sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Ainda a propósito de Karadzic

É evidente que não é de estranhar mas não deixa de ser algo confuso para alguém que não conhece a fundo como funcionam estas coisas do direito.

Sempre pensei que houvesse muito de comum entre a nossa concepção da justiça e a concepção que se vai adoptando um pouco por essa Europa.

Talvez por isso fique a pensar no que ouvi repetidamente da boca de alguns jornalistas que chamam a Karadzic "criminoso de guerra". Se bem entendo um criminoso é alguém a quem foi atribuido um crime, cuja presunção de inocência terminou com uma decisão transitada em julgado por um tribunal competente.

A minha confusão deriva sobretudo do facto de não entender como podem os jornalistas substituir os juízes na condenação ou na inocentação seja de quem for muito mais quando se trata de um processo histórico onde de todos os lados existiram crimes de guerra. Aqui a questão está meramente no julgamento político. Estarão os jornalistas a fazer um julgamento moral e não de direito? Se estão quem lhes dá a eles o direito sobre a moral?

Não esquecer que no passado dia 6 de Agosto se cumpriram 63 anos sobre Hiroshima que matou 110 000 pessoas e mutilou ao longo dos anos muitos outros milhares. Certo é que a História não julga os vencedores, não são estes muitas vezes os portadores da moral mesmo que tentem ser os do direito. Só que mais uma vez este é por linhas tortas.

Hawkwind, ou a bela e os monstros em 1972

Desconhecidos? São aqueles que ainda não conseguiste humilhar…

…palavras encomendadas ao apresentador Jorge Gabriel para um jogo de uma dessas plataformas do tipo consola. Um resumo fiel do que querem ver esta sociedade ser transformada. Uma sociedade de filhos da puta. E tão perto estamos na vida real.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Crónicas de um golpe




Um documento fundamental para a compreensão do modo como o controlo dos media pode significar o controlo do poder. Venezuala e o golpe de estado que instaurou a mentira fascista por dois dias.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Morreu Alexander Solzhenitsyn

Apenas em 1962 viu este autor premiado com um prémio Nobel (1970) publicado no seu país natal uma obra sua, “um dia na vida de Ivan Denisovich”. Vítima que foi das purgas Stalinistas e do terror dos Gulag (as chamadas “Prisões especiais”) para onde eram remetidos os prisioneiros políticos.

Foi condenado por injúrias a Stalin apanhadas em cartas escritas a um amigo. A URSS de então estava feita à imagem do seu líder. Embora conservando alguns traços positivos que não podem ser esquecidos e muito menos negados, a verdade é que o legado de Stalin é de extrema crueldade e de uma concentração na sua própria figura da responsabilidade de um legado histórico que teria de vir a ser lentamente desmascarado no futuro. Ainda hoje permanecem muitas discussões sobre os aspectos positivos e negativos do regime stalinista.


Solzhenitsyn, foi remetido a um silêncio forçado, o mesmo silêncio a que foram condenados muitos homens e mulheres. Stalin foi o responsável directo pela morte de mais comunistas em toda a história tendo sido o principal responsável também pelo enorme desvio teórico e prático da construção do socialismo. Mas essa é uma análise que não cabe nestas linhas. Cabe antes o respeito pelas vítimas inocentes de um regime que pretendeu medir forças com os mais negros e sombrios momentos da história mundial e que pariu figuras à sua imagem e semelhança um pouco por todo o mundo como Ceausescu. Contudo, há que salientar que Solzhenitsyn não foi apenas uma mera vítima inocente. Ele foi mesmo simpatizante de outros regimes ditatoriais como o de Franco ou Pinochet, o que revela uma contradição profunda entre a sua análise do regime soviético e a sua simpatia por regimes de teor fascista. Daí que seja de fácil compreensão o exílio a que foi forçado em 1974.


Regressando à Rússia na era de Yeltsin não escondeu a sua simpatia pela personalidade e pela política de Putin. Para a História ficam os acontecimentos. As análises estão ao alcance de cada pensamento de cada um de nós.

"H Natural" de Steve Hogarth, em Portugal


"Como tem vindo a ser anunciado, A Web Portugal está a organizar dois concertos com Steve Hogarth, vocalista dos Marillion. Os concertos terão lugar em:
*MS Club em Praia de Mira, no dia 30 de Agosto de 2008*
*Santiago Alquimista em Lisboa, no dia 5 de Setembro de 2008*
Serão, como é hábito do cantor, dois concertos intimistas, onde voz e piano apresentarão sem artifícios temas conhecidos de todos e muitas surpresas (desde temas de Marillion até versões de clássicos do rock, que poderão passar por nomes tão importantes como Beatles, Leonard Cohen, David Bowie ou The Waterboys).
*Os bilhetes encontram-se já à venda através da Web Portugal.**website*: www.thewebportugal.com/hnatural.htm*email*: mailto:marillionados%40marillionados.comou nas lojas Prog CD's e Carbono de Lisboa.

Má política. Desastrosa gestão de pessoas...

Sob um nevoeiro estranho que vai pairando no tecido empresarial português empresas do sector da distribuição preparam-se para atirar ao lixo uma quantidade significativa de postos de trabalho criados precariamente já com o intuito de serem facilmente descartáveis.

A crescente concorrência e a febre de abertura de novas lojas por quase todas as cadeias de retalho tem tido um misto de positivo, com a criação e movimentação interna de postos de trabalho, com o escandaloso negativo do desmantelamento de equipas de trabalho e com constituição forçada de equipas pouco preparadas e demasiadamente polivalentes.

Ao nível dos recursos humanos é cada vez mais evidente que a aposta destas empresas está na redução de custos a todos os níveis reduzindo a sua eficácia prática. O nível de conhecimentos, que é independente do nível de escolaridade, é cada vez menor e menos especializado neste tipo de estrutura empresarial. Os serviços externos e de apoio à estrutura são reduzidos ao mínimo e assistimos a situações em que será possível ter-mos no horizonte níveis de ineficácia extremamente elevados. Por outro lado é exigido cada vez mais a cada vez menos pessoas. A gestão das pessoas é feita por quem aprende a gerir números. O enquadramento e a integração das equipas de trabalho são feitos cada vez mais à força bruta dos orçamentos sem contar que as estruturas apenas podem ser competitivas sem mantiverem altos padrões de qualidade no serviço e uma elevada eficácia.

Hoje em dia o serviço é mesmo o factor diferenciador. A criatividade e a liberdade criativa são essenciais à manutenção de boas equipas bem estruturadas e sobretudo motivadas.

O neo-liberalismo à portuguesa está a atingir um patamar do absurdo. Estamos a criar mega-plataformas comerciais sem ter-mos estruturas produtivas. A dependência das importações cresce em certos sectores a um nível insustentável. A concorrência observada entre empresas que combatem por migalhas de margem ou praticam deliberadamente e constantemente dumping comercial é o que está a causar um estrangulamento dos ganhos efectivos não só destas empresas como da distribuição e importação que as fornecem. Com esse facto a mão-de-obra degrada-se e os valores de contratação tornam-se terceiro-mundistas.

Ao contrário do que as teorias ultra-liberais proclamam a concorrência não é factor de diminuição de preços mas antes de empobrecimento geral. Se cada vez existe um maior número de pessoas a trabalhar no sector terciário e se este cada vez paga pior aos seus profissionais a disponibilidade financeira de grande parcela populacional desce significativamente. Isso traduz-se numa forte redução do consumo. Esta redução torna-se numa mistura explosiva quando confrontada com o aumento exponencial de superfícies comerciais de média e grande dimensões. Mais explosiva quando, à diminuição dos salários no sector corresponde uma igual qualidade de serviço. Enfim, um ciclo vicioso já visto e revisto e, obviamente, falhado.

Quando nos disparam depois com ideias como a Flexigurança (será este o termo adoptado?) temos de ter em conta que Portugal está longe de ter uma realidade semelhante à Dinamarca, e que, com trabalhos deste género cada vez mais mal pagos e proletarizados é muito mais convidativo viver da assistência social do que estar a trabalhar. O mesmo estado desprezado pelo liberalismo mas que sustenta todos os projectos privados nos sectores fundamentais, como a saúde e a educação, o mesmo estado que alberga os políticos liberais e os catapulta para a vida depois da política nas cadeiras das administrações públicas ou privadas (se bons negócios foram produzidos em benefício das duas partes). Esse mesmo estado sustenta com essa ideia de Flexisegurança o menor risco dos privados em contratar e em despedir e desobriga-os completamente de pagar para depois terminar por ter de assistir e sustentar.

Se precarizar é desenvolver então o conceito de desenvolvimento, na óptica liberal, está pré-destinado a apenas uns quantos afortunados. Os outros que produzem, que criam, que manobram, que limpam, estão à margem e são para eles projectadas mensagens com a agressiva e criminosa linguagem de estímulo ao consumo e ao endividamento. Já vimos que é uma contradição que está a hipotecar esta geração dos quinhentos euros como hipotecou antes a dos seus pais da geração das pré-reformas cavaquistas. Esse senhor deveria ele mesmo ser pré-reformado por inutilidade da sua prestação no cargo que ocupa.

Aguarda-se a passagem do nevoeiro mas com o mesmo realismo de sempre não se espera um sol para todos…

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Pela nossa saúde…

Ontem, por emenda de mão do governo, o designado hospital Amadora-Sintra passou para a gestão pública através da extinção do contrato com a entidade privada cujos resultados se provaram terem sido desastrosos. Numa altura em que o governo propõe também o regime de exclusividade para os médicos é mesmo caso para pensar que, finalmente, se começa a olhar para a saúde e para os seus profissionais como devem ser olhados.

A mistura constante entre interesses privados e práticas públicas dos médicos tem-se traduzido numa situação caricata de adiantamento de situações no público se antes os pacientes se submeterem a intervenções no privado. Os médicos são exactamente os mesmos no mesmo papel em locais diferentes (por vezes a falta de vergonha até leva a que suceda nos memos lugares). O mesmo profissional começa um processo no público, redirecciona-o para o privado para que seja acelerado na sua fase final novamente no público passando à frente dos que não têm possibilidades de pagar o privado. Este conflito de interesses e esta promiscuidade justificam que se separem as águas.

Não tenho nada contra a prática da medicina privada embora dê muito mais valor a um profissional que se dedique ao Serviço Nacional de Saúde com todas as carências e deficiências que este possa ter. A medicina dos ricos e a medicina dos pobres não podem ser diferentes no tempo e na qualidade, nem terão na prática de ser diferentes no espaço.
Seria agora tempo de acabar com os médicos formados pela nota em vez dos médicos por vocação. O factor vocacional deveria ter um peso no mínimo de cinquenta por cento, sendo mesmo factor eliminatório mesmo em alunos com notas brilhantes.

A questão aqui está em procurar nos melhores sistemas de saúde públicos a nível internacional as melhores práticas e seleccionar para estas as melhores pessoas.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O melhor momento do dia...

... o chocolate.

Os anos que passam

Os anos que passam são pedaços de nós, muitas vezes arrancados a ferros de uma existência fria e distante. Pedaços que acrescentam ou que retiram tudo aquilo que nos faz viver. Um pouco de medo, um tanto de esperança, as angústias de ter ou não ter, os tormentos do valor absoluto que temos comparados com o nada que somos. As antíteses que constroem o nosso mundo são deveras poderosas na vida e na morte. Como se pode odiar a humanidade e com maior intensidade amar a mulher, o homem, o ser enfim sujeito dos amores de cada um. Como pode conviver o mais profundo anti-social com o mais utópico socialismo. O ódio da populaça e o fervor revolucionário do povo virtual da imaginação do sonhador. O sonho e o pesadelo amantes numa mesma cama eterna enquanto a vida teima em não se apagar.

Parece uma visão cruel mas é a visão real, tão real quanto a própria crueldade que nos faz optar por um qualquer caminho que entendemos ser o nosso, o único possível até outro aparecer que nos atire para o abismo ou para fora deste.

Hoje é urgente exaltar aqueles que, sendo humanos, insistem na continuidade da vida para além da desumanidade do nosso fundo. Por isso escrevo para todas as pessoas, e tão poucas são, os meus amigos que me dão a pouca humanidade que consigo viver na visão apocalíptica constante que teimo em manter. Aquelas pessoas que me fazem esquecer o que são as pessoas atordoadas a viverem as suas insignificantes vidas como deuses tontos plenos de razão e de poder. Aqueles que insistem em dar vidas à vida são os que ainda me fazem escrever estas palavras de agradecimento por existirem e por terem a coragem de existirem numa humanidade perdida. Aqueles que entregam a esperança a cada palavra e a cada notícia, a cada pedaço de tempo que é dado a partilharem. O mundo apenas faz sentido continuado desta forma por esta gente. Por vós.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

UNIÃO EUROPEIA


Só a globalização da luta pode derrubar a globalização da ofensiva. Esta é uma projecção da bandeira do futuro europeu dos povos, pelos povos e para os povos unidos na riqueza da sua diversidade.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Eis que a hstória se repete...

Não será possível estabelecer uma comparação directa entre Milosevic e Karadzic. No entanto a História acaba por colocá-los do lado perdedor de uma forma pouco inocente. Karadzic é tido como um monstro e acredito que seja efectivamente culpado de algumas das coisas de que o acusam. Mas a guerra é isso mesmo. As atrocidades são apanágio de qualquer guerra mas sobretudo daquelas em que se tem de lutar contra inimigos virtualmente invencíveis.

A Jugoslávia era de entre todos os países ditos socialistas, de longe, o que mais interesse e admiração me despertava. Antes de mais pela forma como enfrentou o imperialismo soviético que se traduziu em episódios históricos lamentáveis como a invasão da Checoslováquia. A Jugoslávia era um país com uma construção política, social e económica muito próprias e assentes numa unidade que morreu com um homem. Infelizmente muitas vezes a História dos povos funde-se com a História das suas personalidades. O marechal Tito foi o símbolo da unidade jugoslava na imensa diversidade de povos, culturas e religiões.


Porque a Sérvia sempre foi o centro de poder na Jugoslávia e principalmente porque Milisevic se opôs ao desmantelamento da sua pátria tudo isto acabou por se tornar num imenso banho de sangue do qual a Europa ocidental e os EUA não estão isentos de culpas. De todos os lados se cometeram crimes hediondos. Dos sérvios certamente mas também dos croatas, dos muçulmanos e cristãos bósnios, dos albaneses do Kosovo e da própria NATO que, mais uma vez optou por uma intervenção onde não poderia intervir e de uma forma sectária e parcial.


O TPI vai agora julgar mais um homem cuja história pessoal se confunde com um pedaço da História do seu povo quando deveria ser julgado na sua terra pelos seus pares.A História tem destas coisas. É difícil compreender porque as mesmas acções têm tão distintas interpretações. Quando a URSS invade o Afgnanistão é uma catástrofe. Quando os EUA invadem o mesmo país e plantam um governo fantoche é uma benção. E a verdade é que não haveriam talibans se não tivvessem sido financiados pelos EUA para a luta contra os soviéticos...


Karadzic não precisa ser julgado. Já está condenado por tudo quanto fez e não fez. A nossa história já está escrita ainda antes de acontecer.

sábado, 19 de julho de 2008

Os aprendizes de feiticeiros


No congresso da Juventude Socialista onde vai ser eleito o novo líder parece que é tempo de esquecermos a crise. Com tantas dificuldades anunciadas por tantas entidades diferentes mais ou menos amigas e cúmplices das vias do poder a Juventude Socialista resolve dar escolher o tema da “igualdade” para o seu combate político de futuro. Quando ouvi esta frase por momentos pensei que o socialismo tivesse regressado às camadas jovens do PS.

Num tempo de crise generalizada seria de prever que os jovens olhassem para a plítica prática com uma visão mais crítica e construtiva. Daí que, na minha ingenuidade e naquela fracção curtíssima de tempo, devo ter feito uma tamanha cara de espanto com a palavra e o tema escolhidos. Penso que a “igualdade” é um tema que daria para um longo texto não podendo ser encarada como algo de linear e simplista. O “igualitarismo” foi um dos pontos mais críticos da aplicação prática do socialismo científico e um dos que levou essa aplicação aos sucessivos fracassos históricos. Tomado esse tema de uma forma progressista a aplicando às sociedades actuais podemos partir do princípio que a todos deve ser dado o mesmo nível de educação, de acordo com as suas capacidades, aptidões e necessidades sociais. Devem ser dadas oportunidades iguais para que sejam (ou não) aproveitadas por cada um dos indivíduos na sociedade. Ao contrário do que pensam muitos socialistas e comunistas penso que as camadas sociais improdutivas e auto-marginalizadas não devem de todo ser alimentadas pelos impostos de quem trabalha e produz. Num sistema liberal estes apoios sociais servem de travão a uma sociedade com um nível de violência mais extremada pela consciência das desigualdades sociais. Acontece que existem desigualdades que são o fruto da vontade (tão legítima quanto o seu contrário) do não trabalho. Numa sociedade democrática de economia capitalista ou socialista as pessoas têm de ter o direito de não produzir contudo mesmo a estas devem ser dadas todas as oportunidades em igual medida quantitativa e qualitativa. Não devem é ser sustentados por aqueles que, com o fruto do seu trabalho produzem para que outros beneficiem.

Mas eis que uma nuvem densa passou pela frente de todo este pensamento que já queria voar para outras paragens mais distantes. Afinal o que os jovens do poder socialista queriam falar era apenas e só de folclore político. Era apenas sobre um tema absurdo e irracional na época em que vivemos por passarmos por dias difíceis e os putos do PS apenas pensam nos genitais. Lembro-me que um grande amigo me costumava dizer que no mundo tudo gira em torno de “mamas”. Quanto mudam os tempos. Para os jovens socialistas, para que não se fiquem na retaguarda do Bloco de Esquerda o tema da igualdade resume-se à necessidade de promover o direito ao casamento de casais homossexuais. Não serve o que está na lei que já permite a igualdade de tratamento a vários níveis entre casais heterossexuais e de outros tipos como ainda têm de promover a igualdade para a instituição religiosa e sacramental do casamento.

Para mim tanto se me dá. Apenas fico apreensivo com o centro do interesse e da acção política das jovens elites do poder socialista. Estes serão os xupistas políticos que nos extorquirão o dinheiro dos impostos para promover as suas acções políticas no futuro mas a boa notícia é que poderão haver casamentos homossexuais.

Tapar os problemas sérios e reais da sociedade com folclore político é já uma lição estudada e entendida pelos aprendizes de feiticeiros do poder socialista. Estão já preparados para a governação do país e para os altos cargos nas empresas públicas que os esperam. Tudo cada vez mais cor-de-rosinha...

sábado, 12 de julho de 2008

IPhone, ou a mega fraude de espectativas

Já era uma realidade desde que a primeira versão deste aparelho, mas para os cépticos que ainda não tinham tido a oportunidade de com ele lidar confirma-se que é uma mega fraude de espectativas.

Apenas me questiono como é possível o marketing conseguir "vender" o IPhone como sendo uma espécie de avanço tecnológico quando, na realidade, não passa de um mono com as características que qualquer telemóvel europeu já tem desde há alguns anos a esta parte.

O valor e o nível de vendas vai provar que somos um país de falsos tesos ou de estúpidos vaidosos.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Sumo de fruta, sem fruta

O anti-comunismo está hoje mais presente em Portugal precisamente à esquerda do Partido Comunista. O bloco não se cansa de realçar os aspecto negativos dos países governados por partidos comunistas nomeadamente a China com a janela de oportunidade que os jogos olímpicos criaram. A China é um caso algo complexo e não cabe neste pequeno texto reflectir sobre ele. Cabe essencialmente tentar compreender como o radicalismo de esquerda serve com a maior das oportunidades de muleta ao que mais dizem combater. A ideologia bloquista é como uma gelatina tutti-fruti. Ou uma inocência pueril de quem pensa que o Socialismo pode nascer pela boa vontade e cavalheirismo do capital. Uma espécie de "deixa passar estes pirralhos que querem fazer uma revoluçãozinha daquelas pacíficas, sem sangue, com muito amor hetero-bi-trans, real ou virtual".

O radicalismo de linguagem e a superioridade moral encapotam a ausência de estrutura ideológica e a insensatez de pensarem que alguma vez seria possível no nosso actual sistema político um partido de esquerda ganhar eleições livres sem que isso provocasse um boicote e uma reacção imediatos por parte das classes dominantes. O Bloco de Esquerda só vive e convive no multipartidarismo como esquerda radical até à primeira oportunidade de servir de muleta em soluções de governação. Primeiro será amputado de votos pelo triste conceito do voto útil e depois será fuzilada a sua natureza radical com o delírio do poder.

A esquerda dos muitos "ismos" já vui isto antes muitas vezes e esta procura infantil de uma revolução na evolução social na crise capitalista é um conceito morto a não ser que o radicalismo seja tão falso como um sumo de fruta... sem a fruta.

As FARC, de Saramago a Fidel.

O testemunho natural de um mercenário americano agora libertado e entregue à puta que o pariu da sua grande pátria americana pareceu-me apenas mais um passo na estratégia para transformar as FARC numa força meramente terrorista. As palavras do luso descendente foram justamente essas reforçando a ideia de que as FARC não são uma força revolucionária mas uma bando de crueis terroristas.

Mesmo que o teatro não estivesse já encenado há muito seria de todo natural que alguém que esteve sequestrado durante anos reaja com esta leveza de língua e de pensamento. Mas as palavras mais ou menos estudadas saem em favor de uma necessidade de desacreditar uma guerrilha que se quer desmantelada a todo o custo.

Não posso colocar de lado os testemunhos que li e ouvi de gente que partilhou dias, semanas e em alguns casos meses com elementos desta guerrilha e que contam o que se passa naquele núcleo de rebeldes que escaparam à subserviência ao partido comunista colambiano por não compreenderem como pode o partido não reagir à postura criminosa do governo e das forças para-militares que ao longo das últimas décadas têm eliminado massivamente a esquerda colombiana. O Partido sempre reagiu politicamente e participa (desembrado pelo constante assassinato de militantes e eleitos) na vida política fantasiosamente normal da Colombia. As FARC são o produto violento da violência oficial de estado apoiado no narco-tráfico com a benção e os dólares do amigo americano do norte.

Há algum tempo José Saramago disse sobre as FARC que se tratava de um bando de criminosos e não de um grupo de guerrilheiros. O meu profundo respeito por Saramago levou-me a pensar que a verdade estaria algures a meio entre as palavras de Saramago e os textos produzidos com alguma raiva e muito desapontamento por muitos comunistas portugueses em defesa das FARC. Reli então alguns textos sobre a Colombia, o seu processo político e a sua história e lembrei-me de alguns textos publicados então no "Avante!" por Miguel Urbano Rodrigues. A ideia foi reforçada por todas estas palavras. Saramago disse o que pensava e disse-o de uma forma clara como comunista que sempre foi. Um comunista que sempre pensou livremente à margem de todos os "ismos" que feriram de morte o legado ideológico de Marx, Engels e Lenin.

Nada há de comum entre a análise de Saramago e a do mercenário americano. As mesmas palavras têm aqui sabores radicalmente diferentes.

Tenho uma certa relutancia em considerar as FARC como terroristas dado o contexto no qual nasceram e cresceram num país profundamente ferido. Daí que as palavras de Fidel tenham sido de tal forma esclarecedoras que me levaram a compreender qual o meio termo onde devemos encaixar a tal verdade sempre procurada. Fidel, posicionou as FARC no papel necessário de força revolucionária e de guerilha, mas criticou (no seguimento do imenso esforço levado a cabo pela Venezuela, Equador e França), a forma de acção deste grupo apelando a que todos os reféns sejam libertados. Os sequestros foram uma arma que apenas surtiu efeito contra a própria guerrilha e trouxe inimigos à sua causa dentro e fora do campo ideológico, mas sobretudo prestou um péssimo serviço à causa socialista em qualquer ponto do mundo. Mas Fidel alerta para o facto de que não devem as FARC depor as armas. Entendo (por pura liberdade imaginativa) que Fidel esteja a puxar as orelhas a uma forma de agir que não se enquadra na visão revolucionária vista pelos olhos de um velho combatente entrincheirado e bloqueado mas livre de pensar e com uma revolução em grande medida vitoriosa.

Entre Fidel, Saramago e Miguel Urbano Rodrigues, três comunistas diferentes que igualmente admiro, escolho as palavras dos três como verdade não deixando de ter uma ponta de desejo de ver continuar uma luta, certamente com outros contornos e necessariamente com a libertação de todos os reféns, das FARC em território de uma América que parece querer acordar do pesadelo do imperialismo do vizinho do norte. Vizinho que já colocou forças armadas marítimas ao largo das costas do hemisfério sul... e que falta faz o Che.

terça-feira, 8 de julho de 2008

O desperdício e a cultura do baixo valor do trabalho

Enquanto observava atentamente uma actividade levada a cabo e patrocinada por um operador de telecomunicações nacional junto de um dos seus agentes/revendedores pensava no valor absurdo desperdiçado naquela iniciativa em concreto, mas também de um modo geral em todos os eventos do mesmo género que se vão inventando para que, no final, o objectivo seja totalmente colocado à margem.

Penso que o objectivo central de qualquer empresa quer seja pública (desde que não em sectores estratégicos da economia) ou privada é a obtenção de um valor acrescido a todos os seus custos por forma a que possa reinvestir e distribuir. Como vivemos numa economia de mercado a mais-valia é o objectivo último da empresa para a qual tem de haver um motivo e fundamentalmente um espaço no mercado.

Para utilizar o exemplo que observei, o de um operador de telecomunicações moveis, parece-me claro e óbvio que juntar vendedores para não introduzir qualquer tipo de informação que represente novidade e para actividades lúdicas torna-se numa banalização da cultura do desperdício.

A minha perspectiva de gestão de recursos humanos numa empresa impediria que este tipo de iniciativas ocorressem em dias e horários de trabalho pois nada acrescentam ao conhecimento e à eficácia, mas principalmente à competência do profissional a realizar um serviço ou vender um produto. E os pretextos da coesão das equipas tornam-se absurdos porquanto esta tem de ser feita em ambiente de trabalho. Um indivíduo pode desenvolver um incrível espírito de equipa em actividades lúdicas e ser incapaz de trabalhar em equipa em ambiente de trabalho. O conhecimento que possa ou não haver entre as pessoas que realizam as mesmas funções ou que estão hierarquicamente acima ou abaixo não tem qualquer influência na qualidade do trabalho produzido embora reconheça que pode agilizar processos em casos de resolução de situações problemáticas envolvendo várias pessoas de vários níveis de responsabilidade.

Em conclusão, estes tipos de actividade que as empresas realizam para dar a ideia ilusória de que se preocupam com quem lida directamente com os seus produtos, são meros exercícios de desperdício que só cabem na loucura e no delírio de algumas teorias de gestão. Da gestão base da empresa e do seu sumo que é a gestão das pessoas. E temos de entender que as empresas são as pessoas. É evidente que as pessoas, infelizmente, compreendem aqui um esforço que, na realidade, não existe.

Estas verbas poderiam e deveriam ser utilizadas para esquemas de incentivos à produtividade aumentando o rendimento de quem lida com os produtos ou serviços em causa. Mas também outra coisa muito importante, poderiam e deveriam ser utilizados na melhoria qualitativa ou de preço do produto ou serviço ao cliente final.

sábado, 28 de junho de 2008

No país dos que gostam que lhes chamem parvos.

Hoje foi mais um dia glorioso para o comércio em Portugal, e consequentemente para mais uma pequena ajuda nos números da importação. Abriu mais uma loja dos senhores que chamam parvos a todos aqueles que não compram nas suas lojas.

Fez-me lembrar há uns meses quando a cerveja Tagus lançou uma campanha que chocou as almas mais sensíveis da esquerda folclórica com a questão do “Orgulho Hetero” e provocou inúmeras reacções mais ou menos ortodoxas contra esta campanha. A marca chegou mesmo a retirar a campanha numa atitude de cobardia comercial ou então alertada para o facto da comunidade gay ser muito maior do que imaginavam os marketeers contratados pela empresa. Esta campanha foi assim obliterada por uns quantos protestos de saltos altos de barba. Que isto de ser heterosexual e ainda por cima ter orgulho nisso.

E como as memórias são como as conversas e estas como aqueles maravilhosos frutos que são as cerejas lembrei-me também do que ouvi ontem na TSF a propósito dos prejuízos na TAP por causa dos aumentos dos combustíveis. Aparentemente isto nada tem a ver com o asunto. Contudo, o presidente desta companhia afirma que, devido ao facto de existir um contrato por objectivos e destes estarem comprometidos pela presente situação do custo do combustível, havia que negiciar com os sindicatos para ver onde se poderia cortar…

Para que se compreenda a ligação, a abertura de mais uma loja desta cadeia internacional (a terceira em volume de facturação a nível mundial) representa uma tentativa esforçada e muito bem orquestrada para a diminuição da parvoíce no distrito do Porto. É óbvio que estes senhores vieram criar meia dúzia de postos e trabalho importantes para a região mas vieram também “marktelar” os preços e esmagar as margens para terem de pagar o menos possível aos seus funcionários para que, por sua vez os concorrentes se vejam obrigados a baixar as margens ao ponto de terem de pagar eles próprios também menos aos seus funcionários. E num apís onde pouco se produz e tudo se comercializa poucos serão os que escapam de ser funcionários destes senhores ou dos seus concorrentes. Depois os economistas com os seus neurónios tetraplégicos elogiam o mercado e aplaudem a concorrência afirmando que tudo isto é bom para o consumidor. Esquecem-se que esses mesmos funcionários são eles próprios os consumidores e entram no ciclo vicioso. Baixos preços, baixas margens, baixos salários, baixa qualidade de serviço… altos lucros… nenhuma empresa abre lojas sem que tenha um estudo preciso do impacto que estas vão ter na estrutura financeira da empresa. E quando se baixam margens, baixam-se salários e precarizam-se empregos.

O que o presidente da TAP disse vem mesmo seguimento. A empresa perde devido ao aumento dos combustíveis, quem paga são as “regalias” dos seus trabalhadores. É justo. Eu nunca andei de avião nem faço tensões de o fazer muito menos para alimentar estas ideias. Porque não aumentam os preços? Quem anda de avião é porque o pode fazer. Que pague por isso. Para além de tudo é o meio de transporte mais poluidor e mais esbanjador de combustível…

Em nenhuma destas realidades económicas estamos a falar de pão, leite ou arroz. Estamos a falar de, no exemplo da Media Markt, empresas virulentas. Dá vontade de partir para uma campanha do tipo “orgulho Parvo” por não querer pertencer ao grupo dos que em nome de preços absurdamente baixos (quando o dumping é ilegal neste país) transformam este país num país ele próprio absurdamente baixo que gosta que lhe chamem de parvo.

E como diria o presidente da TAP, “Eu é que não sou parvo…”

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Ainda bem que temos os carros topo de gama e uma vida de luxo, no terceiro mundo têm... saúde?? (2)

Segundo notícia publicada no site da revista Visão online "Cuba regista vacina contra cancro do pulmão. Uma vacina «terapêutica» que pode aumentar 30 a 40% do tempo de vida dos doentes terminais de cancro do pulmão foi registada pelo Centro de Imunologia Molecular (CIM) cubano"
De acordo com a notícia o produto designa-se por CIMAVAX EGF e é um compsto entre duas proteínas.

A aposta na ciência é um caminho traçado desde há muito tempo pelo sistema cubano que está a alcançar resultados a vários níveis sendo que este é um dos que se apresenta como mais mediático. Sendo ainda mais significativo tratando-se de um país submetido a um bloqueio de décadas. No entanto, na minha opinião, penso não ser o mais importante no momento. Nem sempre o mais mediático é o mais importante. Penso serem mais relevantes as iniciativas levadas a cabo por exemplo na Nicarágua onde médicos cubanos na chamada "Operação Milagre" realizaram mais de 25000 intervenções cirúrgicas de oftalmologia sobretudo nas camadas da população que não têm meios para pagar no sector privado.

É importante ter estas dados em conta quando se fala em direitos humanos pois a saúde é o bem e em consequência o direito mais fundamental ao ser humano.

Os Delírios bipolares…

Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados culpa o sindicalismo nas forças de segurança pelo aumento da criminalidade. Ainda considerei a hipótese de a frase ter sido proferida após a ingestão de bastantes bebidas alcoólicas, contudo, logo de seguida dispara mais uma daquelas verdades certas e sabidas para compor o ramalhete.

Diz então que há muitos políticos a saltar da actividade política para a actividade empresarial num abrir e fechar de olhos sendo que muitas vezes para empresas com as quais mantiveram algum tipo de relação ou dependência durante os mandatos políticos.

Parece-me claro que existem dois bastonários, dois Marinho Pinto. Um que segue a onda do populismo rasteiro de Paulo Portas. E o outro que é o recordista das citações em matéria de justiça pelo Bloco de Esquerda. Fico curioso o que tem o BE a responder à afirmação de culpabilização das práticas sindicais pela criminalidade crescente.

domingo, 8 de junho de 2008

Mais uma golpada fiscal na calha

Uma recente aquisição sob a forma de aplicação informática vem reforçar a senda extorsionária do fisco português contribuindo ainda mais para o empobrecimento das pequenas e médias empresas e cidadãos contribuintes particulares.

Pela segunda vez o fisco ameaça com prisão os contribuintes faltosos numa espécie de atitude de “a bolsa ou a vida” a que temos vindo a ser habituados sobretudo neste período do governo PS/Sócrates.

O fisco acusa contribuintes e empresas de “enriquecimento ilícito” e de “abuso de confiança fiscal”, exactamente os crimes que podem ser imputados ao próprio fisco que tem deliberadamente “enchido os bolsos” à custa de muitos pseudo-processos instaurados sobre quem não tem forma de se defender. É necessário ter em conta que a justiça fiscal é um sistema que funciona à margem da do sistema judicial com plenos poderes para proceder ao saque de verbas e bens a contribuintes faltosos ou não.

Não existe qualquer filtro que permita separar situações que sejam de fraudes cometidas por empresas ou meras suspeições que são de imediato transformadas em “culpa” de uma formaque teria de ser considerada como anti-constitucional. O cidadão não tem qualquer forma de protecção contra o fascismo fiscal.

Esta nova aplicação informática a ser implementada dentro de uma semana é assim, mais um instrumento contra o contribuinte mas agindo em seu nome e do seu pretenso benefício, tal como tem sido no passado.

Na razão inversa do saque o estado demite-se cada vez mais das suas obrigações e do cumprimento do que são as funções básicas, razão para as quais cobra os impostos. Assim sendo, e falhando em todas as frentes, na saúde, na educação, na protecção social, no sistema judicial e no seu acesso, o estado português torna-se um comum ladrão que não merece o respeito dos cidadãos.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Sobre as movimentações à esquerda

É evidente que, para que possa haver uma séria alteração do rumo das coisas a esquerda tem de aparecer mais unida que dividida. É certamente um bom sinal que estas movimentações aconteçam justamente nesta altura em que ainda é possível forçar o PS a uma maioria simples (uma vez que outra coisa ainda não é alcançável). No entanto devemos ter algumas coisas em consideração. Um PS com maioria simples é muito mais tentado a governar com os partidos que lhe são política e economicamente mais próximos fazendo acordos pontuais aqui e ali mas sempre, ou quase sempre, à sua direita.

Mesmo tendo uma ligeira simpatia pela figura política de Manuel Alegre que vai aparecendo como consciência crítica da esquerda do PS gostaria de compreender como é que esta “aliança” algo forçada destas esquerdas tão diversas termina no dia das eleições. É que Manuel Alegre vai estar na mesma lista do mesmo partido a engrossar os números que deputados que irão dar forma ao governo socialista. Os eleitores não irão ter nos seus boletins de voto a hipótese de votar no PS de Sócrates ou no PS de Alegre. No final das contas o voto vai para a mesma maioria. Em conclusão a voz de Manuel Alegre é em absoluto uma das formas mais inteligentes do PS somar votos. Soma o dos contentes com a governação e soma o dos descontentes que nas horas difíceis votam em consonância com a estratégia do governo. E ninguém no seu perfeito juízo acredita que o PS possa retirar Manuel Alegre das suas listas, onde ele pode ser verdadeiramente útil à estratégia global do partido.

Ficaria seriamente mais impressionado caso Manuel Alegre e todos os outros históricos do PS fundassem um partido ou movimento próprios ou pura e simplesmente participassem nos movimentos os partidos que já existem à esquerda do PS mesmo que como independentes. Só assim faz efectivamente sentido esta movimentação. Caso contrário trata-se meramente de areia nos olhos dos eleitores. Acredito, que com boas e genuínas intenções mas sem resultado prático se tudo isto não se tornar em algo de palpável nas urnas de voto.

Acredito profundamente que deve caminhar-se para um entendimento progressivo das esquerdas socialistas mesmo que isso não se traduza numa aliança eleitoral convencional (que vejo como impossível por enquanto entre BE e PCP e que nem será desejável neste momento pela carga histórica e política dos dois partidos) mas que pode aparecer em forma de entendimentos sobre as principais questões onde existem amplos consensos. O PCP é uma força fundamental à esquerda sendo mesmo um dos pilares da construção democrática do nosso país. O Bloco de Esquerda é um movimento novo sem uma firme identidade ideológica e por isso mesmo com o álibi histórico de não ter estado do lado de quaisquer erros. Daí a grande dificuldade de compreensão destas duas esquerdas tão próximas e tão distantes. É que o Bloco alega pretender caminhar para um socialismo rejeitando todas as formas que este tem vindo a assumir. A negação da história, dos seus erros mas também dos seus avanços, do pragmatismo das alianças estratégicas com as forças que internacionalmente podem bloquear uma intervenção com vista a desmantelar qualquer hipotética alternativa socialista na “nossa Europa” é o que impede estas esquerdas de se entenderem mutuamente. Perante o agravamento da crise a nível mundial é fundamental, é mesmo uma obrigação destas esquerdas alcançarem um entendimento sob pena de perdermos a mais flagrante oportunidade histórica talvez de sempre.

No entanto vejo-me forçado a repetir o mote que me leva a esta intervenção reduzindo à nossa pequena realidade. A tal questão de saber o que as pessoas retiram desta “aliança” estranha de quem, na hora da verdade irá aparecer em lados opostos das escolhas eleitorais. Afinal, votar em Alegre é votar em Sócrates e no seu governo… será que vamos ter surpresas nesta matéria?

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O rufar dos tambores

A situação política e económica do país está a criar uma forte participação popular. Sobre todos os aspectos desta crise têm falado muitos analistas e quase todos no meio sentido. Ela veio para ficar. Mas numa análise mais profunda temos uma cada vez maior divisão entre os que acreditam que tudo se torna inevitável e que o mercado está a ser consumido pelas suas próprias regras e aqueles que vêm no sistema em si o motor de toda esta imprevisibilidade que nos arrasta para aquilo que esses mesmos comentadores vão adivinhando, sérias convulsões sociais.

Parece, tudo isto, mais uma anedota do determinismo económico que vivemos e que assenta num sistema que se quer cada vez mais liberal mas com um liberalismo que se quer cada vez mais também com pilares bem fundos na sustentação dos estados. A hegemonia proclamada dos sectores privados subsiste e comprova-se na mendigagem e na regulamentação por baixo das mesas e nas subsídio-dependências criadas e alimentadas por um sistema económico que se apresenta como única solução e última via. Contudo um sistema que não consegue explicar de forma racional e muito menos controlar a forma irracional como o valor do barril de petróleo vem subindo nos últimos meses. Todos os dias ouvimos os mesmos comentadores paridos e criados na doutrina económica oficial que ontem a subida se deveu a um atentado na Nigéria, hoje no facto de as reservas petrolíferas nos Estados Unidos estarem mais baixas do que o previsto e amanhã será por outra coisa qualquer.

Os países produtores e exportadores de petróleo não entendem eles mesmo a razão de tais subidas. Não houve grandes alterações na extracção e na distribuição. As quantias lançadas no mercado são suficientes para a normal utilização mesmo com os actuais níveis de desenvolvimento das chamadas economias emergentes. Assim sendo, e não estando ninguém verdadeiramente empenhado em criar alternativas que sejam viáveis e duradouras ao petróleo, sabemos que muitos estão interessados justamente em manter estes aumentos insuportáveis porque a sociedade actual não está preparada para substituir a suas principal fonte de energia sobretudo para os transportes. É difícil explicar um português porque pagam os venezuelanos 30 cêntimos de euro por cada litro de gasolina ou porque pagam os norte americanos em média (uma vez que lá os mercados realmente estão liberalizados) 1,04 dólares por litro de gasolina (preço de retalho, ou seja ao consumidor final). É ainda mais difícil explicar como mesmo ao lado temos uma diferença que ronda em média os 20 cêntimos em Espanha pela mesma gasolina sendo que a carga fiscal aplicada em Portugal ronda os 60% do valor ao consumidor.
Alguns ultra-liberais já apareceram a pedir uma regulamentação pela baixa do ISP estando a pedir algo que é antagónico com as suas ideias e os seus princípios e mais uma vez exigindo do estado que venha resolver os problemas criados pelas regras especulativas do mercado que alimentam e no qual apenas vêem virtudes.

O que esta crise mundial (mas encarada levianamente a nível nacional e não apenas em Portugal) vai produzir é um exército de pobres que podem muito bem arrombar as portas das fortalezas onde esta gente se refugia. O fim desta novela está longe de estar à vista e pode muito bem ser que os comentadores tenham razão num ponto do que dizem. Irão certamente nascer e crescer um pouco por todo o lado convulsões sociais com consequências imprevisíveis. Contudo, o tão proclamado fim da história com a “perestroika” do Sr. Gorbatchov que ditou o fim de um caminho alternativo pouco viável e pleno de erros, não chegou há uma década atrás. Antes pelo contrário, hoje comprova-se que o próprio sistema capitalista apresenta uma crise e que o mercado só por si não pode nunca funcionar sem que se criem estas crises cíclicas geradoras de uma pobreza sistemática numa vasta maioria da população mundial. Não é possível acreditarmos que não se esperava que o desenvolvimento de países como a China, fossem desestabilizar as forças económicas mundiais. Estamos a falar de um sexto da população mundial e com aspirações a prosperidade e desenvolvimento e que tem pela sua frente uma batalha gigantesca para conseguir prosseguir num caminho onde a ilusão consumista possa coexistir com a protecção social devida numa sociedade com o modelo político actual.

Com tudo isto e muito mais urge participar no processo de mudança e na construção da barreira que possa travar a insanidade do livre arbítrio do mercado. Urge o colocar em causa os próprios fundamentos do nosso sistema político, social e sobretudo económico.

Em Portugal essa batalha é encabeçada por muitos cidadãos que participam e juntam a sua voz em iniciativas como o comício que junta forças políticas como o BE, a Renovação Comunista e alguns elementos da esquerda do PS como Manuel Alegre ou Helena Roseta no dia 3 de Junho pelas 21:30 no Teatro Trindade em Lisboa. No dia 5 de Junho tem lugar outra esperada grandiosa manifestação popular convocada pela CGTP com vista a alertar para os perigos das pretendidas alterações na legislação do trabalho.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Lei mal parida

Circula por estes dias na internet uma petição para revisão da nova Lei do Divórcio que, ao que parece, transporta consigo algumas bases de injustiça e algumas incongruências.

Estou certo que o projecto apresentado pelo Bloco de Esquerda seria muito mais interessante logo à partida pelo conceito que lhe está subjacente. Contudo não foi esse o projecto aprovado.

Penso que, melhor que qualquer um destes projectos seia terminar de uma vez por todas com essa instituição absurda que é o casamento. Essa tradição folclórica é causadora de muitas situações incrivelmente desumanas quando seria suposto ser justamente o centro da célula fundamental da sociedade, a família. Acontece que a família não necessita de contratos desde que as pessoas se comportem enquanto tal.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

E eis que acordam para a vida...

Finalmente parece que começamos a receber as verdadeiras notícias sobre a viagem de Sócrates à Venezuela.

Segundo a LUSA está contemplado um projecto de construção de habitação social nos arredores de Caracas no valor de quinhentos milhões de dólares."Foram ainda assinados outros nove acordos entre a venezuelana Bariven, uma filial da estatal Petróleos da Venezuela S.A. (Pdvsa) com a Rui Costa de Sousa Irmãos, Primor, Monte Bravo Produtos, Lactogal, Gelpeixe, Conservas Ramirez, Vetragri, Saprovor e Cofaco."

O mais interessante a retirar destes acordos é que Portugal consegue garantir que o pagamento do petróleo venezuelano seja parcialmente coberto com exportações para aquele país. Trata-se portanto, de um bom negócio para ambas as partes.

É bom que tenhamos a noção que os lucros da petrolífera portuguesa vão aumentar não sofrendo quaisquer alterações ao consumidor final. a intenção do governo é justamente aumentar as vias de aquisição de petróleo, de preferência aumentando também as margens e consequentemente o imposto cobrado nas gasolineiras.

Sócrates joga mais uma carta que funciona como corda de forca para a oposição à sua direita dialogando e negociando com Chavéz (talvez impulsionado pela comunidade portuguesa naquele país) e ao mesmo tempo mantêm-se em jogo no tabuleiro da crise internacional com a ilusão do bom governante. Nestes aspectos de táctica política é mesmo uma muito boa ilusão. Engana qualquer incauto...

No país das comadres

Está provado que somo num país de comadres. Mesmo no meio de situações importantes apenas nos interessa a coscuvilhice primária.

Sócrates viaja até a Venezuela e nada se ouve do que foi lá fazer e da importância que pode ter esta visita nestes tempos de crise ao país com a gasolina mais barata do mundo. E o que nos interessa isso quando o nosso primeiro é apanhado a fumar durante o voo. Crime terrível que preencheu vastos minutos nas televisões nacionais.

domingo, 11 de maio de 2008

MAIS UM CRIME DO TERRORISMO DA DGCI

Passou no noticiário de vários canais mais um caso insólito de estupidez extorsionária por parte dos serviços de finanças, desta vez a um cidadão deficiente desde 1982 (ou cuja certidão inicial remonta a esta data). Contudo, na primeira vez que este cidadão apresenta a sua declaração por via electrónica no ano 2000 fá-lo com um erro não tendo colocado a sua situação de deficiente. O serviço de finanças, que tinha já na sua posse o documento que fazia prova da situação do contribuinte presumiu que este ficara miraculosamente são durante o ano 2000 tendo voltado à situação anterior de incapacidade de cerca de 90% logo no ano seguinte.

Sucede que este cidadão contribuinte é advogado de profissão mas apenas viu uma resposta para o seu caso recorrendo aos canais televisivos. É que neste momento, e em consequência da estupidez dos serviços e dos funcionários que lidaram com o processo foram-lhe penhorados bens por uma dívida que, obviamente, não existe. De acordo com o noticiário os serviços de finanças prontificaram-se a anular a dívida. No entanto fica aqui a questão de sabermos quantos cidadãos não estão neste momento a ser vítimas destes ou de piores abusos por parte da mais parasitária instituição do nosso estado capitalista, a DGCI.

Pelo sim, pelo não… o melhor é apostar nos cavalos todos

Na consequência de uma postura inteligente do primeiro-ministro português os interesses do país saem reforçados com os recentes acordos entre algumas empresas nacionais e empresas congéneres da Venezuela. Num leque de acordos que contemplam desde a Galp Energia, os Estaleiros de Viana do Castelo ou a Edisoft (ambas da Holding do estado para a defesa Empordef).

Para Portugal é fundamental o alargamento do leque de países com os quais possamos contar para o desenvolvimento de laços não só económicos mas de todas as outras formas possíveis. O facto de não estar presente o habitual sectarismo político que elimina as possibilidades de bons negócios com aqueles que nos podem gerar melhores condições à partida é um factor a saudar aos governantes portugueses, que não sendo imunes à poeira propagandística contra a Alternativa Bolivariana e defendem primariamente os interesses do país. Claro que pode ser com base numa hipocrisia escondida debaixo do tapete, mas o que conta são os resultados positivos no final.

… e depois esquecer a carne do cavalo…

Desde a entrada na Comunidade Económica Europeia (hoje União Europeia) que Portugal tem vindo a ser pressionado para não produzir no sector da agricultura. Houve mesmo durante os anos de ouro dos fundos europeus uma fúria abstémica na produção agrícola provocada pelo estímulo à não produção.

A Europa passada ignorava uma Europa futura onde, estava claro que iria ser necessário por mãos à obra e voltar a concentrar esforços em produzir bens alimentares de primeira necessidade. Não estaria com toda a certeza o mundo ocidental a apostar num eterno atraso dos chamados países emergentes. O aumento do consumo era assim uma fatalidade sendo, como aliás sempre disseram à esquerda e à direita as várias tendências políticas em todos os países europeus que neles se opuseram à própria construção europeia ou ao seu formato escolhido.

Desta feita, e este comentário vem justamente nesse sentido, foi a vez de Paulo Portas a estranhar o facto de Portugal não apostar nas culturas primárias mais importantes e que representam os maiores aumentos de preços ao consumidor nos últimos meses, nomeadamente os cereais, a carne e o leite. Neste momento em que as candidaturas aos apoios para produção agrícola previstos no Programa de Desenvolvimento Rural estão abertas, estes produtos não foram, claramente, uma aposta do governo.

Esta dependência externa de produtos cuja necessidade é primária representa um risco acrescido para a economia portuguesa. Esperemos que os nossos governantes saibam encontrar alternativas viáveis para colmatar os resultados desta crise provocada pela especulação normal dos mercados capitalistas nestas circunstâncias.

O que é estranho é que seja Paulo Portas a alertar para uma situação tão crítica quanto esta quando participou muito activamente na criação do problema.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

E assim se faz jornalismo... ou qualquer coisa parecida...

Hoje deparo com esta notícia no "Sapo notícias" com o logo, símbolo da marca inegualável da "Lusa" Passo a citar:

"Venezuela: "Apagão" deixa 19 Estados às escuras
29 de Abril de 2008, 23:17

Caracas, 29 Abr (Lusa) - Uma avaria de grandes dimensões numa linha de transmissão deixou, hoje, sem energia eléctrica 18 dos 24 Estados da Venezuela, incluindo a capital, gerando o caos nas principais cidades do país.

O "apagão", que teve lugar pelas 16:15 locais (22:45 em Lisboa) e nalgumas cidades durou pelo menos meia hora, causou o caos no trânsito, nomeadamente em Caracas, onde se registaram alguns acidentes em urbanizações como San Bernardino e La Candelária.

Vários portugueses confirmaram, à Agência Lusa, que o corte de energia eléctrica suscitou dificuldades nas comunicações telefónicas nacionais, incluindo nos telemóveis e interrupções momentâneas na Internet.

"No Centro Comercial Galerias El Ávila, várias pessoas saíram assustadas para a rua, causando confusão", disse uma das fontes.

Segundo o general de brigada do Exército, Gustavo González López, o "apagão afectou ainda o Metropolitano de Caracas, que parou, tendo o sistema de energia alternativo permitido unicamente que as carruagens em funcionamento chegassem ao destino e os passageiros fossem evacuados.

A falha eléctrica aconteceu na chamada "hora de ponta" em que, em Caracas, centenas de milhar de pessoas saem dos seus trabalhos.

A avaria, segundo Hipólito Izquierdo, presidente da Corporação Eléctrica Nacional, teve causas indeterminadas, prevendo-se que a situação esteja normalizada nas próximas quatro horas, mantendo-se o abastecimento intermitente.

A falha afectou o Distrito Capital (Caracas) e os Estados de Miranda, Vargas, Maracay, Zúlia, Lara, Yaracuy, Guárico, Miranda, Carabobo, Bolívar, Anzoátegui, Portuguesa, Barinas, Arágua, Vargas, Falcón e Mérida.

As autoridades estão a apelar aos cidadãos para manterem a calma e absterem-se de sair para a rua se tal for possível.

Na Venezuela, existem várias empresas de electricidade associadas à Electricidade de Caracas, nacionalizada em 2007 pelo presidente Hugo Chávez.

FPG.

Lusa/Fim"



É de facto uma notícia relevante que um país com a dimensão da Venezuela sofra um fenómeno deste tipo. Embora não seja de estranhar que no futuro venham a suceder cada vez mais. Estas coisas acontecem a quem desafia certos poderes estabelecidos. Atentados, golpes de estado, boicotes ou bloqueios, e porque não, sabotagens. Claro que estou meramente a especular. Permito-me fazê-lo pois não sou jornalista. Mas vejamos o que está mal neste quadro.

Os leitores não se enganaram ao ler a hora do acontecimento. 16:15 horas locais com a duração de cerca de meia hora. Imagino eu que, a esta hora deve ter o horizonte ficado escuro como breu ou como um outro fenómeno poderia provocar, um eclipse total. Mas parece que apenas se eclipsou a razoabilidade dos escritos sobre a Venezuela. Ficou então escuro às 16:15 provocando acidentes de automóvel um pouco pelos 18 estados afectados.

E como a Venezuela está hoje no epicentro das notícias, das 16:15, ou seja 22:45 em Portugal continental às 23:17 em que a notícia foi publicada vai uma pequena fracção de tempo, por acaso coincidente com aquele da duração do tal apagão. 30 minutos para se pensar e para se escrever mais uma notícia sobre a Venezuela e ainda por cima nestes moldes.

Depois, notícia das notícias o facto de cidadãos terem saído assustados do centro comercial perante a falta de electricidade. Terá isso a ver com o facto de estar sempre iminente um novo golpe de estado e as pessoas terem a consciência que o seu país se encontra em rota de colisão com o bom gigante... por mim também teria medo mesmo que fosse em Portugal, mesmo que estivesse numa esquadra de polícia.

E o remate final de fino recorte jornalistico é o facto de se ligar todo o texto anterior ao desfecho que significa a culpabilidade máxima do sucedido. Afinal são várias empresas que trabalham em rede para a nacionalizada "Electricidade de Caracas". Este comentárío representa a lógica de comentário político mascarado de tirada inocente, contudo despropositada e desavergonhada. Ou seja, liga a incompetência ao facto de ser uma empresa estatal. O que significa que não existiria um apagão se não houvesse sido operada a nacionalização.

Assim se faz uma espécie de jornalismo...

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Quando o democrático se torna anormal

Ontem, na SIC Notícias, e a propósito da actual crise no PSD, um comentador político que por acaso também é jornalista, considerou como anormal o definhamento do PSD em detrimento dos partidos à esquerda do PS. Para o comentador José António Teixeira este crescimento à esquerda´parece ser um sinal de que afinal a democracia tal como foi concebida pode estar a querer deixar de funcionar.

E ele tem razão. A democracia tal como foi concebida e como é aplicada apenas suporta dois partidos de poder, PS e PSD e todos os partidos à esquerda do PS devem ser sempre marginais. Ora, as sondagens dão aproximadamente 18% ao conjunto dos votos no PCP/CDU e do BE. Desde 1979 que a esquerda não tinha tanta força eleitoral e isso compreende-se pela realidade política e social que vivemos. COntudo, para os comentadores que estão habituados ao sistema que ajudam a manter este é um facto anormal e desiquilibrador. Revela um definhamento político de uma direita sem norte e que já provou não ter capacidades governativas. Ou será que não? É que a actual crise no PSD foi também ela criada e mantida pelos próprios jornalistas e comentadores residentes dos media nacionais em concertação com os interesses do governo. E mais estranho ainda é que a classe dos jornalistas é justamente uma das classes mais afectadas por vinculos laborais precários ou a ausência total deles. Afinal, não há almoços de borla e temos todos de fazer pela vida.

"Anormal" é um comentador político residente de um canal televisivo achar anormal o sentido de voto dos eleitores num sistema a que chamam de demecrático. Normal será, para estes senhores termos, à semelhança de outras paragens, dois partidos apenas por onde escolher sendo que entre eles as diferenças não são nenhumas.

Isto até parece mesmo o 24 de Abril...

sábado, 19 de abril de 2008

Menezes e o problema de Casting

Deu-se o inevitável. Cansado de tanta pancada (muita dela justificada) Menezes bate com a porta à liderança do PSD e deixa um espaço em aberto para si mesmo num futuro próximo.

Espero que nestes dias consiga fazer-se rodear de algumas pessoas que possam acrescentar de positivo à amálgama de criaturas insólitas que vêm rodeando o ex-futuro presidente do PSD.

Pessoalmente, e como já escrevi várias vezes, acredito nas teorias de conspiração de Menezes e Santana Lopes, esses descarados que tiveram a ousadia de querer tomar o partido dos barões e baronetas nas mãos das bases. O processo que se tem vindo a dar no PSD estava já a colocar em causa a superioridade intelectual dos lordes instalados no partido desde a morte de Sá Carneiro e dos que foram depois criados e mantidos com o cavaquismo e suas consequências. Menezes é mais que um homem do norte, frontal mas por vezes incoerente. Tentou reciclar a sua imagem e amaciar o seu discurso. Confesso que preferia o Menezes de há uns anos, com a sua linguagem mais politicamente incorrecta roçando mesmo o estilo de Valentim Loureiro ou Alberto João Jardim. Sempre preferi pessoas frontais a alforrecas. Mas continuando, acredito que existiu uma manobra consertada para destruir Santana Lopes e Luis F. Menezes. Eles não representam as elites do PSD apesar de serem a sua ala mais verdadeira, assumidamente liberal e "reformista" (a palavra no PSD é enganadora).

Para mim é indiferente quem lidere o PSD. O partido não mudará o seu rumo e continuará sempre igual a si mesmo sendo, nesta democracia amputada, a alternativa de poder. Um dia, quando se levantar de novo ou quando o governo Sócrates cair de podre.

Para além disso e porque respeito pessoal e politicamente as duas figuras de Santana Lopes e L. F. Menezes, prefiro ver este último de novo nos destinos da C. M. de Gaia de onde nunca deveria ter saído se tivesse querido preservar a sua imagem.

A par com um problema de filha-da-putice interna no partido e de manipulação pelo PS e pelos media, Menezes deu-se com um problema grave de Casting.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Resposta pública ao e-mail do senhor director geral da Direcção Geral de Contribuições e impostos

Demorou alguns dias mas tinha de de responder ao simpático e-mail remetido pelo senhor director, que nunca tive o prazer de conhecer, mas que simpaticamente me enviou um e-mail no passado dia 4 de Abril. É evidente que não me enviou a mim em particular. Eu sei que não tenho direito a essas honrarias e ainda bem. Todos os portugueses registados no site das finanças receberam exactamente o mesmo texto com a ligeira alteração do nome e número de contribuinte.

Também sei que não é para ser respondido, mas não posso resistir à tentação de lhe dizer que esta é uma missiva de mau gosto que nos revela a maior facilidade com que as finanças ajudam a roubar os bens de alguns desafortunados da vida entregando-os assim de bandeja aos abutres profissionais através destes sistemas, para não dizer mesmo esquemas, que vão ajudando a que aumente o fosso entre os ricos e os pobres deste país.

Eu sei, caro Director, que as finanças não existem para que se crie justiça social. Isso seria tarefa dos políticos e das políticas. E sabemos que quando estes falham a todos os níveis quanto mais for sacado ao contribuinte menor será o buraco cavado pelas más práticas dessa mesma política. Mais sabemos que não é objectivo das finanças ir buscar a quem mais tem mas sim onde é mais fácil. A minha resposta é clara e inequívoca. A esses bens penhorados pode o senhor director fazer o que bem entender. Pode inclusivamente continuar a entupir as caixas de correio electrónico com essas mensagens de mau gosto. Para mim passa directamente para a categoria de Spam da mesma forma que a DGCI passou à muito à categoria de instituição parasitária, espinha dorsal pelo financiamento do sistema político podre e corrupto que nos tem vindo a governar desde a fundação da nação.

Sem mais assunto de momento, um futuro contribuinte espanhol.

domingo, 30 de março de 2008

Religiões e ficções

Segundo notícia divulgada pela Lusa ontem o número de muçulmanos ultrapassa já o número de católicos. Uma ressalva importante é que é o número de católicos e não de cristãos uma vez que existem muitas religiões baseadas no cristianismo.

Tal como está a notícia revela que um mal nunca vem só. Boa notícia seria saber que o número de pessoas que acreditam em figuras ficcionadas e sobrenaturais que nos criaram e controlam e que são sensíveis aos nossos comportamentos e estados de humor teria baixado. Não sendo assim, e em pleno século XXI pouco podemos adiantar à racionalidade do ser humano. De que nos serve pensar se depois acreditamos justamente no mais irracional?

A fé religiosa é inimiga da humanidade e é prova disso o estado actual do nosso mundo conturbado por um choque de culturas baseadas fundamentalmente numa diferença religiosa. E como por trás da religião está o dinheiro, esses são os dois motores da barbárie na nossa era.

sábado, 29 de março de 2008

O mundo do trabalho e a glorificação da filho da putice

Graças a alguns iluminados temos uma sociedade baseada em princípios e valores que nem deveriam ser designados por estas palavras. Os princípios não passam de fins que na grande maioria das vezes não justificam os meios. O mundo do trabalho, como qualquer microcosmos social, por ser feito e criado por homens e mulheres que lutam entre si por qualquer coisa que não podem entender e que apenas os irá entreter até ao momento em que as forças se esgotarem e caírem de cansados ou de mortos. Lutam numa sociedade competitiva e que compete sabe-se lá porque peregrinos motivos. Dizem que as bestas assim mais produzem para que as outras bestas mais consumam. E a produzir e a consumir vivem homens e mulheres e sobretudo crianças cada vez mais educadas e cada vez mais estúpidas entupidas com a mentira de que produzir é foder o colega, o superior ou o subordinado. Que só às bestas cabe mandar e aos jumentos serem mandados em nome da santa concorrência e competitividade.

O mundo do trabalho é, por tudo isto um hino ao lambe-botismo e à filha da putice que leva os energúmenos a subir na escala dos bastardos do capitalismo. De acorrentados e pobres de espírito a carrascos mentecaptos de peito feito a cagar sentenças de vida ou de morte. Assim ditam todas as regras, assim se gerem e se criam as empresas e assim se mantêm felizes para sempre na espiral decrescente de humanidade e competência. O mundo do trabalho premeia justamente aqueles que o não dignificam para que este seja permanentemente desvalorizado. Premeia e potencia os que traem os seus pares e os seus ex-pares e que depressa se transformam em párias, em sustentáculos do micro poder do universo empresarial e do sistema político em geral.

domingo, 23 de março de 2008

Uma banda excepcional

Para aqueles que não conecem recomendo a audição da melhor obra destes senhores e desta senhora que vai deixar muitas saudades. O trabalho conceptual "How to measure a planet?" é uma das melhores obras que já ouvi. Muito embora seja difícil catalogar, nem se deva mesmo fazer perece-me o trabalho mais "pinkFloydiano" queconheço sem roçar o plágio o a imitação. Pelo contrário, a originalidade e o bom gosto das composições levam-me a acreditar que este trabalho foi tudo menos obra do acaso. E teve excelente continuidade com os trabalhos seguintes. Merece uma atenção especial dos amantes do rock progressivo, mesmo dos mais puristas ou ortodoxos.

domingo, 9 de março de 2008

Algumas pérolas do passado

Através de um post algo irónico em relação ao vídeo dos Tantra que linko em baixo no Zero de Conduta, emuito provavelmente contra a intenção e opinião do autor desse mesmo post num blog que acompanho e admiro, foram-me dadas a ver algumas pérolas que um tal de Vídeotoupeira em boa hora se lembrou de recolher.

São pedaços únicos da nossa história musical no tempo em que ainda não tinhamos de aturar o ruído provocado por lixo xomo os Da Weasel ou Buraka Som Sistema e outras porcarias do género. Do tempo em que sabiam ainda o que eram instrumentos musicais e tinham prazer em os utilizar para produzir música. Os exemplos que se seguem são, portanto, retirados dessa magnífica recolha segundo o meu gosto pesoal (que me perdoem os que deixei de fora).

Um bem haja às toupeiras que nos vão desenterrando estas pérolas.

http://www.youtube.com/watch?v=CBN_ChI5O30 Tantra

http://www.youtube.com/watch?v=N6ZQEYr8ofQ Arte e Ofício

http://www.youtube.com/watch?v=e452gixzXRo Petrus Castrus

http://www.youtube.com/watch?v=0onVSqurGcc Perspectiva

http://www.youtube.com/watch?v=ZdYbaRzwFl8 Beatniks

sexta-feira, 7 de março de 2008

Uribe, hijo de puta

Tardou mas chegou o momento em que tudo se está a fazer, através de todos os meios que supostamente justificarão os fins, para destruir tudo o que de positivo se está a criar na américa latina. Desta vez, como em muitas outras foi inventada uma situação baseada na preseguição do número dois das FARC da Colômbia em terras soberanas do Equador.

Raul Reyes, que era o responsável pelas negociações últimas nestes casos de libertação de reféns, foi perseguido e abatido na selva amazónica. O Equador e a Venezuela foram acusados directa e indirectamente de apoiarem as FARC. Ora, este é o cenário ideal para criar a tensão necessária para que Correa e Chávez se tornem alvos a abater com um motivo palpável que até agora faltava.

Uribe, o homem do narcotráfico acusa os outros de o serem econtinua fiel ao seu destino de traição às pátrias irmãs da outra América. A morte de Reyes deve ser reflectida em todos os continentes. As FARC são uma força importante e é necessário estudar muito bem as suas origens e as suas derivas. É necessário compreender as motivações e a verdadeira natureza do regime colombiano e a razão por trás da sua fidelidade aos EUA. Estranha quando Uribe é referido como narcotraficante pela própria DEA mas sempre um amigo inseparável do interesse do império.

Mais uma página que espero não se torne trágica para já muito embora saibamos de antemão que os regimes que desafiam o império americano estão desde já marcados e condenados à morte. Mais ou menos lenta logo veremos. Tenho alguma esperança numa resistência destes povos baseada na compreensão daquilo que verdadeiramente os oprime.

Notários na lista negra

No seguimento de textos que tenho vindo a publicar neste blog cabe perfeitamente o protesto público feito pela Ordem dos Notários contra o facto de terem sido incluídos na lista de categorias a serem investigadas e seguidas de perto pela actividade da Inspecção Tributária.

Se existe medida acertada tomada por este ou qualquer outro governo é precisamente toda aquela que tenha como finalidade terminar com a perfeita imbecilidade burocrática que são os actos notariais. Contudo, estes senhores, que vivem de um trabalho sem qualquer tipo de sentido, sentem-se também eles lesados por serem considerados mais uma actividade a juntar à lista daqueles que potencialmente podem ser causadores de fraudes ou actos menos lícitos no que diz respeito à fiscalidade. Eles entendem isso como uma contradição com a confiança que o estado lhes atribui ao confiar todos os actos notariais que são actos oficiais de reconhecimento e, portanto, pretensamente também acto fiscalizadores. Ora, os fiscalizadores estão com receio de serem, eles próprios fiscalizados, e com toda a razão. Uma instituição parasitária sabe muito bem reconhecer outra e neste caso são duas que se conhecem mutuamente muito bem.

É muito fácil medir o nível de parasitarismo social no nosso sistema destas entidades. Basta imaginar a aquisição de um imóvel, solução a que são obrigados a grande maioria dos portugueses devido ao facto do estado não cumprir as suas obrigações constitucionais. Neste processo as quantias furtada pelos actos notariais são absurdas. Este governo, através de novas regras vem retirar um pouco dessa mama como já o fez com o fim da necessidade de escritura pública para a criação de empresas. Nem tudo está errado com este governo. Estas foram medidas muito importantes, contudo não passam de medidas ilusórias pois o pior ainda está para vir. Continuando com o exemplo do imóvel, estes profissionais do notariado, seja lá o que isso pretenda ser vão ver-se lesados num dos seus principais caudais de financiamento. Mas os compradores continuam a ser suprimidos dos seus rendimentos através da tributação anedótica sobre a propriedade que está já anunciada com aumentos brutais, aliás já referidos em textos anteriores.

Por estes dois motivos, a inclusão na lista negra da inspecção tributária e pela quebra de rendimentos num negócio ridículo estão os notários a protestar publicamente como ouvi esta tarde na TSF. O primeiro motivo só comprova o que tenho afirmado sobre a esquizofrenia do nosso estado liberal fascista que não confia nem nos próprios monstros burocráticos que ajudou a criar a manter. O terrorismo fiscal do governo e dos seus tentáculos no desespero de obter verbas está a tornar-se demasiado evidente. Por outro lado, o segundo motivo revela que as instituições parasitárias, desprovidas e esvaziadas de sentido tornam-se rebeldes contra o seu criador, neste caso o estado português. Eles que foram os zeladores da verdade e do reconhecimento público dos documentos das instituições e dos privados, hoje são os apontados como potenciais prevaricadores de um dos seus objectos de fiscalização.

terça-feira, 4 de março de 2008

Terrorismo de estado, mais dois capítulos ou como o capitalismo se torna esquizofrénico.

No dia de ontem mais uma notícia de terrorismo económico passou ao lado dos portugueses. Desta feita o governo presenteia as câmaras municipais através do aumento brutal do seu financiamento directo pelo IMI. Este imposto vai sofrer um aumento substancial que é estimado ser de até cerca de 120 Euros já em Abril próximo. As notas de cobrança estão já a ser emitidas. Até ao ano de 2011 este imposto irá sofrer um aumento de 15 Euros/ano.

Tendo em conta que a grande maioria dos portugueses optam claramente pela aquisição de habitação própria, mais que não seja por falta de alternativas viáveis e razoáveis, este é mais um rude golpe para as famílias da classe média sobretudo. Mas, mais do que isso é a prova de que o estado português apenas consegue auto-financiar-se para alimentar a sua máquina devoradora de dinheiro pilhando os contribuintes.

Por outro lado, e com a desculpa pouco convincente do combate à fraude fiscal, a fraude política que nos governa prepara mais uma ofensiva da justiça cega e à margem da lei e da moral da Justiça Tributária. O Plano Nacional de Actividades da Inspecção Tributária (PNAIT) prevê, para este ano, a fiscalização de 139.127 contribuintes, representando um acréscimo de fiscalizações de 39%, relativamente ao plano de actividades para o passado ano de 2007. O fisco prepara-se para intervir em todas as actividades consideradas potencialmente mais faltosas. Claro que por trás desta pretensa caça à fuga fiscal está a necessidade desesperada de fazer dinheiro para cobrir as despesas de um estado gordo e não cumpridor. O liberalismo está a transformar o nosso estado num fiel servidor dos privados mas, ao mesmo tempo está a perseguir todos os que potencialmente colocam em risco as bases de sustentação desse mesmo estado. As pequenas e médias iniciativas empresariais não interessam muito embora sejam as vítimas mais à mão da cegueira fiscalizadora de uma máquina fiscal ao serviço do país dos seus inimigos.

Os inspectores cães de fila da máquina fiscal actual passaram de 1617 em 2007 para 1833 em 2008. Isto revela a urgência em realizar capital e em mutilar as poupanças de muitos portugueses com pretensas acções que visam repor “justiça” fiscal. Quando esta máquina actua à margem do sistema judicial e tudo pode fazer sem qualquer entrave para suprimir rendimentos, para cobrar o que entende dever ser cobrado. Os contribuintes são condenados à partida, são culpados até mesmo com prova de serem inocentes. Daí que esta desventura do estado seja em si, criminosa e anti-constitucional. Não há juízes da inocência ou culpabilidade. Há fiscais que decidem segundo critérios que são ditados pelos objectivos a serem cumpridos. Não há julgamentos com audições e contraditório. Há imposições e pressupostos arbitrários que tornam o estado no violador da sua própria lei fundamental e mesmo da sua essência. Houvesse a possibilidade de tornar estas acções apenas e só sobre aqueles que deliberadamente lesaram o estado através dos mais diversos expedientes e estaríamos perante uma normalidade democrática na aplicação de leis. Sendo o estado português governado por uma elite parasitária e tendo o sistema fiscal como financiador e como entidade suprema na colecta tudo isto pode e deve ser alvo de debate público. Não é possível continuar o saque desta forma. Não é possível que o cidadão seja constantemente impotente contra um estado que, ele próprio não cumpre os seus deveres e não presta os serviços para os quais alega cobrar impostos. Mais ainda alimenta um sistema fiscal que actua à margem do sistema judicial. E por mais estranho que possa parecer num sistema liberal actua contra o verdadeiro liberalismo económico anulando a capacidade de competição das empresas mais pequenas contra os grandes grupos económicos. Contradição espelhada no actual estado do nosso tecido económico.

Há que acautelar a prepotência interminável desta seita exigindo o direito de cada cidadão à sua defesa efectiva antes que lhe sejam aplicadas quaisquer sanções. É fundamental que apenas os incumpridores, e de entre estes os que agiram com culpa e com capacidade para PAGAR não o tendo deliberadamente feito, sejam afectados por esta maré de inspectores. Há que combater o novo Portugal ASAE da limpeza mental e fiscal.

Esta criminalidade nova que vemos surgir (como a que se deu na grande Lisboa na última semana) não é senão o reflexo do estado do país. Quando este não consegue ter instituições nas quais possamos confiar. Quando tudo falha é a própria democracia que está em causa mesmo que assim não pareça. Como é possível não existir a ideia de impunidade para qualquer crime se a maior instituição criminosa deste país, o próprio estado português, sai impune de todos os crimes que comete?

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Mais sobre Cuba

Eis que surgem as primeiras notícias de iniciativas do novo presidente cubano. Claro que Cuba está necessitada de um grande consenso na América Latina por forma a conseguirem livrar-se do pesado bloqueio de décadas. Sendo assim o presidente Raúl Castro decide encontrar-se com o representante... do Vaticano.

Claro que o Vaticano está permanentemente em manobras diplomáticas. Até se falou da possibilidade da visita de Bento XVI à ilha. Será que Fidel é que está doente mas Raúl é que se encontra senil? Para que raio querem eles a visita do líder da instituição que mais apoiou as mais violentas ditaduras da América Latina plantadas pelos Estados Unidos? É sabido que a mioria dos cubanos são católicos mas isso não me parece uma justificação a não ser que, tal como os próprios Estados Unidos, o Vaticano ainda tenha esperança em que Cuba venha a ser aquilo que nunca foi com Fidel, um país seguidor dos mais importantes princípios cristãos, como o Chilie de Pinochet. Porque é certo que se em vez de Fidel, Cuba tivesse tido um Pinochet não teriam havido bloqueios mas antes ajudas.

Como costumo dizer, quem viver verá o que daqui vai sair...

Estranhos consensos para uma triste realidade

Não fiquei surpreendido com as palavras proferidas pelo Eng. Belmiro de Azevedo sobre o nosso sistema fiscal e sobre o modo como estado português se tem vindo a financiar. Afirma o empresário que os impostos elevados têm sido a base de sustentação do estado bem como o aumento dos preços dos serviços tem sido a base do crescimento e manutenção dos lucros dos bancos. Belmiro compara assim duas realidades muito idênticas. Contudo, a questão do estado e da forma como este se comporta a nível fiscal é muito mais complexo.

Muitos poderão afirmar que a carga fiscal em Portugal não é das maiores. Mas quando dão exemplos de países onde essa carga fiscal é maior reparamos que são países onde o nível de vida é muito melhor e onde os sistemas de protecção social funcionam. Ou seja, as pessoas compreendem para que servem, na prática, os seus impostos.

Em Portugal isso não sucede. Muito pelo contrário. Deparamo-nos com uma triste realidade em que tanto as empresas como os particulares se vêem sobrecarregados de impostos, vivem para pagar impostos e o resultado disso é uma ineficiência total na distribuição das receitas fiscais. O país perde competitividade, e isso é importante, mas pior ainda é que não consegue transformar uma sobrecarga fiscal em serviços de qualidade prestados pelo estado.

Os erros processuais têm sido uma constante numa instituição que tem tentado sacar dinheiro indiscriminadamente a todos quantos não se podem defender, permanecendo os mais poderosos ao abrigo das perseguições do fisco. A Justiça tributária actua como uma espécie de justiça à margem do sistema judicial geral e mesmo até do sistema democrático. Na realidade, estes senhores podem fazer tudo quanto queiram em nome de meras desconfianças. A actuação destes serviços é um perigo para a própria democracia. Os processos de penhoras têm decorrido apenas sobre quem não tem quaisquer possibilidades de fuga. A injustiça está na base do sistema e da sua aplicação por interesse político e por necessidade básica de sobrevivência económica. Os políticos, na sua incapacidade crónica de gerir o país vão roubando os cidadãos apropriando-se dos seus bens.

É um estranho consenso. Não que tenha quaisquer complexos em concordar com o Eng. Belmiro de Azevedo. Ele diz muitas coisas com as quais tenho de concordar. O que não invalida o facto de considerar que ele pertence ao grupo de pessoas que está a transformar este país num gigantesco centro comercial ajudando a matar os pequenos negócios e a transformar esses pequenos empresários em empregados das grandes superfícies comerciais. E ao fazê-lo está a preparar uma corrida que levará a um monopólio no futuro onde, logicamente, os preços vão ter tendência a subidas enormes.

É que a crítica do Eng. Belmiro aos bancos até está correcta mas deveria olhar mais para o seu próprio negócio. Quando o Continente absorveu o Carrefour em Portugal os preços dispararam com a entrada da marca continente. Isso é tão visível que em algumas das lojas Carrefour o fluxo de clientes diminuiu logo após as primeiras semanas.

Mais reafirmo que, enquanto não forem cumpridos os pressupostos pelos quais o estado nos cobra impostos continuamos a lidar com um estado quem não é nem socialista nem capitalista. É um estado ladrão. E a DGCI é uma instituição terrorista que vai, em seu nome, fazendo a pilhagem.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Um acontecimento histórico que passou (quase) despercebido

O Chipre foi às urnas e escolheu claramente o caminho da busca da reunificação. Demetris Christofias, do AKEL - Partido Progressista do Povo Trabalhador do Chipre, venceu as eleições com 53,36% dos votos num sufrágio onde participaram mais de 90% dos cidadãos eleitores.

Christofias torna-se assim no primeiro presidente Comunista de um país da UE o que se torna relevante para todos os outros partidos da esquerda socialista no espaço europeu.

Torna-se cada vez mais claro que a propaganda anti-comunista vai deixando de fazer efeito aos poucos não obstante o facto de toda a comunicação social estar nas mãos dos seus maiores opositores e fazer sempre questão de transmitir essa mesma imagem. O anti-comunismo vai deixando de ser uma moda. É certo que nasceram outras esquerdas socialistas e muitos partidos comunistas transfiguraram-se pouco restando dos velhos combates.

Estou certo que algumas mudanças críticas eram necessárias para que se pudesse dar o ressurgimento da confiança num ideal que foi mutilado por uma História pouco favorável. As experiências sociais do socialismo científico revelaram-se desastrosas em muitos aspectos mas a ideia base continua por trás do que faz mover as mais diversas esquerdas socialistas nesta europa globalizada pela negativa. Uma esquerda que volta a querer assumir o seu papel internacionalista, ou como chamam novas tendências "alter-globalista".

O AKEL é um partido com uma história muito importante e espera-se que possa vir a desempenhar um ainda mais importante com o processo que se segue para reatar o diálogo com a parte cipriota governada pelos turcos.

Embora aparentemente tenha pouca importancia a nível mundial, os olhos de todos os progressistas devem estar aqui bem concentrados. Experiências como o "Die Linke" na Alemanha podem muito bem vir a projectar um futuro bem diferente aos povos europeus. A mudança não está apenas na América Latina com os resultados do Fórum de São Paulo a dar amplos fruto numa viragem à esquerda deste sub-continente.

O facto de um Comunista haver sido democraticamente eleito num país da União Europeia elimina todas as desculpas para uma intervenção externa de pressão para resultados adversos na sua governação. É óbvio que isto é incómodo para Washington e Londres no entanto não é este o tempo e o espaço para intervir na europa como o fizeram por outras partes do mundo. Grande parte deste mundo está com as atenções voltadas (positiva ou negativamente) para as eleições nos EUA e para os resultados práticos das mudanças que irão ser produzidas após este ciclo.

Apenas mais uma nota de rodapé. Estranho que na esquerda portuguesa apenas o Partido Comunista Português se tenha manifestado, congratulando-se com esta vitória eleitoral.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Ainda bem que temos os carros e os computadores topo de gama e uma vida de luxo, no terceiro mundo têm... saúde?

O nosso Serviço Nacional de Saúde é um desastre. E isso já todos nós sabemos. Tornaram-no num desastre para que possa servir de uma boa desculpa para a proliferação de uma oferta provada paga a peso de ouro por quem pode. Ou pior ainda paga por todos os contribuintes para benefícios de alguns.

Deparei-me hoje com um texto publicado no jornal cubano "Granma" na sua versão digital. Ao que parece lá também existem computadores, mas não só.

"A vida de Vânia Correia, jovem portuguesa de 29 anos, natural de Porto Alto, em Santarém, a 80 quilómetros ao norte de Lisboa, mudou bruscamente aquele dia de fevereiro de 2003.

Como consequência de um acidente com maquinaria agrícola, sofreu lesões nas vértebras, com perda do cabelo e desfiguração de uma parte de seu rosto. Passado um mês em estado de coma, despertou com a triste realidade que estava paralisada do pescoço para abaixo. Nove meses de internamento e de fisioterapia no Centro de Reabilitação de Alcoitão conseguiram uma recuperação parcial da mobilidade dos braços.

Vânia sempre esteve convencida que podia voltar a andar e recuperar o movimento das pernas. Ao ter conhecimento do trabalho que Cuba desenvolve nessa área, enviou sua história clínica ao Centro Internacional de Restauração Neurológica (CIREN), de Havana, e mediante uma campanha de recolha de fundos que incluiu doações e espectáculos artísticos, reuniu a quantidade necessária para a viagem.No dia 10 de Setembro do ano passado, o canal RTP N anunciou finalmente a saída de Vânia para Cuba. O diário 24 Horas, que seguiu de perto o caso, reproduziu no dia 17 de Outubro declarações da própria jovem a partir do CIREN, onde, após sessões diárias de reabilitação, reconheceu sentir-se muito feliz e ter conseguido progressos importantes. "Estou a tentar caminhar com a ajuda de barras de suporte que reforçam as minhas pernas. Também estou a fortalecer os meus braços".

A publicação Global Notícias informou do regresso de Vânia a Portugal, a 11 de Novembro passado, para submeter-se a novas operações que corrigirão sequelas do acidente.Os seus progressos foram bons e a reabilitação deu seus frutos. Dotada de próteses externas nas pernas, movimenta-se com a ajuda de um andarilho especial e umas barras de apoio. Com a voz mudada e sem poder dissimular seus desejos enormes de voltar à ilha do Caribe, para continuar o tratamento, afirma: "Ganhei força na perna esquerda e já consigo movimentar o pé. A mão esquerda se abre um pouco, tem mais força. A perna direita é a que está mais um pouco lenta. Mas conseguirei", sublinha.

"Devido ao nível de paralisia que tinha, os profissionais da saúde ficaram assombrados com minha evolução. Ninguém se imagina como me sinto. Não tenho palavras. Tentarei viajar para Cuba outras tantas vezes como possa, até que os médicos me digam que já não é possível evoluir mais.

"VANIA NÃO É A ÚNICA

O caso de Vânia não é o único que conhecemos através da imprensa. Diariamente, chegam-nos informações de Simão Ferreira, Catarina, Tiago Tavares e outros tantos.

Simão Ferreira, menino de 21 meses com irritabilidade cerebral, um raro caso de epilepsia conhecido como Síndrome de West, foi tratado durante três meses em Cuba. Em declarações ao Correio dá Manhã seus pais falam de um verdadeiro "milagre" e uma mudança "como da noite por dia". Antes, o menino chorava ininterruptamente durante 19 horas diárias, dormia pouco e rejeitava todos os alimentos. Agora dorme oito horas seguidas e não vomita.

Catarina, igualmente com paralisia cerebral, ao retorno de Cuba experimenta "melhorias visíveis", segundo sua família, e mostra-se mais disposta e animada, o que alimentou as esperanças da família de voltar e repetir o tratamento.

E Tiago Tavares, de 11 anos, também com paralisia cerebral, foi um caso muito seguido pela SIC. Dois anos depois, ao retorno de sua segunda viagem a Cuba, no dia 7 de Setembro de 2007, os espectadores estupefactos viram Tiago entrar caminhando no estudio de televisão, ajudado pela mãe.

Laura Tavares, mãe de Tiago, diz que os médicos cubanos são diferentes dos portugueses "quanto aos métodos e a formação". Os seus métodos de tratamento se baseiam "em uma fisioterapia intensiva e em bloco, em que cada músculo do corpo é exercitado, diariamente e durante todo o dia".

Num artigo publicado no dia 8 de Outubro no órgão regional O Setubalense, a jornalista Ana Maria Santos diz que "é cada vez maior o número de pacientes portugueses que buscam em Cuba a solução para seus problemas de saúde e se alguns não pedem a cura, pelo menos esperam obter uma melhoria na qualidade de vida que em Portugal não podem obter (…) e muitas dessas pessoas, portadoras de doenças consideradas sem cura, viajam ao país caribenho na busca de algum milagre e do qual algumas vezes retornam contando que o têm conseguido"."

É um caso para pensar que a nossa via de transformar a saúde numa actividade mercenária poderá estar a anos-luz de distância de uma qualidade pretendida, já que não seja a nível científico, pelo menos a nível humano. E muita humanidade falta na nossa democracia tão cumpridora dos direitos humanos. E eu que pensava que a saúde era um deles.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Terrorismo oficial de estado, ou porque não anda este país para a frente...

Sempre sonhei escrever um texto com um título comprido. Comprido e com uma verdade daquelas que magoam o nosso sentir mais profundo. Por muito anti-nacionalista que seja não consigo deixar de gostar deste país e de ter a noção de que vivemos numa situação insustentável. A incompetência dos nossos políticos desde a fundação da nação mas sobretudo desde o pós 25 de Abril tem sido desastrosa para o povo português.

Vários tentáculos do estado nasceram e desenvolveram-se para manter todo um rol de injustiças e de ridicularias e transformaram o saque desavergonhado e a pilhagem vil em letra de lei. As instituições do estado liberal dos parasitas que nos governam e bem melhor se governem são organizações de terrorismo de estado. Ladrões comuns protegidos pela lei e pelo vício de lei. É para eles necessário fazer hoje o que a igreja católica fazia há uns séculos atrás, chamar a si toda a propriedade. Pretendendo ser um estado liberal é um estado terrorista e saqueador para manter os cargos e as benesses às classes dirigentes. E saqueia através do público para beneficiar sempre o privado à boa moda do novo liberalismo. O mercado é que controla mas o dinheiro e os monopólios ajudados pelos amigos no poder é que controlam o mercado.

Pior que al-qaeda, que IRA ou ETA só mesmo a DGCI. O terrorismo de estado do mercado liberal e da injustiça fiscal em prol dos senhores do poder.

A cada português que esteja e condições de emigrar, que nunca envie um único cêntimo para esta centrifugadora de dinheiro comum. A cada trabalhador que lute constantemente para que não lhe seja furtada uma parcela substancial do valor do seu trabalo em favor, não de um estado social mas de uma sociedade mafiosa de estado que nos governa. A cada pequeno empresário, que por todos os meios contorne as regras e leis que fazem do fisco o maior usurpador dos seus bens. Que os rouba nos seus rendimentos pesoais, de negócio e de trabalho de cada um dos funcionários.

Derrotar esta máquina infernal é derrotar o estado ápodrecido deste país. Repito que não sou nacionalista. Pelo contrário sou um iberista e um europeísta convicto. Contudo é impossível ver o país onde nasci ser brutalizado por estes vandalos de gravata sem alguma revolta.

Lutar contra o terrorismo é eliminar estes senhores, se não com armas e revoluções porque passaram de moda, que seja nas urnas. O voto branco, o voto nulo e sobretudo o voto na oposição aos dois partidos do saque são fundamentais para fazer finalmente acordar este país do sono profundo em que mergulhou após o PREC.

Que outro caminho?

O processo revolucionário em Cuba parece estar de pedra e cal. Fidel Castro, mesmo havendo sido eleito deputado nas últimas eleições, renunciou a uma nova possível nomeação para a presidência do Conselho de Ministros e para a posição de Commandante em Chefe das forças militares. É uma decisão esperada e preparada para que não aconteça em Cuba o mesmo que aconteceu à URSS de Gorbachov.

O mais estranho é que, merecendo a revolução cubana uma atenção especial por todas as esquerdas e mesmo por todas as direitas, haja hoje uma expectativa de que algo pode vir a acontecer ali que pode mudar radicalmente a face política do regime. A essa ideia respondem de Miami com aplausos. Dali espera-se não só a morte física de Fidel como a morte do regime cubano. Dai e de muitos outros lados, icluindo de alguns pouco esperados. Muitas esquerdas folclóricas esfregam as mãos de contentes. Esperam uma Cuba regressada à sua anterior posição de bordel e casino dos americanos para depois pregar por uma outra via de um socialismo que não conseguem defenir. As esquerdas socialistas sem socialismo alinham pela mesma bitola das direitas sem moral.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

O comboio...

São quase três horas da madrugada. Ouço o apito algo frenético do comboio que passa. Aproximo-me da janela para o ver na sua marcha lenta. Vai carregado, ou talvez não. Nao interessa. Espero pela última carruagem. Espero pelo último comboio.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Profissões em saldos

Não é novidade nenhuma que as relações de trabalho se estão a tornar cada vez mais precárias. O recurso a estratégias como o contrato informal através de relação efectiva e continuada no tempo a recibos verdes é disso um exemplo crescente. Mas a maior das bizarrias nesta área prende-se justamente com os seus profissionais.

Seria suposto, que os profissionais ligados aos recursos humanos fossem acima de tudo pessoas capazes de encontrar as soluções certas para as necessidades apresentadas, mas hoje o que lhes é pedido é cada vez mais contraditório com as suas funções e com o que aprendem nos seus cursos.

E a dificuldade principal dá-se logo ao inicio com a sua própria integração no mercado de trabalho. Os profissionais de recursos humanos recém-licenciados ou recém-chegados ao mercado são bombardeados com propostas de estágios não remunerados que, na prática, apenas representam aquilo que lhes vai ser pedido durante a sua carreira como profissionais nesta área, que consigam o melhor trabalho pelo menor custo possível. Neste caso e em cada vez mais casos em outras áreas trata-se pura e simplesmente de trabalho gratuito. E o trabalho gratuito nestes sectores sensíveis representa uma desvalorização sistemática e uma descredibilização dos profissionais em questão. Qualquer bom profissional de recursos humanos só pode considerar uma humilhação desmedida estes anúncios constantes de empresas sem escrúpulos que procuram este tipo específico de mão de obra. Um bom profissional, que está seguro de que sabe e de que tem valor não pode nunca aceitar este tipo de desvalorização da sua profissão a não ser que esteja já convicto de que o seu trabalho futuro não vai passar de conseguir para os outros o mesmo que conseguiu para si mesmo. Um bom negócio para o patrão e um péssimo negócio para o profissional.

Num mercado em que as empresas de recursos humanos têm vindo a crescer e a ocupar uma importante fatia na colocação nomeadamente de trabalhadores temporários é caso para reflectirmos sobre a importância dos profissionais de recursos humanos aos quais se juntam pela negativa outros profissionais ligados às áreas dos serviços sociais dos quais sempre se espera o trabalho voluntário e a dedicação plena.

Profissionais sem auto-estima fazem empresas desumanas e ineficazes. A exagerada rotatividade de quadros geram a despersonalização e a desumanização das empresas e transforma cada funcionário numa bomba humana potencial. E a génese de tudo isto pode muito bem estar nas cedências demasiadas por parte de quem tem a responsabilidade de escolher as pessoas certas para os lugares certos.