticas como o BE, a Renovação Comunista e alguns elementos da esquerda do PS como Manuel Alegre ou Helena Roseta no dia 3 de Junho pelas 21:30 no Teatro Trindade em Lisboa. No dia 5 de Junho tem lugar outra esperada grandiosa manifestação popular convocada pela CGTP com vista a alertar para os perigos das pretendidas alterações na legislação do trabalho.
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sexta-feira, 16 de maio de 2008
Lei mal parida
Circula por estes dias na internet uma petição para revisão da nova Lei do Divórcio que, ao que parece, transporta consigo algumas bases de injustiça e algumas incongruências.
Estou certo que o projecto apresentado pelo Bloco de Esquerda seria muito mais interessante logo à partida pelo conceito que lhe está subjacente. Contudo não foi esse o projecto aprovado.
Penso que, melhor que qualquer um destes projectos seia terminar de uma vez por todas com essa instituição absurda que é o casamento. Essa tradição folclórica é causadora de muitas situações incrivelmente desumanas quando seria suposto ser justamente o centro da célula fundamental da sociedade, a família. Acontece que a família não necessita de contratos desde que as pessoas se comportem enquanto tal.
Estou certo que o projecto apresentado pelo Bloco de Esquerda seria muito mais interessante logo à partida pelo conceito que lhe está subjacente. Contudo não foi esse o projecto aprovado.
Penso que, melhor que qualquer um destes projectos seia terminar de uma vez por todas com essa instituição absurda que é o casamento. Essa tradição folclórica é causadora de muitas situações incrivelmente desumanas quando seria suposto ser justamente o centro da célula fundamental da sociedade, a família. Acontece que a família não necessita de contratos desde que as pessoas se comportem enquanto tal.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
E eis que acordam para a vida...
Finalmente parece que começamos a receber as verdadeiras notícias sobre a viagem de Sócrates à Venezuela.
Segundo a LUSA está contemplado um projecto de construção de habitação social nos arredores de Caracas no valor de quinhentos milhões de dólares."Foram ainda assinados outros nove acordos entre a venezuelana Bariven, uma filial da estatal Petróleos da Venezuela S.A. (Pdvsa) com a Rui Costa de Sousa Irmãos, Primor, Monte Bravo Produtos, Lactogal, Gelpeixe, Conservas Ramirez, Vetragri, Saprovor e Cofaco."
O mais interessante a retirar destes acordos é que Portugal consegue garantir que o pagamento do petróleo venezuelano seja parcialmente coberto com exportações para aquele país. Trata-se portanto, de um bom negócio para ambas as partes.
É bom que tenhamos a noção que os lucros da petrolífera portuguesa vão aumentar não sofrendo quaisquer alterações ao consumidor final. a intenção do governo é justamente aumentar as vias de aquisição de petróleo, de preferência aumentando também as margens e consequentemente o imposto cobrado nas gasolineiras.
Sócrates joga mais uma carta que funciona como corda de forca para a oposição à sua direita dialogando e negociando com Chavéz (talvez impulsionado pela comunidade portuguesa naquele país) e ao mesmo tempo mantêm-se em jogo no tabuleiro da crise internacional com a ilusão do bom governante. Nestes aspectos de táctica política é mesmo uma muito boa ilusão. Engana qualquer incauto...
Segundo a LUSA está contemplado um projecto de construção de habitação social nos arredores de Caracas no valor de quinhentos milhões de dólares."Foram ainda assinados outros nove acordos entre a venezuelana Bariven, uma filial da estatal Petróleos da Venezuela S.A. (Pdvsa) com a Rui Costa de Sousa Irmãos, Primor, Monte Bravo Produtos, Lactogal, Gelpeixe, Conservas Ramirez, Vetragri, Saprovor e Cofaco."
O mais interessante a retirar destes acordos é que Portugal consegue garantir que o pagamento do petróleo venezuelano seja parcialmente coberto com exportações para aquele país. Trata-se portanto, de um bom negócio para ambas as partes.
É bom que tenhamos a noção que os lucros da petrolífera portuguesa vão aumentar não sofrendo quaisquer alterações ao consumidor final. a intenção do governo é justamente aumentar as vias de aquisição de petróleo, de preferência aumentando também as margens e consequentemente o imposto cobrado nas gasolineiras.
Sócrates joga mais uma carta que funciona como corda de forca para a oposição à sua direita dialogando e negociando com Chavéz (talvez impulsionado pela comunidade portuguesa naquele país) e ao mesmo tempo mantêm-se em jogo no tabuleiro da crise internacional com a ilusão do bom governante. Nestes aspectos de táctica política é mesmo uma muito boa ilusão. Engana qualquer incauto...
No país das comadres
Está provado que somo num país de comadres. Mesmo no meio de situações importantes apenas nos interessa a coscuvilhice primária.
Sócrates viaja até a Venezuela e nada se ouve do que foi lá fazer e da importância que pode ter esta visita nestes tempos de crise ao país com a gasolina mais barata do mundo. E o que nos interessa isso quando o nosso primeiro é apanhado a fumar durante o voo. Crime terrível que preencheu vastos minutos nas televisões nacionais.
Sócrates viaja até a Venezuela e nada se ouve do que foi lá fazer e da importância que pode ter esta visita nestes tempos de crise ao país com a gasolina mais barata do mundo. E o que nos interessa isso quando o nosso primeiro é apanhado a fumar durante o voo. Crime terrível que preencheu vastos minutos nas televisões nacionais.
domingo, 11 de maio de 2008
MAIS UM CRIME DO TERRORISMO DA DGCI
Passou no noticiário de vários canais mais um caso insólito de estupidez extorsionária por parte dos serviços de finanças, desta vez a um cidadão deficiente desde 1982 (ou cuja certidão inicial remonta a esta data). Contudo, na primeira vez que este cidadão apresenta a sua declaração por via electrónica no ano 2000 fá-lo com um erro não tendo colocado a sua situação de deficiente. O serviço de finanças, que tinha já na sua posse o documento que fazia prova da situação do contribuinte presumiu que este ficara miraculosamente são durante o ano 2000 tendo voltado à situação anterior de incapacidade de cerca de 90% logo no ano seguinte.
Sucede que este cidadão contribuinte é advogado de profissão mas apenas viu uma resposta para o seu caso recorrendo aos canais televisivos. É que neste momento, e em consequência da estupidez dos serviços e dos funcionários que lidaram com o processo foram-lhe penhorados bens por uma dívida que, obviamente, não existe. De acordo com o noticiário os serviços de finanças prontificaram-se a anular a dívida. No entanto fica aqui a questão de sabermos quantos cidadãos não estão neste momento a ser vítimas destes ou de piores abusos por parte da mais parasitária instituição do nosso estado capitalista, a DGCI.
Sucede que este cidadão contribuinte é advogado de profissão mas apenas viu uma resposta para o seu caso recorrendo aos canais televisivos. É que neste momento, e em consequência da estupidez dos serviços e dos funcionários que lidaram com o processo foram-lhe penhorados bens por uma dívida que, obviamente, não existe. De acordo com o noticiário os serviços de finanças prontificaram-se a anular a dívida. No entanto fica aqui a questão de sabermos quantos cidadãos não estão neste momento a ser vítimas destes ou de piores abusos por parte da mais parasitária instituição do nosso estado capitalista, a DGCI.
Pelo sim, pelo não… o melhor é apostar nos cavalos todos
Na consequência de uma postura inteligente do primeiro-ministro português os interesses do país saem reforçados com os recentes acordos entre algumas empresas nacionais e empresas congéneres da Venezuela. Num leque de acordos que contemplam desde a Galp Energia, os Estaleiros de Viana do Castelo ou a Edisoft (ambas da Holding do estado para a defesa Empordef).
Para Portugal é fundamental o alargamento do leque de países com os quais possamos contar para o desenvolvimento de laços não só económicos mas de todas as outras formas possíveis. O facto de não estar presente o habitual sectarismo político que elimina as possibilidades de bons negócios com aqueles que nos podem gerar melhores condições à partida é um factor a saudar aos governantes portugueses, que não sendo imunes à poeira propagandística contra a Alternativa Bolivariana e defendem primariamente os interesses do país. Claro que pode ser com base numa hipocrisia escondida debaixo do tapete, mas o que conta são os resultados positivos no final.
Para Portugal é fundamental o alargamento do leque de países com os quais possamos contar para o desenvolvimento de laços não só económicos mas de todas as outras formas possíveis. O facto de não estar presente o habitual sectarismo político que elimina as possibilidades de bons negócios com aqueles que nos podem gerar melhores condições à partida é um factor a saudar aos governantes portugueses, que não sendo imunes à poeira propagandística contra a Alternativa Bolivariana e defendem primariamente os interesses do país. Claro que pode ser com base numa hipocrisia escondida debaixo do tapete, mas o que conta são os resultados positivos no final.
… e depois esquecer a carne do cavalo…
Desde a entrada na Comunidade Económica Europeia (hoje União Europeia) que Portugal tem vindo a ser pressionado para não produzir no sector da agricultura. Houve mesmo durante os anos de ouro dos fundos europeus uma fúria abstémica na produção agrícola provocada pelo estímulo à não produção.
A Europa passada ignorava uma Europa futura onde, estava claro que iria ser necessário por mãos à obra e voltar a concentrar esforços em produzir bens alimentares de primeira necessidade. Não estaria com toda a certeza o mundo ocidental a apostar num eterno atraso dos chamados países emergentes. O aumento do consumo era assim uma fatalidade sendo, como aliás sempre disseram à esquerda e à direita as várias tendências políticas em todos os países europeus que neles se opuseram à própria construção europeia ou ao seu formato escolhido.
Desta feita, e este comentário vem justamente nesse sentido, foi a vez de Paulo Portas a estranhar o facto de Portugal não apostar nas culturas primárias mais importantes e que representam os maiores aumentos de preços ao consumidor nos últimos meses, nomeadamente os cereais, a carne e o leite. Neste momento em que as candidaturas aos apoios para produção agrícola previstos no Programa de Desenvolvimento Rural estão abertas, estes produtos não foram, claramente, uma aposta do governo.
Esta dependência externa de produtos cuja necessidade é primária representa um risco acrescido para a economia portuguesa. Esperemos que os nossos governantes saibam encontrar alternativas viáveis para colmatar os resultados desta crise provocada pela especulação normal dos mercados capitalistas nestas circunstâncias.
O que é estranho é que seja Paulo Portas a alertar para uma situação tão crítica quanto esta quando participou muito activamente na criação do problema.
A Europa passada ignorava uma Europa futura onde, estava claro que iria ser necessário por mãos à obra e voltar a concentrar esforços em produzir bens alimentares de primeira necessidade. Não estaria com toda a certeza o mundo ocidental a apostar num eterno atraso dos chamados países emergentes. O aumento do consumo era assim uma fatalidade sendo, como aliás sempre disseram à esquerda e à direita as várias tendências políticas em todos os países europeus que neles se opuseram à própria construção europeia ou ao seu formato escolhido.
Desta feita, e este comentário vem justamente nesse sentido, foi a vez de Paulo Portas a estranhar o facto de Portugal não apostar nas culturas primárias mais importantes e que representam os maiores aumentos de preços ao consumidor nos últimos meses, nomeadamente os cereais, a carne e o leite. Neste momento em que as candidaturas aos apoios para produção agrícola previstos no Programa de Desenvolvimento Rural estão abertas, estes produtos não foram, claramente, uma aposta do governo.
Esta dependência externa de produtos cuja necessidade é primária representa um risco acrescido para a economia portuguesa. Esperemos que os nossos governantes saibam encontrar alternativas viáveis para colmatar os resultados desta crise provocada pela especulação normal dos mercados capitalistas nestas circunstâncias.
O que é estranho é que seja Paulo Portas a alertar para uma situação tão crítica quanto esta quando participou muito activamente na criação do problema.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
E assim se faz jornalismo... ou qualquer coisa parecida...
Hoje deparo com esta notícia no "Sapo notícias" com o logo, símbolo da marca inegualável da "Lusa" Passo a citar:
"Venezuela: "Apagão" deixa 19 Estados às escuras
29 de Abril de 2008, 23:17
Caracas, 29 Abr (Lusa) - Uma avaria de grandes dimensões numa linha de transmissão deixou, hoje, sem energia eléctrica 18 dos 24 Estados da Venezuela, incluindo a capital, gerando o caos nas principais cidades do país.
O "apagão", que teve lugar pelas 16:15 locais (22:45 em Lisboa) e nalgumas cidades durou pelo menos meia hora, causou o caos no trânsito, nomeadamente em Caracas, onde se registaram alguns acidentes em urbanizações como San Bernardino e La Candelária.
Vários portugueses confirmaram, à Agência Lusa, que o corte de energia eléctrica suscitou dificuldades nas comunicações telefónicas nacionais, incluindo nos telemóveis e interrupções momentâneas na Internet.
"No Centro Comercial Galerias El Ávila, várias pessoas saíram assustadas para a rua, causando confusão", disse uma das fontes.
Segundo o general de brigada do Exército, Gustavo González López, o "apagão afectou ainda o Metropolitano de Caracas, que parou, tendo o sistema de energia alternativo permitido unicamente que as carruagens em funcionamento chegassem ao destino e os passageiros fossem evacuados.
A falha eléctrica aconteceu na chamada "hora de ponta" em que, em Caracas, centenas de milhar de pessoas saem dos seus trabalhos.
A avaria, segundo Hipólito Izquierdo, presidente da Corporação Eléctrica Nacional, teve causas indeterminadas, prevendo-se que a situação esteja normalizada nas próximas quatro horas, mantendo-se o abastecimento intermitente.
A falha afectou o Distrito Capital (Caracas) e os Estados de Miranda, Vargas, Maracay, Zúlia, Lara, Yaracuy, Guárico, Miranda, Carabobo, Bolívar, Anzoátegui, Portuguesa, Barinas, Arágua, Vargas, Falcón e Mérida.
As autoridades estão a apelar aos cidadãos para manterem a calma e absterem-se de sair para a rua se tal for possível.
Na Venezuela, existem várias empresas de electricidade associadas à Electricidade de Caracas, nacionalizada em 2007 pelo presidente Hugo Chávez.
FPG.
Lusa/Fim"
É de facto uma notícia relevante que um país com a dimensão da Venezuela sofra um fenómeno deste tipo. Embora não seja de estranhar que no futuro venham a suceder cada vez mais. Estas coisas acontecem a quem desafia certos poderes estabelecidos. Atentados, golpes de estado, boicotes ou bloqueios, e porque não, sabotagens. Claro que estou meramente a especular. Permito-me fazê-lo pois não sou jornalista. Mas vejamos o que está mal neste quadro.
Os leitores não se enganaram ao ler a hora do acontecimento. 16:15 horas locais com a duração de cerca de meia hora. Imagino eu que, a esta hora deve ter o horizonte ficado escuro como breu ou como um outro fenómeno poderia provocar, um eclipse total. Mas parece que apenas se eclipsou a razoabilidade dos escritos sobre a Venezuela. Ficou então escuro às 16:15 provocando acidentes de automóvel um pouco pelos 18 estados afectados.
E como a Venezuela está hoje no epicentro das notícias, das 16:15, ou seja 22:45 em Portugal continental às 23:17 em que a notícia foi publicada vai uma pequena fracção de tempo, por acaso coincidente com aquele da duração do tal apagão. 30 minutos para se pensar e para se escrever mais uma notícia sobre a Venezuela e ainda por cima nestes moldes.
Depois, notícia das notícias o facto de cidadãos terem saído assustados do centro comercial perante a falta de electricidade. Terá isso a ver com o facto de estar sempre iminente um novo golpe de estado e as pessoas terem a consciência que o seu país se encontra em rota de colisão com o bom gigante... por mim também teria medo mesmo que fosse em Portugal, mesmo que estivesse numa esquadra de polícia.
E o remate final de fino recorte jornalistico é o facto de se ligar todo o texto anterior ao desfecho que significa a culpabilidade máxima do sucedido. Afinal são várias empresas que trabalham em rede para a nacionalizada "Electricidade de Caracas". Este comentárío representa a lógica de comentário político mascarado de tirada inocente, contudo despropositada e desavergonhada. Ou seja, liga a incompetência ao facto de ser uma empresa estatal. O que significa que não existiria um apagão se não houvesse sido operada a nacionalização.
Assim se faz uma espécie de jornalismo...
"Venezuela: "Apagão" deixa 19 Estados às escuras
29 de Abril de 2008, 23:17
Caracas, 29 Abr (Lusa) - Uma avaria de grandes dimensões numa linha de transmissão deixou, hoje, sem energia eléctrica 18 dos 24 Estados da Venezuela, incluindo a capital, gerando o caos nas principais cidades do país.
O "apagão", que teve lugar pelas 16:15 locais (22:45 em Lisboa) e nalgumas cidades durou pelo menos meia hora, causou o caos no trânsito, nomeadamente em Caracas, onde se registaram alguns acidentes em urbanizações como San Bernardino e La Candelária.
Vários portugueses confirmaram, à Agência Lusa, que o corte de energia eléctrica suscitou dificuldades nas comunicações telefónicas nacionais, incluindo nos telemóveis e interrupções momentâneas na Internet.
"No Centro Comercial Galerias El Ávila, várias pessoas saíram assustadas para a rua, causando confusão", disse uma das fontes.
Segundo o general de brigada do Exército, Gustavo González López, o "apagão afectou ainda o Metropolitano de Caracas, que parou, tendo o sistema de energia alternativo permitido unicamente que as carruagens em funcionamento chegassem ao destino e os passageiros fossem evacuados.
A falha eléctrica aconteceu na chamada "hora de ponta" em que, em Caracas, centenas de milhar de pessoas saem dos seus trabalhos.
A avaria, segundo Hipólito Izquierdo, presidente da Corporação Eléctrica Nacional, teve causas indeterminadas, prevendo-se que a situação esteja normalizada nas próximas quatro horas, mantendo-se o abastecimento intermitente.
A falha afectou o Distrito Capital (Caracas) e os Estados de Miranda, Vargas, Maracay, Zúlia, Lara, Yaracuy, Guárico, Miranda, Carabobo, Bolívar, Anzoátegui, Portuguesa, Barinas, Arágua, Vargas, Falcón e Mérida.
As autoridades estão a apelar aos cidadãos para manterem a calma e absterem-se de sair para a rua se tal for possível.
Na Venezuela, existem várias empresas de electricidade associadas à Electricidade de Caracas, nacionalizada em 2007 pelo presidente Hugo Chávez.
FPG.
Lusa/Fim"
É de facto uma notícia relevante que um país com a dimensão da Venezuela sofra um fenómeno deste tipo. Embora não seja de estranhar que no futuro venham a suceder cada vez mais. Estas coisas acontecem a quem desafia certos poderes estabelecidos. Atentados, golpes de estado, boicotes ou bloqueios, e porque não, sabotagens. Claro que estou meramente a especular. Permito-me fazê-lo pois não sou jornalista. Mas vejamos o que está mal neste quadro.
Os leitores não se enganaram ao ler a hora do acontecimento. 16:15 horas locais com a duração de cerca de meia hora. Imagino eu que, a esta hora deve ter o horizonte ficado escuro como breu ou como um outro fenómeno poderia provocar, um eclipse total. Mas parece que apenas se eclipsou a razoabilidade dos escritos sobre a Venezuela. Ficou então escuro às 16:15 provocando acidentes de automóvel um pouco pelos 18 estados afectados.
E como a Venezuela está hoje no epicentro das notícias, das 16:15, ou seja 22:45 em Portugal continental às 23:17 em que a notícia foi publicada vai uma pequena fracção de tempo, por acaso coincidente com aquele da duração do tal apagão. 30 minutos para se pensar e para se escrever mais uma notícia sobre a Venezuela e ainda por cima nestes moldes.
Depois, notícia das notícias o facto de cidadãos terem saído assustados do centro comercial perante a falta de electricidade. Terá isso a ver com o facto de estar sempre iminente um novo golpe de estado e as pessoas terem a consciência que o seu país se encontra em rota de colisão com o bom gigante... por mim também teria medo mesmo que fosse em Portugal, mesmo que estivesse numa esquadra de polícia.
E o remate final de fino recorte jornalistico é o facto de se ligar todo o texto anterior ao desfecho que significa a culpabilidade máxima do sucedido. Afinal são várias empresas que trabalham em rede para a nacionalizada "Electricidade de Caracas". Este comentárío representa a lógica de comentário político mascarado de tirada inocente, contudo despropositada e desavergonhada. Ou seja, liga a incompetência ao facto de ser uma empresa estatal. O que significa que não existiria um apagão se não houvesse sido operada a nacionalização.
Assim se faz uma espécie de jornalismo...
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Quando o democrático se torna anormal
Ontem, na SIC Notícias, e a propósito da actual crise no PSD, um comentador político que por acaso também é jornalista, considerou como anormal o definhamento do PSD em detrimento dos partidos à esquerda do PS. Para o comentador José António Teixeira este crescimento à esquerda´parece ser um sinal de que afinal a democracia tal como foi concebida pode estar a querer deixar de funcionar.
E ele tem razão. A democracia tal como foi concebida e como é aplicada apenas suporta dois partidos de poder, PS e PSD e todos os partidos à esquerda do PS devem ser sempre marginais. Ora, as sondagens dão aproximadamente 18% ao conjunto dos votos no PCP/CDU e do BE. Desde 1979 que a esquerda não tinha tanta força eleitoral e isso compreende-se pela realidade política e social que vivemos. COntudo, para os comentadores que estão habituados ao sistema que ajudam a manter este é um facto anormal e desiquilibrador. Revela um definhamento político de uma direita sem norte e que já provou não ter capacidades governativas. Ou será que não? É que a actual crise no PSD foi também ela criada e mantida pelos próprios jornalistas e comentadores residentes dos media nacionais em concertação com os interesses do governo. E mais estranho ainda é que a classe dos jornalistas é justamente uma das classes mais afectadas por vinculos laborais precários ou a ausência total deles. Afinal, não há almoços de borla e temos todos de fazer pela vida.
"Anormal" é um comentador político residente de um canal televisivo achar anormal o sentido de voto dos eleitores num sistema a que chamam de demecrático. Normal será, para estes senhores termos, à semelhança de outras paragens, dois partidos apenas por onde escolher sendo que entre eles as diferenças não são nenhumas.
Isto até parece mesmo o 24 de Abril...
E ele tem razão. A democracia tal como foi concebida e como é aplicada apenas suporta dois partidos de poder, PS e PSD e todos os partidos à esquerda do PS devem ser sempre marginais. Ora, as sondagens dão aproximadamente 18% ao conjunto dos votos no PCP/CDU e do BE. Desde 1979 que a esquerda não tinha tanta força eleitoral e isso compreende-se pela realidade política e social que vivemos. COntudo, para os comentadores que estão habituados ao sistema que ajudam a manter este é um facto anormal e desiquilibrador. Revela um definhamento político de uma direita sem norte e que já provou não ter capacidades governativas. Ou será que não? É que a actual crise no PSD foi também ela criada e mantida pelos próprios jornalistas e comentadores residentes dos media nacionais em concertação com os interesses do governo. E mais estranho ainda é que a classe dos jornalistas é justamente uma das classes mais afectadas por vinculos laborais precários ou a ausência total deles. Afinal, não há almoços de borla e temos todos de fazer pela vida.
"Anormal" é um comentador político residente de um canal televisivo achar anormal o sentido de voto dos eleitores num sistema a que chamam de demecrático. Normal será, para estes senhores termos, à semelhança de outras paragens, dois partidos apenas por onde escolher sendo que entre eles as diferenças não são nenhumas.
Isto até parece mesmo o 24 de Abril...
sábado, 19 de abril de 2008
Menezes e o problema de Casting
Deu-se o inevitável. Cansado de tanta pancada (muita dela justificada) Menezes bate com a porta à liderança do PSD e deixa um espaço em aberto para si mesmo num futuro próximo.
Espero que nestes dias consiga fazer-se rodear de algumas pessoas que possam acrescentar de positivo à amálgama de criaturas insólitas que vêm rodeando o ex-futuro presidente do PSD.
Pessoalmente, e como já escrevi várias vezes, acredito nas teorias de conspiração de Menezes e Santana Lopes, esses descarados que tiveram a ousadia de querer tomar o partido dos barões e baronetas nas mãos das bases. O processo que se tem vindo a dar no PSD estava já a colocar em causa a superioridade intelectual dos lordes instalados no partido desde a morte de Sá Carneiro e dos que foram depois criados e mantidos com o cavaquismo e suas consequências. Menezes é mais que um homem do norte, frontal mas por vezes incoerente. Tentou reciclar a sua imagem e amaciar o seu discurso. Confesso que preferia o Menezes de há uns anos, com a sua linguagem mais politicamente incorrecta roçando mesmo o estilo de Valentim Loureiro ou Alberto João Jardim. Sempre preferi pessoas frontais a alforrecas. Mas continuando, acredito que existiu uma manobra consertada para destruir Santana Lopes e Luis F. Menezes. Eles não representam as elites do PSD apesar de serem a sua ala mais verdadeira, assumidamente liberal e "reformista" (a palavra no PSD é enganadora).
Para mim é indiferente quem lidere o PSD. O partido não mudará o seu rumo e continuará sempre igual a si mesmo sendo, nesta democracia amputada, a alternativa de poder. Um dia, quando se levantar de novo ou quando o governo Sócrates cair de podre.
Para além disso e porque respeito pessoal e politicamente as duas figuras de Santana Lopes e L. F. Menezes, prefiro ver este último de novo nos destinos da C. M. de Gaia de onde nunca deveria ter saído se tivesse querido preservar a sua imagem.
A par com um problema de filha-da-putice interna no partido e de manipulação pelo PS e pelos media, Menezes deu-se com um problema grave de Casting.
Espero que nestes dias consiga fazer-se rodear de algumas pessoas que possam acrescentar de positivo à amálgama de criaturas insólitas que vêm rodeando o ex-futuro presidente do PSD.
Pessoalmente, e como já escrevi várias vezes, acredito nas teorias de conspiração de Menezes e Santana Lopes, esses descarados que tiveram a ousadia de querer tomar o partido dos barões e baronetas nas mãos das bases. O processo que se tem vindo a dar no PSD estava já a colocar em causa a superioridade intelectual dos lordes instalados no partido desde a morte de Sá Carneiro e dos que foram depois criados e mantidos com o cavaquismo e suas consequências. Menezes é mais que um homem do norte, frontal mas por vezes incoerente. Tentou reciclar a sua imagem e amaciar o seu discurso. Confesso que preferia o Menezes de há uns anos, com a sua linguagem mais politicamente incorrecta roçando mesmo o estilo de Valentim Loureiro ou Alberto João Jardim. Sempre preferi pessoas frontais a alforrecas. Mas continuando, acredito que existiu uma manobra consertada para destruir Santana Lopes e Luis F. Menezes. Eles não representam as elites do PSD apesar de serem a sua ala mais verdadeira, assumidamente liberal e "reformista" (a palavra no PSD é enganadora).
Para mim é indiferente quem lidere o PSD. O partido não mudará o seu rumo e continuará sempre igual a si mesmo sendo, nesta democracia amputada, a alternativa de poder. Um dia, quando se levantar de novo ou quando o governo Sócrates cair de podre.
Para além disso e porque respeito pessoal e politicamente as duas figuras de Santana Lopes e L. F. Menezes, prefiro ver este último de novo nos destinos da C. M. de Gaia de onde nunca deveria ter saído se tivesse querido preservar a sua imagem.
A par com um problema de filha-da-putice interna no partido e de manipulação pelo PS e pelos media, Menezes deu-se com um problema grave de Casting.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Resposta pública ao e-mail do senhor director geral da Direcção Geral de Contribuições e impostos
Demorou alguns dias mas tinha de de responder ao simpático e-mail remetido pelo senhor director, que nunca tive o prazer de conhecer, mas que simpaticamente me enviou um e-mail no passado dia 4 de Abril. É evidente que não me enviou a mim em particular. Eu sei que não tenho direito a essas honrarias e ainda bem. Todos os portugueses registados no site das finanças receberam exactamente o mesmo texto com a ligeira alteração do nome e número de contribuinte.
Também sei que não é para ser respondido, mas não posso resistir à tentação de lhe dizer que esta é uma missiva de mau gosto que nos revela a maior facilidade com que as finanças ajudam a roubar os bens de alguns desafortunados da vida entregando-os assim de bandeja aos abutres profissionais através destes sistemas, para não dizer mesmo esquemas, que vão ajudando a que aumente o fosso entre os ricos e os pobres deste país.
Eu sei, caro Director, que as finanças não existem para que se crie justiça social. Isso seria tarefa dos políticos e das políticas. E sabemos que quando estes falham a todos os níveis quanto mais for sacado ao contribuinte menor será o buraco cavado pelas más práticas dessa mesma política. Mais sabemos que não é objectivo das finanças ir buscar a quem mais tem mas sim onde é mais fácil. A minha resposta é clara e inequívoca. A esses bens penhorados pode o senhor director fazer o que bem entender. Pode inclusivamente continuar a entupir as caixas de correio electrónico com essas mensagens de mau gosto. Para mim passa directamente para a categoria de Spam da mesma forma que a DGCI passou à muito à categoria de instituição parasitária, espinha dorsal pelo financiamento do sistema político podre e corrupto que nos tem vindo a governar desde a fundação da nação.
Sem mais assunto de momento, um futuro contribuinte espanhol.
Também sei que não é para ser respondido, mas não posso resistir à tentação de lhe dizer que esta é uma missiva de mau gosto que nos revela a maior facilidade com que as finanças ajudam a roubar os bens de alguns desafortunados da vida entregando-os assim de bandeja aos abutres profissionais através destes sistemas, para não dizer mesmo esquemas, que vão ajudando a que aumente o fosso entre os ricos e os pobres deste país.
Eu sei, caro Director, que as finanças não existem para que se crie justiça social. Isso seria tarefa dos políticos e das políticas. E sabemos que quando estes falham a todos os níveis quanto mais for sacado ao contribuinte menor será o buraco cavado pelas más práticas dessa mesma política. Mais sabemos que não é objectivo das finanças ir buscar a quem mais tem mas sim onde é mais fácil. A minha resposta é clara e inequívoca. A esses bens penhorados pode o senhor director fazer o que bem entender. Pode inclusivamente continuar a entupir as caixas de correio electrónico com essas mensagens de mau gosto. Para mim passa directamente para a categoria de Spam da mesma forma que a DGCI passou à muito à categoria de instituição parasitária, espinha dorsal pelo financiamento do sistema político podre e corrupto que nos tem vindo a governar desde a fundação da nação.
Sem mais assunto de momento, um futuro contribuinte espanhol.
domingo, 30 de março de 2008
Religiões e ficções
Segundo notícia divulgada pela Lusa ontem o número de muçulmanos ultrapassa já o número de católicos. Uma ressalva importante é que é o número de católicos e não de cristãos uma vez que existem muitas religiões baseadas no cristianismo.
Tal como está a notícia revela que um mal nunca vem só. Boa notícia seria saber que o número de pessoas que acreditam em figuras ficcionadas e sobrenaturais que nos criaram e controlam e que são sensíveis aos nossos comportamentos e estados de humor teria baixado. Não sendo assim, e em pleno século XXI pouco podemos adiantar à racionalidade do ser humano. De que nos serve pensar se depois acreditamos justamente no mais irracional?
A fé religiosa é inimiga da humanidade e é prova disso o estado actual do nosso mundo conturbado por um choque de culturas baseadas fundamentalmente numa diferença religiosa. E como por trás da religião está o dinheiro, esses são os dois motores da barbárie na nossa era.
Tal como está a notícia revela que um mal nunca vem só. Boa notícia seria saber que o número de pessoas que acreditam em figuras ficcionadas e sobrenaturais que nos criaram e controlam e que são sensíveis aos nossos comportamentos e estados de humor teria baixado. Não sendo assim, e em pleno século XXI pouco podemos adiantar à racionalidade do ser humano. De que nos serve pensar se depois acreditamos justamente no mais irracional?
A fé religiosa é inimiga da humanidade e é prova disso o estado actual do nosso mundo conturbado por um choque de culturas baseadas fundamentalmente numa diferença religiosa. E como por trás da religião está o dinheiro, esses são os dois motores da barbárie na nossa era.
sábado, 29 de março de 2008
O mundo do trabalho e a glorificação da filho da putice
Graças a alguns iluminados temos uma sociedade baseada em princípios e valores que nem deveriam ser designados por estas palavras. Os princípios não passam de fins que na grande maioria das vezes não justificam os meios. O mundo do trabalho, como qualquer microcosmos social, por ser feito e criado por homens e mulheres que lutam entre si por qualquer coisa que não podem entender e que apenas os irá entreter até ao momento em que as forças se esgotarem e caírem de cansados ou de mortos. Lutam numa sociedade competitiva e que compete sabe-se lá porque peregrinos motivos. Dizem que as bestas assim mais produzem para que as outras bestas mais consumam. E a produzir e a consumir vivem homens e mulheres e sobretudo crianças cada vez mais educadas e cada vez mais estúpidas entupidas com a mentira de que produzir é foder o colega, o superior ou o subordinado. Que só às bestas cabe mandar e aos jumentos serem mandados em nome da santa concorrência e competitividade.
O mundo do trabalho é, por tudo isto um hino ao lambe-botismo e à filha da putice que leva os energúmenos a subir na escala dos bastardos do capitalismo. De acorrentados e pobres de espírito a carrascos mentecaptos de peito feito a cagar sentenças de vida ou de morte. Assim ditam todas as regras, assim se gerem e se criam as empresas e assim se mantêm felizes para sempre na espiral decrescente de humanidade e competência. O mundo do trabalho premeia justamente aqueles que o não dignificam para que este seja permanentemente desvalorizado. Premeia e potencia os que traem os seus pares e os seus ex-pares e que depressa se transformam em párias, em sustentáculos do micro poder do universo empresarial e do sistema político em geral.
O mundo do trabalho é, por tudo isto um hino ao lambe-botismo e à filha da putice que leva os energúmenos a subir na escala dos bastardos do capitalismo. De acorrentados e pobres de espírito a carrascos mentecaptos de peito feito a cagar sentenças de vida ou de morte. Assim ditam todas as regras, assim se gerem e se criam as empresas e assim se mantêm felizes para sempre na espiral decrescente de humanidade e competência. O mundo do trabalho premeia justamente aqueles que o não dignificam para que este seja permanentemente desvalorizado. Premeia e potencia os que traem os seus pares e os seus ex-pares e que depressa se transformam em párias, em sustentáculos do micro poder do universo empresarial e do sistema político em geral.
domingo, 23 de março de 2008
Uma banda excepcional
Para aqueles que não conecem recomendo a audição da melhor obra destes senhores e desta senhora que vai deixar muitas saudades. O trabalho conceptual "How to measure a planet?" é uma das melhores obras que já ouvi. Muito embora seja difícil catalogar, nem se deva mesmo fazer perece-me o trabalho mais "pinkFloydiano" queconheço sem roçar o plágio o a imitação. Pelo contrário, a originalidade e o bom gosto das composições levam-me a acreditar que este trabalho foi tudo menos obra do acaso. E teve excelente continuidade com os trabalhos seguintes. Merece uma atenção especial dos amantes do rock progressivo, mesmo dos mais puristas ou ortodoxos.
domingo, 9 de março de 2008
Algumas pérolas do passado
Através de um post algo irónico em relação ao vídeo dos Tantra que linko em baixo no Zero de Conduta, emuito provavelmente contra a intenção e opinião do autor desse mesmo post num blog que acompanho e admiro, foram-me dadas a ver algumas pérolas que um tal de Vídeotoupeira em boa hora se lembrou de recolher.
São pedaços únicos da nossa história musical no tempo em que ainda não tinhamos de aturar o ruído provocado por lixo xomo os Da Weasel ou Buraka Som Sistema e outras porcarias do género. Do tempo em que sabiam ainda o que eram instrumentos musicais e tinham prazer em os utilizar para produzir música. Os exemplos que se seguem são, portanto, retirados dessa magnífica recolha segundo o meu gosto pesoal (que me perdoem os que deixei de fora).
Um bem haja às toupeiras que nos vão desenterrando estas pérolas.
http://www.youtube.com/watch?v=CBN_ChI5O30 Tantra
http://www.youtube.com/watch?v=N6ZQEYr8ofQ Arte e Ofício
http://www.youtube.com/watch?v=e452gixzXRo Petrus Castrus
http://www.youtube.com/watch?v=0onVSqurGcc Perspectiva
http://www.youtube.com/watch?v=ZdYbaRzwFl8 Beatniks
São pedaços únicos da nossa história musical no tempo em que ainda não tinhamos de aturar o ruído provocado por lixo xomo os Da Weasel ou Buraka Som Sistema e outras porcarias do género. Do tempo em que sabiam ainda o que eram instrumentos musicais e tinham prazer em os utilizar para produzir música. Os exemplos que se seguem são, portanto, retirados dessa magnífica recolha segundo o meu gosto pesoal (que me perdoem os que deixei de fora).
Um bem haja às toupeiras que nos vão desenterrando estas pérolas.
http://www.youtube.com/watch?v=CBN_ChI5O30 Tantra
http://www.youtube.com/watch?v=N6ZQEYr8ofQ Arte e Ofício
http://www.youtube.com/watch?v=e452gixzXRo Petrus Castrus
http://www.youtube.com/watch?v=0onVSqurGcc Perspectiva
http://www.youtube.com/watch?v=ZdYbaRzwFl8 Beatniks
sexta-feira, 7 de março de 2008
Uribe, hijo de puta
Tardou mas chegou o momento em que tudo se está a fazer, através de todos os meios que supostamente justificarão os fins, para destruir tudo o que de positivo se está a criar na américa latina. Desta vez, como em muitas outras foi inventada uma situação baseada na preseguição do número dois das FARC da Colômbia em terras soberanas do Equador.
Raul Reyes, que era o responsável pelas negociações últimas nestes casos de libertação de reféns, foi perseguido e abatido na selva amazónica. O Equador e a Venezuela foram acusados directa e indirectamente de apoiarem as FARC. Ora, este é o cenário ideal para criar a tensão necessária para que Correa e Chávez se tornem alvos a abater com um motivo palpável que até agora faltava.
Uribe, o homem do narcotráfico acusa os outros de o serem econtinua fiel ao seu destino de traição às pátrias irmãs da outra América. A morte de Reyes deve ser reflectida em todos os continentes. As FARC são uma força importante e é necessário estudar muito bem as suas origens e as suas derivas. É necessário compreender as motivações e a verdadeira natureza do regime colombiano e a razão por trás da sua fidelidade aos EUA. Estranha quando Uribe é referido como narcotraficante pela própria DEA mas sempre um amigo inseparável do interesse do império.
Mais uma página que espero não se torne trágica para já muito embora saibamos de antemão que os regimes que desafiam o império americano estão desde já marcados e condenados à morte. Mais ou menos lenta logo veremos. Tenho alguma esperança numa resistência destes povos baseada na compreensão daquilo que verdadeiramente os oprime.
Raul Reyes, que era o responsável pelas negociações últimas nestes casos de libertação de reféns, foi perseguido e abatido na selva amazónica. O Equador e a Venezuela foram acusados directa e indirectamente de apoiarem as FARC. Ora, este é o cenário ideal para criar a tensão necessária para que Correa e Chávez se tornem alvos a abater com um motivo palpável que até agora faltava.
Uribe, o homem do narcotráfico acusa os outros de o serem econtinua fiel ao seu destino de traição às pátrias irmãs da outra América. A morte de Reyes deve ser reflectida em todos os continentes. As FARC são uma força importante e é necessário estudar muito bem as suas origens e as suas derivas. É necessário compreender as motivações e a verdadeira natureza do regime colombiano e a razão por trás da sua fidelidade aos EUA. Estranha quando Uribe é referido como narcotraficante pela própria DEA mas sempre um amigo inseparável do interesse do império.
Mais uma página que espero não se torne trágica para já muito embora saibamos de antemão que os regimes que desafiam o império americano estão desde já marcados e condenados à morte. Mais ou menos lenta logo veremos. Tenho alguma esperança numa resistência destes povos baseada na compreensão daquilo que verdadeiramente os oprime.
Notários na lista negra
No seguimento de textos que tenho vindo a publicar neste blog cabe perfeitamente o protesto público feito pela Ordem dos Notários contra o facto de terem sido incluídos na lista de categorias a serem investigadas e seguidas de perto pela actividade da Inspecção Tributária.
Se existe medida acertada tomada por este ou qualquer outro governo é precisamente toda aquela que tenha como finalidade terminar com a perfeita imbecilidade burocrática que são os actos notariais. Contudo, estes senhores, que vivem de um trabalho sem qualquer tipo de sentido, sentem-se também eles lesados por serem considerados mais uma actividade a juntar à lista daqueles que potencialmente podem ser causadores de fraudes ou actos menos lícitos no que diz respeito à fiscalidade. Eles entendem isso como uma contradição com a confiança que o estado lhes atribui ao confiar todos os actos notariais que são actos oficiais de reconhecimento e, portanto, pretensamente também acto fiscalizadores. Ora, os fiscalizadores estão com receio de serem, eles próprios fiscalizados, e com toda a razão. Uma instituição parasitária sabe muito bem reconhecer outra e neste caso são duas que se conhecem mutuamente muito bem.
É muito fácil medir o nível de parasitarismo social no nosso sistema destas entidades. Basta imaginar a aquisição de um imóvel, solução a que são obrigados a grande maioria dos portugueses devido ao facto do estado não cumprir as suas obrigações constitucionais. Neste processo as quantias furtada pelos actos notariais são absurdas. Este governo, através de novas regras vem retirar um pouco dessa mama como já o fez com o fim da necessidade de escritura pública para a criação de empresas. Nem tudo está errado com este governo. Estas foram medidas muito importantes, contudo não passam de medidas ilusórias pois o pior ainda está para vir. Continuando com o exemplo do imóvel, estes profissionais do notariado, seja lá o que isso pretenda ser vão ver-se lesados num dos seus principais caudais de financiamento. Mas os compradores continuam a ser suprimidos dos seus rendimentos através da tributação anedótica sobre a propriedade que está já anunciada com aumentos brutais, aliás já referidos em textos anteriores.
Por estes dois motivos, a inclusão na lista negra da inspecção tributária e pela quebra de rendimentos num negócio ridículo estão os notários a protestar publicamente como ouvi esta tarde na TSF. O primeiro motivo só comprova o que tenho afirmado sobre a esquizofrenia do nosso estado liberal fascista que não confia nem nos próprios monstros burocráticos que ajudou a criar a manter. O terrorismo fiscal do governo e dos seus tentáculos no desespero de obter verbas está a tornar-se demasiado evidente. Por outro lado, o segundo motivo revela que as instituições parasitárias, desprovidas e esvaziadas de sentido tornam-se rebeldes contra o seu criador, neste caso o estado português. Eles que foram os zeladores da verdade e do reconhecimento público dos documentos das instituições e dos privados, hoje são os apontados como potenciais prevaricadores de um dos seus objectos de fiscalização.
Se existe medida acertada tomada por este ou qualquer outro governo é precisamente toda aquela que tenha como finalidade terminar com a perfeita imbecilidade burocrática que são os actos notariais. Contudo, estes senhores, que vivem de um trabalho sem qualquer tipo de sentido, sentem-se também eles lesados por serem considerados mais uma actividade a juntar à lista daqueles que potencialmente podem ser causadores de fraudes ou actos menos lícitos no que diz respeito à fiscalidade. Eles entendem isso como uma contradição com a confiança que o estado lhes atribui ao confiar todos os actos notariais que são actos oficiais de reconhecimento e, portanto, pretensamente também acto fiscalizadores. Ora, os fiscalizadores estão com receio de serem, eles próprios fiscalizados, e com toda a razão. Uma instituição parasitária sabe muito bem reconhecer outra e neste caso são duas que se conhecem mutuamente muito bem.
É muito fácil medir o nível de parasitarismo social no nosso sistema destas entidades. Basta imaginar a aquisição de um imóvel, solução a que são obrigados a grande maioria dos portugueses devido ao facto do estado não cumprir as suas obrigações constitucionais. Neste processo as quantias furtada pelos actos notariais são absurdas. Este governo, através de novas regras vem retirar um pouco dessa mama como já o fez com o fim da necessidade de escritura pública para a criação de empresas. Nem tudo está errado com este governo. Estas foram medidas muito importantes, contudo não passam de medidas ilusórias pois o pior ainda está para vir. Continuando com o exemplo do imóvel, estes profissionais do notariado, seja lá o que isso pretenda ser vão ver-se lesados num dos seus principais caudais de financiamento. Mas os compradores continuam a ser suprimidos dos seus rendimentos através da tributação anedótica sobre a propriedade que está já anunciada com aumentos brutais, aliás já referidos em textos anteriores.
Por estes dois motivos, a inclusão na lista negra da inspecção tributária e pela quebra de rendimentos num negócio ridículo estão os notários a protestar publicamente como ouvi esta tarde na TSF. O primeiro motivo só comprova o que tenho afirmado sobre a esquizofrenia do nosso estado liberal fascista que não confia nem nos próprios monstros burocráticos que ajudou a criar a manter. O terrorismo fiscal do governo e dos seus tentáculos no desespero de obter verbas está a tornar-se demasiado evidente. Por outro lado, o segundo motivo revela que as instituições parasitárias, desprovidas e esvaziadas de sentido tornam-se rebeldes contra o seu criador, neste caso o estado português. Eles que foram os zeladores da verdade e do reconhecimento público dos documentos das instituições e dos privados, hoje são os apontados como potenciais prevaricadores de um dos seus objectos de fiscalização.
terça-feira, 4 de março de 2008
Terrorismo de estado, mais dois capítulos ou como o capitalismo se torna esquizofrénico.
No dia de ontem mais uma notícia de terrorismo económico passou ao lado dos portugueses. Desta feita o governo presenteia as câmaras municipais através do aumento brutal do seu financiamento directo pelo IMI. Este imposto vai sofrer um aumento substancial que é estimado ser de até cerca de 120 Euros já em Abril próximo. As notas de cobrança estão já a ser emitidas. Até ao ano de 2011 este imposto irá sofrer um aumento de 15 Euros/ano.
Tendo em conta que a grande maioria dos portugueses optam claramente pela aquisição de habitação própria, mais que não seja por falta de alternativas viáveis e razoáveis, este é mais um rude golpe para as famílias da classe média sobretudo. Mas, mais do que isso é a prova de que o estado português apenas consegue auto-financiar-se para alimentar a sua máquina devoradora de dinheiro pilhando os contribuintes.
Por outro lado, e com a desculpa pouco convincente do combate à fraude fiscal, a fraude política que nos governa prepara mais uma ofensiva da justiça cega e à margem da lei e da moral da Justiça Tributária. O Plano Nacional de Actividades da Inspecção Tributária (PNAIT) prevê, para este ano, a fiscalização de 139.127 contribuintes, representando um acréscimo de fiscalizações de 39%, relativamente ao plano de actividades para o passado ano de 2007. O fisco prepara-se para intervir em todas as actividades consideradas potencialmente mais faltosas. Claro que por trás desta pretensa caça à fuga fiscal está a necessidade desesperada de fazer dinheiro para cobrir as despesas de um estado gordo e não cumpridor. O liberalismo está a transformar o nosso estado num fiel servidor dos privados mas, ao mesmo tempo está a perseguir todos os que potencialmente colocam em risco as bases de sustentação desse mesmo estado. As pequenas e médias iniciativas empresariais não interessam muito embora sejam as vítimas mais à mão da cegueira fiscalizadora de uma máquina fiscal ao serviço do país dos seus inimigos.
Os inspectores cães de fila da máquina fiscal actual passaram de 1617 em 2007 para 1833 em 2008. Isto revela a urgência em realizar capital e em mutilar as poupanças de muitos portugueses com pretensas acções que visam repor “justiça” fiscal. Quando esta máquina actua à margem do sistema judicial e tudo pode fazer sem qualquer entrave para suprimir rendimentos, para cobrar o que entende dever ser cobrado. Os contribuintes são condenados à partida, são culpados até mesmo com prova de serem inocentes. Daí que esta desventura do estado seja em si, criminosa e anti-constitucional. Não há juízes da inocência ou culpabilidade. Há fiscais que decidem segundo critérios que são ditados pelos objectivos a serem cumpridos. Não há julgamentos com audições e contraditório. Há imposições e pressupostos arbitrários que tornam o estado no violador da sua própria lei fundamental e mesmo da sua essência. Houvesse a possibilidade de tornar estas acções apenas e só sobre aqueles que deliberadamente lesaram o estado através dos mais diversos expedientes e estaríamos perante uma normalidade democrática na aplicação de leis. Sendo o estado português governado por uma elite parasitária e tendo o sistema fiscal como financiador e como entidade suprema na colecta tudo isto pode e deve ser alvo de debate público. Não é possível continuar o saque desta forma. Não é possível que o cidadão seja constantemente impotente contra um estado que, ele próprio não cumpre os seus deveres e não presta os serviços para os quais alega cobrar impostos. Mais ainda alimenta um sistema fiscal que actua à margem do sistema judicial. E por mais estranho que possa parecer num sistema liberal actua contra o verdadeiro liberalismo económico anulando a capacidade de competição das empresas mais pequenas contra os grandes grupos económicos. Contradição espelhada no actual estado do nosso tecido económico.
Há que acautelar a prepotência interminável desta seita exigindo o direito de cada cidadão à sua defesa efectiva antes que lhe sejam aplicadas quaisquer sanções. É fundamental que apenas os incumpridores, e de entre estes os que agiram com culpa e com capacidade para PAGAR não o tendo deliberadamente feito, sejam afectados por esta maré de inspectores. Há que combater o novo Portugal ASAE da limpeza mental e fiscal.
Esta criminalidade nova que vemos surgir (como a que se deu na grande Lisboa na última semana) não é senão o reflexo do estado do país. Quando este não consegue ter instituições nas quais possamos confiar. Quando tudo falha é a própria democracia que está em causa mesmo que assim não pareça. Como é possível não existir a ideia de impunidade para qualquer crime se a maior instituição criminosa deste país, o próprio estado português, sai impune de todos os crimes que comete?
Tendo em conta que a grande maioria dos portugueses optam claramente pela aquisição de habitação própria, mais que não seja por falta de alternativas viáveis e razoáveis, este é mais um rude golpe para as famílias da classe média sobretudo. Mas, mais do que isso é a prova de que o estado português apenas consegue auto-financiar-se para alimentar a sua máquina devoradora de dinheiro pilhando os contribuintes.
Por outro lado, e com a desculpa pouco convincente do combate à fraude fiscal, a fraude política que nos governa prepara mais uma ofensiva da justiça cega e à margem da lei e da moral da Justiça Tributária. O Plano Nacional de Actividades da Inspecção Tributária (PNAIT) prevê, para este ano, a fiscalização de 139.127 contribuintes, representando um acréscimo de fiscalizações de 39%, relativamente ao plano de actividades para o passado ano de 2007. O fisco prepara-se para intervir em todas as actividades consideradas potencialmente mais faltosas. Claro que por trás desta pretensa caça à fuga fiscal está a necessidade desesperada de fazer dinheiro para cobrir as despesas de um estado gordo e não cumpridor. O liberalismo está a transformar o nosso estado num fiel servidor dos privados mas, ao mesmo tempo está a perseguir todos os que potencialmente colocam em risco as bases de sustentação desse mesmo estado. As pequenas e médias iniciativas empresariais não interessam muito embora sejam as vítimas mais à mão da cegueira fiscalizadora de uma máquina fiscal ao serviço do país dos seus inimigos.
Os inspectores cães de fila da máquina fiscal actual passaram de 1617 em 2007 para 1833 em 2008. Isto revela a urgência em realizar capital e em mutilar as poupanças de muitos portugueses com pretensas acções que visam repor “justiça” fiscal. Quando esta máquina actua à margem do sistema judicial e tudo pode fazer sem qualquer entrave para suprimir rendimentos, para cobrar o que entende dever ser cobrado. Os contribuintes são condenados à partida, são culpados até mesmo com prova de serem inocentes. Daí que esta desventura do estado seja em si, criminosa e anti-constitucional. Não há juízes da inocência ou culpabilidade. Há fiscais que decidem segundo critérios que são ditados pelos objectivos a serem cumpridos. Não há julgamentos com audições e contraditório. Há imposições e pressupostos arbitrários que tornam o estado no violador da sua própria lei fundamental e mesmo da sua essência. Houvesse a possibilidade de tornar estas acções apenas e só sobre aqueles que deliberadamente lesaram o estado através dos mais diversos expedientes e estaríamos perante uma normalidade democrática na aplicação de leis. Sendo o estado português governado por uma elite parasitária e tendo o sistema fiscal como financiador e como entidade suprema na colecta tudo isto pode e deve ser alvo de debate público. Não é possível continuar o saque desta forma. Não é possível que o cidadão seja constantemente impotente contra um estado que, ele próprio não cumpre os seus deveres e não presta os serviços para os quais alega cobrar impostos. Mais ainda alimenta um sistema fiscal que actua à margem do sistema judicial. E por mais estranho que possa parecer num sistema liberal actua contra o verdadeiro liberalismo económico anulando a capacidade de competição das empresas mais pequenas contra os grandes grupos económicos. Contradição espelhada no actual estado do nosso tecido económico.
Há que acautelar a prepotência interminável desta seita exigindo o direito de cada cidadão à sua defesa efectiva antes que lhe sejam aplicadas quaisquer sanções. É fundamental que apenas os incumpridores, e de entre estes os que agiram com culpa e com capacidade para PAGAR não o tendo deliberadamente feito, sejam afectados por esta maré de inspectores. Há que combater o novo Portugal ASAE da limpeza mental e fiscal.
Esta criminalidade nova que vemos surgir (como a que se deu na grande Lisboa na última semana) não é senão o reflexo do estado do país. Quando este não consegue ter instituições nas quais possamos confiar. Quando tudo falha é a própria democracia que está em causa mesmo que assim não pareça. Como é possível não existir a ideia de impunidade para qualquer crime se a maior instituição criminosa deste país, o próprio estado português, sai impune de todos os crimes que comete?
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Mais sobre Cuba
Eis que surgem as primeiras notícias de iniciativas do novo presidente cubano. Claro que Cuba está necessitada de um grande consenso na América Latina por forma a conseguirem livrar-se do pesado bloqueio de décadas. Sendo assim o presidente Raúl Castro decide encontrar-se com o representante... do Vaticano.
Claro que o Vaticano está permanentemente em manobras diplomáticas. Até se falou da possibilidade da visita de Bento XVI à ilha. Será que Fidel é que está doente mas Raúl é que se encontra senil? Para que raio querem eles a visita do líder da instituição que mais apoiou as mais violentas ditaduras da América Latina plantadas pelos Estados Unidos? É sabido que a mioria dos cubanos são católicos mas isso não me parece uma justificação a não ser que, tal como os próprios Estados Unidos, o Vaticano ainda tenha esperança em que Cuba venha a ser aquilo que nunca foi com Fidel, um país seguidor dos mais importantes princípios cristãos, como o Chilie de Pinochet. Porque é certo que se em vez de Fidel, Cuba tivesse tido um Pinochet não teriam havido bloqueios mas antes ajudas.
Como costumo dizer, quem viver verá o que daqui vai sair...
Claro que o Vaticano está permanentemente em manobras diplomáticas. Até se falou da possibilidade da visita de Bento XVI à ilha. Será que Fidel é que está doente mas Raúl é que se encontra senil? Para que raio querem eles a visita do líder da instituição que mais apoiou as mais violentas ditaduras da América Latina plantadas pelos Estados Unidos? É sabido que a mioria dos cubanos são católicos mas isso não me parece uma justificação a não ser que, tal como os próprios Estados Unidos, o Vaticano ainda tenha esperança em que Cuba venha a ser aquilo que nunca foi com Fidel, um país seguidor dos mais importantes princípios cristãos, como o Chilie de Pinochet. Porque é certo que se em vez de Fidel, Cuba tivesse tido um Pinochet não teriam havido bloqueios mas antes ajudas.
Como costumo dizer, quem viver verá o que daqui vai sair...
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