Assistimos durante alguns meses a uma escalada do preço do petróleo. Foi justificado o aumento dos preços com o aumento da procura principalmente por parte dos países cujas economias são emergentes como a China ou a Índia numa explicação de uma simplicidade que pertence aos níveis básicos do entendimento de como funciona um mercado. No entanto esse mesmo mercado parece ter sofrido alguns fortes abalos que direccionaram aquele que é suposto ser um bem altamente escasso e em vias de atingir aquilo a que designam como “pico” para uma descida para níveis novamente abaixo dos 100 dólares.
Esse mesmo mercado ditou, pelas mesmas vias especulativas o rebentar de instituições insufladas com falsos valores e que viram a sua situação chegar aos limites insuportáveis de insolvência ou piedade nacionalizadora. O mesmo mercado que insuflou o valor do dinheiro a da suposição do cheiro do dinheiro é aquele que se vê brigado a deixar cair os frutos da sua mesma contradição ou então levá-la ao extremo da nacionalização dos prejuízos insanos do criados pela loucura gananciosa do capital privado.
De um modo muito resumido o estado Norte-americano está a assumir as custas da irresponsabilidade e da loucura especulativa do mercado de capitais lançando para os contribuintes a obrigação de financiar pelos seus impostos as falências dos bancos privados. É de tal forma insustentável que já não foi possível tomar uma atitude proteccionista para a Lehman Brothers como fora antes tomada para outras instituições de muito maior porte.
As medidas de protecção nunca visaram as principais vítimas deste processo. Os tomadores de empréstimos sobre-valorizados ou sobre-avaliados não viram quaisquer medidas que lhes permitisse sair da situação de insolvência pessoal ou familiar. Por outro lado os bens imóveis têm um valor ridiculamente mais baixo e mesmo assim sendo não são vendidos. Existe um excesso de oferta e o valor dos imóveis não chega para cobrir o valor das hipotecas. Parece que podemos encontrar algum paralelo na atitude de facilitismo dos bancos portugueses na concessão de créditos à habitação com avaliações por cima e com concessão de créditos sobre créditos para outros bens associados. No mercado português as casas usadas também têm vindo a desvalorizar. Será um sinal a ter em conta na economia nacional?
Mesmo quando a mentira sobre a questão petrolífera - que assim mesmo ainda não pressionou os governantes do mundo a investirem em fontes alternativas e renováveis de energia nomeadamente para o sector dos transportes – parece ter sido mais uma vez atirada para o campo das explicações racionais no campo da ciência económica assistimos a uma necessidade crónica de que o preço deste tão cobiçado produto desça nos mercados internacionais. Necessidade evidente puxada a ferros aos principais interventores nas movimentações especulativas no mercado petrolífero. Interventores esses que são precisamente os mesmos que vão caindo que nem baralhos de cartas por causa de outras manobras arriscadas neste mercado global. A descida do preço do crude está presente como mais uma cena de mais um capítulo para a manobra de manutenção no poder dos Republicanos nos EUA.
A manobra consiste em manter a sensação de algum controlo económico num factor que é fundamental para os americanos, tão fundamental que é o motivo para terem encenado a falsificação sistemática do 11 de Setembro, a intervenção no Afeganistão, a perseguição à sua protegida e financiada Al Qaeda, a intervenção no Iraque, as intervenções em background na Bolívia e na Venezuela para desestabilização ou mesmo separatismo, a encenação das manobras na Ossétia do Sul contra a Rússia pelo controlo dos pipelines existentes e programados.
É pertinente que se questione toda esta questão em torno do petróleo porquanto não cessa (antes pelo contrário) a pesquisa por novos pontos de extracção. O Brasil, por exemplo, já se tornou auto-suficiente e mesmo exportador. Por outro lado, depois deste abanão o consumo reduziu mesmo contando com a procura dos mercados emergentes, o que demonstra que, com uma racionalização e uma aposta na investigação de alternativas viáveis o “pico petrolífero” não resulta num problema de maior. As alternativas ensaiadas revelaram-se desastrosas e mesmo obscenas se tivermos em conta as soluções dos agro combustíveis.
As contradições do mercado tornam-se cada vez mais ridículas. Enquanto o estado americano financia a EXXON em Portugal e Galp é presenteada com perdões fiscais através de manobras contabilísticas que transformam o que pretendia ser uma taxa sobre mais-valias num benefício em altura de descida do preço da matéria-prima. O preço do crude tem vindo a descer contudo os preços do produto refinado nos revendedores de combustíveis não tem sentido essa mesma descida e as entidades reguladoras olham para o lado.
Se a História se repetir teremos daqui a dois anos McCain como presidente dos EUA. O Irão terá sido já “intervencionado” que é como quem diz invadido. A Venezuela terá um novo presidente. Hugo Chávez irá morrer com uma bala perdida ou com um golpe de estado. Morales na Bolívia retirar-se-á da política ou será também ele abatido. A Geórgia fará parte da NATO e a Rússia terá de novo a sua força militar direccionada para a próxima Europa cliente e adversária no tabuleiro de uma política incompreensível. O petróleo poderá subir de novo para valores bem mais elevados desta vez. A EU terá a sua constituição aprovada.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Richard Wright - O génio discreto

Faleceu o teclista da maior banda de todos os tempos, os Pink Floyd. Não é possível pensar noutra situação em que as coincidências da vida possam ter reunido pessoas que criassem um conjunto de seres e identidades tão complementares entre si. Os Pink Floyd foram, mais que muma banda, um símbolo de como é possível criar ao nível máximo de entrega, de criatividade, de génio artistico uma obra ímpar e irrepetível.
Richard Wright era o elemento mais discreto muito embora tenha sido um dos membros fundadores. Também teve uma carreira a solo pouco significativa em termos de projecção embora brilhante em qualidade. No entanto é a criatividade no quarteto britânico que vai projectar a equipa que desde sempre foram os Pink Floyd (ainda antes de terem este nome) para os mais elevados níveis de criação artistica traduzidos em trabalhos heterogénos com um fio condutor que apenas se quebra com a edição de "The Final Cut". Wright e Gilmour voltam mais tarde a ensaiar um projecto que mantendo o mesmo nome e o mesmo espírito não tem a mesma filosofia criativa dos Pink Floyd até à liderança algo forçada do elemento mais criativo, Roger Waters. Rick Wright estava um pouco ao lado, ou talvez acima, (bem como Mason a bem da verdade) dessas questões que ditaram o fim do projecto musical mais criativo de sempre dentro do universo da música contemporânea. ELe participou mais directamente do que antes nos processos criativos dos dois álbums de originais "A momentary Lapse of Reason" e "The division bell", os últimos trabalhos originais da banda ainda designada por Pink Floyd.
Para mim pessoalmente é o fim de toda a esperança sebastianista de que alguma vez poderia ver um novo álbum de originais unindo toda a banda e dando um final feliz ao maior e mais profundo conjunto de criadores do rock progressivo sinfónico e da música contemporânea em geral. Estes homens fazem parte do crescimento de muitos homens e mulheres que se formaram enquanto pessoas a ouvir Pink Floyd e que têm nos seus temas referências nas memórias pessoais tendo-as ligadas certamente a muitos momentos específicos. São músicas às quais não se pode ficar indiferente. São criadores de muito mais que música. Antes um universo próprio e uma linguagem de um misto estranho de negativismo realista a esperança infinita e ingénua.
A seguir ao desaparecimento de outro dos membro fundadores há muito afastado da banda e do mundo real ou da lucidez, Syd Barret, morre com Richard Wright mais um pedaço de cada um de nós, pinkfloydianos neste mesmo dia. Vivam os Pink Floyd e que Richard Wright seja relembrado e celebrado a cada som inconfundível dos seus teclados...
Photo by www.pinkfloyd.co.uk
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008
E então... nem uma bombinha de carnaval?
Muitas esperanças cairam por terra hoje. Para além de ter ouvido numa superficie comercial uma cliente a reclamar com um tom de voa ligeiramente elevado a aludindo ao facto de que se fosse cigana e falasse mais alto poderia ter outro resultado, dizia eu, tirando esse facto este 11 de Setembro foi um tédio.
Ao que parece nem uma bombinha de carnaval rebentou hoje. Talvez a CIA já não esteja interessada em provocar mais atentads. Talvez o tráfico de droga e os seus proventos ainda não tenham rendido o suficiente para planear uma nova peça tão bem encenada. Ou simplesmente o governo dos EUA esteja a direccionar todos os seus esforços para as "manobras" em curso para levar McCain à presidência da Guerralândia. Talvez alguém tenha sido descuidado o suficiente para colocar imagens de Cavaco Silva no Youtube.
Ao que parece nem uma bombinha de carnaval rebentou hoje. Talvez a CIA já não esteja interessada em provocar mais atentads. Talvez o tráfico de droga e os seus proventos ainda não tenham rendido o suficiente para planear uma nova peça tão bem encenada. Ou simplesmente o governo dos EUA esteja a direccionar todos os seus esforços para as "manobras" em curso para levar McCain à presidência da Guerralândia. Talvez alguém tenha sido descuidado o suficiente para colocar imagens de Cavaco Silva no Youtube.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
11 de Setembro
Hoje é o aniversário da maior fraude histórica das últimas décadas, talvez mesmo dos últimos séculos. Os alegados atentados sobre o WTC em New York, a elaborada mentira do ataque ao pentágono e a sombria história do vôo 93 deixam-nos a sensação de que nunca se poderá saber a verdade.
Nesta mesma data mas do ano de 1973, a mando das mesmas "cabeças", morria no Chile Salvador Allende naquela que foi a verdadeira tragédia do 11 de Setembro e que roubou décadas ao progresso na américa latina e ao desenvolvimento de uma verdadeira alternativa popular e democrática que poderia ter inspirado processos semelhante sum pouco por todo o mundo.
Nesta mesma data mas do ano de 1973, a mando das mesmas "cabeças", morria no Chile Salvador Allende naquela que foi a verdadeira tragédia do 11 de Setembro e que roubou décadas ao progresso na américa latina e ao desenvolvimento de uma verdadeira alternativa popular e democrática que poderia ter inspirado processos semelhante sum pouco por todo o mundo.
domingo, 7 de setembro de 2008
A lógica do capitalismo...
... é socializar os prejuízos e as falências obrigando os contribuintes a pagar pelo desastre oo mercado.
As duas proncipais sociedades de créditos imobiliários nos EUA passaram hoje par ao controlo governamental. Não se trata de uma nacionalização mas na prática funciona enquanto tal. Esta é a prova que o mercado necessita de manobras intervencionistas como esta quando as coisas correm mal aos privados. Aqui optou-se por uma solução de capitalismo de estado mas não deixa de ser toda uma sociedade a pagar o falhanço da especulação parida no mercado.
Com a passagem da Fannie Mae e do Freddie Mac para os comandos do estado que já numeou os senhores que se seguem à cabeça destas instituições deveria terminar um mito. Mas tal não sucede porque o sistema capitalista é perito em camuflar as suas falhas, mesmo as maiores. Resta saber por quanto tempo.
As duas proncipais sociedades de créditos imobiliários nos EUA passaram hoje par ao controlo governamental. Não se trata de uma nacionalização mas na prática funciona enquanto tal. Esta é a prova que o mercado necessita de manobras intervencionistas como esta quando as coisas correm mal aos privados. Aqui optou-se por uma solução de capitalismo de estado mas não deixa de ser toda uma sociedade a pagar o falhanço da especulação parida no mercado.
Com a passagem da Fannie Mae e do Freddie Mac para os comandos do estado que já numeou os senhores que se seguem à cabeça destas instituições deveria terminar um mito. Mas tal não sucede porque o sistema capitalista é perito em camuflar as suas falhas, mesmo as maiores. Resta saber por quanto tempo.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Angola vai às urnas...

Com seis anos volvidos sobre o momento em que este país conquistou a paz chega a vez de se realizar um processo eleitoral fundamental neste processo de desenvolvimento angolano. Os dirigentes deste país entenderam que seria o momento de darem o passo seguinte ao desenvolvimento económico alcançado pela conquista da paz e viram no processo de democratização à imagem e semelhança dos processos europeus uma oportunidade para conquistarem perante estes uma legitimidade do voto popular expresso em urnas.
Angola pode ser um país de contradições incríveis sendo que a maior delas é a distribuição populacional onde cerca de metade dos habitantes se encontram a residir dentro ou nas periferias de Luanda, a capital. Este facto deve-se quase em exclusivo às décadas de guerra que este povo teve de enfrentar. É necessário que se compreenda que Angola e o seu milagre de crescimento nos últimos anos continua a ser amputada ainda por antigas feridas de guerra. Por exemplo a quantidade se solos tremendamente ricos para agricultura encontram-se ainda cobertos por minas. O esforço internacional sobretudo de algumas ONG europeias tem vindo a conseguir o desmantelamento de muitos destes artefactos mas continuam a ocorrer acidentes que vão tirando a vida ou em muitos casos diminuindo fosicamente muitos habitantes principalmente jovens.
Angola é um país rico em tudo. Recursos naturais que vão desde o petróleo aos diamantes ou gás natural. Solos extremamente férteis numa parcela gigantesca do país justamente quanto as reservas alimentares se tornam mais importantes que nunca. Rico em oportunidades de todos os tipos para todos os negócios e para todas as ideias. Angola é um país de futuro, tem sobretudo a riqueza do seu povo.
Apesar de não me rever na actual estrutura política angolana rendida às formas ocidentais de fazer política e de criar riqueza sem a preocupação da sua redistribuição tenho de saudar a forma inteligente como têm sido conduzidos os destinos do país e sobretudo as recusas das formas de desinformação que muito se têm tentado como manobras para desacreditar uma evolução e crescimento claros. Evolução, claro está, num processo capitalista globalizado onde China e Portugal têm tido as suas oportunidades que devem agradecer a um país e um povo que não guardou as mágoas de uma colonialização ainda há pouco tempo expurgada.
Confesso que, na minha óptica pessoal preferia uma Angola governada por um Agostinho Neto. Os tempos são outros e a guerra custou décadas de atraso. Ditou sobretudo um crecimento com todos os compromissos com todas as formas de capitalismo. Será uma luta para outros tempos que virão a seguir à criação da riqueza terá de vir necessariamente a sua manutenção e justa redistribuição. Claro está que terá de ser pelo povo angolano e não criarmos uma nova forma de colonização económica.
O que se vai passar amanhã é o segundo passo para a criação de mais uma enorme potência mundial a ter em conta. Paz e prosperidade para o povo de Angola sejam quais forem os resultados destas eleições!
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
As manobras e a UE
Agora é a vez de entrar em cena mais oficialmente a UE através da sua cimeira que condena a Rússia e abre portas a uma abertura de fronteiras com a Goórgia.
A UE pretende que as tropas russas voltem a ocupar as suas posições anteriores à invasão da Ossétia do Sul pela Geórgia e mais se exige que este país volte atrás no reconhecimento das independências tanto da Ossétia como da Abkhasia.
Dentro a UE as posições mais duras partem justamente dos países de leste que guardam alguns ressentimentos agora estrategicamente aproveitados pela NATO e UE a mando do império americano.
Veremos as cenas dos próximos capítulos...
A UE pretende que as tropas russas voltem a ocupar as suas posições anteriores à invasão da Ossétia do Sul pela Geórgia e mais se exige que este país volte atrás no reconhecimento das independências tanto da Ossétia como da Abkhasia.
Dentro a UE as posições mais duras partem justamente dos países de leste que guardam alguns ressentimentos agora estrategicamente aproveitados pela NATO e UE a mando do império americano.
Veremos as cenas dos próximos capítulos...
CDS-PP e a violência doméstica
Subitamente o CDS-PP acorda para as questões que normalmente são lançadas a debate pela esquerda. E isso tem uma razão de ser. Contudo o CDS-PP faria muito mais por este assunto se alertasse e sensibilizasse directamnte os praticantes deste tipo de crime que são na sua génese os potenciais eleitores de partidos conservadores como o próprio CDS-PP.
domingo, 31 de agosto de 2008
Fóruns de Esquerda
Assiinalo a referência sobre as importantes iniciativas das esquerdas naiconais muito bem lembradas pelo João no "O Quotidiano da Miséria".
E assinalo sobretudo por se tratar de uma referência plural em relação a esquerdas que passam tempos infinitos debruçadas sobre os seus próprios umbigos ideológicos. Penso que são duas iniciativas de grande valor, uma delas que nos tem acompanhado há muitos anos onde, em meu entender, se destaca a relevância das representações internacionais e do internacionalismo estratégico fundamental à existência de uma real alternativa de esquerda mesmo que muitas vezes pareça contraditório o resultado de algumas das experiências representadas. Falo claro da festa do "Avante!".
Em relação à iniciativa de BE é importante perceber que conceito de Socialismo se pode retirar de discursos e causas avulsas constantes das intervenções do BE. Importante compreender o desalinhamento geral com todos os outros conceitos e com todas as outras visões de Socialismo.
É sobretudo importante retirar daqui os pontos em comum e não as divergências mais que conhecidas para um caminho difícil.
E assinalo sobretudo por se tratar de uma referência plural em relação a esquerdas que passam tempos infinitos debruçadas sobre os seus próprios umbigos ideológicos. Penso que são duas iniciativas de grande valor, uma delas que nos tem acompanhado há muitos anos onde, em meu entender, se destaca a relevância das representações internacionais e do internacionalismo estratégico fundamental à existência de uma real alternativa de esquerda mesmo que muitas vezes pareça contraditório o resultado de algumas das experiências representadas. Falo claro da festa do "Avante!".
Em relação à iniciativa de BE é importante perceber que conceito de Socialismo se pode retirar de discursos e causas avulsas constantes das intervenções do BE. Importante compreender o desalinhamento geral com todos os outros conceitos e com todas as outras visões de Socialismo.
É sobretudo importante retirar daqui os pontos em comum e não as divergências mais que conhecidas para um caminho difícil.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Bush, o imbecil e as manobras
Já havia falado atrás nas manobras e como não existem coincidências em política. Bush está empenhado em terminar o seu mandato abrindo portas a uma demência colectiva capaz de eleger outro imbecil para a Casa Branca.
A verdade sobre a invasão georgiana à Ossétia do Sul foi obliterada da História e a Rússia desacreditada publicamente por Bush e por Rice. Na tentativa de estender a àrea de influência da NATO e assim controlar mais um pedaço da movimentação da produção energética, os EUA podem muito bem estar a inquinar a relação importante entre a Rússia e a União Europeia.
A perspectiva (sentida) e o sentimento geral dos russos penso que são muto bem sistematizados no texto que pode ser lido aqui.
A verdade sobre a invasão georgiana à Ossétia do Sul foi obliterada da História e a Rússia desacreditada publicamente por Bush e por Rice. Na tentativa de estender a àrea de influência da NATO e assim controlar mais um pedaço da movimentação da produção energética, os EUA podem muito bem estar a inquinar a relação importante entre a Rússia e a União Europeia.
A perspectiva (sentida) e o sentimento geral dos russos penso que são muto bem sistematizados no texto que pode ser lido aqui.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Primavera de Praga – 40 anos
Chamo a atenção para uma compilação de textos sobre este tema, com o devido filtro crítico na análise dos conteúdos, no site da publicação on-line do Bloco de Esquerda. Conto em breve tecer algumas considerações sobre esta compilação e sobre este tema.
Já não é novidade, uma vez que está presente noutros textos meus, a importância atribuída a este episódio histórico cuja interrupção foi responsável pelo atraso de décadas no processo de consciencialização da inseparabilidade dos conceitos de socialismo e democracia. No entanto, e como nada nesta vida é simples, o processo democrático não pode ser o motor para uma regressão histórica. Não podemos imaginar um regresso ao feudalismo ou ao esclavagismo por via da democracia. No entanto o fascismo é um regime que tem a sua génese na democracia burguesa e nas crises sistémicas do sistema capitalista. Esta contradição torna a superação do capitalismo pelas vias democráticas em processos que podemos acompanhar na América Latina em laboratórios históricos que se igualam a este episódio que foi interrompido justamente na sua fase mais criativa e num país que sempre foi considerado o mais comunista da Europa.
Embora possa ser aparentemente de difícil compreensão tentarei explicar, (tal como me foi transmitido pela principal figura interveniente no processo) a posição algo confusa e mesmo contraditória do PCP em relação a esta matéria na altura.
Já não é novidade, uma vez que está presente noutros textos meus, a importância atribuída a este episódio histórico cuja interrupção foi responsável pelo atraso de décadas no processo de consciencialização da inseparabilidade dos conceitos de socialismo e democracia. No entanto, e como nada nesta vida é simples, o processo democrático não pode ser o motor para uma regressão histórica. Não podemos imaginar um regresso ao feudalismo ou ao esclavagismo por via da democracia. No entanto o fascismo é um regime que tem a sua génese na democracia burguesa e nas crises sistémicas do sistema capitalista. Esta contradição torna a superação do capitalismo pelas vias democráticas em processos que podemos acompanhar na América Latina em laboratórios históricos que se igualam a este episódio que foi interrompido justamente na sua fase mais criativa e num país que sempre foi considerado o mais comunista da Europa.
Embora possa ser aparentemente de difícil compreensão tentarei explicar, (tal como me foi transmitido pela principal figura interveniente no processo) a posição algo confusa e mesmo contraditória do PCP em relação a esta matéria na altura.
sábado, 23 de agosto de 2008
E para os apreciadores de boa música e de comida saudável
Com efeito tenho de quebrar o ciclo da História apresentando algo de muito interessante feito por terras nórdicas nos nossos dias.
Quem pensa que a boa música é património dos anos setenta do século passado pode escutar algumas propostas interessantes que também aparecerão por aqui e que são sinónimo de boa música progressiva feita nos dias de hoje.
Exemplo disso mesmo são estes noroegueses GAZPACHO, aqui apenas com uma pequeno "teaser". Uma banda a ouvir para quem gosta de um universo musical simples mas de uma profunda beleza próximo de uns Porcupine Tree ou Marillion na sua fase mais recente.
Quem pensa que a boa música é património dos anos setenta do século passado pode escutar algumas propostas interessantes que também aparecerão por aqui e que são sinónimo de boa música progressiva feita nos dias de hoje.
Exemplo disso mesmo são estes noroegueses GAZPACHO, aqui apenas com uma pequeno "teaser". Uma banda a ouvir para quem gosta de um universo musical simples mas de uma profunda beleza próximo de uns Porcupine Tree ou Marillion na sua fase mais recente.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
As manobras – Da Georgia a McCain
George W. Bush está longe de ser um presidente popular nos EUA. Por vários motivos a população americana tem vindo a desviar-se da própria imagem que o seu presidente passa quer interna quer externamente. Contudo, e pese embora o facto de que não existem grandes diferenças entre os dois candidatos às próximas “eleições” para a Casa Branca, deu-se a necessidade de manter uma linha contínua na estratégia norte-americana perante o mundo e perante as necessidades específicas dos EUA.
Este país necessita sobretudo de um processo de guerra ininterrupto sem o qual lhe é impossível manter a estratégia da defesa das potenciais ameaças mas que também vai alimentando as indústrias ligadas ao armamento. Por outro lado, este clima de constante ameaça criado e encenado constantemente permite os avanços um pouco por todo o mundo dos peões militares americanos para posições que são do seu maior interesse. É o caso da base que está já acordada na Colômbia, de onde poderão estar em posição para intervir ainda mais directamente na Venezuela e em países próximos que estão a desviar-se do caminho pretendido pelo interesse económico e militar dos EUA. A Colômbia oferece uma plataforma de reacção aos movimentos que têm vindo a crescer para a libertação da América Latina da subserviência aos interesses dos vizinhos do norte e a consequente miséria que daí advém.
Como não existem coincidências em política, foi assinado hoje o acordo com a Polónia para a instalação de mísseis de defesa neste território. Acontece que neste mesmo dia a NATO suspendeu actividades conjuntas que haviam há muito sido planeadas com o “parceiro” estranho que é a Rússia. Este país responde na mesma moeda e mostra-se incomodado pelo avanço dos EUA para territórios onde a Rússia tem uma influência histórica notando que existe uma clara intenção de afronta.
Para justificar perante o mundo a necessidade dessas estranhas expansões do universo de influência militar e da presença física de armamento de destruição em massa e de esquemas complexos de defesa perante ameaças na Europa de leste, os EUA encontraram o aliado e as circunstâncias perfeitas. A Geórgia e o seu presidente Saakhashvili serviram bem os intentos americanos ao terem despoletado a invasão do território da Ossétia do Sul que se encontrava sob a protecção de forças de manutenção de paz russas. Saakhashvili aparece pela primeira vez nas televisões no ocidente a acusar a Rússia de uma agressão militar à Geórgia e toda a comunicação social apresenta o caso como uma agressão russa directamente à Geórgia sendo menosprezada ou mesmo totalmente ignorada a história por trás da História.
Estando ancorados no dia de hoje, ao vermos alguma comunicação social e particularmente a intervenção de Cândida Pinto na SIC Notícias (a única directamente sobre este tema) todo o tempo da reportagem recaiu sobre a população de Gori na Geórgia e as dificuldades a nível humanitário. Este é um pequeno exemplo a uma minúscula escala do que é mostrado por todo o mundo. Imagens da Ossétia do Sul depois de invadida por tropas georgianas não existem ou se existem pura e simplesmente são ignoradas. Não querendo fazer juízos de valor quanto a uma guerra onde sempre existem dois lados de culpa, o problema aqui recai sobre a forma como esta é apresentada ao mundo na mesma sequência de mentiras como a ligação do regime Taliban a Bin Laden, a ligação nunca provada deste aos supostos atentados de 11 de Setembro, a existência de armas de destruição em massa no Iraque ou mais recentemente a questão lançada da corrida ao armamento nuclear por parte do Irão quando as autoridades fiscalizadoras oficiais dizem que é falsa esta ideia. Ainda que não o fosse ao Irão teria por força de razão de ser dado o mesmo direito que foi concedido ao Paquistão ou mais recentemente à Índia pelos próprios EUA.
Saakhashvili aparece em todas as suas intervenções com a bandeira da União Europeia por trás (sem figuras de estilo e com elas). As imagens televisivas dão a impressão de que estamos a falar de um país membro da EU e que ostenta os seus símbolos com mais orgulho que alguns países membros de há muto tempo. Os EUA estendem a mão e querem a Geórgia na NATO. O mediador auto-escolhido para esta questão é Nicolas Sarkosy que apresenta uma solução que, alcançando um entendimento, secundariza a Rússia e serve os interesses dos EUA e da NATO.
Ainda hoje – para continuar a saga das não coincidências – Bush declara que “não se pode colocar em causa a integridade territorial da Geórgia” e que Ossétia do Sul e Abkhasia fazem parte dessa realidade. A Rússia é assim isolada política e mediaticamente pelo ocidente. A mesma Rússia que desde Yeltsin entrou numa dualidade de se ter transformado num país governado por máfias mas com um crescimento e com um aparecimento de fortunas obscenas em paralelo com um crescimento de miséria e de retirada de situações dadas como direitos adquiridos e conquistas sociais da era contraditória da tentativa de construção socialista. A identidade da Federação Russa de Putin não é a da URSS mas Putin e a aliança Putin – Medvedev restabelece um certo auto-reconhecimento da Rússia como potência mundial e devolve algum espírito nacionalista e patriótico ao povo russo no bom e no mau sentidos.
Para compreendermos o interesse dos EUA basta dizer que a empresa estatal russa GAZPROM é o maior exportador energético do mundo. Acontece que a Geórgia e a Ossétia do Sul estão num ponto de passagem dessa mesma energia para a Europa Ocidental. Na realidade a Europa depende mais da Rússia que dos EUA.
Apenas para enquadramento, antes destes acontecimentos, a 21 de Julho foi divulgada uma notícia que revelava a suposta intenção de instalação de uma base militar da Rússia em Cuba. Raúl Castro ignorou a notícia e apenas Fidel escreveu poucas linha sobre este tema denunciando aquilo a que designou como “estratégia de Maquiavel”, ou “ Se dizes que sim mato-te, se dizes que não mato-te na mesma…” por parte dos EUA. Durante a visita de Hugo Chávez à Rússia, imediatamente antes da passagem dele por Portugal foi lançada a ideia que havia sido acordada a instalação de uma base russa na Venezuela. Chávez, já em Portugal ridicularizou esta manipulação jornalística nada inocente.
Para completar o rol de não coincidências no dia de hoje sai em diversos meios de comunicação social americana e internacional a notícia de que, pela primeira vez o senador McCain está à frente nas sondagens para a presidência dos EUA…
Este país necessita sobretudo de um processo de guerra ininterrupto sem o qual lhe é impossível manter a estratégia da defesa das potenciais ameaças mas que também vai alimentando as indústrias ligadas ao armamento. Por outro lado, este clima de constante ameaça criado e encenado constantemente permite os avanços um pouco por todo o mundo dos peões militares americanos para posições que são do seu maior interesse. É o caso da base que está já acordada na Colômbia, de onde poderão estar em posição para intervir ainda mais directamente na Venezuela e em países próximos que estão a desviar-se do caminho pretendido pelo interesse económico e militar dos EUA. A Colômbia oferece uma plataforma de reacção aos movimentos que têm vindo a crescer para a libertação da América Latina da subserviência aos interesses dos vizinhos do norte e a consequente miséria que daí advém.
Como não existem coincidências em política, foi assinado hoje o acordo com a Polónia para a instalação de mísseis de defesa neste território. Acontece que neste mesmo dia a NATO suspendeu actividades conjuntas que haviam há muito sido planeadas com o “parceiro” estranho que é a Rússia. Este país responde na mesma moeda e mostra-se incomodado pelo avanço dos EUA para territórios onde a Rússia tem uma influência histórica notando que existe uma clara intenção de afronta.
Para justificar perante o mundo a necessidade dessas estranhas expansões do universo de influência militar e da presença física de armamento de destruição em massa e de esquemas complexos de defesa perante ameaças na Europa de leste, os EUA encontraram o aliado e as circunstâncias perfeitas. A Geórgia e o seu presidente Saakhashvili serviram bem os intentos americanos ao terem despoletado a invasão do território da Ossétia do Sul que se encontrava sob a protecção de forças de manutenção de paz russas. Saakhashvili aparece pela primeira vez nas televisões no ocidente a acusar a Rússia de uma agressão militar à Geórgia e toda a comunicação social apresenta o caso como uma agressão russa directamente à Geórgia sendo menosprezada ou mesmo totalmente ignorada a história por trás da História.
Estando ancorados no dia de hoje, ao vermos alguma comunicação social e particularmente a intervenção de Cândida Pinto na SIC Notícias (a única directamente sobre este tema) todo o tempo da reportagem recaiu sobre a população de Gori na Geórgia e as dificuldades a nível humanitário. Este é um pequeno exemplo a uma minúscula escala do que é mostrado por todo o mundo. Imagens da Ossétia do Sul depois de invadida por tropas georgianas não existem ou se existem pura e simplesmente são ignoradas. Não querendo fazer juízos de valor quanto a uma guerra onde sempre existem dois lados de culpa, o problema aqui recai sobre a forma como esta é apresentada ao mundo na mesma sequência de mentiras como a ligação do regime Taliban a Bin Laden, a ligação nunca provada deste aos supostos atentados de 11 de Setembro, a existência de armas de destruição em massa no Iraque ou mais recentemente a questão lançada da corrida ao armamento nuclear por parte do Irão quando as autoridades fiscalizadoras oficiais dizem que é falsa esta ideia. Ainda que não o fosse ao Irão teria por força de razão de ser dado o mesmo direito que foi concedido ao Paquistão ou mais recentemente à Índia pelos próprios EUA.
Saakhashvili aparece em todas as suas intervenções com a bandeira da União Europeia por trás (sem figuras de estilo e com elas). As imagens televisivas dão a impressão de que estamos a falar de um país membro da EU e que ostenta os seus símbolos com mais orgulho que alguns países membros de há muto tempo. Os EUA estendem a mão e querem a Geórgia na NATO. O mediador auto-escolhido para esta questão é Nicolas Sarkosy que apresenta uma solução que, alcançando um entendimento, secundariza a Rússia e serve os interesses dos EUA e da NATO.
Ainda hoje – para continuar a saga das não coincidências – Bush declara que “não se pode colocar em causa a integridade territorial da Geórgia” e que Ossétia do Sul e Abkhasia fazem parte dessa realidade. A Rússia é assim isolada política e mediaticamente pelo ocidente. A mesma Rússia que desde Yeltsin entrou numa dualidade de se ter transformado num país governado por máfias mas com um crescimento e com um aparecimento de fortunas obscenas em paralelo com um crescimento de miséria e de retirada de situações dadas como direitos adquiridos e conquistas sociais da era contraditória da tentativa de construção socialista. A identidade da Federação Russa de Putin não é a da URSS mas Putin e a aliança Putin – Medvedev restabelece um certo auto-reconhecimento da Rússia como potência mundial e devolve algum espírito nacionalista e patriótico ao povo russo no bom e no mau sentidos.
Para compreendermos o interesse dos EUA basta dizer que a empresa estatal russa GAZPROM é o maior exportador energético do mundo. Acontece que a Geórgia e a Ossétia do Sul estão num ponto de passagem dessa mesma energia para a Europa Ocidental. Na realidade a Europa depende mais da Rússia que dos EUA.
Apenas para enquadramento, antes destes acontecimentos, a 21 de Julho foi divulgada uma notícia que revelava a suposta intenção de instalação de uma base militar da Rússia em Cuba. Raúl Castro ignorou a notícia e apenas Fidel escreveu poucas linha sobre este tema denunciando aquilo a que designou como “estratégia de Maquiavel”, ou “ Se dizes que sim mato-te, se dizes que não mato-te na mesma…” por parte dos EUA. Durante a visita de Hugo Chávez à Rússia, imediatamente antes da passagem dele por Portugal foi lançada a ideia que havia sido acordada a instalação de uma base russa na Venezuela. Chávez, já em Portugal ridicularizou esta manipulação jornalística nada inocente.
Para completar o rol de não coincidências no dia de hoje sai em diversos meios de comunicação social americana e internacional a notícia de que, pela primeira vez o senador McCain está à frente nas sondagens para a presidência dos EUA…
sábado, 16 de agosto de 2008
Do génio artistico à inspiração indescritível...
Escolho justamente um dos temas mais ignorados da banda por não conseguir destacar nenhum período da sua vida ou por não ter qualquer tema que possa destacar entre a obra magnífica que foi produzida por estes senhores da música. Pink Floyd é um nome que nunca se pode esquecer. Para mim a melhor banda de sempre com a caracteristica de não se enquadrar bem em nehum género musical em particular. Catalogado com frequência no Rock Progressivo Ambiental tem sido relegado para segundo plano a fase que considero brilhante do psicadelismo de onde se destaca o meu álbum favorito, Ummagumma.
BOLÍVIA e PARAGUAI
É com enorme satisfação que vejo este processo que pensava estar por demais comprometido na Bolívia. A campanha da oposição financiada em parte pela embaixada dos EUA foi derrotada numa batalha eleitoral que representou um largo passo no sentido de retirar do jugo do império dos EUA mais um país da outra América. A vitória expressiva de Evo Morales pode ser um factor par aimpulsionar uma verdadeira mudança com todos os cuidados que este já sabe qe deve ter pois tem os coiotes sempre na sua perna.
Por outro lado é de salientar a tomada de posse de Fernando Lugo no Paraguai. Este ex-bispo católico vem terminar com um ciclo político caduco num país com muitas necessidades. A sua vitória vem acrescentar mais um país à lista daqueles que na América se estão a libertar da dependência com o império do norte que desde sempre tem sido o maior factor que contribuiu para a miséria geral do sub-continente.
Estes processos de livertação, por serem diferentes e por representarem vias novas por explorar estando mesmo fora das teorias polítcas que sustentam os principais movimentos sociais desde há séculos, são um factor de esperança num futuro que não pode pertencer a este sistema liberal decadente em que vivemos. Estes povos são os sujeitos da história contenporânea e da sua projecção par aum futuro livre dos impérios tal como os conhecemos.
Por outro lado é de salientar a tomada de posse de Fernando Lugo no Paraguai. Este ex-bispo católico vem terminar com um ciclo político caduco num país com muitas necessidades. A sua vitória vem acrescentar mais um país à lista daqueles que na América se estão a libertar da dependência com o império do norte que desde sempre tem sido o maior factor que contribuiu para a miséria geral do sub-continente.
Estes processos de livertação, por serem diferentes e por representarem vias novas por explorar estando mesmo fora das teorias polítcas que sustentam os principais movimentos sociais desde há séculos, são um factor de esperança num futuro que não pode pertencer a este sistema liberal decadente em que vivemos. Estes povos são os sujeitos da história contenporânea e da sua projecção par aum futuro livre dos impérios tal como os conhecemos.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
O imperialismo psicopata de Bush
Diz este senhor que não se pode admitir que se invada um estado soberano em pleno século XXI a propósito da questão das movimentações das tropas russas em consequência da invasão da Ossétia do Sul pelo exército da Geórgia. Diz contra si mesmo que já neste século invadiu dois países soberanos, já provocou um golpe de estado (felizmente derrotado) noutro estado soberano, continua com sanções ilegais e ilegítimas contra outros estados soberanos mas um em particular e está no caminho directo para iniciar um processo bélico contra outro estado soberano usando o mesmo tipo de mentiras que antes foram usadas no Afganistão e Iraque.
Mas sobre este senhor já sabemos que é um imbecil e que sabe muito bem defender os interesses daqueles que não sendo imbecis estão atrás dele a manobrar a máquina de guerra do mundo.
Mas sobre este senhor já sabemos que é um imbecil e que sabe muito bem defender os interesses daqueles que não sendo imbecis estão atrás dele a manobrar a máquina de guerra do mundo.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
E do outro lado da cortina de ferro...
... mais concretamente da Hungria, os OMEGA, uma banda gerada e criada no outro lado do muro, simples e muito ingénua mas dentro das estética do rock progressivo que viria a abandonar depois aderindo a um hard rock folclórico. Ao que parece ainda andam por aí....
A relembrar ou a conhecer...
Temo que, por motivos óbvios estes senhores não tenham o lugar na história da música que mereciam ter. No entanto atravessaram as décadas com o seu som cada vez melhor e trouxeram-nos a verdadeira essência do que deve ser a música. Puro prazer. Pura beleza. O mesmo tema em dois momentos separados por mais de trinta anos!
...e perante o público japonês em 2006...
...e perante o público japonês em 2006...
As raízes
A segunda banda (a primeira foram os Pink Floyd) que me iniciou no mundo da música foram os Camel.
E a beleza na simplicidade de "Ice"...
E a beleza na simplicidade de "Ice"...
domingo, 10 de agosto de 2008
Dualidade de critérios, um direito no mundo livre...
As mesmas forças que alimentaram e patrocinaram a independência do Kosovo perante a Sérvia aparecem agora com uma posição totalmente diferente perante a Ossétia do Sul. EUA e União Europeia, que deram os "vivas" à independência Kosovar e prometeram milhões ao recém-criado país para que este possa sonhar em ser viável aparecem agora a defender que a intervenção russa na Ossétia do Sul - em resposta à tentativa da Georgia de re-anexar esta "quase" república independente ao seu território - não é legítima, logo, não sendo também legitimo o direito destes povos à sua independência.
A incoerência é apenas mais um episódio do já normal comportamento destes países. Se são amigos as coisas tratam-se de um modo, aparecendo Bush a dizer que a integridade do território da Georgia deve ser mantido (resta saber se Bush sabia que não se tratava do estado da Georgia no seu próprio país mas sim do país a leste a Europa). Se são adversários, ou melhor dizendo inimigos ( porque para esta gente quem não está com eles está… como disse o Sr. Bush, com o terrorismo) então já a Sérvia tem de deixar que o povo Kosovar decida o seu destino.
Enfim, coisas de democracias e do mundo livre.
A incoerência é apenas mais um episódio do já normal comportamento destes países. Se são amigos as coisas tratam-se de um modo, aparecendo Bush a dizer que a integridade do território da Georgia deve ser mantido (resta saber se Bush sabia que não se tratava do estado da Georgia no seu próprio país mas sim do país a leste a Europa). Se são adversários, ou melhor dizendo inimigos ( porque para esta gente quem não está com eles está… como disse o Sr. Bush, com o terrorismo) então já a Sérvia tem de deixar que o povo Kosovar decida o seu destino.
Enfim, coisas de democracias e do mundo livre.
sábado, 9 de agosto de 2008
E da mesma colheita, do mesmo ano...
E uns bons anos mais tarde. Talvez a idade não perdoe mas a música torna-se num exercício diferente de paixão...
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Ainda a propósito de Karadzic
É evidente que não é de estranhar mas não deixa de ser algo confuso para alguém que não conhece a fundo como funcionam estas coisas do direito.Sempre pensei que houvesse muito de comum entre a nossa concepção da justiça e a concepção que se vai adoptando um pouco por essa Europa.
Talvez por isso fique a pensar no que ouvi repetidamente da boca de alguns jornalistas que chamam a Karadzic "criminoso de guerra". Se bem entendo um criminoso é alguém a quem foi atribuido um crime, cuja presunção de inocência terminou com uma decisão transitada em julgado por um tribunal competente.
A minha confusão deriva sobretudo do facto de não entender como podem os jornalistas substituir os juízes na condenação ou na inocentação seja de quem for muito mais quando se trata de um processo histórico onde de todos os lados existiram crimes de guerra. Aqui a questão está meramente no julgamento político. Estarão os jornalistas a fazer um julgamento moral e não de direito? Se estão quem lhes dá a eles o direito sobre a moral?
Não esquecer que no passado dia 6 de Agosto se cumpriram 63 anos sobre Hiroshima que matou 110 000 pessoas e mutilou ao longo dos anos muitos outros milhares. Certo é que a História não julga os vencedores, não são estes muitas vezes os portadores da moral mesmo que tentem ser os do direito. Só que mais uma vez este é por linhas tortas.
Desconhecidos? São aqueles que ainda não conseguiste humilhar…
…palavras encomendadas ao apresentador Jorge Gabriel para um jogo de uma dessas plataformas do tipo consola. Um resumo fiel do que querem ver esta sociedade ser transformada. Uma sociedade de filhos da puta. E tão perto estamos na vida real.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Crónicas de um golpe
Um documento fundamental para a compreensão do modo como o controlo dos media pode significar o controlo do poder. Venezuala e o golpe de estado que instaurou a mentira fascista por dois dias.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Morreu Alexander Solzhenitsyn
Apenas em 1962 viu este autor premiado com um prémio Nobel (1970) publicado no seu país natal uma obra sua, “um dia na vida de Ivan Denisovich”. Vítima que foi das purgas Stalinistas e do terror dos Gulag (as chamadas “Prisões especiais”) para onde eram remetidos os prisioneiros políticos.Foi condenado por injúrias a Stalin apanhadas em cartas escritas a um amigo. A URSS de então estava feita à imagem do seu líder. Embora conservando alguns traços positivos que não podem ser esquecidos e muito menos negados, a verdade é que o legado de Stalin é de extrema crueldade e de uma concentração na sua própria figura da responsabilidade de um legado histórico que teria de vir a ser lentamente desmascarado no futuro. Ainda hoje permanecem muitas discussões sobre os aspectos positivos e negativos do regime stalinista.
Solzhenitsyn, foi remetido a um silêncio forçado, o mesmo silêncio a que foram condenados muitos homens e mulheres. Stalin foi o responsável directo pela morte de mais comunistas em toda a história tendo sido o principal responsável também pelo enorme desvio teórico e prático da construção do socialismo. Mas essa é uma análise que não cabe nestas linhas. Cabe antes o respeito pelas vítimas inocentes de um regime que pretendeu medir forças com os mais negros e sombrios momentos da história mundial e que pariu figuras à sua imagem e semelhança um pouco por todo o mundo como Ceausescu. Contudo, há que salientar que Solzhenitsyn não foi apenas uma mera vítima inocente. Ele foi mesmo simpatizante de outros regimes ditatoriais como o de Franco ou Pinochet, o que revela uma contradição profunda entre a sua análise do regime soviético e a sua simpatia por regimes de teor fascista. Daí que seja de fácil compreensão o exílio a que foi forçado em 1974.
Regressando à Rússia na era de Yeltsin não escondeu a sua simpatia pela personalidade e pela política de Putin. Para a História ficam os acontecimentos. As análises estão ao alcance de cada pensamento de cada um de nós.
"H Natural" de Steve Hogarth, em Portugal

"Como tem vindo a ser anunciado, A Web Portugal está a organizar dois concertos com Steve Hogarth, vocalista dos Marillion. Os concertos terão lugar em:
*MS Club em Praia de Mira, no dia 30 de Agosto de 2008*
*Santiago Alquimista em Lisboa, no dia 5 de Setembro de 2008*
Serão, como é hábito do cantor, dois concertos intimistas, onde voz e piano apresentarão sem artifícios temas conhecidos de todos e muitas surpresas (desde temas de Marillion até versões de clássicos do rock, que poderão passar por nomes tão importantes como Beatles, Leonard Cohen, David Bowie ou The Waterboys).
*Os bilhetes encontram-se já à venda através da Web Portugal.**website*: www.thewebportugal.com/hnatural.htm*email*: mailto:marillionados%40marillionados.comou nas lojas Prog CD's e Carbono de Lisboa.
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Má política. Desastrosa gestão de pessoas...
Sob um nevoeiro estranho que vai pairando no tecido empresarial português empresas do sector da distribuição preparam-se para atirar ao lixo uma quantidade significativa de postos de trabalho criados precariamente já com o intuito de serem facilmente descartáveis.
A crescente concorrência e a febre de abertura de novas lojas por quase todas as cadeias de retalho tem tido um misto de positivo, com a criação e movimentação interna de postos de trabalho, com o escandaloso negativo do desmantelamento de equipas de trabalho e com constituição forçada de equipas pouco preparadas e demasiadamente polivalentes.
Ao nível dos recursos humanos é cada vez mais evidente que a aposta destas empresas está na redução de custos a todos os níveis reduzindo a sua eficácia prática. O nível de conhecimentos, que é independente do nível de escolaridade, é cada vez menor e menos especializado neste tipo de estrutura empresarial. Os serviços externos e de apoio à estrutura são reduzidos ao mínimo e assistimos a situações em que será possível ter-mos no horizonte níveis de ineficácia extremamente elevados. Por outro lado é exigido cada vez mais a cada vez menos pessoas. A gestão das pessoas é feita por quem aprende a gerir números. O enquadramento e a integração das equipas de trabalho são feitos cada vez mais à força bruta dos orçamentos sem contar que as estruturas apenas podem ser competitivas sem mantiverem altos padrões de qualidade no serviço e uma elevada eficácia.
Hoje em dia o serviço é mesmo o factor diferenciador. A criatividade e a liberdade criativa são essenciais à manutenção de boas equipas bem estruturadas e sobretudo motivadas.
O neo-liberalismo à portuguesa está a atingir um patamar do absurdo. Estamos a criar mega-plataformas comerciais sem ter-mos estruturas produtivas. A dependência das importações cresce em certos sectores a um nível insustentável. A concorrência observada entre empresas que combatem por migalhas de margem ou praticam deliberadamente e constantemente dumping comercial é o que está a causar um estrangulamento dos ganhos efectivos não só destas empresas como da distribuição e importação que as fornecem. Com esse facto a mão-de-obra degrada-se e os valores de contratação tornam-se terceiro-mundistas.
Ao contrário do que as teorias ultra-liberais proclamam a concorrência não é factor de diminuição de preços mas antes de empobrecimento geral. Se cada vez existe um maior número de pessoas a trabalhar no sector terciário e se este cada vez paga pior aos seus profissionais a disponibilidade financeira de grande parcela populacional desce significativamente. Isso traduz-se numa forte redução do consumo. Esta redução torna-se numa mistura explosiva quando confrontada com o aumento exponencial de superfícies comerciais de média e grande dimensões. Mais explosiva quando, à diminuição dos salários no sector corresponde uma igual qualidade de serviço. Enfim, um ciclo vicioso já visto e revisto e, obviamente, falhado.
Quando nos disparam depois com ideias como a Flexigurança (será este o termo adoptado?) temos de ter em conta que Portugal está longe de ter uma realidade semelhante à Dinamarca, e que, com trabalhos deste género cada vez mais mal pagos e proletarizados é muito mais convidativo viver da assistência social do que estar a trabalhar. O mesmo estado desprezado pelo liberalismo mas que sustenta todos os projectos privados nos sectores fundamentais, como a saúde e a educação, o mesmo estado que alberga os políticos liberais e os catapulta para a vida depois da política nas cadeiras das administrações públicas ou privadas (se bons negócios foram produzidos em benefício das duas partes). Esse mesmo estado sustenta com essa ideia de Flexisegurança o menor risco dos privados em contratar e em despedir e desobriga-os completamente de pagar para depois terminar por ter de assistir e sustentar.
Se precarizar é desenvolver então o conceito de desenvolvimento, na óptica liberal, está pré-destinado a apenas uns quantos afortunados. Os outros que produzem, que criam, que manobram, que limpam, estão à margem e são para eles projectadas mensagens com a agressiva e criminosa linguagem de estímulo ao consumo e ao endividamento. Já vimos que é uma contradição que está a hipotecar esta geração dos quinhentos euros como hipotecou antes a dos seus pais da geração das pré-reformas cavaquistas. Esse senhor deveria ele mesmo ser pré-reformado por inutilidade da sua prestação no cargo que ocupa.
Aguarda-se a passagem do nevoeiro mas com o mesmo realismo de sempre não se espera um sol para todos…
A crescente concorrência e a febre de abertura de novas lojas por quase todas as cadeias de retalho tem tido um misto de positivo, com a criação e movimentação interna de postos de trabalho, com o escandaloso negativo do desmantelamento de equipas de trabalho e com constituição forçada de equipas pouco preparadas e demasiadamente polivalentes.
Ao nível dos recursos humanos é cada vez mais evidente que a aposta destas empresas está na redução de custos a todos os níveis reduzindo a sua eficácia prática. O nível de conhecimentos, que é independente do nível de escolaridade, é cada vez menor e menos especializado neste tipo de estrutura empresarial. Os serviços externos e de apoio à estrutura são reduzidos ao mínimo e assistimos a situações em que será possível ter-mos no horizonte níveis de ineficácia extremamente elevados. Por outro lado é exigido cada vez mais a cada vez menos pessoas. A gestão das pessoas é feita por quem aprende a gerir números. O enquadramento e a integração das equipas de trabalho são feitos cada vez mais à força bruta dos orçamentos sem contar que as estruturas apenas podem ser competitivas sem mantiverem altos padrões de qualidade no serviço e uma elevada eficácia.
Hoje em dia o serviço é mesmo o factor diferenciador. A criatividade e a liberdade criativa são essenciais à manutenção de boas equipas bem estruturadas e sobretudo motivadas.
O neo-liberalismo à portuguesa está a atingir um patamar do absurdo. Estamos a criar mega-plataformas comerciais sem ter-mos estruturas produtivas. A dependência das importações cresce em certos sectores a um nível insustentável. A concorrência observada entre empresas que combatem por migalhas de margem ou praticam deliberadamente e constantemente dumping comercial é o que está a causar um estrangulamento dos ganhos efectivos não só destas empresas como da distribuição e importação que as fornecem. Com esse facto a mão-de-obra degrada-se e os valores de contratação tornam-se terceiro-mundistas.
Ao contrário do que as teorias ultra-liberais proclamam a concorrência não é factor de diminuição de preços mas antes de empobrecimento geral. Se cada vez existe um maior número de pessoas a trabalhar no sector terciário e se este cada vez paga pior aos seus profissionais a disponibilidade financeira de grande parcela populacional desce significativamente. Isso traduz-se numa forte redução do consumo. Esta redução torna-se numa mistura explosiva quando confrontada com o aumento exponencial de superfícies comerciais de média e grande dimensões. Mais explosiva quando, à diminuição dos salários no sector corresponde uma igual qualidade de serviço. Enfim, um ciclo vicioso já visto e revisto e, obviamente, falhado.
Quando nos disparam depois com ideias como a Flexigurança (será este o termo adoptado?) temos de ter em conta que Portugal está longe de ter uma realidade semelhante à Dinamarca, e que, com trabalhos deste género cada vez mais mal pagos e proletarizados é muito mais convidativo viver da assistência social do que estar a trabalhar. O mesmo estado desprezado pelo liberalismo mas que sustenta todos os projectos privados nos sectores fundamentais, como a saúde e a educação, o mesmo estado que alberga os políticos liberais e os catapulta para a vida depois da política nas cadeiras das administrações públicas ou privadas (se bons negócios foram produzidos em benefício das duas partes). Esse mesmo estado sustenta com essa ideia de Flexisegurança o menor risco dos privados em contratar e em despedir e desobriga-os completamente de pagar para depois terminar por ter de assistir e sustentar.
Se precarizar é desenvolver então o conceito de desenvolvimento, na óptica liberal, está pré-destinado a apenas uns quantos afortunados. Os outros que produzem, que criam, que manobram, que limpam, estão à margem e são para eles projectadas mensagens com a agressiva e criminosa linguagem de estímulo ao consumo e ao endividamento. Já vimos que é uma contradição que está a hipotecar esta geração dos quinhentos euros como hipotecou antes a dos seus pais da geração das pré-reformas cavaquistas. Esse senhor deveria ele mesmo ser pré-reformado por inutilidade da sua prestação no cargo que ocupa.
Aguarda-se a passagem do nevoeiro mas com o mesmo realismo de sempre não se espera um sol para todos…
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Pela nossa saúde…
Ontem, por emenda de mão do governo, o designado hospital Amadora-Sintra passou para a gestão pública através da extinção do contrato com a entidade privada cujos resultados se provaram terem sido desastrosos. Numa altura em que o governo propõe também o regime de exclusividade para os médicos é mesmo caso para pensar que, finalmente, se começa a olhar para a saúde e para os seus profissionais como devem ser olhados.
A mistura constante entre interesses privados e práticas públicas dos médicos tem-se traduzido numa situação caricata de adiantamento de situações no público se antes os pacientes se submeterem a intervenções no privado. Os médicos são exactamente os mesmos no mesmo papel em locais diferentes (por vezes a falta de vergonha até leva a que suceda nos memos lugares). O mesmo profissional começa um processo no público, redirecciona-o para o privado para que seja acelerado na sua fase final novamente no público passando à frente dos que não têm possibilidades de pagar o privado. Este conflito de interesses e esta promiscuidade justificam que se separem as águas.
Não tenho nada contra a prática da medicina privada embora dê muito mais valor a um profissional que se dedique ao Serviço Nacional de Saúde com todas as carências e deficiências que este possa ter. A medicina dos ricos e a medicina dos pobres não podem ser diferentes no tempo e na qualidade, nem terão na prática de ser diferentes no espaço.
Seria agora tempo de acabar com os médicos formados pela nota em vez dos médicos por vocação. O factor vocacional deveria ter um peso no mínimo de cinquenta por cento, sendo mesmo factor eliminatório mesmo em alunos com notas brilhantes.
A questão aqui está em procurar nos melhores sistemas de saúde públicos a nível internacional as melhores práticas e seleccionar para estas as melhores pessoas.
A mistura constante entre interesses privados e práticas públicas dos médicos tem-se traduzido numa situação caricata de adiantamento de situações no público se antes os pacientes se submeterem a intervenções no privado. Os médicos são exactamente os mesmos no mesmo papel em locais diferentes (por vezes a falta de vergonha até leva a que suceda nos memos lugares). O mesmo profissional começa um processo no público, redirecciona-o para o privado para que seja acelerado na sua fase final novamente no público passando à frente dos que não têm possibilidades de pagar o privado. Este conflito de interesses e esta promiscuidade justificam que se separem as águas.
Não tenho nada contra a prática da medicina privada embora dê muito mais valor a um profissional que se dedique ao Serviço Nacional de Saúde com todas as carências e deficiências que este possa ter. A medicina dos ricos e a medicina dos pobres não podem ser diferentes no tempo e na qualidade, nem terão na prática de ser diferentes no espaço.
Seria agora tempo de acabar com os médicos formados pela nota em vez dos médicos por vocação. O factor vocacional deveria ter um peso no mínimo de cinquenta por cento, sendo mesmo factor eliminatório mesmo em alunos com notas brilhantes.
A questão aqui está em procurar nos melhores sistemas de saúde públicos a nível internacional as melhores práticas e seleccionar para estas as melhores pessoas.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Os anos que passam
Os anos que passam são pedaços de nós, muitas vezes arrancados a ferros de uma existência fria e distante. Pedaços que acrescentam ou que retiram tudo aquilo que nos faz viver. Um pouco de medo, um tanto de esperança, as angústias de ter ou não ter, os tormentos do valor absoluto que temos comparados com o nada que somos. As antíteses que constroem o nosso mundo são deveras poderosas na vida e na morte. Como se pode odiar a humanidade e com maior intensidade amar a mulher, o homem, o ser enfim sujeito dos amores de cada um. Como pode conviver o mais profundo anti-social com o mais utópico socialismo. O ódio da populaça e o fervor revolucionário do povo virtual da imaginação do sonhador. O sonho e o pesadelo amantes numa mesma cama eterna enquanto a vida teima em não se apagar.
Parece uma visão cruel mas é a visão real, tão real quanto a própria crueldade que nos faz optar por um qualquer caminho que entendemos ser o nosso, o único possível até outro aparecer que nos atire para o abismo ou para fora deste.
Hoje é urgente exaltar aqueles que, sendo humanos, insistem na continuidade da vida para além da desumanidade do nosso fundo. Por isso escrevo para todas as pessoas, e tão poucas são, os meus amigos que me dão a pouca humanidade que consigo viver na visão apocalíptica constante que teimo em manter. Aquelas pessoas que me fazem esquecer o que são as pessoas atordoadas a viverem as suas insignificantes vidas como deuses tontos plenos de razão e de poder. Aqueles que insistem em dar vidas à vida são os que ainda me fazem escrever estas palavras de agradecimento por existirem e por terem a coragem de existirem numa humanidade perdida. Aqueles que entregam a esperança a cada palavra e a cada notícia, a cada pedaço de tempo que é dado a partilharem. O mundo apenas faz sentido continuado desta forma por esta gente. Por vós.
Parece uma visão cruel mas é a visão real, tão real quanto a própria crueldade que nos faz optar por um qualquer caminho que entendemos ser o nosso, o único possível até outro aparecer que nos atire para o abismo ou para fora deste.
Hoje é urgente exaltar aqueles que, sendo humanos, insistem na continuidade da vida para além da desumanidade do nosso fundo. Por isso escrevo para todas as pessoas, e tão poucas são, os meus amigos que me dão a pouca humanidade que consigo viver na visão apocalíptica constante que teimo em manter. Aquelas pessoas que me fazem esquecer o que são as pessoas atordoadas a viverem as suas insignificantes vidas como deuses tontos plenos de razão e de poder. Aqueles que insistem em dar vidas à vida são os que ainda me fazem escrever estas palavras de agradecimento por existirem e por terem a coragem de existirem numa humanidade perdida. Aqueles que entregam a esperança a cada palavra e a cada notícia, a cada pedaço de tempo que é dado a partilharem. O mundo apenas faz sentido continuado desta forma por esta gente. Por vós.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
UNIÃO EUROPEIA
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Eis que a hstória se repete...
Não será possível estabelecer uma comparação directa entre Milosevic e Karadzic. No entanto a História acaba por colocá-los do lado perdedor de uma forma pouco inocente. Karadzic é tido como um monstro e acredito que seja efectivamente culpado de algumas das coisas de que o acusam. Mas a guerra é isso mesmo. As atrocidades são apanágio de qualquer guerra mas sobretudo daquelas em que se tem de lutar contra inimigos virtualmente invencíveis.A Jugoslávia era de entre todos os países ditos socialistas, de longe, o que mais interesse e admiração me despertava. Antes de mais pela forma como enfrentou o imperialismo soviético que se traduziu em episódios históricos lamentáveis como a invasão da Checoslováquia. A Jugoslávia era um país com uma construção política, social e económica muito próprias e assentes numa unidade que morreu com um homem. Infelizmente muitas vezes a História dos povos funde-se com a História das suas personalidades. O marechal Tito foi o símbolo da unidade jugoslava na imensa diversidade de povos, culturas e religiões.
Porque a Sérvia sempre foi o centro de poder na Jugoslávia e principalmente porque Milisevic se opôs ao desmantelamento da sua pátria tudo isto acabou por se tornar num imenso banho de sangue do qual a Europa ocidental e os EUA não estão isentos de culpas. De todos os lados se cometeram crimes hediondos. Dos sérvios certamente mas também dos croatas, dos muçulmanos e cristãos bósnios, dos albaneses do Kosovo e da própria NATO que, mais uma vez optou por uma intervenção onde não poderia intervir e de uma forma sectária e parcial.
O TPI vai agora julgar mais um homem cuja história pessoal se confunde com um pedaço da História do seu povo quando deveria ser julgado na sua terra pelos seus pares.A História tem destas coisas. É difícil compreender porque as mesmas acções têm tão distintas interpretações. Quando a URSS invade o Afgnanistão é uma catástrofe. Quando os EUA invadem o mesmo país e plantam um governo fantoche é uma benção. E a verdade é que não haveriam talibans se não tivvessem sido financiados pelos EUA para a luta contra os soviéticos...
Karadzic não precisa ser julgado. Já está condenado por tudo quanto fez e não fez. A nossa história já está escrita ainda antes de acontecer.
sábado, 19 de julho de 2008
Os aprendizes de feiticeiros

No congresso da Juventude Socialista onde vai ser eleito o novo líder parece que é tempo de esquecermos a crise. Com tantas dificuldades anunciadas por tantas entidades diferentes mais ou menos amigas e cúmplices das vias do poder a Juventude Socialista resolve dar escolher o tema da “igualdade” para o seu combate político de futuro. Quando ouvi esta frase por momentos pensei que o socialismo tivesse regressado às camadas jovens do PS.
Num tempo de crise generalizada seria de prever que os jovens olhassem para a plítica prática com uma visão mais crítica e construtiva. Daí que, na minha ingenuidade e naquela fracção curtíssima de tempo, devo ter feito uma tamanha cara de espanto com a palavra e o tema escolhidos. Penso que a “igualdade” é um tema que daria para um longo texto não podendo ser encarada como algo de linear e simplista. O “igualitarismo” foi um dos pontos mais críticos da aplicação prática do socialismo científico e um dos que levou essa aplicação aos sucessivos fracassos históricos. Tomado esse tema de uma forma progressista a aplicando às sociedades actuais podemos partir do princípio que a todos deve ser dado o mesmo nível de educação, de acordo com as suas capacidades, aptidões e necessidades sociais. Devem ser dadas oportunidades iguais para que sejam (ou não) aproveitadas por cada um dos indivíduos na sociedade. Ao contrário do que pensam muitos socialistas e comunistas penso que as camadas sociais improdutivas e auto-marginalizadas não devem de todo ser alimentadas pelos impostos de quem trabalha e produz. Num sistema liberal estes apoios sociais servem de travão a uma sociedade com um nível de violência mais extremada pela consciência das desigualdades sociais. Acontece que existem desigualdades que são o fruto da vontade (tão legítima quanto o seu contrário) do não trabalho. Numa sociedade democrática de economia capitalista ou socialista as pessoas têm de ter o direito de não produzir contudo mesmo a estas devem ser dadas todas as oportunidades em igual medida quantitativa e qualitativa. Não devem é ser sustentados por aqueles que, com o fruto do seu trabalho produzem para que outros beneficiem.
Mas eis que uma nuvem densa passou pela frente de todo este pensamento que já queria voar para outras paragens mais distantes. Afinal o que os jovens do poder socialista queriam falar era apenas e só de folclore político. Era apenas sobre um tema absurdo e irracional na época em que vivemos por passarmos por dias difíceis e os putos do PS apenas pensam nos genitais. Lembro-me que um grande amigo me costumava dizer que no mundo tudo gira em torno de “mamas”. Quanto mudam os tempos. Para os jovens socialistas, para que não se fiquem na retaguarda do Bloco de Esquerda o tema da igualdade resume-se à necessidade de promover o direito ao casamento de casais homossexuais. Não serve o que está na lei que já permite a igualdade de tratamento a vários níveis entre casais heterossexuais e de outros tipos como ainda têm de promover a igualdade para a instituição religiosa e sacramental do casamento.
Para mim tanto se me dá. Apenas fico apreensivo com o centro do interesse e da acção política das jovens elites do poder socialista. Estes serão os xupistas políticos que nos extorquirão o dinheiro dos impostos para promover as suas acções políticas no futuro mas a boa notícia é que poderão haver casamentos homossexuais.
Tapar os problemas sérios e reais da sociedade com folclore político é já uma lição estudada e entendida pelos aprendizes de feiticeiros do poder socialista. Estão já preparados para a governação do país e para os altos cargos nas empresas públicas que os esperam. Tudo cada vez mais cor-de-rosinha...
sábado, 12 de julho de 2008
IPhone, ou a mega fraude de espectativas
Já era uma realidade desde que a primeira versão deste aparelho, mas para os cépticos que ainda não tinham tido a oportunidade de com ele lidar confirma-se que é uma mega fraude de espectativas.
Apenas me questiono como é possível o marketing conseguir "vender" o IPhone como sendo uma espécie de avanço tecnológico quando, na realidade, não passa de um mono com as características que qualquer telemóvel europeu já tem desde há alguns anos a esta parte.
O valor e o nível de vendas vai provar que somos um país de falsos tesos ou de estúpidos vaidosos.
Apenas me questiono como é possível o marketing conseguir "vender" o IPhone como sendo uma espécie de avanço tecnológico quando, na realidade, não passa de um mono com as características que qualquer telemóvel europeu já tem desde há alguns anos a esta parte.
O valor e o nível de vendas vai provar que somos um país de falsos tesos ou de estúpidos vaidosos.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Sumo de fruta, sem fruta
O anti-comunismo está hoje mais presente em Portugal precisamente à esquerda do Partido Comunista. O bloco não se cansa de realçar os aspecto negativos dos países governados por partidos comunistas nomeadamente a China com a janela de oportunidade que os jogos olímpicos criaram. A China é um caso algo complexo e não cabe neste pequeno texto reflectir sobre ele. Cabe essencialmente tentar compreender como o radicalismo de esquerda serve com a maior das oportunidades de muleta ao que mais dizem combater. A ideologia bloquista é como uma gelatina tutti-fruti. Ou uma inocência pueril de quem pensa que o Socialismo pode nascer pela boa vontade e cavalheirismo do capital. Uma espécie de "deixa passar estes pirralhos que querem fazer uma revoluçãozinha daquelas pacíficas, sem sangue, com muito amor hetero-bi-trans, real ou virtual".
O radicalismo de linguagem e a superioridade moral encapotam a ausência de estrutura ideológica e a insensatez de pensarem que alguma vez seria possível no nosso actual sistema político um partido de esquerda ganhar eleições livres sem que isso provocasse um boicote e uma reacção imediatos por parte das classes dominantes. O Bloco de Esquerda só vive e convive no multipartidarismo como esquerda radical até à primeira oportunidade de servir de muleta em soluções de governação. Primeiro será amputado de votos pelo triste conceito do voto útil e depois será fuzilada a sua natureza radical com o delírio do poder.
A esquerda dos muitos "ismos" já vui isto antes muitas vezes e esta procura infantil de uma revolução na evolução social na crise capitalista é um conceito morto a não ser que o radicalismo seja tão falso como um sumo de fruta... sem a fruta.
O radicalismo de linguagem e a superioridade moral encapotam a ausência de estrutura ideológica e a insensatez de pensarem que alguma vez seria possível no nosso actual sistema político um partido de esquerda ganhar eleições livres sem que isso provocasse um boicote e uma reacção imediatos por parte das classes dominantes. O Bloco de Esquerda só vive e convive no multipartidarismo como esquerda radical até à primeira oportunidade de servir de muleta em soluções de governação. Primeiro será amputado de votos pelo triste conceito do voto útil e depois será fuzilada a sua natureza radical com o delírio do poder.
A esquerda dos muitos "ismos" já vui isto antes muitas vezes e esta procura infantil de uma revolução na evolução social na crise capitalista é um conceito morto a não ser que o radicalismo seja tão falso como um sumo de fruta... sem a fruta.
As FARC, de Saramago a Fidel.
O testemunho natural de um mercenário americano agora libertado e entregue à puta que o pariu da sua grande pátria americana pareceu-me apenas mais um passo na estratégia para transformar as FARC numa força meramente terrorista. As palavras do luso descendente foram justamente essas reforçando a ideia de que as FARC não são uma força revolucionária mas uma bando de crueis terroristas.
Mesmo que o teatro não estivesse já encenado há muito seria de todo natural que alguém que esteve sequestrado durante anos reaja com esta leveza de língua e de pensamento. Mas as palavras mais ou menos estudadas saem em favor de uma necessidade de desacreditar uma guerrilha que se quer desmantelada a todo o custo.
Não posso colocar de lado os testemunhos que li e ouvi de gente que partilhou dias, semanas e em alguns casos meses com elementos desta guerrilha e que contam o que se passa naquele núcleo de rebeldes que escaparam à subserviência ao partido comunista colambiano por não compreenderem como pode o partido não reagir à postura criminosa do governo e das forças para-militares que ao longo das últimas décadas têm eliminado massivamente a esquerda colombiana. O Partido sempre reagiu politicamente e participa (desembrado pelo constante assassinato de militantes e eleitos) na vida política fantasiosamente normal da Colombia. As FARC são o produto violento da violência oficial de estado apoiado no narco-tráfico com a benção e os dólares do amigo americano do norte.
Há algum tempo José Saramago disse sobre as FARC que se tratava de um bando de criminosos e não de um grupo de guerrilheiros. O meu profundo respeito por Saramago levou-me a pensar que a verdade estaria algures a meio entre as palavras de Saramago e os textos produzidos com alguma raiva e muito desapontamento por muitos comunistas portugueses em defesa das FARC. Reli então alguns textos sobre a Colombia, o seu processo político e a sua história e lembrei-me de alguns textos publicados então no "Avante!" por Miguel Urbano Rodrigues. A ideia foi reforçada por todas estas palavras. Saramago disse o que pensava e disse-o de uma forma clara como comunista que sempre foi. Um comunista que sempre pensou livremente à margem de todos os "ismos" que feriram de morte o legado ideológico de Marx, Engels e Lenin.
Nada há de comum entre a análise de Saramago e a do mercenário americano. As mesmas palavras têm aqui sabores radicalmente diferentes.
Tenho uma certa relutancia em considerar as FARC como terroristas dado o contexto no qual nasceram e cresceram num país profundamente ferido. Daí que as palavras de Fidel tenham sido de tal forma esclarecedoras que me levaram a compreender qual o meio termo onde devemos encaixar a tal verdade sempre procurada. Fidel, posicionou as FARC no papel necessário de força revolucionária e de guerilha, mas criticou (no seguimento do imenso esforço levado a cabo pela Venezuela, Equador e França), a forma de acção deste grupo apelando a que todos os reféns sejam libertados. Os sequestros foram uma arma que apenas surtiu efeito contra a própria guerrilha e trouxe inimigos à sua causa dentro e fora do campo ideológico, mas sobretudo prestou um péssimo serviço à causa socialista em qualquer ponto do mundo. Mas Fidel alerta para o facto de que não devem as FARC depor as armas. Entendo (por pura liberdade imaginativa) que Fidel esteja a puxar as orelhas a uma forma de agir que não se enquadra na visão revolucionária vista pelos olhos de um velho combatente entrincheirado e bloqueado mas livre de pensar e com uma revolução em grande medida vitoriosa.
Entre Fidel, Saramago e Miguel Urbano Rodrigues, três comunistas diferentes que igualmente admiro, escolho as palavras dos três como verdade não deixando de ter uma ponta de desejo de ver continuar uma luta, certamente com outros contornos e necessariamente com a libertação de todos os reféns, das FARC em território de uma América que parece querer acordar do pesadelo do imperialismo do vizinho do norte. Vizinho que já colocou forças armadas marítimas ao largo das costas do hemisfério sul... e que falta faz o Che.
Mesmo que o teatro não estivesse já encenado há muito seria de todo natural que alguém que esteve sequestrado durante anos reaja com esta leveza de língua e de pensamento. Mas as palavras mais ou menos estudadas saem em favor de uma necessidade de desacreditar uma guerrilha que se quer desmantelada a todo o custo.
Não posso colocar de lado os testemunhos que li e ouvi de gente que partilhou dias, semanas e em alguns casos meses com elementos desta guerrilha e que contam o que se passa naquele núcleo de rebeldes que escaparam à subserviência ao partido comunista colambiano por não compreenderem como pode o partido não reagir à postura criminosa do governo e das forças para-militares que ao longo das últimas décadas têm eliminado massivamente a esquerda colombiana. O Partido sempre reagiu politicamente e participa (desembrado pelo constante assassinato de militantes e eleitos) na vida política fantasiosamente normal da Colombia. As FARC são o produto violento da violência oficial de estado apoiado no narco-tráfico com a benção e os dólares do amigo americano do norte.
Há algum tempo José Saramago disse sobre as FARC que se tratava de um bando de criminosos e não de um grupo de guerrilheiros. O meu profundo respeito por Saramago levou-me a pensar que a verdade estaria algures a meio entre as palavras de Saramago e os textos produzidos com alguma raiva e muito desapontamento por muitos comunistas portugueses em defesa das FARC. Reli então alguns textos sobre a Colombia, o seu processo político e a sua história e lembrei-me de alguns textos publicados então no "Avante!" por Miguel Urbano Rodrigues. A ideia foi reforçada por todas estas palavras. Saramago disse o que pensava e disse-o de uma forma clara como comunista que sempre foi. Um comunista que sempre pensou livremente à margem de todos os "ismos" que feriram de morte o legado ideológico de Marx, Engels e Lenin.
Nada há de comum entre a análise de Saramago e a do mercenário americano. As mesmas palavras têm aqui sabores radicalmente diferentes.
Tenho uma certa relutancia em considerar as FARC como terroristas dado o contexto no qual nasceram e cresceram num país profundamente ferido. Daí que as palavras de Fidel tenham sido de tal forma esclarecedoras que me levaram a compreender qual o meio termo onde devemos encaixar a tal verdade sempre procurada. Fidel, posicionou as FARC no papel necessário de força revolucionária e de guerilha, mas criticou (no seguimento do imenso esforço levado a cabo pela Venezuela, Equador e França), a forma de acção deste grupo apelando a que todos os reféns sejam libertados. Os sequestros foram uma arma que apenas surtiu efeito contra a própria guerrilha e trouxe inimigos à sua causa dentro e fora do campo ideológico, mas sobretudo prestou um péssimo serviço à causa socialista em qualquer ponto do mundo. Mas Fidel alerta para o facto de que não devem as FARC depor as armas. Entendo (por pura liberdade imaginativa) que Fidel esteja a puxar as orelhas a uma forma de agir que não se enquadra na visão revolucionária vista pelos olhos de um velho combatente entrincheirado e bloqueado mas livre de pensar e com uma revolução em grande medida vitoriosa.
Entre Fidel, Saramago e Miguel Urbano Rodrigues, três comunistas diferentes que igualmente admiro, escolho as palavras dos três como verdade não deixando de ter uma ponta de desejo de ver continuar uma luta, certamente com outros contornos e necessariamente com a libertação de todos os reféns, das FARC em território de uma América que parece querer acordar do pesadelo do imperialismo do vizinho do norte. Vizinho que já colocou forças armadas marítimas ao largo das costas do hemisfério sul... e que falta faz o Che.
terça-feira, 8 de julho de 2008
O desperdício e a cultura do baixo valor do trabalho
Enquanto observava atentamente uma actividade levada a cabo e patrocinada por um operador de telecomunicações nacional junto de um dos seus agentes/revendedores pensava no valor absurdo desperdiçado naquela iniciativa em concreto, mas também de um modo geral em todos os eventos do mesmo género que se vão inventando para que, no final, o objectivo seja totalmente colocado à margem.
Penso que o objectivo central de qualquer empresa quer seja pública (desde que não em sectores estratégicos da economia) ou privada é a obtenção de um valor acrescido a todos os seus custos por forma a que possa reinvestir e distribuir. Como vivemos numa economia de mercado a mais-valia é o objectivo último da empresa para a qual tem de haver um motivo e fundamentalmente um espaço no mercado.
Para utilizar o exemplo que observei, o de um operador de telecomunicações moveis, parece-me claro e óbvio que juntar vendedores para não introduzir qualquer tipo de informação que represente novidade e para actividades lúdicas torna-se numa banalização da cultura do desperdício.
A minha perspectiva de gestão de recursos humanos numa empresa impediria que este tipo de iniciativas ocorressem em dias e horários de trabalho pois nada acrescentam ao conhecimento e à eficácia, mas principalmente à competência do profissional a realizar um serviço ou vender um produto. E os pretextos da coesão das equipas tornam-se absurdos porquanto esta tem de ser feita em ambiente de trabalho. Um indivíduo pode desenvolver um incrível espírito de equipa em actividades lúdicas e ser incapaz de trabalhar em equipa em ambiente de trabalho. O conhecimento que possa ou não haver entre as pessoas que realizam as mesmas funções ou que estão hierarquicamente acima ou abaixo não tem qualquer influência na qualidade do trabalho produzido embora reconheça que pode agilizar processos em casos de resolução de situações problemáticas envolvendo várias pessoas de vários níveis de responsabilidade.
Em conclusão, estes tipos de actividade que as empresas realizam para dar a ideia ilusória de que se preocupam com quem lida directamente com os seus produtos, são meros exercícios de desperdício que só cabem na loucura e no delírio de algumas teorias de gestão. Da gestão base da empresa e do seu sumo que é a gestão das pessoas. E temos de entender que as empresas são as pessoas. É evidente que as pessoas, infelizmente, compreendem aqui um esforço que, na realidade, não existe.
Estas verbas poderiam e deveriam ser utilizadas para esquemas de incentivos à produtividade aumentando o rendimento de quem lida com os produtos ou serviços em causa. Mas também outra coisa muito importante, poderiam e deveriam ser utilizados na melhoria qualitativa ou de preço do produto ou serviço ao cliente final.
Penso que o objectivo central de qualquer empresa quer seja pública (desde que não em sectores estratégicos da economia) ou privada é a obtenção de um valor acrescido a todos os seus custos por forma a que possa reinvestir e distribuir. Como vivemos numa economia de mercado a mais-valia é o objectivo último da empresa para a qual tem de haver um motivo e fundamentalmente um espaço no mercado.
Para utilizar o exemplo que observei, o de um operador de telecomunicações moveis, parece-me claro e óbvio que juntar vendedores para não introduzir qualquer tipo de informação que represente novidade e para actividades lúdicas torna-se numa banalização da cultura do desperdício.
A minha perspectiva de gestão de recursos humanos numa empresa impediria que este tipo de iniciativas ocorressem em dias e horários de trabalho pois nada acrescentam ao conhecimento e à eficácia, mas principalmente à competência do profissional a realizar um serviço ou vender um produto. E os pretextos da coesão das equipas tornam-se absurdos porquanto esta tem de ser feita em ambiente de trabalho. Um indivíduo pode desenvolver um incrível espírito de equipa em actividades lúdicas e ser incapaz de trabalhar em equipa em ambiente de trabalho. O conhecimento que possa ou não haver entre as pessoas que realizam as mesmas funções ou que estão hierarquicamente acima ou abaixo não tem qualquer influência na qualidade do trabalho produzido embora reconheça que pode agilizar processos em casos de resolução de situações problemáticas envolvendo várias pessoas de vários níveis de responsabilidade.
Em conclusão, estes tipos de actividade que as empresas realizam para dar a ideia ilusória de que se preocupam com quem lida directamente com os seus produtos, são meros exercícios de desperdício que só cabem na loucura e no delírio de algumas teorias de gestão. Da gestão base da empresa e do seu sumo que é a gestão das pessoas. E temos de entender que as empresas são as pessoas. É evidente que as pessoas, infelizmente, compreendem aqui um esforço que, na realidade, não existe.
Estas verbas poderiam e deveriam ser utilizadas para esquemas de incentivos à produtividade aumentando o rendimento de quem lida com os produtos ou serviços em causa. Mas também outra coisa muito importante, poderiam e deveriam ser utilizados na melhoria qualitativa ou de preço do produto ou serviço ao cliente final.
sábado, 28 de junho de 2008
No país dos que gostam que lhes chamem parvos.
Hoje foi mais um dia glorioso para o comércio em Portugal, e consequentemente para mais uma pequena ajuda nos números da importação. Abriu mais uma loja dos senhores que chamam parvos a todos aqueles que não compram nas suas lojas.
Fez-me lembrar há uns meses quando a cerveja Tagus lançou uma campanha que chocou as almas mais sensíveis da esquerda folclórica com a questão do “Orgulho Hetero” e provocou inúmeras reacções mais ou menos ortodoxas contra esta campanha. A marca chegou mesmo a retirar a campanha numa atitude de cobardia comercial ou então alertada para o facto da comunidade gay ser muito maior do que imaginavam os marketeers contratados pela empresa. Esta campanha foi assim obliterada por uns quantos protestos de saltos altos de barba. Que isto de ser heterosexual e ainda por cima ter orgulho nisso.
E como as memórias são como as conversas e estas como aqueles maravilhosos frutos que são as cerejas lembrei-me também do que ouvi ontem na TSF a propósito dos prejuízos na TAP por causa dos aumentos dos combustíveis. Aparentemente isto nada tem a ver com o asunto. Contudo, o presidente desta companhia afirma que, devido ao facto de existir um contrato por objectivos e destes estarem comprometidos pela presente situação do custo do combustível, havia que negiciar com os sindicatos para ver onde se poderia cortar…
Para que se compreenda a ligação, a abertura de mais uma loja desta cadeia internacional (a terceira em volume de facturação a nível mundial) representa uma tentativa esforçada e muito bem orquestrada para a diminuição da parvoíce no distrito do Porto. É óbvio que estes senhores vieram criar meia dúzia de postos e trabalho importantes para a região mas vieram também “marktelar” os preços e esmagar as margens para terem de pagar o menos possível aos seus funcionários para que, por sua vez os concorrentes se vejam obrigados a baixar as margens ao ponto de terem de pagar eles próprios também menos aos seus funcionários. E num apís onde pouco se produz e tudo se comercializa poucos serão os que escapam de ser funcionários destes senhores ou dos seus concorrentes. Depois os economistas com os seus neurónios tetraplégicos elogiam o mercado e aplaudem a concorrência afirmando que tudo isto é bom para o consumidor. Esquecem-se que esses mesmos funcionários são eles próprios os consumidores e entram no ciclo vicioso. Baixos preços, baixas margens, baixos salários, baixa qualidade de serviço… altos lucros… nenhuma empresa abre lojas sem que tenha um estudo preciso do impacto que estas vão ter na estrutura financeira da empresa. E quando se baixam margens, baixam-se salários e precarizam-se empregos.
O que o presidente da TAP disse vem mesmo seguimento. A empresa perde devido ao aumento dos combustíveis, quem paga são as “regalias” dos seus trabalhadores. É justo. Eu nunca andei de avião nem faço tensões de o fazer muito menos para alimentar estas ideias. Porque não aumentam os preços? Quem anda de avião é porque o pode fazer. Que pague por isso. Para além de tudo é o meio de transporte mais poluidor e mais esbanjador de combustível…
Em nenhuma destas realidades económicas estamos a falar de pão, leite ou arroz. Estamos a falar de, no exemplo da Media Markt, empresas virulentas. Dá vontade de partir para uma campanha do tipo “orgulho Parvo” por não querer pertencer ao grupo dos que em nome de preços absurdamente baixos (quando o dumping é ilegal neste país) transformam este país num país ele próprio absurdamente baixo que gosta que lhe chamem de parvo.
E como diria o presidente da TAP, “Eu é que não sou parvo…”
Fez-me lembrar há uns meses quando a cerveja Tagus lançou uma campanha que chocou as almas mais sensíveis da esquerda folclórica com a questão do “Orgulho Hetero” e provocou inúmeras reacções mais ou menos ortodoxas contra esta campanha. A marca chegou mesmo a retirar a campanha numa atitude de cobardia comercial ou então alertada para o facto da comunidade gay ser muito maior do que imaginavam os marketeers contratados pela empresa. Esta campanha foi assim obliterada por uns quantos protestos de saltos altos de barba. Que isto de ser heterosexual e ainda por cima ter orgulho nisso.
E como as memórias são como as conversas e estas como aqueles maravilhosos frutos que são as cerejas lembrei-me também do que ouvi ontem na TSF a propósito dos prejuízos na TAP por causa dos aumentos dos combustíveis. Aparentemente isto nada tem a ver com o asunto. Contudo, o presidente desta companhia afirma que, devido ao facto de existir um contrato por objectivos e destes estarem comprometidos pela presente situação do custo do combustível, havia que negiciar com os sindicatos para ver onde se poderia cortar…
Para que se compreenda a ligação, a abertura de mais uma loja desta cadeia internacional (a terceira em volume de facturação a nível mundial) representa uma tentativa esforçada e muito bem orquestrada para a diminuição da parvoíce no distrito do Porto. É óbvio que estes senhores vieram criar meia dúzia de postos e trabalho importantes para a região mas vieram também “marktelar” os preços e esmagar as margens para terem de pagar o menos possível aos seus funcionários para que, por sua vez os concorrentes se vejam obrigados a baixar as margens ao ponto de terem de pagar eles próprios também menos aos seus funcionários. E num apís onde pouco se produz e tudo se comercializa poucos serão os que escapam de ser funcionários destes senhores ou dos seus concorrentes. Depois os economistas com os seus neurónios tetraplégicos elogiam o mercado e aplaudem a concorrência afirmando que tudo isto é bom para o consumidor. Esquecem-se que esses mesmos funcionários são eles próprios os consumidores e entram no ciclo vicioso. Baixos preços, baixas margens, baixos salários, baixa qualidade de serviço… altos lucros… nenhuma empresa abre lojas sem que tenha um estudo preciso do impacto que estas vão ter na estrutura financeira da empresa. E quando se baixam margens, baixam-se salários e precarizam-se empregos.
O que o presidente da TAP disse vem mesmo seguimento. A empresa perde devido ao aumento dos combustíveis, quem paga são as “regalias” dos seus trabalhadores. É justo. Eu nunca andei de avião nem faço tensões de o fazer muito menos para alimentar estas ideias. Porque não aumentam os preços? Quem anda de avião é porque o pode fazer. Que pague por isso. Para além de tudo é o meio de transporte mais poluidor e mais esbanjador de combustível…
Em nenhuma destas realidades económicas estamos a falar de pão, leite ou arroz. Estamos a falar de, no exemplo da Media Markt, empresas virulentas. Dá vontade de partir para uma campanha do tipo “orgulho Parvo” por não querer pertencer ao grupo dos que em nome de preços absurdamente baixos (quando o dumping é ilegal neste país) transformam este país num país ele próprio absurdamente baixo que gosta que lhe chamem de parvo.
E como diria o presidente da TAP, “Eu é que não sou parvo…”
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Ainda bem que temos os carros topo de gama e uma vida de luxo, no terceiro mundo têm... saúde?? (2)
Segundo notícia publicada no site da revista Visão online "Cuba regista vacina contra cancro do pulmão. Uma vacina «terapêutica» que pode aumentar 30 a 40% do tempo de vida dos doentes terminais de cancro do pulmão foi registada pelo Centro de Imunologia Molecular (CIM) cubano"
De acordo com a notícia o produto designa-se por CIMAVAX EGF e é um compsto entre duas proteínas.
A aposta na ciência é um caminho traçado desde há muito tempo pelo sistema cubano que está a alcançar resultados a vários níveis sendo que este é um dos que se apresenta como mais mediático. Sendo ainda mais significativo tratando-se de um país submetido a um bloqueio de décadas. No entanto, na minha opinião, penso não ser o mais importante no momento. Nem sempre o mais mediático é o mais importante. Penso serem mais relevantes as iniciativas levadas a cabo por exemplo na Nicarágua onde médicos cubanos na chamada "Operação Milagre" realizaram mais de 25000 intervenções cirúrgicas de oftalmologia sobretudo nas camadas da população que não têm meios para pagar no sector privado.
É importante ter estas dados em conta quando se fala em direitos humanos pois a saúde é o bem e em consequência o direito mais fundamental ao ser humano.
De acordo com a notícia o produto designa-se por CIMAVAX EGF e é um compsto entre duas proteínas.
A aposta na ciência é um caminho traçado desde há muito tempo pelo sistema cubano que está a alcançar resultados a vários níveis sendo que este é um dos que se apresenta como mais mediático. Sendo ainda mais significativo tratando-se de um país submetido a um bloqueio de décadas. No entanto, na minha opinião, penso não ser o mais importante no momento. Nem sempre o mais mediático é o mais importante. Penso serem mais relevantes as iniciativas levadas a cabo por exemplo na Nicarágua onde médicos cubanos na chamada "Operação Milagre" realizaram mais de 25000 intervenções cirúrgicas de oftalmologia sobretudo nas camadas da população que não têm meios para pagar no sector privado.
É importante ter estas dados em conta quando se fala em direitos humanos pois a saúde é o bem e em consequência o direito mais fundamental ao ser humano.
Os Delírios bipolares…
Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados culpa o sindicalismo nas forças de segurança pelo aumento da criminalidade. Ainda considerei a hipótese de a frase ter sido proferida após a ingestão de bastantes bebidas alcoólicas, contudo, logo de seguida dispara mais uma daquelas verdades certas e sabidas para compor o ramalhete.
Diz então que há muitos políticos a saltar da actividade política para a actividade empresarial num abrir e fechar de olhos sendo que muitas vezes para empresas com as quais mantiveram algum tipo de relação ou dependência durante os mandatos políticos.
Parece-me claro que existem dois bastonários, dois Marinho Pinto. Um que segue a onda do populismo rasteiro de Paulo Portas. E o outro que é o recordista das citações em matéria de justiça pelo Bloco de Esquerda. Fico curioso o que tem o BE a responder à afirmação de culpabilização das práticas sindicais pela criminalidade crescente.
Diz então que há muitos políticos a saltar da actividade política para a actividade empresarial num abrir e fechar de olhos sendo que muitas vezes para empresas com as quais mantiveram algum tipo de relação ou dependência durante os mandatos políticos.
Parece-me claro que existem dois bastonários, dois Marinho Pinto. Um que segue a onda do populismo rasteiro de Paulo Portas. E o outro que é o recordista das citações em matéria de justiça pelo Bloco de Esquerda. Fico curioso o que tem o BE a responder à afirmação de culpabilização das práticas sindicais pela criminalidade crescente.
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domingo, 8 de junho de 2008
Mais uma golpada fiscal na calha
Uma recente aquisição sob a forma de aplicação informática vem reforçar a senda extorsionária do fisco português contribuindo ainda mais para o empobrecimento das pequenas e médias empresas e cidadãos contribuintes particulares.
Pela segunda vez o fisco ameaça com prisão os contribuintes faltosos numa espécie de atitude de “a bolsa ou a vida” a que temos vindo a ser habituados sobretudo neste período do governo PS/Sócrates.
O fisco acusa contribuintes e empresas de “enriquecimento ilícito” e de “abuso de confiança fiscal”, exactamente os crimes que podem ser imputados ao próprio fisco que tem deliberadamente “enchido os bolsos” à custa de muitos pseudo-processos instaurados sobre quem não tem forma de se defender. É necessário ter em conta que a justiça fiscal é um sistema que funciona à margem da do sistema judicial com plenos poderes para proceder ao saque de verbas e bens a contribuintes faltosos ou não.
Não existe qualquer filtro que permita separar situações que sejam de fraudes cometidas por empresas ou meras suspeições que são de imediato transformadas em “culpa” de uma formaque teria de ser considerada como anti-constitucional. O cidadão não tem qualquer forma de protecção contra o fascismo fiscal.
Esta nova aplicação informática a ser implementada dentro de uma semana é assim, mais um instrumento contra o contribuinte mas agindo em seu nome e do seu pretenso benefício, tal como tem sido no passado.
Na razão inversa do saque o estado demite-se cada vez mais das suas obrigações e do cumprimento do que são as funções básicas, razão para as quais cobra os impostos. Assim sendo, e falhando em todas as frentes, na saúde, na educação, na protecção social, no sistema judicial e no seu acesso, o estado português torna-se um comum ladrão que não merece o respeito dos cidadãos.
Pela segunda vez o fisco ameaça com prisão os contribuintes faltosos numa espécie de atitude de “a bolsa ou a vida” a que temos vindo a ser habituados sobretudo neste período do governo PS/Sócrates.
O fisco acusa contribuintes e empresas de “enriquecimento ilícito” e de “abuso de confiança fiscal”, exactamente os crimes que podem ser imputados ao próprio fisco que tem deliberadamente “enchido os bolsos” à custa de muitos pseudo-processos instaurados sobre quem não tem forma de se defender. É necessário ter em conta que a justiça fiscal é um sistema que funciona à margem da do sistema judicial com plenos poderes para proceder ao saque de verbas e bens a contribuintes faltosos ou não.
Não existe qualquer filtro que permita separar situações que sejam de fraudes cometidas por empresas ou meras suspeições que são de imediato transformadas em “culpa” de uma formaque teria de ser considerada como anti-constitucional. O cidadão não tem qualquer forma de protecção contra o fascismo fiscal.
Esta nova aplicação informática a ser implementada dentro de uma semana é assim, mais um instrumento contra o contribuinte mas agindo em seu nome e do seu pretenso benefício, tal como tem sido no passado.
Na razão inversa do saque o estado demite-se cada vez mais das suas obrigações e do cumprimento do que são as funções básicas, razão para as quais cobra os impostos. Assim sendo, e falhando em todas as frentes, na saúde, na educação, na protecção social, no sistema judicial e no seu acesso, o estado português torna-se um comum ladrão que não merece o respeito dos cidadãos.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Sobre as movimentações à esquerda
É evidente que, para que possa haver uma séria alteração do rumo das coisas a esquerda tem de aparecer mais unida que dividida. É certamente um bom sinal que estas movimentações aconteçam justamente nesta altura em que ainda é possível forçar o PS a uma maioria simples (uma vez que outra coisa ainda não é alcançável). No entanto devemos ter algumas coisas em consideração. Um PS com maioria simples é muito mais tentado a governar com os partidos que lhe são política e economicamente mais próximos fazendo acordos pontuais aqui e ali mas sempre, ou quase sempre, à sua direita.
Mesmo tendo uma ligeira simpatia pela figura política de Manuel Alegre que vai aparecendo como consciência crítica da esquerda do PS gostaria de compreender como é que esta “aliança” algo forçada destas esquerdas tão diversas termina no dia das eleições. É que Manuel Alegre vai estar na mesma lista do mesmo partido a engrossar os números que deputados que irão dar forma ao governo socialista. Os eleitores não irão ter nos seus boletins de voto a hipótese de votar no PS de Sócrates ou no PS de Alegre. No final das contas o voto vai para a mesma maioria. Em conclusão a voz de Manuel Alegre é em absoluto uma das formas mais inteligentes do PS somar votos. Soma o dos contentes com a governação e soma o dos descontentes que nas horas difíceis votam em consonância com a estratégia do governo. E ninguém no seu perfeito juízo acredita que o PS possa retirar Manuel Alegre das suas listas, onde ele pode ser verdadeiramente útil à estratégia global do partido.
Ficaria seriamente mais impressionado caso Manuel Alegre e todos os outros históricos do PS fundassem um partido ou movimento próprios ou pura e simplesmente participassem nos movimentos os partidos que já existem à esquerda do PS mesmo que como independentes. Só assim faz efectivamente sentido esta movimentação. Caso contrário trata-se meramente de areia nos olhos dos eleitores. Acredito, que com boas e genuínas intenções mas sem resultado prático se tudo isto não se tornar em algo de palpável nas urnas de voto.
Acredito profundamente que deve caminhar-se para um entendimento progressivo das esquerdas socialistas mesmo que isso não se traduza numa aliança eleitoral convencional (que vejo como impossível por enquanto entre BE e PCP e que nem será desejável neste momento pela carga histórica e política dos dois partidos) mas que pode aparecer em forma de entendimentos sobre as principais questões onde existem amplos consensos. O PCP é uma força fundamental à esquerda sendo mesmo um dos pilares da construção democrática do nosso país. O Bloco de Esquerda é um movimento novo sem uma firme identidade ideológica e por isso mesmo com o álibi histórico de não ter estado do lado de quaisquer erros. Daí a grande dificuldade de compreensão destas duas esquerdas tão próximas e tão distantes. É que o Bloco alega pretender caminhar para um socialismo rejeitando todas as formas que este tem vindo a assumir. A negação da história, dos seus erros mas também dos seus avanços, do pragmatismo das alianças estratégicas com as forças que internacionalmente podem bloquear uma intervenção com vista a desmantelar qualquer hipotética alternativa socialista na “nossa Europa” é o que impede estas esquerdas de se entenderem mutuamente. Perante o agravamento da crise a nível mundial é fundamental, é mesmo uma obrigação destas esquerdas alcançarem um entendimento sob pena de perdermos a mais flagrante oportunidade histórica talvez de sempre.
No entanto vejo-me forçado a repetir o mote que me leva a esta intervenção reduzindo à nossa pequena realidade. A tal questão de saber o que as pessoas retiram desta “aliança” estranha de quem, na hora da verdade irá aparecer em lados opostos das escolhas eleitorais. Afinal, votar em Alegre é votar em Sócrates e no seu governo… será que vamos ter surpresas nesta matéria?
Mesmo tendo uma ligeira simpatia pela figura política de Manuel Alegre que vai aparecendo como consciência crítica da esquerda do PS gostaria de compreender como é que esta “aliança” algo forçada destas esquerdas tão diversas termina no dia das eleições. É que Manuel Alegre vai estar na mesma lista do mesmo partido a engrossar os números que deputados que irão dar forma ao governo socialista. Os eleitores não irão ter nos seus boletins de voto a hipótese de votar no PS de Sócrates ou no PS de Alegre. No final das contas o voto vai para a mesma maioria. Em conclusão a voz de Manuel Alegre é em absoluto uma das formas mais inteligentes do PS somar votos. Soma o dos contentes com a governação e soma o dos descontentes que nas horas difíceis votam em consonância com a estratégia do governo. E ninguém no seu perfeito juízo acredita que o PS possa retirar Manuel Alegre das suas listas, onde ele pode ser verdadeiramente útil à estratégia global do partido.
Ficaria seriamente mais impressionado caso Manuel Alegre e todos os outros históricos do PS fundassem um partido ou movimento próprios ou pura e simplesmente participassem nos movimentos os partidos que já existem à esquerda do PS mesmo que como independentes. Só assim faz efectivamente sentido esta movimentação. Caso contrário trata-se meramente de areia nos olhos dos eleitores. Acredito, que com boas e genuínas intenções mas sem resultado prático se tudo isto não se tornar em algo de palpável nas urnas de voto.
Acredito profundamente que deve caminhar-se para um entendimento progressivo das esquerdas socialistas mesmo que isso não se traduza numa aliança eleitoral convencional (que vejo como impossível por enquanto entre BE e PCP e que nem será desejável neste momento pela carga histórica e política dos dois partidos) mas que pode aparecer em forma de entendimentos sobre as principais questões onde existem amplos consensos. O PCP é uma força fundamental à esquerda sendo mesmo um dos pilares da construção democrática do nosso país. O Bloco de Esquerda é um movimento novo sem uma firme identidade ideológica e por isso mesmo com o álibi histórico de não ter estado do lado de quaisquer erros. Daí a grande dificuldade de compreensão destas duas esquerdas tão próximas e tão distantes. É que o Bloco alega pretender caminhar para um socialismo rejeitando todas as formas que este tem vindo a assumir. A negação da história, dos seus erros mas também dos seus avanços, do pragmatismo das alianças estratégicas com as forças que internacionalmente podem bloquear uma intervenção com vista a desmantelar qualquer hipotética alternativa socialista na “nossa Europa” é o que impede estas esquerdas de se entenderem mutuamente. Perante o agravamento da crise a nível mundial é fundamental, é mesmo uma obrigação destas esquerdas alcançarem um entendimento sob pena de perdermos a mais flagrante oportunidade histórica talvez de sempre.
No entanto vejo-me forçado a repetir o mote que me leva a esta intervenção reduzindo à nossa pequena realidade. A tal questão de saber o que as pessoas retiram desta “aliança” estranha de quem, na hora da verdade irá aparecer em lados opostos das escolhas eleitorais. Afinal, votar em Alegre é votar em Sócrates e no seu governo… será que vamos ter surpresas nesta matéria?
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quinta-feira, 29 de maio de 2008
O rufar dos tambores
A situação política e económica do país está a criar uma forte participação popular. Sobre todos os aspectos desta crise têm falado muitos analistas e quase todos no meio sentido. Ela veio para ficar. Mas numa análise mais profunda temos uma cada vez maior divisão entre os que acreditam que tudo se torna inevitável e que o mercado está a ser consumido pelas suas próprias regras e aqueles que vêm no sistema em si o motor de toda esta imprevisibilidade que nos arrasta para aquilo que esses mesmos comentadores vão adivinhando, sérias convulsões sociais.
Parece, tudo isto, mais uma anedota do determinismo económico que vivemos e que assenta num sistema que se quer cada vez mais liberal mas com um liberalismo que se quer cada vez mais também com pilares bem fundos na sustentação dos estados. A hegemonia proclamada dos sectores privados subsiste e comprova-se na mendigagem e na regulamentação por baixo das mesas e nas subsídio-dependências criadas e alimentadas por um sistema económico que se apresenta como única solução e última via. Contudo um sistema que não consegue explicar de forma racional e muito menos controlar a forma irracional como o valor do barril de petróleo vem subindo nos últimos meses. Todos os dias ouvimos os mesmos comentadores paridos e criados na doutrina económica oficial que ontem a subida se deveu a um atentado na Nigéria, hoje no facto de as reservas petrolíferas nos Estados Unidos estarem mais baixas do que o previsto e amanhã será por outra coisa qualquer.
Os países produtores e exportadores de petróleo não entendem eles mesmo a razão de tais subidas. Não houve grandes alterações na extracção e na distribuição. As quantias lançadas no mercado são suficientes para a normal utilização mesmo com os actuais níveis de desenvolvimento das chamadas economias emergentes. Assim sendo, e não estando ninguém verdadeiramente empenhado em criar alternativas que sejam viáveis e duradouras ao petróleo, sabemos que muitos estão interessados justamente em manter estes aumentos insuportáveis porque a sociedade actual não está preparada para substituir a suas principal fonte de energia sobretudo para os transportes. É difícil explicar um português porque pagam os venezuelanos 30 cêntimos de euro por cada litro de gasolina ou porque pagam os norte americanos em média (uma vez que lá os mercados realmente estão liberalizados) 1,04 dólares por litro de gasolina (preço de retalho, ou seja ao consumidor final). É ainda mais difícil explicar como mesmo ao lado temos uma diferença que ronda em média os 20 cêntimos em Espanha pela mesma gasolina sendo que a carga fiscal aplicada em Portugal ronda os 60% do valor ao consumidor.
Alguns ultra-liberais já apareceram a pedir uma regulamentação pela baixa do ISP estando a pedir algo que é antagónico com as suas ideias e os seus princípios e mais uma vez exigindo do estado que venha resolver os problemas criados pelas regras especulativas do mercado que alimentam e no qual apenas vêem virtudes.
O que esta crise mundial (mas encarada levianamente a nível nacional e não apenas em Portugal) vai produzir é um exército de pobres que podem muito bem arrombar as portas das fortalezas onde esta gente se refugia. O fim desta novela está longe de estar à vista e pode muito bem ser que os comentadores tenham razão num ponto do que dizem. Irão certamente nascer e crescer um pouco por todo o lado convulsões sociais com consequências imprevisíveis. Contudo, o tão proclamado fim da história com a “perestroika” do Sr. Gorbatchov que ditou o fim de um caminho alternativo pouco viável e pleno de erros, não chegou há uma década atrás. Antes pelo contrário, hoje comprova-se que o próprio sistema capitalista apresenta uma crise e que o mercado só por si não pode nunca funcionar sem que se criem estas crises cíclicas geradoras de uma pobreza sistemática numa vasta maioria da população mundial. Não é possível acreditarmos que não se esperava que o desenvolvimento de países como a China, fossem desestabilizar as forças económicas mundiais. Estamos a falar de um sexto da população mundial e com aspirações a prosperidade e desenvolvimento e que tem pela sua frente uma batalha gigantesca para conseguir prosseguir num caminho onde a ilusão consumista possa coexistir com a protecção social devida numa sociedade com o modelo político actual.
Com tudo isto e muito mais urge participar no processo de mudança e na construção da barreira que possa travar a insanidade do livre arbítrio do mercado. Urge o colocar em causa os próprios fundamentos do nosso sistema político, social e sobretudo económico.
Em Portugal essa batalha é encabeçada por muitos cidadãos que participam e juntam a sua voz em iniciativas como o comício que junta forças políticas como o BE, a Renovação Comunista e alguns elementos da esquerda do PS como Manuel Alegre ou Helena Roseta no dia 3 de Junho pelas 21:30 no Teatro Trindade em Lisboa. No dia 5 de Junho tem lugar outra esperada grandiosa manifestação popular convocada pela CGTP com vista a alertar para os perigos das pretendidas alterações na legislação do trabalho.
Parece, tudo isto, mais uma anedota do determinismo económico que vivemos e que assenta num sistema que se quer cada vez mais liberal mas com um liberalismo que se quer cada vez mais também com pilares bem fundos na sustentação dos estados. A hegemonia proclamada dos sectores privados subsiste e comprova-se na mendigagem e na regulamentação por baixo das mesas e nas subsídio-dependências criadas e alimentadas por um sistema económico que se apresenta como única solução e última via. Contudo um sistema que não consegue explicar de forma racional e muito menos controlar a forma irracional como o valor do barril de petróleo vem subindo nos últimos meses. Todos os dias ouvimos os mesmos comentadores paridos e criados na doutrina económica oficial que ontem a subida se deveu a um atentado na Nigéria, hoje no facto de as reservas petrolíferas nos Estados Unidos estarem mais baixas do que o previsto e amanhã será por outra coisa qualquer.
Os países produtores e exportadores de petróleo não entendem eles mesmo a razão de tais subidas. Não houve grandes alterações na extracção e na distribuição. As quantias lançadas no mercado são suficientes para a normal utilização mesmo com os actuais níveis de desenvolvimento das chamadas economias emergentes. Assim sendo, e não estando ninguém verdadeiramente empenhado em criar alternativas que sejam viáveis e duradouras ao petróleo, sabemos que muitos estão interessados justamente em manter estes aumentos insuportáveis porque a sociedade actual não está preparada para substituir a suas principal fonte de energia sobretudo para os transportes. É difícil explicar um português porque pagam os venezuelanos 30 cêntimos de euro por cada litro de gasolina ou porque pagam os norte americanos em média (uma vez que lá os mercados realmente estão liberalizados) 1,04 dólares por litro de gasolina (preço de retalho, ou seja ao consumidor final). É ainda mais difícil explicar como mesmo ao lado temos uma diferença que ronda em média os 20 cêntimos em Espanha pela mesma gasolina sendo que a carga fiscal aplicada em Portugal ronda os 60% do valor ao consumidor.
Alguns ultra-liberais já apareceram a pedir uma regulamentação pela baixa do ISP estando a pedir algo que é antagónico com as suas ideias e os seus princípios e mais uma vez exigindo do estado que venha resolver os problemas criados pelas regras especulativas do mercado que alimentam e no qual apenas vêem virtudes.
O que esta crise mundial (mas encarada levianamente a nível nacional e não apenas em Portugal) vai produzir é um exército de pobres que podem muito bem arrombar as portas das fortalezas onde esta gente se refugia. O fim desta novela está longe de estar à vista e pode muito bem ser que os comentadores tenham razão num ponto do que dizem. Irão certamente nascer e crescer um pouco por todo o lado convulsões sociais com consequências imprevisíveis. Contudo, o tão proclamado fim da história com a “perestroika” do Sr. Gorbatchov que ditou o fim de um caminho alternativo pouco viável e pleno de erros, não chegou há uma década atrás. Antes pelo contrário, hoje comprova-se que o próprio sistema capitalista apresenta uma crise e que o mercado só por si não pode nunca funcionar sem que se criem estas crises cíclicas geradoras de uma pobreza sistemática numa vasta maioria da população mundial. Não é possível acreditarmos que não se esperava que o desenvolvimento de países como a China, fossem desestabilizar as forças económicas mundiais. Estamos a falar de um sexto da população mundial e com aspirações a prosperidade e desenvolvimento e que tem pela sua frente uma batalha gigantesca para conseguir prosseguir num caminho onde a ilusão consumista possa coexistir com a protecção social devida numa sociedade com o modelo político actual.
Com tudo isto e muito mais urge participar no processo de mudança e na construção da barreira que possa travar a insanidade do livre arbítrio do mercado. Urge o colocar em causa os próprios fundamentos do nosso sistema político, social e sobretudo económico.
Em Portugal essa batalha é encabeçada por muitos cidadãos que participam e juntam a sua voz em iniciativas como o comício que junta forças políticas como o BE, a Renovação Comunista e alguns elementos da esquerda do PS como Manuel Alegre ou Helena Roseta no dia 3 de Junho pelas 21:30 no Teatro Trindade em Lisboa. No dia 5 de Junho tem lugar outra esperada grandiosa manifestação popular convocada pela CGTP com vista a alertar para os perigos das pretendidas alterações na legislação do trabalho.
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sexta-feira, 16 de maio de 2008
Lei mal parida
Circula por estes dias na internet uma petição para revisão da nova Lei do Divórcio que, ao que parece, transporta consigo algumas bases de injustiça e algumas incongruências.
Estou certo que o projecto apresentado pelo Bloco de Esquerda seria muito mais interessante logo à partida pelo conceito que lhe está subjacente. Contudo não foi esse o projecto aprovado.
Penso que, melhor que qualquer um destes projectos seia terminar de uma vez por todas com essa instituição absurda que é o casamento. Essa tradição folclórica é causadora de muitas situações incrivelmente desumanas quando seria suposto ser justamente o centro da célula fundamental da sociedade, a família. Acontece que a família não necessita de contratos desde que as pessoas se comportem enquanto tal.
Estou certo que o projecto apresentado pelo Bloco de Esquerda seria muito mais interessante logo à partida pelo conceito que lhe está subjacente. Contudo não foi esse o projecto aprovado.
Penso que, melhor que qualquer um destes projectos seia terminar de uma vez por todas com essa instituição absurda que é o casamento. Essa tradição folclórica é causadora de muitas situações incrivelmente desumanas quando seria suposto ser justamente o centro da célula fundamental da sociedade, a família. Acontece que a família não necessita de contratos desde que as pessoas se comportem enquanto tal.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
E eis que acordam para a vida...
Finalmente parece que começamos a receber as verdadeiras notícias sobre a viagem de Sócrates à Venezuela.
Segundo a LUSA está contemplado um projecto de construção de habitação social nos arredores de Caracas no valor de quinhentos milhões de dólares."Foram ainda assinados outros nove acordos entre a venezuelana Bariven, uma filial da estatal Petróleos da Venezuela S.A. (Pdvsa) com a Rui Costa de Sousa Irmãos, Primor, Monte Bravo Produtos, Lactogal, Gelpeixe, Conservas Ramirez, Vetragri, Saprovor e Cofaco."
O mais interessante a retirar destes acordos é que Portugal consegue garantir que o pagamento do petróleo venezuelano seja parcialmente coberto com exportações para aquele país. Trata-se portanto, de um bom negócio para ambas as partes.
É bom que tenhamos a noção que os lucros da petrolífera portuguesa vão aumentar não sofrendo quaisquer alterações ao consumidor final. a intenção do governo é justamente aumentar as vias de aquisição de petróleo, de preferência aumentando também as margens e consequentemente o imposto cobrado nas gasolineiras.
Sócrates joga mais uma carta que funciona como corda de forca para a oposição à sua direita dialogando e negociando com Chavéz (talvez impulsionado pela comunidade portuguesa naquele país) e ao mesmo tempo mantêm-se em jogo no tabuleiro da crise internacional com a ilusão do bom governante. Nestes aspectos de táctica política é mesmo uma muito boa ilusão. Engana qualquer incauto...
Segundo a LUSA está contemplado um projecto de construção de habitação social nos arredores de Caracas no valor de quinhentos milhões de dólares."Foram ainda assinados outros nove acordos entre a venezuelana Bariven, uma filial da estatal Petróleos da Venezuela S.A. (Pdvsa) com a Rui Costa de Sousa Irmãos, Primor, Monte Bravo Produtos, Lactogal, Gelpeixe, Conservas Ramirez, Vetragri, Saprovor e Cofaco."
O mais interessante a retirar destes acordos é que Portugal consegue garantir que o pagamento do petróleo venezuelano seja parcialmente coberto com exportações para aquele país. Trata-se portanto, de um bom negócio para ambas as partes.
É bom que tenhamos a noção que os lucros da petrolífera portuguesa vão aumentar não sofrendo quaisquer alterações ao consumidor final. a intenção do governo é justamente aumentar as vias de aquisição de petróleo, de preferência aumentando também as margens e consequentemente o imposto cobrado nas gasolineiras.
Sócrates joga mais uma carta que funciona como corda de forca para a oposição à sua direita dialogando e negociando com Chavéz (talvez impulsionado pela comunidade portuguesa naquele país) e ao mesmo tempo mantêm-se em jogo no tabuleiro da crise internacional com a ilusão do bom governante. Nestes aspectos de táctica política é mesmo uma muito boa ilusão. Engana qualquer incauto...
No país das comadres
Está provado que somo num país de comadres. Mesmo no meio de situações importantes apenas nos interessa a coscuvilhice primária.
Sócrates viaja até a Venezuela e nada se ouve do que foi lá fazer e da importância que pode ter esta visita nestes tempos de crise ao país com a gasolina mais barata do mundo. E o que nos interessa isso quando o nosso primeiro é apanhado a fumar durante o voo. Crime terrível que preencheu vastos minutos nas televisões nacionais.
Sócrates viaja até a Venezuela e nada se ouve do que foi lá fazer e da importância que pode ter esta visita nestes tempos de crise ao país com a gasolina mais barata do mundo. E o que nos interessa isso quando o nosso primeiro é apanhado a fumar durante o voo. Crime terrível que preencheu vastos minutos nas televisões nacionais.
domingo, 11 de maio de 2008
MAIS UM CRIME DO TERRORISMO DA DGCI
Passou no noticiário de vários canais mais um caso insólito de estupidez extorsionária por parte dos serviços de finanças, desta vez a um cidadão deficiente desde 1982 (ou cuja certidão inicial remonta a esta data). Contudo, na primeira vez que este cidadão apresenta a sua declaração por via electrónica no ano 2000 fá-lo com um erro não tendo colocado a sua situação de deficiente. O serviço de finanças, que tinha já na sua posse o documento que fazia prova da situação do contribuinte presumiu que este ficara miraculosamente são durante o ano 2000 tendo voltado à situação anterior de incapacidade de cerca de 90% logo no ano seguinte.
Sucede que este cidadão contribuinte é advogado de profissão mas apenas viu uma resposta para o seu caso recorrendo aos canais televisivos. É que neste momento, e em consequência da estupidez dos serviços e dos funcionários que lidaram com o processo foram-lhe penhorados bens por uma dívida que, obviamente, não existe. De acordo com o noticiário os serviços de finanças prontificaram-se a anular a dívida. No entanto fica aqui a questão de sabermos quantos cidadãos não estão neste momento a ser vítimas destes ou de piores abusos por parte da mais parasitária instituição do nosso estado capitalista, a DGCI.
Sucede que este cidadão contribuinte é advogado de profissão mas apenas viu uma resposta para o seu caso recorrendo aos canais televisivos. É que neste momento, e em consequência da estupidez dos serviços e dos funcionários que lidaram com o processo foram-lhe penhorados bens por uma dívida que, obviamente, não existe. De acordo com o noticiário os serviços de finanças prontificaram-se a anular a dívida. No entanto fica aqui a questão de sabermos quantos cidadãos não estão neste momento a ser vítimas destes ou de piores abusos por parte da mais parasitária instituição do nosso estado capitalista, a DGCI.
Pelo sim, pelo não… o melhor é apostar nos cavalos todos
Na consequência de uma postura inteligente do primeiro-ministro português os interesses do país saem reforçados com os recentes acordos entre algumas empresas nacionais e empresas congéneres da Venezuela. Num leque de acordos que contemplam desde a Galp Energia, os Estaleiros de Viana do Castelo ou a Edisoft (ambas da Holding do estado para a defesa Empordef).
Para Portugal é fundamental o alargamento do leque de países com os quais possamos contar para o desenvolvimento de laços não só económicos mas de todas as outras formas possíveis. O facto de não estar presente o habitual sectarismo político que elimina as possibilidades de bons negócios com aqueles que nos podem gerar melhores condições à partida é um factor a saudar aos governantes portugueses, que não sendo imunes à poeira propagandística contra a Alternativa Bolivariana e defendem primariamente os interesses do país. Claro que pode ser com base numa hipocrisia escondida debaixo do tapete, mas o que conta são os resultados positivos no final.
Para Portugal é fundamental o alargamento do leque de países com os quais possamos contar para o desenvolvimento de laços não só económicos mas de todas as outras formas possíveis. O facto de não estar presente o habitual sectarismo político que elimina as possibilidades de bons negócios com aqueles que nos podem gerar melhores condições à partida é um factor a saudar aos governantes portugueses, que não sendo imunes à poeira propagandística contra a Alternativa Bolivariana e defendem primariamente os interesses do país. Claro que pode ser com base numa hipocrisia escondida debaixo do tapete, mas o que conta são os resultados positivos no final.
… e depois esquecer a carne do cavalo…
Desde a entrada na Comunidade Económica Europeia (hoje União Europeia) que Portugal tem vindo a ser pressionado para não produzir no sector da agricultura. Houve mesmo durante os anos de ouro dos fundos europeus uma fúria abstémica na produção agrícola provocada pelo estímulo à não produção.
A Europa passada ignorava uma Europa futura onde, estava claro que iria ser necessário por mãos à obra e voltar a concentrar esforços em produzir bens alimentares de primeira necessidade. Não estaria com toda a certeza o mundo ocidental a apostar num eterno atraso dos chamados países emergentes. O aumento do consumo era assim uma fatalidade sendo, como aliás sempre disseram à esquerda e à direita as várias tendências políticas em todos os países europeus que neles se opuseram à própria construção europeia ou ao seu formato escolhido.
Desta feita, e este comentário vem justamente nesse sentido, foi a vez de Paulo Portas a estranhar o facto de Portugal não apostar nas culturas primárias mais importantes e que representam os maiores aumentos de preços ao consumidor nos últimos meses, nomeadamente os cereais, a carne e o leite. Neste momento em que as candidaturas aos apoios para produção agrícola previstos no Programa de Desenvolvimento Rural estão abertas, estes produtos não foram, claramente, uma aposta do governo.
Esta dependência externa de produtos cuja necessidade é primária representa um risco acrescido para a economia portuguesa. Esperemos que os nossos governantes saibam encontrar alternativas viáveis para colmatar os resultados desta crise provocada pela especulação normal dos mercados capitalistas nestas circunstâncias.
O que é estranho é que seja Paulo Portas a alertar para uma situação tão crítica quanto esta quando participou muito activamente na criação do problema.
A Europa passada ignorava uma Europa futura onde, estava claro que iria ser necessário por mãos à obra e voltar a concentrar esforços em produzir bens alimentares de primeira necessidade. Não estaria com toda a certeza o mundo ocidental a apostar num eterno atraso dos chamados países emergentes. O aumento do consumo era assim uma fatalidade sendo, como aliás sempre disseram à esquerda e à direita as várias tendências políticas em todos os países europeus que neles se opuseram à própria construção europeia ou ao seu formato escolhido.
Desta feita, e este comentário vem justamente nesse sentido, foi a vez de Paulo Portas a estranhar o facto de Portugal não apostar nas culturas primárias mais importantes e que representam os maiores aumentos de preços ao consumidor nos últimos meses, nomeadamente os cereais, a carne e o leite. Neste momento em que as candidaturas aos apoios para produção agrícola previstos no Programa de Desenvolvimento Rural estão abertas, estes produtos não foram, claramente, uma aposta do governo.
Esta dependência externa de produtos cuja necessidade é primária representa um risco acrescido para a economia portuguesa. Esperemos que os nossos governantes saibam encontrar alternativas viáveis para colmatar os resultados desta crise provocada pela especulação normal dos mercados capitalistas nestas circunstâncias.
O que é estranho é que seja Paulo Portas a alertar para uma situação tão crítica quanto esta quando participou muito activamente na criação do problema.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
E assim se faz jornalismo... ou qualquer coisa parecida...
Hoje deparo com esta notícia no "Sapo notícias" com o logo, símbolo da marca inegualável da "Lusa" Passo a citar:
"Venezuela: "Apagão" deixa 19 Estados às escuras
29 de Abril de 2008, 23:17
Caracas, 29 Abr (Lusa) - Uma avaria de grandes dimensões numa linha de transmissão deixou, hoje, sem energia eléctrica 18 dos 24 Estados da Venezuela, incluindo a capital, gerando o caos nas principais cidades do país.
O "apagão", que teve lugar pelas 16:15 locais (22:45 em Lisboa) e nalgumas cidades durou pelo menos meia hora, causou o caos no trânsito, nomeadamente em Caracas, onde se registaram alguns acidentes em urbanizações como San Bernardino e La Candelária.
Vários portugueses confirmaram, à Agência Lusa, que o corte de energia eléctrica suscitou dificuldades nas comunicações telefónicas nacionais, incluindo nos telemóveis e interrupções momentâneas na Internet.
"No Centro Comercial Galerias El Ávila, várias pessoas saíram assustadas para a rua, causando confusão", disse uma das fontes.
Segundo o general de brigada do Exército, Gustavo González López, o "apagão afectou ainda o Metropolitano de Caracas, que parou, tendo o sistema de energia alternativo permitido unicamente que as carruagens em funcionamento chegassem ao destino e os passageiros fossem evacuados.
A falha eléctrica aconteceu na chamada "hora de ponta" em que, em Caracas, centenas de milhar de pessoas saem dos seus trabalhos.
A avaria, segundo Hipólito Izquierdo, presidente da Corporação Eléctrica Nacional, teve causas indeterminadas, prevendo-se que a situação esteja normalizada nas próximas quatro horas, mantendo-se o abastecimento intermitente.
A falha afectou o Distrito Capital (Caracas) e os Estados de Miranda, Vargas, Maracay, Zúlia, Lara, Yaracuy, Guárico, Miranda, Carabobo, Bolívar, Anzoátegui, Portuguesa, Barinas, Arágua, Vargas, Falcón e Mérida.
As autoridades estão a apelar aos cidadãos para manterem a calma e absterem-se de sair para a rua se tal for possível.
Na Venezuela, existem várias empresas de electricidade associadas à Electricidade de Caracas, nacionalizada em 2007 pelo presidente Hugo Chávez.
FPG.
Lusa/Fim"
É de facto uma notícia relevante que um país com a dimensão da Venezuela sofra um fenómeno deste tipo. Embora não seja de estranhar que no futuro venham a suceder cada vez mais. Estas coisas acontecem a quem desafia certos poderes estabelecidos. Atentados, golpes de estado, boicotes ou bloqueios, e porque não, sabotagens. Claro que estou meramente a especular. Permito-me fazê-lo pois não sou jornalista. Mas vejamos o que está mal neste quadro.
Os leitores não se enganaram ao ler a hora do acontecimento. 16:15 horas locais com a duração de cerca de meia hora. Imagino eu que, a esta hora deve ter o horizonte ficado escuro como breu ou como um outro fenómeno poderia provocar, um eclipse total. Mas parece que apenas se eclipsou a razoabilidade dos escritos sobre a Venezuela. Ficou então escuro às 16:15 provocando acidentes de automóvel um pouco pelos 18 estados afectados.
E como a Venezuela está hoje no epicentro das notícias, das 16:15, ou seja 22:45 em Portugal continental às 23:17 em que a notícia foi publicada vai uma pequena fracção de tempo, por acaso coincidente com aquele da duração do tal apagão. 30 minutos para se pensar e para se escrever mais uma notícia sobre a Venezuela e ainda por cima nestes moldes.
Depois, notícia das notícias o facto de cidadãos terem saído assustados do centro comercial perante a falta de electricidade. Terá isso a ver com o facto de estar sempre iminente um novo golpe de estado e as pessoas terem a consciência que o seu país se encontra em rota de colisão com o bom gigante... por mim também teria medo mesmo que fosse em Portugal, mesmo que estivesse numa esquadra de polícia.
E o remate final de fino recorte jornalistico é o facto de se ligar todo o texto anterior ao desfecho que significa a culpabilidade máxima do sucedido. Afinal são várias empresas que trabalham em rede para a nacionalizada "Electricidade de Caracas". Este comentárío representa a lógica de comentário político mascarado de tirada inocente, contudo despropositada e desavergonhada. Ou seja, liga a incompetência ao facto de ser uma empresa estatal. O que significa que não existiria um apagão se não houvesse sido operada a nacionalização.
Assim se faz uma espécie de jornalismo...
"Venezuela: "Apagão" deixa 19 Estados às escuras
29 de Abril de 2008, 23:17
Caracas, 29 Abr (Lusa) - Uma avaria de grandes dimensões numa linha de transmissão deixou, hoje, sem energia eléctrica 18 dos 24 Estados da Venezuela, incluindo a capital, gerando o caos nas principais cidades do país.
O "apagão", que teve lugar pelas 16:15 locais (22:45 em Lisboa) e nalgumas cidades durou pelo menos meia hora, causou o caos no trânsito, nomeadamente em Caracas, onde se registaram alguns acidentes em urbanizações como San Bernardino e La Candelária.
Vários portugueses confirmaram, à Agência Lusa, que o corte de energia eléctrica suscitou dificuldades nas comunicações telefónicas nacionais, incluindo nos telemóveis e interrupções momentâneas na Internet.
"No Centro Comercial Galerias El Ávila, várias pessoas saíram assustadas para a rua, causando confusão", disse uma das fontes.
Segundo o general de brigada do Exército, Gustavo González López, o "apagão afectou ainda o Metropolitano de Caracas, que parou, tendo o sistema de energia alternativo permitido unicamente que as carruagens em funcionamento chegassem ao destino e os passageiros fossem evacuados.
A falha eléctrica aconteceu na chamada "hora de ponta" em que, em Caracas, centenas de milhar de pessoas saem dos seus trabalhos.
A avaria, segundo Hipólito Izquierdo, presidente da Corporação Eléctrica Nacional, teve causas indeterminadas, prevendo-se que a situação esteja normalizada nas próximas quatro horas, mantendo-se o abastecimento intermitente.
A falha afectou o Distrito Capital (Caracas) e os Estados de Miranda, Vargas, Maracay, Zúlia, Lara, Yaracuy, Guárico, Miranda, Carabobo, Bolívar, Anzoátegui, Portuguesa, Barinas, Arágua, Vargas, Falcón e Mérida.
As autoridades estão a apelar aos cidadãos para manterem a calma e absterem-se de sair para a rua se tal for possível.
Na Venezuela, existem várias empresas de electricidade associadas à Electricidade de Caracas, nacionalizada em 2007 pelo presidente Hugo Chávez.
FPG.
Lusa/Fim"
É de facto uma notícia relevante que um país com a dimensão da Venezuela sofra um fenómeno deste tipo. Embora não seja de estranhar que no futuro venham a suceder cada vez mais. Estas coisas acontecem a quem desafia certos poderes estabelecidos. Atentados, golpes de estado, boicotes ou bloqueios, e porque não, sabotagens. Claro que estou meramente a especular. Permito-me fazê-lo pois não sou jornalista. Mas vejamos o que está mal neste quadro.
Os leitores não se enganaram ao ler a hora do acontecimento. 16:15 horas locais com a duração de cerca de meia hora. Imagino eu que, a esta hora deve ter o horizonte ficado escuro como breu ou como um outro fenómeno poderia provocar, um eclipse total. Mas parece que apenas se eclipsou a razoabilidade dos escritos sobre a Venezuela. Ficou então escuro às 16:15 provocando acidentes de automóvel um pouco pelos 18 estados afectados.
E como a Venezuela está hoje no epicentro das notícias, das 16:15, ou seja 22:45 em Portugal continental às 23:17 em que a notícia foi publicada vai uma pequena fracção de tempo, por acaso coincidente com aquele da duração do tal apagão. 30 minutos para se pensar e para se escrever mais uma notícia sobre a Venezuela e ainda por cima nestes moldes.
Depois, notícia das notícias o facto de cidadãos terem saído assustados do centro comercial perante a falta de electricidade. Terá isso a ver com o facto de estar sempre iminente um novo golpe de estado e as pessoas terem a consciência que o seu país se encontra em rota de colisão com o bom gigante... por mim também teria medo mesmo que fosse em Portugal, mesmo que estivesse numa esquadra de polícia.
E o remate final de fino recorte jornalistico é o facto de se ligar todo o texto anterior ao desfecho que significa a culpabilidade máxima do sucedido. Afinal são várias empresas que trabalham em rede para a nacionalizada "Electricidade de Caracas". Este comentárío representa a lógica de comentário político mascarado de tirada inocente, contudo despropositada e desavergonhada. Ou seja, liga a incompetência ao facto de ser uma empresa estatal. O que significa que não existiria um apagão se não houvesse sido operada a nacionalização.
Assim se faz uma espécie de jornalismo...
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Quando o democrático se torna anormal
Ontem, na SIC Notícias, e a propósito da actual crise no PSD, um comentador político que por acaso também é jornalista, considerou como anormal o definhamento do PSD em detrimento dos partidos à esquerda do PS. Para o comentador José António Teixeira este crescimento à esquerda´parece ser um sinal de que afinal a democracia tal como foi concebida pode estar a querer deixar de funcionar.
E ele tem razão. A democracia tal como foi concebida e como é aplicada apenas suporta dois partidos de poder, PS e PSD e todos os partidos à esquerda do PS devem ser sempre marginais. Ora, as sondagens dão aproximadamente 18% ao conjunto dos votos no PCP/CDU e do BE. Desde 1979 que a esquerda não tinha tanta força eleitoral e isso compreende-se pela realidade política e social que vivemos. COntudo, para os comentadores que estão habituados ao sistema que ajudam a manter este é um facto anormal e desiquilibrador. Revela um definhamento político de uma direita sem norte e que já provou não ter capacidades governativas. Ou será que não? É que a actual crise no PSD foi também ela criada e mantida pelos próprios jornalistas e comentadores residentes dos media nacionais em concertação com os interesses do governo. E mais estranho ainda é que a classe dos jornalistas é justamente uma das classes mais afectadas por vinculos laborais precários ou a ausência total deles. Afinal, não há almoços de borla e temos todos de fazer pela vida.
"Anormal" é um comentador político residente de um canal televisivo achar anormal o sentido de voto dos eleitores num sistema a que chamam de demecrático. Normal será, para estes senhores termos, à semelhança de outras paragens, dois partidos apenas por onde escolher sendo que entre eles as diferenças não são nenhumas.
Isto até parece mesmo o 24 de Abril...
E ele tem razão. A democracia tal como foi concebida e como é aplicada apenas suporta dois partidos de poder, PS e PSD e todos os partidos à esquerda do PS devem ser sempre marginais. Ora, as sondagens dão aproximadamente 18% ao conjunto dos votos no PCP/CDU e do BE. Desde 1979 que a esquerda não tinha tanta força eleitoral e isso compreende-se pela realidade política e social que vivemos. COntudo, para os comentadores que estão habituados ao sistema que ajudam a manter este é um facto anormal e desiquilibrador. Revela um definhamento político de uma direita sem norte e que já provou não ter capacidades governativas. Ou será que não? É que a actual crise no PSD foi também ela criada e mantida pelos próprios jornalistas e comentadores residentes dos media nacionais em concertação com os interesses do governo. E mais estranho ainda é que a classe dos jornalistas é justamente uma das classes mais afectadas por vinculos laborais precários ou a ausência total deles. Afinal, não há almoços de borla e temos todos de fazer pela vida.
"Anormal" é um comentador político residente de um canal televisivo achar anormal o sentido de voto dos eleitores num sistema a que chamam de demecrático. Normal será, para estes senhores termos, à semelhança de outras paragens, dois partidos apenas por onde escolher sendo que entre eles as diferenças não são nenhumas.
Isto até parece mesmo o 24 de Abril...
sábado, 19 de abril de 2008
Menezes e o problema de Casting
Deu-se o inevitável. Cansado de tanta pancada (muita dela justificada) Menezes bate com a porta à liderança do PSD e deixa um espaço em aberto para si mesmo num futuro próximo.
Espero que nestes dias consiga fazer-se rodear de algumas pessoas que possam acrescentar de positivo à amálgama de criaturas insólitas que vêm rodeando o ex-futuro presidente do PSD.
Pessoalmente, e como já escrevi várias vezes, acredito nas teorias de conspiração de Menezes e Santana Lopes, esses descarados que tiveram a ousadia de querer tomar o partido dos barões e baronetas nas mãos das bases. O processo que se tem vindo a dar no PSD estava já a colocar em causa a superioridade intelectual dos lordes instalados no partido desde a morte de Sá Carneiro e dos que foram depois criados e mantidos com o cavaquismo e suas consequências. Menezes é mais que um homem do norte, frontal mas por vezes incoerente. Tentou reciclar a sua imagem e amaciar o seu discurso. Confesso que preferia o Menezes de há uns anos, com a sua linguagem mais politicamente incorrecta roçando mesmo o estilo de Valentim Loureiro ou Alberto João Jardim. Sempre preferi pessoas frontais a alforrecas. Mas continuando, acredito que existiu uma manobra consertada para destruir Santana Lopes e Luis F. Menezes. Eles não representam as elites do PSD apesar de serem a sua ala mais verdadeira, assumidamente liberal e "reformista" (a palavra no PSD é enganadora).
Para mim é indiferente quem lidere o PSD. O partido não mudará o seu rumo e continuará sempre igual a si mesmo sendo, nesta democracia amputada, a alternativa de poder. Um dia, quando se levantar de novo ou quando o governo Sócrates cair de podre.
Para além disso e porque respeito pessoal e politicamente as duas figuras de Santana Lopes e L. F. Menezes, prefiro ver este último de novo nos destinos da C. M. de Gaia de onde nunca deveria ter saído se tivesse querido preservar a sua imagem.
A par com um problema de filha-da-putice interna no partido e de manipulação pelo PS e pelos media, Menezes deu-se com um problema grave de Casting.
Espero que nestes dias consiga fazer-se rodear de algumas pessoas que possam acrescentar de positivo à amálgama de criaturas insólitas que vêm rodeando o ex-futuro presidente do PSD.
Pessoalmente, e como já escrevi várias vezes, acredito nas teorias de conspiração de Menezes e Santana Lopes, esses descarados que tiveram a ousadia de querer tomar o partido dos barões e baronetas nas mãos das bases. O processo que se tem vindo a dar no PSD estava já a colocar em causa a superioridade intelectual dos lordes instalados no partido desde a morte de Sá Carneiro e dos que foram depois criados e mantidos com o cavaquismo e suas consequências. Menezes é mais que um homem do norte, frontal mas por vezes incoerente. Tentou reciclar a sua imagem e amaciar o seu discurso. Confesso que preferia o Menezes de há uns anos, com a sua linguagem mais politicamente incorrecta roçando mesmo o estilo de Valentim Loureiro ou Alberto João Jardim. Sempre preferi pessoas frontais a alforrecas. Mas continuando, acredito que existiu uma manobra consertada para destruir Santana Lopes e Luis F. Menezes. Eles não representam as elites do PSD apesar de serem a sua ala mais verdadeira, assumidamente liberal e "reformista" (a palavra no PSD é enganadora).
Para mim é indiferente quem lidere o PSD. O partido não mudará o seu rumo e continuará sempre igual a si mesmo sendo, nesta democracia amputada, a alternativa de poder. Um dia, quando se levantar de novo ou quando o governo Sócrates cair de podre.
Para além disso e porque respeito pessoal e politicamente as duas figuras de Santana Lopes e L. F. Menezes, prefiro ver este último de novo nos destinos da C. M. de Gaia de onde nunca deveria ter saído se tivesse querido preservar a sua imagem.
A par com um problema de filha-da-putice interna no partido e de manipulação pelo PS e pelos media, Menezes deu-se com um problema grave de Casting.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Resposta pública ao e-mail do senhor director geral da Direcção Geral de Contribuições e impostos
Demorou alguns dias mas tinha de de responder ao simpático e-mail remetido pelo senhor director, que nunca tive o prazer de conhecer, mas que simpaticamente me enviou um e-mail no passado dia 4 de Abril. É evidente que não me enviou a mim em particular. Eu sei que não tenho direito a essas honrarias e ainda bem. Todos os portugueses registados no site das finanças receberam exactamente o mesmo texto com a ligeira alteração do nome e número de contribuinte.
Também sei que não é para ser respondido, mas não posso resistir à tentação de lhe dizer que esta é uma missiva de mau gosto que nos revela a maior facilidade com que as finanças ajudam a roubar os bens de alguns desafortunados da vida entregando-os assim de bandeja aos abutres profissionais através destes sistemas, para não dizer mesmo esquemas, que vão ajudando a que aumente o fosso entre os ricos e os pobres deste país.
Eu sei, caro Director, que as finanças não existem para que se crie justiça social. Isso seria tarefa dos políticos e das políticas. E sabemos que quando estes falham a todos os níveis quanto mais for sacado ao contribuinte menor será o buraco cavado pelas más práticas dessa mesma política. Mais sabemos que não é objectivo das finanças ir buscar a quem mais tem mas sim onde é mais fácil. A minha resposta é clara e inequívoca. A esses bens penhorados pode o senhor director fazer o que bem entender. Pode inclusivamente continuar a entupir as caixas de correio electrónico com essas mensagens de mau gosto. Para mim passa directamente para a categoria de Spam da mesma forma que a DGCI passou à muito à categoria de instituição parasitária, espinha dorsal pelo financiamento do sistema político podre e corrupto que nos tem vindo a governar desde a fundação da nação.
Sem mais assunto de momento, um futuro contribuinte espanhol.
Também sei que não é para ser respondido, mas não posso resistir à tentação de lhe dizer que esta é uma missiva de mau gosto que nos revela a maior facilidade com que as finanças ajudam a roubar os bens de alguns desafortunados da vida entregando-os assim de bandeja aos abutres profissionais através destes sistemas, para não dizer mesmo esquemas, que vão ajudando a que aumente o fosso entre os ricos e os pobres deste país.
Eu sei, caro Director, que as finanças não existem para que se crie justiça social. Isso seria tarefa dos políticos e das políticas. E sabemos que quando estes falham a todos os níveis quanto mais for sacado ao contribuinte menor será o buraco cavado pelas más práticas dessa mesma política. Mais sabemos que não é objectivo das finanças ir buscar a quem mais tem mas sim onde é mais fácil. A minha resposta é clara e inequívoca. A esses bens penhorados pode o senhor director fazer o que bem entender. Pode inclusivamente continuar a entupir as caixas de correio electrónico com essas mensagens de mau gosto. Para mim passa directamente para a categoria de Spam da mesma forma que a DGCI passou à muito à categoria de instituição parasitária, espinha dorsal pelo financiamento do sistema político podre e corrupto que nos tem vindo a governar desde a fundação da nação.
Sem mais assunto de momento, um futuro contribuinte espanhol.
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