Tal como anunciado no site da banda de metal-progressivo está previsto um concerto a 18 de Junho do corrente ano no Coliseu de Lisboa. Mais informações no site oficial da banda aqui.
domingo, 1 de março de 2009
Aumentos de tarifários nas telecomunicações
Já era esperada a notícia dos aumentos mas mesmo assim não seixa de ser escandaloso que isso suceda, principalmente no actual momento económico nacional e global.
Mas, quanto aos aumentos nem sequer há muito a dizer. O que deve ser mencionado é que, mais uma vez, e à margem de qualquer actuação de entidades reguladoras, os operadores actuam em conjunto e aumentam em igual percentagem que se sabe, de antemão, ser de 2,5%. Com o maior descaramento se fala em mercado livre a nas vantagens da concorrência. Esse velho mito desmentido no dia-a-dia da cartelização do universo das telecomunicações (principalmente as móveis) no nosso país.
Mas, quanto aos aumentos nem sequer há muito a dizer. O que deve ser mencionado é que, mais uma vez, e à margem de qualquer actuação de entidades reguladoras, os operadores actuam em conjunto e aumentam em igual percentagem que se sabe, de antemão, ser de 2,5%. Com o maior descaramento se fala em mercado livre a nas vantagens da concorrência. Esse velho mito desmentido no dia-a-dia da cartelização do universo das telecomunicações (principalmente as móveis) no nosso país.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Associação Nacional de Proprietários propõe Sociedade Pública de Aluguer
Parece estar na moda esta solução. Uns têm as propriedades ou o capital. Os outros, os contribuintes em geral devem servir de fiadores para que não haja quebra no rendimento dos primeiros. É isto que defende a ANP. É como quem diz, escolhemos viver em sistema capitalista desde que eu capitalize e o estado assegure. Ver aqui.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Manipulação sem vergonha!
Peço a atenção para o texto presente na imagem seguinte. Uma comunicação da agencia Lusa sobre o referendo na Venezuela.A manipulação torpe apresenta-se sob a forma de uma mentira inqualificável. A considerar os seguintes acpectos:
Estas foram eleições livres e reconhecidas por todos enquanto tal. Mesmo tendo tido grandes influências de fora em favor do voto no NÃO.
O que estava em causa, ao contrário do que diz o texto da notícia, não é a manutenção vitalícia no cargo de presidente de Hugo Rafael Chávez Frias, e muito menos "enquanto assim o desejar". O que estava a votação era uma simples alteração que permita a candidatos (mesmo os da oposição) em cargos desde poder local até à presidência da República possam ter mais do que os dois mandatos a que a constituição permitia.
Na grande maioria dos países democráticos não existe tal limite, estando nas mãos dos eleitores votar pela solução que entenderem. Se entenderem dar 3 ou 4 mandatos a um presidente, governador ou alcaide, poderão fazê-lo.
Esta expressão vomitada no texto de notícia "que poderá permitir ao Presidente Hugo Chávez permanecer vitaliciamente no cargo enquanto assim o desejar" é um símbolo de falta de ética jornalística e de falta à verdade de informação. Pior´, é uma forma de, mentindo, transmitir uma mensagem política dirigida ao anti-chavismo português. Na realidade, esta peça retrata o filho-da-putismo da escola jornalistica moderna escrava dos grandes grupos de comunicação. Basta saber ler e saber entender as coisas para denunciar estas tentativas golpistas à nossa inteligência.
Uma vitória histórica para a humanidade!
A vitória do SIM no referendo ocorrido este domingo na Venezuela é um passo importante para uma alteração da visão global não só do processo revolucionário na Venezuela como também de toda uma vontade de mudança na américa latina. Talvez possa parecer algo abusivo mas esta vitória, vejo-a como o retomar na Venezuela um processo que assassinaram no Chile em 1973 com o derrube do governo de Allende. Chávez não é Allende e 2009 não tem comparação com 1973. Muita História já passou e as ideologias estão de volta ao processo de progresso global contra o determinismo neo-liberal do fim da História e da morte da política pela economia.Hoje Venezuela, amanhã o mundo! Viva a Venezuela! SOlidariedade internacionalista com o processo revolucionário venezuelano!
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
PFM em Portugal, no GAR 2009
Uma das melhores bandas de sempre, de músicos virtuosos, de temas únicos e de pessoas incríveis. Da Itália os PREMIATA FORNERIA MARCONI naquela que será uma oportunidade certamente única e uma experiência imperdíveis para os amantes de música, e em particular deste género do progressivo, num concerto no já tão importante Gouveia Art Rock, edição de 2009.
Pelo que se vê dos concertos que vão fazendo por aí são mesmo como o vinho do Porto!
Já havia feito referência a esta banda mas nunca é demais!
Pelo que se vê dos concertos que vão fazendo por aí são mesmo como o vinho do Porto!
Já havia feito referência a esta banda mas nunca é demais!
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Rock Progressivo
Em solidariedade com todos os trabalhadores do BPN
No meio de toda esta trapalhada que se tornou o caso BPN, o resultado prático da escola económica do cavaquismo, e em inteira concordância com a decisão do governo quanto à nacionalização da instituição bancária é fundamental salientar algumas questões:- Os trabalhadores do BPN não podem ser os castigados pela mega fraude cometida pelo administrador (pelo que se vê das intervenções de antigos responsáveis com o conhecimento de muitos na estrutura administrativa).
- Um dos pressupostos para a nacionalização justa e legitima é precisamente a defesa da posição dos depositantes mas também a salvaguarda da posição dos trabalhadores do banco.
- O BPN deve manter-se como banco comercial público em concorrência directa e aberta com os bancos comerciais privados dentro do grupo Caixa Geral de Depósitos.
- O caso BPN nada tem em comum com o caso BPP e falsamente aparecem em conjunto nas parangonas dos noticiários. O BPP não é um banco comercial genérico e baseia o seu negócio na gestão de fortunas. Não possui estrutura de agências pelo país e deve olhar-se com muita atenção para a sua composição e estrutura accionista.
- O BPN tem viabilidade mesmo a curto prazo, e por isso mesmo, ainda de pensa e se fala que possam aparecer investidores privados que queiram assumir o controlo do banco. O BPN não deve voltar a mãos privadas. Esse é o negócio habitual, salvar com dinheiros públicos os falhanços e as fraudes privadas para voltar a entregar por ninharias a empresa limpa de quaisquer problemas financeiros.
Por tudo isto penso que o BPN, tal como a CGD devem ser defendidos como bancos públicos que são, e mantidos enquanto tal como espinha dorsal do sistema bancário nacional.
Reafirmando a solidariedade para com os trabalhadores do BPN...
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Algumas considerações sobre as movimentações eleitorais
Havia prometido uma breve análise à convenção do Bloco de Esquerda, não por qualquer questão específica mas por me parecer ter sido o palco de uma alteração significativa de tom do Bloco. Por tom quero dizer, como se deve entender, o modo e a linguagem de intervenção política. Há aqui um desfasamento curioso mas que joga em favor do Bloco, mas também da esquerda em geral. Um desfasamento entre o Francisco Louçã de há cinco anos atrás e o de hoje, bem mais próximo da postura e linguagem autênticos dos tempos do PSR.
Talvez exista uma inspiração europeia nos movimentos mais recentes em França e na Alemanha com as esquerdas a tornarem-se verdadeiras dores de cabeça aos poderes estabelecidos. O movimento de unidade à esquerda representado pelo Die Linke ou as novas formações do género bloquista que estão a florescer um pouco por toda esta Europa dá algum alento a Louçã para este aparente anacronismo. O Francisco louçã de 2009 recua para um tom mais “esquerdista” (no mau sentido da palavra) mas ao mesmo tempo com uma postura e um conhecimento de causa amadurecido pela História e pelos anos que passaram por ele e o tornaram uma pessoa mais soft. Daí o desfasamento. Uma pessoa definitivamente mais madura nas suas opções políticas, mais desvinculado de um radicalismo esquerdista aparece precisamente com a velha linguagem do seu PSR.
Nada de difícil compreensão. Hoje ouve-se senhores do PS a falar de cortar benesses dos gestores e pensa-se que o PS está com o delírio da febre que em períodos de crise os ataca como doença rara ou mal ruim. O PS já se desfez da esquerda há muito mantendo alguns militantes em banho Maria para que não se ponha em causa o pluralismo na farsa totalitarista que representa a manutenção dos interesses do bloco central. Pelo menos é assim que lhes chamam. Para mim não tem muito de central. A seta está espetada bem à direita, mas conceda-se que a esquerda não está patenteada. E como diz Miguel Urbano Rodrigues, hoje não faz sentido a palavra esquerda ou esquerdista. Pode mesmo ter um significado altamente negativo. Hoje faz mais sentido o termo “progressista”. E no PS ainda há progressistas? Claro que sim. Não tenho quaisquer dúvidas quanto a isso. Mas essa base consciente progressista do PS está aninhada ante o medo de dar o passo seguinte rumo à tomada de posição que faça jus ao nome do seu partido. Têm medo de experimentar a criação e preferem viver na imitação do lixo social produzido pelos outros. Têm medo da palavra e muito mas da experiência revolucionária de ensaiar o socialismo. Não posso então, juntar neste pote os progressistas temerosos do PS com a renascida linguagem revolucionária acrescida da maturidade calculista do Bloco de Esquerda saído desta convenção. Eu diria que saiu reforçado porque não teve medo de afirmar o anti-capitalismo e o socialismo como caminho a trilhar para o futuro. O Bloco vinculou-se claramente à construção, à criação revolucionária do socialismo em Portugal.
Temos assim, a serem efectivos estes desejos e a serem reais estas intenções, não uma ideologia formada, não um seguidismo de qualquer “ismo” novo ou velho, mas uma hipótese interessante de projectar no futuro resultados eleitorais em alianças em sede legislativa com as outras forças progressistas mais clássicas, mais vincadas ideologicamente como o PCP no sentido de termos uma esquerda muito mais forte e muito mais influente.
Ora, PCP e BE são como água e azeite, contudo são forças inseparáveis para um caminho que se espera poder vir a ser percorrido. Não podemos conceber uma via socialista, um projecto revolucionário sem as concepções contraditórias mas complementares em determinados aspectos destas diferentes forças progressistas. Á excepção de pequenos floreados políticos e de alguns temas algo folclóricos, as bases assentam na mesma estrutura política, no mesmo princípio e nada existe de verdadeiramente fracturante entre estas duas forças políticas (na teoria, claro).
PCP e BE tomaram as opções correctas para os seus caminhos eleitorais. As convergências das forças progressistas devem ser pós e nunca pré-eleitorais. O anti-bloquismo do PCP e o anti-comunismo dos bloquistas são referências meramente clubisticas sem grande noção ideológica, como se pode depreender mesmo do resultado desta convenção bloquista. Há falta de pragmatismo e realismo no BE e muita ingenuidade na ideia de se poder construir sem resistência feroz um sistema alternativo, político e económico. O actual sistema e as forças no poder não o largam com a maior das facilidades. Este BE com a velha linguagem do PSR, mesmo ganhando eleições nunca chegaria a formar um governo. Ilusões quanto a isso podem ser fatais ao projecto social que, segundo as suas palavras ditas e escritas, se propõem empreender. Daí que todas as forças progressistas são necessárias para esse caminho que não será fácil mas que é, definitivamente, possível!
É possível desfazer a farsa totalitária PS/PSD mas o caminho é tortuoso. E é possível integrar todos nesse processo à semelhança das interessantes experiências europeias (ainda em fase embrionária) e na América latina já com evidentes progressos.
Aos progressistas que se refugiam no voto útil na farsa totalitária do PS/PSD é tempo de atirar fora o medo da construção de uma nova e diferente sociedade. É preciso devolver humanismo à sociedade. É preciso depositar os votos à esquerda para uma verdadeira alternativa socialista.
Talvez exista uma inspiração europeia nos movimentos mais recentes em França e na Alemanha com as esquerdas a tornarem-se verdadeiras dores de cabeça aos poderes estabelecidos. O movimento de unidade à esquerda representado pelo Die Linke ou as novas formações do género bloquista que estão a florescer um pouco por toda esta Europa dá algum alento a Louçã para este aparente anacronismo. O Francisco louçã de 2009 recua para um tom mais “esquerdista” (no mau sentido da palavra) mas ao mesmo tempo com uma postura e um conhecimento de causa amadurecido pela História e pelos anos que passaram por ele e o tornaram uma pessoa mais soft. Daí o desfasamento. Uma pessoa definitivamente mais madura nas suas opções políticas, mais desvinculado de um radicalismo esquerdista aparece precisamente com a velha linguagem do seu PSR.
Nada de difícil compreensão. Hoje ouve-se senhores do PS a falar de cortar benesses dos gestores e pensa-se que o PS está com o delírio da febre que em períodos de crise os ataca como doença rara ou mal ruim. O PS já se desfez da esquerda há muito mantendo alguns militantes em banho Maria para que não se ponha em causa o pluralismo na farsa totalitarista que representa a manutenção dos interesses do bloco central. Pelo menos é assim que lhes chamam. Para mim não tem muito de central. A seta está espetada bem à direita, mas conceda-se que a esquerda não está patenteada. E como diz Miguel Urbano Rodrigues, hoje não faz sentido a palavra esquerda ou esquerdista. Pode mesmo ter um significado altamente negativo. Hoje faz mais sentido o termo “progressista”. E no PS ainda há progressistas? Claro que sim. Não tenho quaisquer dúvidas quanto a isso. Mas essa base consciente progressista do PS está aninhada ante o medo de dar o passo seguinte rumo à tomada de posição que faça jus ao nome do seu partido. Têm medo de experimentar a criação e preferem viver na imitação do lixo social produzido pelos outros. Têm medo da palavra e muito mas da experiência revolucionária de ensaiar o socialismo. Não posso então, juntar neste pote os progressistas temerosos do PS com a renascida linguagem revolucionária acrescida da maturidade calculista do Bloco de Esquerda saído desta convenção. Eu diria que saiu reforçado porque não teve medo de afirmar o anti-capitalismo e o socialismo como caminho a trilhar para o futuro. O Bloco vinculou-se claramente à construção, à criação revolucionária do socialismo em Portugal.
Temos assim, a serem efectivos estes desejos e a serem reais estas intenções, não uma ideologia formada, não um seguidismo de qualquer “ismo” novo ou velho, mas uma hipótese interessante de projectar no futuro resultados eleitorais em alianças em sede legislativa com as outras forças progressistas mais clássicas, mais vincadas ideologicamente como o PCP no sentido de termos uma esquerda muito mais forte e muito mais influente.
Ora, PCP e BE são como água e azeite, contudo são forças inseparáveis para um caminho que se espera poder vir a ser percorrido. Não podemos conceber uma via socialista, um projecto revolucionário sem as concepções contraditórias mas complementares em determinados aspectos destas diferentes forças progressistas. Á excepção de pequenos floreados políticos e de alguns temas algo folclóricos, as bases assentam na mesma estrutura política, no mesmo princípio e nada existe de verdadeiramente fracturante entre estas duas forças políticas (na teoria, claro).
PCP e BE tomaram as opções correctas para os seus caminhos eleitorais. As convergências das forças progressistas devem ser pós e nunca pré-eleitorais. O anti-bloquismo do PCP e o anti-comunismo dos bloquistas são referências meramente clubisticas sem grande noção ideológica, como se pode depreender mesmo do resultado desta convenção bloquista. Há falta de pragmatismo e realismo no BE e muita ingenuidade na ideia de se poder construir sem resistência feroz um sistema alternativo, político e económico. O actual sistema e as forças no poder não o largam com a maior das facilidades. Este BE com a velha linguagem do PSR, mesmo ganhando eleições nunca chegaria a formar um governo. Ilusões quanto a isso podem ser fatais ao projecto social que, segundo as suas palavras ditas e escritas, se propõem empreender. Daí que todas as forças progressistas são necessárias para esse caminho que não será fácil mas que é, definitivamente, possível!
É possível desfazer a farsa totalitária PS/PSD mas o caminho é tortuoso. E é possível integrar todos nesse processo à semelhança das interessantes experiências europeias (ainda em fase embrionária) e na América latina já com evidentes progressos.
Aos progressistas que se refugiam no voto útil na farsa totalitária do PS/PSD é tempo de atirar fora o medo da construção de uma nova e diferente sociedade. É preciso devolver humanismo à sociedade. É preciso depositar os votos à esquerda para uma verdadeira alternativa socialista.
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Uma mudança de tom à Esquerda
Penso que tem alguma relevância e interesse analisar o que foi a última Convenção do Bloco de Esquerda e o seu significado real para a alteração de tom da Esquerda à esquerda do centro monolítico da política nacional.
Sem querer estar a fazer eu mesmo essa análise neste momento e neste espaço (esper fazê-lo muito em breve) ficam dois vídeos de intervenção de Francisco Louçã, que foram os seleccionados pela própria estrutura para divulgação no site do partido.
Sem querer estar a fazer eu mesmo essa análise neste momento e neste espaço (esper fazê-lo muito em breve) ficam dois vídeos de intervenção de Francisco Louçã, que foram os seleccionados pela própria estrutura para divulgação no site do partido.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Mas qual concorrência?
Um dos princípios básicos (ao que dizem) do sistema capitalista é que a concorrência gera melhor qualidade de produto ou serviço a preço mais baixo. Sendo este um dos mitos transformados em ciência económica é contrariado no dia-a-dia pela evidência que o capitalismo é, só por si a negação da ideia da concorrência. O pilar onde assenta o sistema capitalista é precisamente na concentração do capital e nos monopólios, muitas vezes disfarçados, nas fusões e aquisições constantes rumo a uma gigantesca corporação global.
Alguns bons aprendizes, como Portugal, criam "autoridades" para regular a concorrência e supostamente para evitar que existam situações de monopólio. Mas se assim é como se explica que, em 17 de Dezembro de 2008 essa "Autoridade da Concorrência" tenha deliberado favoravelmente tomando uma Decisão de Não Oposição do controlo exclusivo da TVTEL pela TVCABO? Na decisão sublinhava-se o acompanhamento da "imposição de condições e obrigações destinadas a garantir a manutenção da concorrência efectiva no mercado da televisão por subscrição, nos termos e para os efeitos do artigo 35.º, n.º 1 alínea b) e n.º 3, da Lei n.º 18/2003, de 11 de Junho (“Lei da Concorrência”)."
Na grande maioria do país as pessoas que decidem optar por um serviço de televisão por subscrição não têm outra alternativa que não a TVCABO. Os clientes, neste caso da zona do Porto, que tinham um concorrente e que subscreviam o seu produto em alternativa ao da TVCABO (agora convertida em ZON) deixaram de o poder fazer. E se não querem ZON, não podem querer mais nada pois não existe alternativa. E a isto a "Autoridade da Concorrência diz SIM?
O problema nem são os monopólios em si mas sim o facto de serem monopóplios privados que crescem sem controlo, na prática sem qualquer regulação efectiva. Este é um caos entre muitos e, diga-se de passagem bem mais grave que o negócio pensado há uns tempos entre BCP e BPI porque na banca existem alternativas tanto privadas como públicas. No serviço de subscrição de TV elas não existem de todo.
Alguns bons aprendizes, como Portugal, criam "autoridades" para regular a concorrência e supostamente para evitar que existam situações de monopólio. Mas se assim é como se explica que, em 17 de Dezembro de 2008 essa "Autoridade da Concorrência" tenha deliberado favoravelmente tomando uma Decisão de Não Oposição do controlo exclusivo da TVTEL pela TVCABO? Na decisão sublinhava-se o acompanhamento da "imposição de condições e obrigações destinadas a garantir a manutenção da concorrência efectiva no mercado da televisão por subscrição, nos termos e para os efeitos do artigo 35.º, n.º 1 alínea b) e n.º 3, da Lei n.º 18/2003, de 11 de Junho (“Lei da Concorrência”)."
Na grande maioria do país as pessoas que decidem optar por um serviço de televisão por subscrição não têm outra alternativa que não a TVCABO. Os clientes, neste caso da zona do Porto, que tinham um concorrente e que subscreviam o seu produto em alternativa ao da TVCABO (agora convertida em ZON) deixaram de o poder fazer. E se não querem ZON, não podem querer mais nada pois não existe alternativa. E a isto a "Autoridade da Concorrência diz SIM?
O problema nem são os monopólios em si mas sim o facto de serem monopóplios privados que crescem sem controlo, na prática sem qualquer regulação efectiva. Este é um caos entre muitos e, diga-se de passagem bem mais grave que o negócio pensado há uns tempos entre BCP e BPI porque na banca existem alternativas tanto privadas como públicas. No serviço de subscrição de TV elas não existem de todo.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Mestria e simplicidade - um catalisador de memórias
ALguns poderão dizer que é mergulhar no passado. No entanto isso não é possível. A simplicidade continua a ser o factor diferenciador na genialidade. Por exemplo, os senhores que criaram este tema são músicos brilhantes e virtuosos. As suas obras dominaram o universo da música progressiva por alguns anos. Foram uma dass poucas super-bandas do género que conseguiam encher estádios de pessoas em completo delírio com a loucura em palco criada pelos três criadores.
Da mestria da sua obra ficaram para sempre na cabeça de muitos de nós temas que muitas vezes ouvimos e nem sabiamos de quem eram quando raramente passavam nas rádios. Naquela boa altura em que existiram as famosas rádios piratas e havia de tudo um pouco. Não se resumiam a passar playlists de merda. Tinham programas melhores ou piores mas era rádio. E isto, mas ou menos simples, era música.
No mais simples e belo que souberam fazer, os Emerson, lake and Palmer.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Evo Morales triunfa e refunda a Bolivia
sábado, 24 de janeiro de 2009
Qimonda, Sócrates diz que fará tudo para salvar empresa

Depois de um longo percurso em que governos alemão e português tentaram salvar a Qimonda, empresa alemã com produção em Portugal, parece que o esdorço de nada valeu e foi ontem apresentado o plano de insolvência da empresa.
Tendo em conta que esta organização produz produtos tecnológicos de ponta que constam nas áreas defendidas pelo governo português como fundamentais para o desenvolvimento do país, e sobretudo que esta empresa é ao momento o maior exportador nacional, e ainda o facto de ter o primeiro-ministro referido a vontade de fazer TUDO o que está ao seu alcance, poder-se-á assim exigir do governo a solução extrema. A nacionalização da Qimonda Portugal e o consequente salvamento dos 1700 postos de trabalho que a companhia representa no noss país. O fecho desta empresa implica uma catástrofe económica na zona de Vila do Conde. O norte do país é já o mais fustigado pela crise e sobretudo pelo desemprego e pelas suas consequências directas e indirectas.
Fazer tudo, neste caso pode mesmo ter de ser o recurso à medida mais radical mas mais justa e mais relevante para a economia nacional. Nacinalize-se a Qimonda!
Uma solução com precedentes
Segundo notícia que pode ser lida na íntegra aqui, o banco Barclays tem 70% de hipóteses de ser nacionalizado com a desvalorização consecutiva do valor das suas acções.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Mais uma partida prematura
e porque não podia deixas de ser...
Conheci o João Aguardela precisamente no dia em que, pela primeira vez toquei ao vivo com uma banda completamente idiota com música perfeitamente imbecil chamada Suburbanos. Fomos os segundos do alinhamento das três bandas que tinham como cabeça de cartaz precisamente os Sitiados. Apesar das diferenças de sonoridade as três bandas foram muito bem aceites. Os Sitiados ainda não tinham lançado o seu primeiro álbum naquela data da qual não me recordo (era quase uma criança...). Contudo lembro-me que o concerto foi organizado pela Associação de estudantes da minha escola (Secundária de Cascais) e com o patrocínio (já na altura importante) da Câmara Municipal de Cascais.
Durante alguns anos fui acompanhando, e algumas vezes com oportunidade de trocar algumas palavras com o João Aguardela, em diversas iniciativas musicais ou políticas e mesmo em concertos dos Sitiados que fazia sempre questão em ir ver. Era um criativo e sobretudo muito boa gente. Mesmo não o tendo conhecido para além destas pequenas frases trocadas aqui ou ali não posso deixar de manifestar sentida tristeza pelo facto de saber que já não se encontra entre nós.
sábado, 17 de janeiro de 2009
A mestria de Gordon Gilptrap brevemente em Portugal
Gordon Giltrap, uma das presenças confirmadas da edição do Gouveia Art Rock 2009.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
A entrevista do primeiro
Nesta noite foi apresentada a primeira grande entrevista do ano do primeiro-ministro José Sócrates na SIC. Talvez não deva ser catalogada exactamente desta forma uma vez que não se tratou exactamente de uma entrevista mas antes de três monólogos incoerentes e propagandísticos.
Os jornalistas colocaram perguntas e não esperaram respostas, aliás tentaram sempre impedir que estas fossem produzidas. O primeiro-ministro, por sua vez, com a habilidade que lhe é característica tentou a muito custo desviar as manobras jornalísticas dos entrevistadores de forma a jogarem a seu favor.
Sócrates foi o único grande vencedor do combate uma vez que a forma rasteira de apresentar trabalho por parte dos dois entrevistadores (Ricardo Costa e José Gomes Ferreira) lhe rendeu um resultado, quer na forma quer no conteúdo, que superou tudo o que se podia esperar de um encontro deste género.
Sabemos de antemão que a qualidade dos políticos portugueses é muito baixa. Ficamos a saber, com mais uma hora de comprovação, que não se ficam atrás os jornalistas. Num país que continua a apelar à competitividade esses apelos têm surtido todos os possíveis efeitos quando se trata de nivelar por baixo a qualidade de todas as actividades em geral, e em particular das que estão ligadas directa ou indirectamente com a política. O jornalismo está seriamente comprometido com estas figuras e com as que se seguiram a comentar de forma ridícula esta vergonha de entrevista.
Ricardo Costa fez demagogia e aproveitou-se do seu posto numa empresa privada de comunicação social para esgrimir argumentos quando deveria ter colocado questões. Mas, não se limitando a esgrimir argumentos, fê-lo de forma a defender a sua tese mais que conhecida de neo-liberalista confesso a apontar o dedo. Ele que não foi eleito para coisa alguma enfrenta o primeiro-ministro com a questão da nacionalização do BPN e pergunta com o dedo em riste porque tem este banco, agora público, as melhores taxas de juro do mercado. Dizendo sem qualquer pudor por duas vezes “o seu banco”, quando todos sabemos que o banco não é do primeiro-ministro e que a intervenção foi no sentido de uma nacionalização com vista à protecção dos depósitos. Porque pratica então o BPN as melhores taxas? Porque esse é o seu dever enquanto um dos melhores bancos comerciais agora, felizmente, nacionalizado. O que incomoda assim tanto Ricardo Costa? A concorrência do BPN (CGD) com a banca privada no negócio crescente neste período de crise que são os depósitos a prazo. Ricardo Costa defende quem?
Sendo José Sócrates um homem da direita moderada, aparece nesta anedótica entrevista como um homem de uma aparente esquerda porque os seus interlocutores são os representantes das ideias da direita política e económica.
Os jornalistas colocaram perguntas e não esperaram respostas, aliás tentaram sempre impedir que estas fossem produzidas. O primeiro-ministro, por sua vez, com a habilidade que lhe é característica tentou a muito custo desviar as manobras jornalísticas dos entrevistadores de forma a jogarem a seu favor.
Sócrates foi o único grande vencedor do combate uma vez que a forma rasteira de apresentar trabalho por parte dos dois entrevistadores (Ricardo Costa e José Gomes Ferreira) lhe rendeu um resultado, quer na forma quer no conteúdo, que superou tudo o que se podia esperar de um encontro deste género.
Sabemos de antemão que a qualidade dos políticos portugueses é muito baixa. Ficamos a saber, com mais uma hora de comprovação, que não se ficam atrás os jornalistas. Num país que continua a apelar à competitividade esses apelos têm surtido todos os possíveis efeitos quando se trata de nivelar por baixo a qualidade de todas as actividades em geral, e em particular das que estão ligadas directa ou indirectamente com a política. O jornalismo está seriamente comprometido com estas figuras e com as que se seguiram a comentar de forma ridícula esta vergonha de entrevista.
Ricardo Costa fez demagogia e aproveitou-se do seu posto numa empresa privada de comunicação social para esgrimir argumentos quando deveria ter colocado questões. Mas, não se limitando a esgrimir argumentos, fê-lo de forma a defender a sua tese mais que conhecida de neo-liberalista confesso a apontar o dedo. Ele que não foi eleito para coisa alguma enfrenta o primeiro-ministro com a questão da nacionalização do BPN e pergunta com o dedo em riste porque tem este banco, agora público, as melhores taxas de juro do mercado. Dizendo sem qualquer pudor por duas vezes “o seu banco”, quando todos sabemos que o banco não é do primeiro-ministro e que a intervenção foi no sentido de uma nacionalização com vista à protecção dos depósitos. Porque pratica então o BPN as melhores taxas? Porque esse é o seu dever enquanto um dos melhores bancos comerciais agora, felizmente, nacionalizado. O que incomoda assim tanto Ricardo Costa? A concorrência do BPN (CGD) com a banca privada no negócio crescente neste período de crise que são os depósitos a prazo. Ricardo Costa defende quem?
Sendo José Sócrates um homem da direita moderada, aparece nesta anedótica entrevista como um homem de uma aparente esquerda porque os seus interlocutores são os representantes das ideias da direita política e económica.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Despedimentos proíbidos na Venezuela até ao final de 2009
O TEXTO SEGUINTE FOI RETIRADO NA ÍNTEGRA DO ESQUERDA.NET: AQUI
"Na Venezuela, os patrões não podem despedir trabalhadores que ganhem menos de três salários mínimos. A medida já se encontra em prática desde 2002, sendo renovada periodicamente. O governo anunciou que vai estender o decreto de "imobilidade laboral" por mais mais um ano, vigorando até Dezembro de 2009, e sublinha que o país tem a taxa de desemprego mais baixa dos últimos 10 anos.
O governo venezuelano decidiu prolongar outra vez a vigência do decreto de "imobilidade laboral" que impede os patrões de despedir trabalhadores, desta feita até Dezembro de 2009. Na verdade, trata-se da 15ª extensão do decreto, pela primeira vez aprovado em Maio de 2002. Contudo, se nas primeiras aprovações do decreto a sua validade era apenas de alguns meses, as duas últimas extensões da medida foram anuais: em Dezembro de 2007 a validade do decreto foi estendida até ao final de 2008 e agora o governo decidiu estendê-lo até ao final de 2009.A medida permite "proteger os empregados dos sectores público e privado, regidos pela Lei Orgânica do Trabalho" e estipula que os trabalhadores que ganhem mensalmente o equivalente até três salários mínimos mensais (aproximadamente 800 euros) não podem ser despedidos.Para o governo venezuelano, que prevê dificuldades com a crise económica mundial, esta medida é fundamental para não pôr em risco a consistente descida do desemprego no país. Há poucas semanas, Chavez vangloriava-se de ter atingido a taxa de desemprego mais baixa dos últimos 10 anos, que se cifrou em 6,1% no passado mês de Novembro.No entanto, o decreto de "imobilidade laboral" não é universal, pois deixa de fora trabalhadores temporários ou ocasionais, cargos de confiança, empregados que aufiram mais de três salários mínimos mensais, e certos casos em que a redução de pessoal se faça por acordos voluntários entre trabalhadores e patrões.O objectivo futuro do governo venezuelano é integrar a medida definida por este decreto na reforma da Lei Orgânica do Trabalho, pendente há quase dez anos. Além de proibir o despedimento de trabalhadores, a nova Lei Orgância do Trabalho deverá incluir a redução do horário de trabalho para seis horas por dia e o aumento dos dias de férias. "
"Na Venezuela, os patrões não podem despedir trabalhadores que ganhem menos de três salários mínimos. A medida já se encontra em prática desde 2002, sendo renovada periodicamente. O governo anunciou que vai estender o decreto de "imobilidade laboral" por mais mais um ano, vigorando até Dezembro de 2009, e sublinha que o país tem a taxa de desemprego mais baixa dos últimos 10 anos.
O governo venezuelano decidiu prolongar outra vez a vigência do decreto de "imobilidade laboral" que impede os patrões de despedir trabalhadores, desta feita até Dezembro de 2009. Na verdade, trata-se da 15ª extensão do decreto, pela primeira vez aprovado em Maio de 2002. Contudo, se nas primeiras aprovações do decreto a sua validade era apenas de alguns meses, as duas últimas extensões da medida foram anuais: em Dezembro de 2007 a validade do decreto foi estendida até ao final de 2008 e agora o governo decidiu estendê-lo até ao final de 2009.A medida permite "proteger os empregados dos sectores público e privado, regidos pela Lei Orgânica do Trabalho" e estipula que os trabalhadores que ganhem mensalmente o equivalente até três salários mínimos mensais (aproximadamente 800 euros) não podem ser despedidos.Para o governo venezuelano, que prevê dificuldades com a crise económica mundial, esta medida é fundamental para não pôr em risco a consistente descida do desemprego no país. Há poucas semanas, Chavez vangloriava-se de ter atingido a taxa de desemprego mais baixa dos últimos 10 anos, que se cifrou em 6,1% no passado mês de Novembro.No entanto, o decreto de "imobilidade laboral" não é universal, pois deixa de fora trabalhadores temporários ou ocasionais, cargos de confiança, empregados que aufiram mais de três salários mínimos mensais, e certos casos em que a redução de pessoal se faça por acordos voluntários entre trabalhadores e patrões.O objectivo futuro do governo venezuelano é integrar a medida definida por este decreto na reforma da Lei Orgânica do Trabalho, pendente há quase dez anos. Além de proibir o despedimento de trabalhadores, a nova Lei Orgância do Trabalho deverá incluir a redução do horário de trabalho para seis horas por dia e o aumento dos dias de férias. "
A irracionalidade da guerra
Nada me move contra os judeus em particular – uma vez que falar sobre guerra torna por estes dias incontornável a questão de Israel e Palestina – nem tenho qualquer animosidade para com o estado de Israel, e vejo como uma realidade importante reconhecer o seu direito à existência específica com as características que são compreensíveis num estado formado da forma como este foi.
O problema reside justamente no nascimento, na forma e não no conteúdo, uma vez que nenhum povo pode reclamar o seu direito a existir e a ter um estado ocupando e massacrando os povos que, por todas as razões possíveis são os legítimos ocupantes do território reclamado.
O estado de Israel nasceu torno e tarde ou nunca se endireitará. A vingança do povo massacrado pelo nazismo é ser ele mesmo exterminador de inimigos reais ou potenciais, acossado e estimulado por uma comunidade numerosa e imensamente rica com organizações mais ou menos formais um pouco por todo o mundo. Israel tem sido tantas vezes, a mão e os olhos do imperialismo norte americano onde representa o maior lobby em termo de quantidade de membros e de financiamento aos políticos americanos.
Na curta visita que Obama fez a Israel antes da sua eleição ele disse algo que poderá ter passado despercebido a quase toda a gente. Disse esperar ver o estado de Israel em breve com a cidade de Jerusalém como capital. Esta cidade tem um significado muito especial para as três religiões monoteístas: o judaísmo, o islamismo e o cristianismo. Aquela frase foi tão reveladora quanto a outra que disse no seu discurso na noite da vitória eleitoral cujo conteúdo era simplesmente que os americanos iriam derrotar os seus “inimigos”.
Os ataques de Israel a Gaza foram já condenados por muitos países mas sobretudo por muitos povos. Por muita gente que, independentemente da posição que o país tenha perante a situação, resolveu manifestar-se contra esta guerra.
Israel tem o direito de se defender de ataques. Contudo o que se viu não foram ataques que justificassem, à luz do direito internacional. Não foram de todo proporcionais e não descriminaram alvos. E isto sucede porque os alvos são uma população inteira.
O resultado efectivo destas práticas de guerra imperialista é que os inimigos do Hamas estão hoje a seu lado. A nível internacional, aqueles que sempre foram contra o Hamas e a sua visão islâmica do governo da Autoridade Palestiniana em contraposição com as forças progressistas que sempre dominaram a estrutura dessa mesma débil Autoridade até à vitória eleitoral do Hamas, hoje encontram-se na posição de defensores das posições do Hamas contra essas forças progressistas e contra a postura genocída de Israel. Este país conseguiu a proeza de colocar meio mundo a defender uma organização que até há pouco tempo odiava, porque se compreende facilmente que, com o pretexto de derrubar o Hamas, o que se vai fazendo é esfaimar e atirar sobre uma população inteira.
Assim sendo, a guerra termina de qualquer forma. Sem palestinianos não há Palestina e Israel vive e os EUA mantêm a sua guarda avançada intacta, invicta e intocável pelas autoridades que vão brincando ao direito internacional quando este serve de arma política contra os inimigos do império.
O problema reside justamente no nascimento, na forma e não no conteúdo, uma vez que nenhum povo pode reclamar o seu direito a existir e a ter um estado ocupando e massacrando os povos que, por todas as razões possíveis são os legítimos ocupantes do território reclamado.
O estado de Israel nasceu torno e tarde ou nunca se endireitará. A vingança do povo massacrado pelo nazismo é ser ele mesmo exterminador de inimigos reais ou potenciais, acossado e estimulado por uma comunidade numerosa e imensamente rica com organizações mais ou menos formais um pouco por todo o mundo. Israel tem sido tantas vezes, a mão e os olhos do imperialismo norte americano onde representa o maior lobby em termo de quantidade de membros e de financiamento aos políticos americanos.
Na curta visita que Obama fez a Israel antes da sua eleição ele disse algo que poderá ter passado despercebido a quase toda a gente. Disse esperar ver o estado de Israel em breve com a cidade de Jerusalém como capital. Esta cidade tem um significado muito especial para as três religiões monoteístas: o judaísmo, o islamismo e o cristianismo. Aquela frase foi tão reveladora quanto a outra que disse no seu discurso na noite da vitória eleitoral cujo conteúdo era simplesmente que os americanos iriam derrotar os seus “inimigos”.
Os ataques de Israel a Gaza foram já condenados por muitos países mas sobretudo por muitos povos. Por muita gente que, independentemente da posição que o país tenha perante a situação, resolveu manifestar-se contra esta guerra.
Israel tem o direito de se defender de ataques. Contudo o que se viu não foram ataques que justificassem, à luz do direito internacional. Não foram de todo proporcionais e não descriminaram alvos. E isto sucede porque os alvos são uma população inteira.
O resultado efectivo destas práticas de guerra imperialista é que os inimigos do Hamas estão hoje a seu lado. A nível internacional, aqueles que sempre foram contra o Hamas e a sua visão islâmica do governo da Autoridade Palestiniana em contraposição com as forças progressistas que sempre dominaram a estrutura dessa mesma débil Autoridade até à vitória eleitoral do Hamas, hoje encontram-se na posição de defensores das posições do Hamas contra essas forças progressistas e contra a postura genocída de Israel. Este país conseguiu a proeza de colocar meio mundo a defender uma organização que até há pouco tempo odiava, porque se compreende facilmente que, com o pretexto de derrubar o Hamas, o que se vai fazendo é esfaimar e atirar sobre uma população inteira.
Assim sendo, a guerra termina de qualquer forma. Sem palestinianos não há Palestina e Israel vive e os EUA mantêm a sua guarda avançada intacta, invicta e intocável pelas autoridades que vão brincando ao direito internacional quando este serve de arma política contra os inimigos do império.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Sonoridade magnífica! GODSPEED YOU! BLACK EMPEROR
GODSPEED YOU! BLACK EMPEROR - Com o tema SLEEP (Álbum: lift yr. skinny fists like antennas to heaven! 2000)
Permitam-me que utilize esta peça magnífica como sátira ao próximo imperador do mundo que já adormeceu muitos tontos com o seu discurso, o Sr. Obama.
Permitam-me que utilize esta peça magnífica como sátira ao próximo imperador do mundo que já adormeceu muitos tontos com o seu discurso, o Sr. Obama.
Sobre a Reforma da função Pública...
Os nossos governantes escolhem para o Estado o mesmo sistema podre e disfuncional que é aplicado no meio empresarial privado apenas ajustando as regras aos escalões remuneratórios já existentes. As mesmas regras idiotas e arbitrárias que a iniciativa privada aplica aos seus recursos humanos, com o resultado calamitoso que é conhecido, vão passar a ditar também os destinos dos ex-funcionários públicos agora transformados em funcionários do Estado-patrão enquanto for conveniente. Talvez as coisas não estejam muito bem agora com muita gente a abusar da sua posição e a desbaratar os bens públicos e a trabalhar muito aquém das suas possibilidades. Talvez sejam necessários ajustes na forma como os funcionários são vinculados ao seu estatuto de serventes da coisa pública. No entanto, não me parece que esta seja a mais correcta forma de eliminar essa desresponsabilização de muitos e esse mandriar tão conhecido de alguns que tanto é caricaturado. Isso não representa o funcionarismo público, não representa uma maioria de pessoas que servem como podem e sabem o estado português e consequentemente os cidadãos contribuintes.
Destaco sobre este assunto o texto do economista Eugénio Rosa aqui.
Ficam as palavras com que remata o seu artigo:
"A existência na Administração Pública do vínculo de nomeação e de regras claras na progressão na carreira defendia os trabalhadores contra o arbítrio das chefias e do poder político; impedia a chantagem sobre os trabalhadores para que satisfizessem interesses pessoais ou partidários; e garantia a prestação de serviços públicos, em igualdade, a todos os cidadãos. Este governo, ao pretender acabar com o vínculo de nomeação e ao alterar profundamente as regras que existiam na Administração Pública, nomeadamente quanto à admissão e à progressão na carreira; à fixação de remunerações, ao direito ao emprego, etc, tornando tudo isto totalmente dependente do arbítrio das chefias, como se mostrou, cria condições para o aumento das desigualdades entre os trabalhadores dos diferentes serviços e mesmo no interior de cada serviço, para a chantagem dos trabalhadores, para os despedimento de trabalhadores mais firmes, etc.; em suma, o que se pretende introduzir na Administração Pública é a desigualdade, a precariedade, a psicologia do medo e o poder absoluto e arbitrário das chefias, e acabar, objectivamente, com uma Administração Pública independente, que sirva, em igualdade, todos os cidadãos, passando a servir melhor alguns, aqueles que sejam do agrado das chefias e do poder politico. É contra tudo isto que todos os portugueses se devem opor."
Destaco sobre este assunto o texto do economista Eugénio Rosa aqui.
Ficam as palavras com que remata o seu artigo:
"A existência na Administração Pública do vínculo de nomeação e de regras claras na progressão na carreira defendia os trabalhadores contra o arbítrio das chefias e do poder político; impedia a chantagem sobre os trabalhadores para que satisfizessem interesses pessoais ou partidários; e garantia a prestação de serviços públicos, em igualdade, a todos os cidadãos. Este governo, ao pretender acabar com o vínculo de nomeação e ao alterar profundamente as regras que existiam na Administração Pública, nomeadamente quanto à admissão e à progressão na carreira; à fixação de remunerações, ao direito ao emprego, etc, tornando tudo isto totalmente dependente do arbítrio das chefias, como se mostrou, cria condições para o aumento das desigualdades entre os trabalhadores dos diferentes serviços e mesmo no interior de cada serviço, para a chantagem dos trabalhadores, para os despedimento de trabalhadores mais firmes, etc.; em suma, o que se pretende introduzir na Administração Pública é a desigualdade, a precariedade, a psicologia do medo e o poder absoluto e arbitrário das chefias, e acabar, objectivamente, com uma Administração Pública independente, que sirva, em igualdade, todos os cidadãos, passando a servir melhor alguns, aqueles que sejam do agrado das chefias e do poder politico. É contra tudo isto que todos os portugueses se devem opor."
Brisa e companhia agradecem...
...e eis que começa a roda viva das comunicações de aumentos de preços com as portangens. O Governo anuncia uma subida de 2,20%. Num país onde não existe uma rede alternativa viável de transportes públicos por empresas públicas para servir o interesse público... Brisa e companhia agradecem.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Morreu um dos maiores vultos da música contemporânea: Lars Hollmer
Aqui revisto num trabalho de 1999 com o seu projecto Samla Mammas Manna. Desaparece mais um dos grandes nomes da música contemporânea próxima das sonoridades progressivas. Esteve em Portugal em 2005 por ocasião do festival Gouveia Art Rock (GAR) 2005.
domingo, 28 de dezembro de 2008
sábado, 27 de dezembro de 2008
O oportunismo capitalista da crise
Um facto inegável e indesmentível passa diante dos nossos olhos. Aqueles que, com a sua gula de riqueza, pariram e criaram esta crise, são exactamente os mesmos que agora nos fazem crer que tudo está tão mau que justifica os “ajustamentos” que irão ser introduzidos nas empresas no ano que se aproxima. No fundo, nada mais que a mesma velha receita de sempre: redução de postos de trabalho, redução de salários ou congelamento dos aumentos dos mesmos e por último a natural “mendigagem” ao estado por apoios múltiplos às empresas quando todo o tempo, o gastam a amaldiçoar o excessivo peso deste ou a sua demasiada intervenção na economia.
A palavra “crise” serve para atordoar os atingidos pelos efeitos da própria numa vaga mediática que tenta, ainda assim, explicar o que não tem explicação. Não é por acaso que, aqueles que comentam o actual estado da economia são precisamente os que sempre defenderam as fórmulas que nos trouxeram a esta situação.
É fundamental que cada desempregado, cada excluído directa ou indirectamente por efeitos desta crise, compreenda integralmente as consequências que devem advir da situação criada. É importante que não se premeie num período eleitoral que se aproxima, a direita política que sempre se apoiou nestas soluções económicas e financeiras desastrosas e sempre defendeu o mercado como o seu “bem” mais “sagrado”. Esta direita merece definhar politicamente, em resposta às consequências das suas teorias económicas que tentaram mutilar a política como instrumento base na regulação do poder económico de classe.
A palavra “crise” serve para atordoar os atingidos pelos efeitos da própria numa vaga mediática que tenta, ainda assim, explicar o que não tem explicação. Não é por acaso que, aqueles que comentam o actual estado da economia são precisamente os que sempre defenderam as fórmulas que nos trouxeram a esta situação.
É fundamental que cada desempregado, cada excluído directa ou indirectamente por efeitos desta crise, compreenda integralmente as consequências que devem advir da situação criada. É importante que não se premeie num período eleitoral que se aproxima, a direita política que sempre se apoiou nestas soluções económicas e financeiras desastrosas e sempre defendeu o mercado como o seu “bem” mais “sagrado”. Esta direita merece definhar politicamente, em resposta às consequências das suas teorias económicas que tentaram mutilar a política como instrumento base na regulação do poder económico de classe.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
As organizações SÃO as PESSOAS!
Há uns dias fui confrontado com uma frase que me levou alguns dias para digerir. Proferida pelo Professor Doutor Manuel Pinto Teixeira, referia-se à incapacidade de trabalho em geral dos portugueses. A incapacidade de trabalho gerada numa cultura de irresponsabilidade e de uma certa tendência de desenrasque geral.
Sou levado a concordar com parte do conteúdo ou com a ideia geral de que temos na nossa identidade nacional o factor que contribui para que tudo se faça de forma atabalhoada. Que se contornem as regras, que se violem os princípios do funcionamento esperados das regras e das convenções. Somos realmente assim?
O exemplo dado na mesma sessão não poderia ter sido melhor escolhido. O caso da TSF. Acontece que sou um ouvinte desde que me lembro de ter consciência do mundo e das coisas que nos rodeiam dessa rádio. O que me atraiu nesse projecto foi justamente a excelente qualidade dos seus profissionais que se revelou na programação de excelência que esta emissora tinha há uns anitos atrás. Não quero com isto dizer que tenha deixado de ter na totalidade, mas a qualidade baixou muitos pontos com o novo sistema mercantilista das notícias. E o exemplo concreto foi o do cronista Fernando Alves que me lembro desde sempre nas suas famosas inspirações únicas reveladas pela manhã, dos “sinais” de um mundo visto pelos olhos devoradores do comportamento humano, criados em iluminados momentos de inspiração e ditados ao microfone da rádio com uma das últimas vozes verdadeiramente radiofónicas na rádio portuguesa.
Fernando Alves foi-nos assim apresentado como um incorrigível incumpridor de regras, como um homem intolerável em determinados momentos e extremamente afável noutros, no espírito do “tem dias”… Para mim, que cresci a ouvir a TSF mesmo quando ainda não podia muito bem compreender o que estava por trás daquelas terríveis notícias fabulosamente cobertas da primeira guerra do Golfo Pérsico a voz e as crónicas do Fernando Alves, bem como outros trabalhos que passaram por reportagens e entrevistas, parece-me quase que ofensiva a alusão ao cronista como exemplo de mau comportamento na organização TSF.
Fernando Alves foi uma das figuras que criaram a identidade da TSF ao longo dos anos e mantém-se como um património, talvez mesmo o único que resta, da grande rádio que a TSF já foi. A questão central aqui é que as organizações SÃO as pessoas e são PARA as pessoas. A noção com que fiquei da ideia que foi transmitida é que as organizações não podem suportar identidades pessoais com carácter próprio, que não podem permitir que não se siga à risca um plano traçado num qualquer gabinete porque tudo está estudado ao milímetro incluindo as emoções geradas por cada frase, por cada entoação, por cada hesitação. As organizações necessitariam portanto de se desumanizar para se mecanizarem como homens e mulheres cada vez mais descartáveis, mudos e quedos nos seus lugares esquematizados. E o exemplo é melhor ainda porquanto se trata de um trabalho criativo. Fernando Alves é um mau funcionário mas que cumpre os seus objectivos e mantém um nível criativo invulgar. Porque não foi ainda descartado? Porque a relação custo – benefício indica que ele, ainda assim, como incorrigível incumpridor de regras, cumpre com os objectivos e realiza mais-valia para a sua organização.
Mas a questão não morre neste exemplo. Serão os portugueses um povo de intrujas e de calões que não querem trabalhar e que se desenrascam com o que apanham à mão? Essa é uma boa ideia para vender a quem tiver a vontade de, mais uma vez ser “comido” com verdades feitas que não passam de mistificações. Os trabalhadores portugueses são como todos os outros. Há-os de todas as formas e feitios e lá por fora são dos mais produtivos. Então se assim é, porque não acontece o mesmo por aqui?
Na minha opinião existe um ponto fulcral onde tudo falha no nosso país. Os quadros superiores e intermédios das empresas privadas e públicas são, na sua grande maioria entregues a pessoas pouco qualificadas, senão tecnicamente, pelo menos humanamente. Ou então tecnicamente a nível de recursos humanos. As organizações estão pejadas de escroques e escumalha autoritária de assalariados que se comportam como cães ao serviço de um único propósito, a própria ascensão e dos amigos. Aqui é uma realidade indesmentível. Somos um país de cunhas. Sem as cunhas não teríamos a orde de bestas a pilotar as nossas organizações, os criadores e fazedores de relações laborais precárias, os lambe-botas do sistema que os chicoteia mas ao mesmo tempo lhes oferece o chicote para a vingança nos elos mais fracos.
Na sua esmagadora maioria os quadros intermédios e mesmo muitos superiores são escolhidos entre os que revelam mais desumanidade, os cães raivosos e irracionais das instituições que são capazes de destruir tudo por onde passam. Só assim se explica que a produtividade seja muito mais baixa por aqui. É que os quadros intermédios e superiores são, eles mesmos, incapazes de gerir, não as organizações em si, mas as pessoas. Acontece que as pessoas são a única verdadeira riqueza estável de uma organização e podem ser tão produtivas quanto melhor forem geridas, quanto melhor se souber proporcionar relações estáveis de trabalho, estímulos realistas à produção, informação concreta e em tempo real da situação financeira das organizações, participação nas ideias e nos resultados produzidos pelas mesmas, estímulos à vinculação às funções onde cada um esteja mais adaptado e se sinta bem.
Não vale sequer a pena falar das questões salariais. É ridículo pensarmos que temos de ter excelentes profissionais quando por pouco menos dinheiro, poderiam estar em casa a servir-se dos dinheiros públicos para financiar o desemprego. O desemprego e o baixo consumo privado devem-se primariamente à cultura de baixos salários e de altos impostos (que não seriam altos se o Estado cumprisse as funções para as quais são recolhidos). Os trabalhadores no activo acabam por financiar toda a actividade económica do país. Ainda se lhes deve pedir mais? Não será agora a vez que qualificar técnica e humanamente os nossos quadros das organizações? Não será a vez de terminar com a absurda ideia de que a competitividade gera melhor produtividade, em contraponto com a ideia de que a cooperação e o trabalho organizado de equipa é factor de mais estímulo e melhor desempenho? Que a alta rotatividade de quadros gera menos despesa com pessoal em contraponto com a ideia de que a estabilidade gera maior confiança e mais identidade com a organização levando por sua vez a maior e melhor produtividade?
Sou levado a concordar com parte do conteúdo ou com a ideia geral de que temos na nossa identidade nacional o factor que contribui para que tudo se faça de forma atabalhoada. Que se contornem as regras, que se violem os princípios do funcionamento esperados das regras e das convenções. Somos realmente assim?
O exemplo dado na mesma sessão não poderia ter sido melhor escolhido. O caso da TSF. Acontece que sou um ouvinte desde que me lembro de ter consciência do mundo e das coisas que nos rodeiam dessa rádio. O que me atraiu nesse projecto foi justamente a excelente qualidade dos seus profissionais que se revelou na programação de excelência que esta emissora tinha há uns anitos atrás. Não quero com isto dizer que tenha deixado de ter na totalidade, mas a qualidade baixou muitos pontos com o novo sistema mercantilista das notícias. E o exemplo concreto foi o do cronista Fernando Alves que me lembro desde sempre nas suas famosas inspirações únicas reveladas pela manhã, dos “sinais” de um mundo visto pelos olhos devoradores do comportamento humano, criados em iluminados momentos de inspiração e ditados ao microfone da rádio com uma das últimas vozes verdadeiramente radiofónicas na rádio portuguesa.
Fernando Alves foi-nos assim apresentado como um incorrigível incumpridor de regras, como um homem intolerável em determinados momentos e extremamente afável noutros, no espírito do “tem dias”… Para mim, que cresci a ouvir a TSF mesmo quando ainda não podia muito bem compreender o que estava por trás daquelas terríveis notícias fabulosamente cobertas da primeira guerra do Golfo Pérsico a voz e as crónicas do Fernando Alves, bem como outros trabalhos que passaram por reportagens e entrevistas, parece-me quase que ofensiva a alusão ao cronista como exemplo de mau comportamento na organização TSF.
Fernando Alves foi uma das figuras que criaram a identidade da TSF ao longo dos anos e mantém-se como um património, talvez mesmo o único que resta, da grande rádio que a TSF já foi. A questão central aqui é que as organizações SÃO as pessoas e são PARA as pessoas. A noção com que fiquei da ideia que foi transmitida é que as organizações não podem suportar identidades pessoais com carácter próprio, que não podem permitir que não se siga à risca um plano traçado num qualquer gabinete porque tudo está estudado ao milímetro incluindo as emoções geradas por cada frase, por cada entoação, por cada hesitação. As organizações necessitariam portanto de se desumanizar para se mecanizarem como homens e mulheres cada vez mais descartáveis, mudos e quedos nos seus lugares esquematizados. E o exemplo é melhor ainda porquanto se trata de um trabalho criativo. Fernando Alves é um mau funcionário mas que cumpre os seus objectivos e mantém um nível criativo invulgar. Porque não foi ainda descartado? Porque a relação custo – benefício indica que ele, ainda assim, como incorrigível incumpridor de regras, cumpre com os objectivos e realiza mais-valia para a sua organização.
Mas a questão não morre neste exemplo. Serão os portugueses um povo de intrujas e de calões que não querem trabalhar e que se desenrascam com o que apanham à mão? Essa é uma boa ideia para vender a quem tiver a vontade de, mais uma vez ser “comido” com verdades feitas que não passam de mistificações. Os trabalhadores portugueses são como todos os outros. Há-os de todas as formas e feitios e lá por fora são dos mais produtivos. Então se assim é, porque não acontece o mesmo por aqui?
Na minha opinião existe um ponto fulcral onde tudo falha no nosso país. Os quadros superiores e intermédios das empresas privadas e públicas são, na sua grande maioria entregues a pessoas pouco qualificadas, senão tecnicamente, pelo menos humanamente. Ou então tecnicamente a nível de recursos humanos. As organizações estão pejadas de escroques e escumalha autoritária de assalariados que se comportam como cães ao serviço de um único propósito, a própria ascensão e dos amigos. Aqui é uma realidade indesmentível. Somos um país de cunhas. Sem as cunhas não teríamos a orde de bestas a pilotar as nossas organizações, os criadores e fazedores de relações laborais precárias, os lambe-botas do sistema que os chicoteia mas ao mesmo tempo lhes oferece o chicote para a vingança nos elos mais fracos.
Na sua esmagadora maioria os quadros intermédios e mesmo muitos superiores são escolhidos entre os que revelam mais desumanidade, os cães raivosos e irracionais das instituições que são capazes de destruir tudo por onde passam. Só assim se explica que a produtividade seja muito mais baixa por aqui. É que os quadros intermédios e superiores são, eles mesmos, incapazes de gerir, não as organizações em si, mas as pessoas. Acontece que as pessoas são a única verdadeira riqueza estável de uma organização e podem ser tão produtivas quanto melhor forem geridas, quanto melhor se souber proporcionar relações estáveis de trabalho, estímulos realistas à produção, informação concreta e em tempo real da situação financeira das organizações, participação nas ideias e nos resultados produzidos pelas mesmas, estímulos à vinculação às funções onde cada um esteja mais adaptado e se sinta bem.
Não vale sequer a pena falar das questões salariais. É ridículo pensarmos que temos de ter excelentes profissionais quando por pouco menos dinheiro, poderiam estar em casa a servir-se dos dinheiros públicos para financiar o desemprego. O desemprego e o baixo consumo privado devem-se primariamente à cultura de baixos salários e de altos impostos (que não seriam altos se o Estado cumprisse as funções para as quais são recolhidos). Os trabalhadores no activo acabam por financiar toda a actividade económica do país. Ainda se lhes deve pedir mais? Não será agora a vez que qualificar técnica e humanamente os nossos quadros das organizações? Não será a vez de terminar com a absurda ideia de que a competitividade gera melhor produtividade, em contraponto com a ideia de que a cooperação e o trabalho organizado de equipa é factor de mais estímulo e melhor desempenho? Que a alta rotatividade de quadros gera menos despesa com pessoal em contraponto com a ideia de que a estabilidade gera maior confiança e mais identidade com a organização levando por sua vez a maior e melhor produtividade?
Etiquetas:
capitalismo,
Gestão de recursos humanos
domingo, 14 de dezembro de 2008
Lafontaine sobre Obama
“A vitória eleitoral de Barack Obama é uma boa notícia, uma vez que a política do presidente Bush e do seu partido era insuportável. Contudo, tendo em conta as consideráveis somas que o capital americano investiu na campanha eleitoral do novo presidente, sou muito céptico em relação ao seu futuro como reformador. O capital nunca dá sem pedir algo em troca.”
Oskar Lafontaine (in www.sinpermiso.info) contido na declaração de apoio ao recentemente formado Parti de Gauche em França. Mais um passo para a desejada e inevitável união das esquerdas.
Oskar Lafontaine (in www.sinpermiso.info) contido na declaração de apoio ao recentemente formado Parti de Gauche em França. Mais um passo para a desejada e inevitável união das esquerdas.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Bank of America planeia eliminar 35 mil postos de trabalho

Segundo a Lusa, o maior banco americano decidiu desfazer-se de 30 a 35 mil funcionários progressivamente durante os próximos três anos. São alegados para este despejo humano os encargos com o resgate da Merryl Linch e má conjuntura económica em geral. É mais uma contrariedade a somar às muitas que têm vindo a aparecer a cada dia, para o novo presidente eleito que pretende criar 2,5 milhões de postos de trabalho do país durante o seu mandato.
Ao que parece Obama seguiu a lição das promessas e dos resultados de José Sócrates pelo que já se adivinha, mesmo antes de iniciar o mandato, uma reeleição em 2012.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
AS FESTAS, AS SESTAS E AS BESTAS
Hoje consigo cumprir mais um capítulo de incumprimento do dever de ser social. Não o sou nem quero ser. A fantasia espalha-se. É contagiosa que baste para iludir uns quantos. Não estou e não sou para aturar imbecilidades de pessoas que não conheço nem quero conhecer. Sorrisos de circunstâncias complicadas em dias em que tudo é posto em causa sinónimo de amanhãs incertos, nas mãos de uns quantos fazedores de felácios, carreiristas e oportunistas. Os que encolhem nos outros para terem mais por onde chupar. Que se socorrem dos números manipulados para mutilar as vidas de muitos a seu prazer, sempre com as mesmas caras de merda com as quais foram paridos.
domingo, 7 de dezembro de 2008
A manipulação da sondagem
Tenho algumas boas razões para acreditar que as sondagens políticas estão longe de ser uma espécie de consulta ao eleitorado, sendo antes uma impostura ao futuro eleitorado. Daí que defenda que as sondagens devem ser proibidas desde seis meses antes de qualquer acto eleitoral. Estes pretensos estudos têm como consequência os seguintes aspectos:
1 – Desvio do eleitorado das forças políticas da sua primeira escolha para as forças políticas com maior probabilidade teórica de sucesso. É o chamado factor “voto útil”. Num sistema pluripartidário o fenómeno do “voto útil é factor de transformação em sistema bipartidário, que nos casos das supostas democracias ocidentais equivale a dizer a um totalitarismo disfarçado de múltiplas opções;
2 – As sondagens são feitas a partir de amostras. Sabemos que cada vez mais a estatística é trabalhada de forma a quase não errar nas chamadas sondagens de “boca da urna”, mas as que são feitas semanas e meses antes dos escrutínios podem ser sempre manipuladas ao gosto de quem encomenda.
3 – Não existem empresas de sondagens independentes. São todas empresas privadas que dependem de quem lhes paga, nomeadamente os maiores partidos (ou partidos de sistema), e pela comunicação social detida por grupos económicos e interesses ligados aos mesmos grandes partidos.
4 – A sondagem pode ter um efeito mobilizador – “o meu voto não é necessário pois o partido/coligação/proposta em referendo já ganhou” – ou um efeito desmobilizador – “não vale a pena votar pois não há possibilidade do partido/coligação/proposta em referendo ganhar”.
5 – À sondagem segue-se o comentário político, quase sempre feito dentro da esfera limitada dos comentadores oficiais do sistema, mais uma vez motivando ou desmotivando potenciais votos em partidos que não do sistema.
Por esses motivos e por muitos mais que poderíamos retirar de uma análise mais aprofundada destes fenómenos, as sondagens de opinião política deveriam ser proibidas até seis meses antes de qualquer acto eleitoral.
1 – Desvio do eleitorado das forças políticas da sua primeira escolha para as forças políticas com maior probabilidade teórica de sucesso. É o chamado factor “voto útil”. Num sistema pluripartidário o fenómeno do “voto útil é factor de transformação em sistema bipartidário, que nos casos das supostas democracias ocidentais equivale a dizer a um totalitarismo disfarçado de múltiplas opções;
2 – As sondagens são feitas a partir de amostras. Sabemos que cada vez mais a estatística é trabalhada de forma a quase não errar nas chamadas sondagens de “boca da urna”, mas as que são feitas semanas e meses antes dos escrutínios podem ser sempre manipuladas ao gosto de quem encomenda.
3 – Não existem empresas de sondagens independentes. São todas empresas privadas que dependem de quem lhes paga, nomeadamente os maiores partidos (ou partidos de sistema), e pela comunicação social detida por grupos económicos e interesses ligados aos mesmos grandes partidos.
4 – A sondagem pode ter um efeito mobilizador – “o meu voto não é necessário pois o partido/coligação/proposta em referendo já ganhou” – ou um efeito desmobilizador – “não vale a pena votar pois não há possibilidade do partido/coligação/proposta em referendo ganhar”.
5 – À sondagem segue-se o comentário político, quase sempre feito dentro da esfera limitada dos comentadores oficiais do sistema, mais uma vez motivando ou desmotivando potenciais votos em partidos que não do sistema.
Por esses motivos e por muitos mais que poderíamos retirar de uma análise mais aprofundada destes fenómenos, as sondagens de opinião política deveriam ser proibidas até seis meses antes de qualquer acto eleitoral.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
A crise atinge o retalho nos EUA
A Circuit City, uma das maiores companhias retalhistas de produtos electrónicos solicitou um processo de reorganização sob o Capítulo 11 do United States Bankrupcy Code tendo já anunciado o fecho de 115 lojas das 567 que o referido grupo detém. Este processo significa de imediato o desemprego de cerca de 7300 pessoas.
Esta situação deve-se a factores que se prendem com a concorrência crescente dos grupos Best Buy e Wall Mart (O maior grupo retalhista do mundo) e à redução significativa do poder de aquisição dos americanos.
Este recuo poderá ser, com uma gestão cuidada, estratégico para manter a empresa de portas abertas especializando-se a adaptando-se a novas oportunidades. Contudo a gula de que o sistema capitalista ao estilo americano é feito remete-me para a noção clara que este será um grupo empresarial a morrer em poucos meses com todas as consequências negativas que isso pode trazer. Mesmo que seja integrado num dos maiores competidores só piora a situação pois todas as fusões implicam despedimentos e redução de vencimentos.
Esta situação deve-se a factores que se prendem com a concorrência crescente dos grupos Best Buy e Wall Mart (O maior grupo retalhista do mundo) e à redução significativa do poder de aquisição dos americanos.
Este recuo poderá ser, com uma gestão cuidada, estratégico para manter a empresa de portas abertas especializando-se a adaptando-se a novas oportunidades. Contudo a gula de que o sistema capitalista ao estilo americano é feito remete-me para a noção clara que este será um grupo empresarial a morrer em poucos meses com todas as consequências negativas que isso pode trazer. Mesmo que seja integrado num dos maiores competidores só piora a situação pois todas as fusões implicam despedimentos e redução de vencimentos.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
CASO BPN - A irracionalidade do dinheiro
Segundo o DE on-line "Na última semana, ou seja após o anúncio da nacionalização, foram levantados do BPN mais de 300 milhões de euros de depósitos. Este valor equivale a bastante mais do dobro do que tinha sido levantado pelos depositantes do BPN nas semanas que antecederam o anúncio da nacionalização."
E a parte mais interessante:
"A constatação do levantamento de mais de 300 milhões na última semana mostra que os clientes e depositantes do BPN aceleraram os seus movimentos de resgate das contas de que dispunham no banco depois do anúncio da nacionalização. Atitude que contrasta com a mensagem de confiança e de segurança que o Estado procurou transmitir aos depositantes do banco através das garantias que o ministro das Finanças deu a todos os que tinham o seu dinheiro no BPN.
Isto representa o cúmulo da irracionalidade. Durante anos muitos portugueses depositaram no BPN as suas poupanças e tinham uma relação de confiança com um banco de é investigado desde 2001. Surgiu a grave crise financeira internacional. O anterior CEO do grupo saiu de uma forma pouco clara (alegadamente doença) e começaram a sair histórias escabrosas sobre a actuação da administração cessante e sobre o posicionamento e participações ilegais do banco em outras instituições para cobrir milhões em perdas (onde andam esses milhões? Estarão realmente perdidos?) O Governador do Banco de Portugal deixa escapar aquando da falência do Lehman Brothers nos EUA que temos duas instituições financeiras com dificuldades. Um mês mais tarde é divulgado parte do lote de ilegalidades e manobras do banco nos mercados e é apresentado de urgência o facto consumado da necessidade de nacionalização.
Depois de o BPN estar nas mãos seguras do estado através da CGD é que estes loucos retiram o seu dinheiro das contas? Depois do banco estar seguro é que receiam o enorme risco que correram antes? E retiram dinheiro dos cofres de um banco público para o depositar sabe-se lá em que instituição financeira privada? Está provada a estupidez dos portugueses...
E a parte mais interessante:
"A constatação do levantamento de mais de 300 milhões na última semana mostra que os clientes e depositantes do BPN aceleraram os seus movimentos de resgate das contas de que dispunham no banco depois do anúncio da nacionalização. Atitude que contrasta com a mensagem de confiança e de segurança que o Estado procurou transmitir aos depositantes do banco através das garantias que o ministro das Finanças deu a todos os que tinham o seu dinheiro no BPN.
Isto representa o cúmulo da irracionalidade. Durante anos muitos portugueses depositaram no BPN as suas poupanças e tinham uma relação de confiança com um banco de é investigado desde 2001. Surgiu a grave crise financeira internacional. O anterior CEO do grupo saiu de uma forma pouco clara (alegadamente doença) e começaram a sair histórias escabrosas sobre a actuação da administração cessante e sobre o posicionamento e participações ilegais do banco em outras instituições para cobrir milhões em perdas (onde andam esses milhões? Estarão realmente perdidos?) O Governador do Banco de Portugal deixa escapar aquando da falência do Lehman Brothers nos EUA que temos duas instituições financeiras com dificuldades. Um mês mais tarde é divulgado parte do lote de ilegalidades e manobras do banco nos mercados e é apresentado de urgência o facto consumado da necessidade de nacionalização.
Depois de o BPN estar nas mãos seguras do estado através da CGD é que estes loucos retiram o seu dinheiro das contas? Depois do banco estar seguro é que receiam o enorme risco que correram antes? E retiram dinheiro dos cofres de um banco público para o depositar sabe-se lá em que instituição financeira privada? Está provada a estupidez dos portugueses...
Ainda o PREC...
Vale a pena ler esta pequena pérola sobre um colóquio denominado "O PREC visto da América", organizado pela Fundação Mário Soares.
Carlos Brito prestou-se ao triste papel de responsabilizar os EUA pela derrota do PREC numa sala cheia de pessoas que ajudaram a que isso mesmo sucedesse e numa sessão de lavagem histórica negam que tenha havido qualquer intervenção.
E o texto termina com esta anedota: "O autor de "Portugal Classificado - Documentos Secretos Norte-Americanos 1974-1975", cuja pesquisa durou sete anos, considerou "arrepiante quão perto" o País esteve do "abismo", no período revolucionário, ao ponto de os Estados Unidos quererem, em Setembro de 1975, distribuir armas ao PS, o que foi "travado" pelo então secretário de Estado Henry Kissinger."
Alguém no seu prefeito juízo acredita que o Henry Kissinger, esse estratega de incontáveis manobras que provocaram muitos milhares de mortos por esse mundo (veja-se o caso do aval dado aos indonésios para a invasão de Timor Leste) tivesse sido o misericordioso travão ao banho de sangue em Portugal?
Assim se percebe qual o real papel da Fundação Mário Soares na sociedade actual portuguesa.
Carlos Brito prestou-se ao triste papel de responsabilizar os EUA pela derrota do PREC numa sala cheia de pessoas que ajudaram a que isso mesmo sucedesse e numa sessão de lavagem histórica negam que tenha havido qualquer intervenção.
E o texto termina com esta anedota: "O autor de "Portugal Classificado - Documentos Secretos Norte-Americanos 1974-1975", cuja pesquisa durou sete anos, considerou "arrepiante quão perto" o País esteve do "abismo", no período revolucionário, ao ponto de os Estados Unidos quererem, em Setembro de 1975, distribuir armas ao PS, o que foi "travado" pelo então secretário de Estado Henry Kissinger."
Alguém no seu prefeito juízo acredita que o Henry Kissinger, esse estratega de incontáveis manobras que provocaram muitos milhares de mortos por esse mundo (veja-se o caso do aval dado aos indonésios para a invasão de Timor Leste) tivesse sido o misericordioso travão ao banho de sangue em Portugal?
Assim se percebe qual o real papel da Fundação Mário Soares na sociedade actual portuguesa.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
HAPINESS IS THE ROAD - MARILLION
Esta banda que nos tem habituado a muito bons trabalhos de diferentes estilos mas sempre com um fio condutor musical (mais ou menos próximo do rock progressivo) e ético apresenta-nos mais um álbum e mais um conceito. O verdadeiro conceito dos amantes de música. O novo àlbum está disponível para download gratuito aqui.
Estes senhores merecem todo o apoio pois são verdadeiros músicos que não se venderam ao que as grandes editoras ordenam. Eles andam por aí. Podem ser apoiados indo aos seus concertos, comprando a sua música em suporte digital ou fisico ou adquirindo mershandising diverso.
Um bem haja aos Marillion
BPN salva Governo
Chamo a atenção para o artigo que pode ser visto aqui (Diário Económico).
Algumas conclusões a tirar e algumas que vêm reafirmar a que já constatei em posts anteriores:
1) A nacionalização era o melhor caminho e inevitável para não colocar em causa todo o sistema financeiro português. Com efeito, já expressei aqui a opinião de que esta era uma medida necessária e facilmente explicável porque estanca uma ferida no sistema financeiro numa instituição que, no caso de ser bem gerida, tem toda a possibilidade de se tornar lucrativa. É obvio que as naiconalizações estão a ser utilizadas sobretudo para salvar instituições financeiras da desgraça e banqueiros da miséria. Mas neste caso o estado português poderá, a curto prazo retirar lucros actuando na banca comercial mantendo a estrutura front-office do BPN. Em suma, nacionalização necessária. Instituição com fortes possibilidades de se tornar (assim haja vontade para tal) na vertente banca comercial mais dura da CGD evidentemente com bons resultados. A CGD tem provado que o estado pode gerir bem, quando quer, mesmo sendo gerido pelos inimigos desse mesmo estado.
2)Não existe aqui um problema de falta de regulamentação. O que existe é claramente um caso criminal a ser averiguado. Temos como certa a ideia de que as auditorias e os auditores produzem sempre resultados à medida dos pedidos das administrações uma vez que são institições que fazem parte integrante do sistema e servem justamente para assinar os resultados que as empresas querem apresentar e não os resultados reais. No caso BPN de 2002 a 2007 há um vazio comleo de informação negativa. Só com a administração de Abdool Vakil surgem as primeiras informações de que algo pode estar muito errado.
3) O Governador Vitor Constâncio, um mês antes de rebentar esta bomba, ele próprio ajuda a acender o rastilho avisando que dois bancos poderão estar em dificuldades. Não disse os nomes mas era certo que se referia ao BPN e ao Finibanco. Como o caso BPN já era do domínio público houve uma corrida aos balcões e ao sistema de net-banking para levantamentos e transferências de depósitos.
4) Tendo sido detectado um buraco de 700 milhões, onde para este dinheiro? Serão efectivamente prejuízos ou estarão bem guardados na posse de accionistas que se arriscam a ser ainda premiados com indemnizações com o processo de nacionalização?
5) O caso BPN é levado a um extremo por se tratar de uma pequena instituição financeira mas o que dizer de todas as irregularidades com o sector da banca nomeadamente com o BCP e processos onde muito frequentemente tem aparecido por vias directas ou indirectas o BES?
6) Pela positivo tenho de realçar que o BPN, como banco público está a manter a postura perante o cliente e os produtos atractivos de muito baixo risco como os depósitos de curto prazo com rendibilidades bastante acima da média, e neste caso bem se pode dizer que muito acima da sua casa-mãe, a Caixa Geral de Depósitos tornando-se, enquanto banco público numa excelente instituição para captar poupanças. Daí surge-me a dúvida que esta nacionalização seja algo que tenha como fim último a anexação à CGD. Infelizmente penso que o objectivo é, a médio prazo, devolver o banco a quem o criou, e destruiu, os privados, nessa altura por meia dúzia de tostões e com as contas limpas. Cumpre-nos o dever de exigir do estado uma boa gestão e um caminho viável e próspero para o BPN como satélite ou integrado futuramente na CGD. Mas não acredito que essa seja a intenção.
Ora, o título é simples de explicar. É que esta foi a atitude mais correcta do governo. E muito embora seja criticável a possibilidade de indemnização aos accionistas é de louvar o que vem por trás a obrigar os outros bancos a maiores rácios de solvabilidade, o que pode mesmo significar várias pequenas nacionalizações à medida das necessidades da banca. O caso BPN coloca o governo bem na fotografia. Infelizmente não foram explicadas pelos media as razões pelas quais a esquerda (PCP e BE) votaram contra este processo. É que não podemos cair no erro de premiar os infractores ou mesmo potenciais criminosos, e estes processos arrastam-se por décadas nos tribunais.
Algumas conclusões a tirar e algumas que vêm reafirmar a que já constatei em posts anteriores:
1) A nacionalização era o melhor caminho e inevitável para não colocar em causa todo o sistema financeiro português. Com efeito, já expressei aqui a opinião de que esta era uma medida necessária e facilmente explicável porque estanca uma ferida no sistema financeiro numa instituição que, no caso de ser bem gerida, tem toda a possibilidade de se tornar lucrativa. É obvio que as naiconalizações estão a ser utilizadas sobretudo para salvar instituições financeiras da desgraça e banqueiros da miséria. Mas neste caso o estado português poderá, a curto prazo retirar lucros actuando na banca comercial mantendo a estrutura front-office do BPN. Em suma, nacionalização necessária. Instituição com fortes possibilidades de se tornar (assim haja vontade para tal) na vertente banca comercial mais dura da CGD evidentemente com bons resultados. A CGD tem provado que o estado pode gerir bem, quando quer, mesmo sendo gerido pelos inimigos desse mesmo estado.
2)Não existe aqui um problema de falta de regulamentação. O que existe é claramente um caso criminal a ser averiguado. Temos como certa a ideia de que as auditorias e os auditores produzem sempre resultados à medida dos pedidos das administrações uma vez que são institições que fazem parte integrante do sistema e servem justamente para assinar os resultados que as empresas querem apresentar e não os resultados reais. No caso BPN de 2002 a 2007 há um vazio comleo de informação negativa. Só com a administração de Abdool Vakil surgem as primeiras informações de que algo pode estar muito errado.
3) O Governador Vitor Constâncio, um mês antes de rebentar esta bomba, ele próprio ajuda a acender o rastilho avisando que dois bancos poderão estar em dificuldades. Não disse os nomes mas era certo que se referia ao BPN e ao Finibanco. Como o caso BPN já era do domínio público houve uma corrida aos balcões e ao sistema de net-banking para levantamentos e transferências de depósitos.
4) Tendo sido detectado um buraco de 700 milhões, onde para este dinheiro? Serão efectivamente prejuízos ou estarão bem guardados na posse de accionistas que se arriscam a ser ainda premiados com indemnizações com o processo de nacionalização?
5) O caso BPN é levado a um extremo por se tratar de uma pequena instituição financeira mas o que dizer de todas as irregularidades com o sector da banca nomeadamente com o BCP e processos onde muito frequentemente tem aparecido por vias directas ou indirectas o BES?
6) Pela positivo tenho de realçar que o BPN, como banco público está a manter a postura perante o cliente e os produtos atractivos de muito baixo risco como os depósitos de curto prazo com rendibilidades bastante acima da média, e neste caso bem se pode dizer que muito acima da sua casa-mãe, a Caixa Geral de Depósitos tornando-se, enquanto banco público numa excelente instituição para captar poupanças. Daí surge-me a dúvida que esta nacionalização seja algo que tenha como fim último a anexação à CGD. Infelizmente penso que o objectivo é, a médio prazo, devolver o banco a quem o criou, e destruiu, os privados, nessa altura por meia dúzia de tostões e com as contas limpas. Cumpre-nos o dever de exigir do estado uma boa gestão e um caminho viável e próspero para o BPN como satélite ou integrado futuramente na CGD. Mas não acredito que essa seja a intenção.
Ora, o título é simples de explicar. É que esta foi a atitude mais correcta do governo. E muito embora seja criticável a possibilidade de indemnização aos accionistas é de louvar o que vem por trás a obrigar os outros bancos a maiores rácios de solvabilidade, o que pode mesmo significar várias pequenas nacionalizações à medida das necessidades da banca. O caso BPN coloca o governo bem na fotografia. Infelizmente não foram explicadas pelos media as razões pelas quais a esquerda (PCP e BE) votaram contra este processo. É que não podemos cair no erro de premiar os infractores ou mesmo potenciais criminosos, e estes processos arrastam-se por décadas nos tribunais.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
GOVERNO SALVA BPN
Não me custa nada apontar as grandes visões que por vezes os mais rasteiros governos têm. Não estou a referir-me especificamente a este. Falo em geral. Acho que este governo tem tido especialmente no último ano algumas atitudes meritórias e que temos de encarar como positivas. Talvez não suficientes. Talvez menos correctas se tivermos em conta meramente o nosso ponto de vista ideológico e, portanto, minimalista em relação a soluções que não ponham em causa o próprio sistema.
Este governo tem conseguido em algumas medidas estabelecer um ponto de equilíbrio interessante entre o sistema e as suas lacunas. A borrar a pintura de uma forma atroz vem justamente a grande contradição que é a posição na Europa sobre a legislação laboral traduzida no novo código do trabalho vergonhoso, anti-socialista e reaccionário no pior termo que esta palavra pode ter nos dias de hoje.
No entanto, pondo de parte as grandes discordâncias de sistema, esta acção, tomada com vista à nacionalização do BPN revelou-se muito importante para a saúde e estabilidade das finanças portuguesas. Mas mais ainda do que esta acção é o facto de se obrigar os bancos a reforçarem o dinheiro que realmente têm em contraponto com aquele que devem. Isto obriga a que os bancos tomem uma de duas opções. Ou aumentam capital por vias próprias, pelos seus accionistas ou por novos. Ou recorrem à verba que o estado acaba de colocar à disposição dos bancos para este efeito. Se o fizerem o estado exige que este valor seja tomado não como empréstimo mas como participação activa do próprio estado no banco.
Depois de há umas semanas Constâncio ter cometido a gafe que acabou por ajudar à queda do BPN causando um levantamento maciço de depósitos deste banco e consequentemente a sua falta de liquidez imediata, agora aparece o governador com o ministro das finanças a anunciar o inevitável.
Estas duas medidas aparecem no mesmo dia em que o estado promete uma célere resolução no pagamento das dívidas do estado às empresas do qual é devedor. Parecendo que não, tudo isto está interligado e gera-se aqui um muro contra alguns maus ventos que ainda estar por chegar até nós. O governo acautela o capitalismo de forma positiva. É uma estupidez pensar que o capitalismo pode e deve ser derrubado desta forma. Esta não é uma dinâmica de destruição mas será, sem dúvida, de mudança radical no próprio sistema. Que se desiludam os que pensam que este se tornará menos injusto ou arbitrário. Apenas percorrerá outros caminhos para a mesma aplicação das velhas doutrinas liberais convertidas.
Assim como a ganância dos gestores leva a conduzirem empresas por caminhos longínquos de todos os textos criados e recriados da boa prática de gestão empresarial também os governantes vão cair novamente na tentação de devolver ao livre mercado o que agora estão a querer regular. Esta medida pecará se for temporária. Esta medida estará condenada se não se condenarem as más práticas e as gestões danosas, por exemplo, dos senhores do BPN, todos eles barões e ex-governantes do PSD cavaquista. Esta medida poderá ser mal compreendida e aceite se insistirem em indemnizar accionistas culpados da presente situação como se recebessem ainda um prémio por isso. Assim é dito da esquerda comunista à direita Popular.
É uma importante medida. Resta ver as consequências e tudo o que se segue.
Este governo tem conseguido em algumas medidas estabelecer um ponto de equilíbrio interessante entre o sistema e as suas lacunas. A borrar a pintura de uma forma atroz vem justamente a grande contradição que é a posição na Europa sobre a legislação laboral traduzida no novo código do trabalho vergonhoso, anti-socialista e reaccionário no pior termo que esta palavra pode ter nos dias de hoje.
No entanto, pondo de parte as grandes discordâncias de sistema, esta acção, tomada com vista à nacionalização do BPN revelou-se muito importante para a saúde e estabilidade das finanças portuguesas. Mas mais ainda do que esta acção é o facto de se obrigar os bancos a reforçarem o dinheiro que realmente têm em contraponto com aquele que devem. Isto obriga a que os bancos tomem uma de duas opções. Ou aumentam capital por vias próprias, pelos seus accionistas ou por novos. Ou recorrem à verba que o estado acaba de colocar à disposição dos bancos para este efeito. Se o fizerem o estado exige que este valor seja tomado não como empréstimo mas como participação activa do próprio estado no banco.
Depois de há umas semanas Constâncio ter cometido a gafe que acabou por ajudar à queda do BPN causando um levantamento maciço de depósitos deste banco e consequentemente a sua falta de liquidez imediata, agora aparece o governador com o ministro das finanças a anunciar o inevitável.
Estas duas medidas aparecem no mesmo dia em que o estado promete uma célere resolução no pagamento das dívidas do estado às empresas do qual é devedor. Parecendo que não, tudo isto está interligado e gera-se aqui um muro contra alguns maus ventos que ainda estar por chegar até nós. O governo acautela o capitalismo de forma positiva. É uma estupidez pensar que o capitalismo pode e deve ser derrubado desta forma. Esta não é uma dinâmica de destruição mas será, sem dúvida, de mudança radical no próprio sistema. Que se desiludam os que pensam que este se tornará menos injusto ou arbitrário. Apenas percorrerá outros caminhos para a mesma aplicação das velhas doutrinas liberais convertidas.
Assim como a ganância dos gestores leva a conduzirem empresas por caminhos longínquos de todos os textos criados e recriados da boa prática de gestão empresarial também os governantes vão cair novamente na tentação de devolver ao livre mercado o que agora estão a querer regular. Esta medida pecará se for temporária. Esta medida estará condenada se não se condenarem as más práticas e as gestões danosas, por exemplo, dos senhores do BPN, todos eles barões e ex-governantes do PSD cavaquista. Esta medida poderá ser mal compreendida e aceite se insistirem em indemnizar accionistas culpados da presente situação como se recebessem ainda um prémio por isso. Assim é dito da esquerda comunista à direita Popular.
É uma importante medida. Resta ver as consequências e tudo o que se segue.
Uma explicação perceptível da situação
É raro ter como referêcia a televisão para qualquer coisa mas parece-me de inteira justiça mencionar o trabalho de explicação do jornalista da SIC José Gomes Ferreira sobre a actual situação na banca em http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/videopopup2008.aspx?videoId={4C04076E-2ED5-4961-9C4F-D6DEDD3C2068}}
domingo, 2 de novembro de 2008
E há realmente uma escolha? Parte II (Os candidatos de que não se fala)
Para complementar o texto sobre as eleições americanas convém deixar um pequeno acrescento de informação que é muito importante. Num país onde o candidato favorito se deu ao luxo de gastar 6 milhões de dólares para fazer passar nos principais canais televisivos uma campanha extremamente bem elaborada em termos de marketing é fácil compreendermos em que consiste o totalitarismo norte-americano.
Mesmo com todas as restrições que impedem pequenas estruturas de lançarem candidaturas e as manterem quantos são verdadeiramente os candidatos nestas eleições? Estão muito longe desses dois que os media apresentam, mas os outros estão muito perto da total e absoluta ignorância. Assim sendo, e para que sejam pelo menos falados uma vez na blogosfera nacional aqui fica a lista de TODOS os candidatos à presidência dos EUA:
Gene Amondson/Leroy Pletten - Prohibition (Proibicionistas)
Chuck Baldwin/Darrell Castle - Constitution, Kansas Reform, Virginia Independent Green (Ultra - Liberais)
Bob Barr/Wayne Allyn Root - Libertarian (Ultra - Liberais)
Róger Calero/Alyson Kennedy - Socialist Workers (Socialistas, Trotskistas)
Charles Jay/Thomas L. Knapp - Boston Tea (Ultra – liberais)
Alan Keyes/Brian Rohrbough - Independent, America's Independent (Independente radical religioso)
Gloria La Riva/Eugene Puryear - Socialism & Liberation (Comunista, Marxista)
John McCain/Sarah Palin - Republican, New York Independence, New York Conservative (Republicano – conservador)
Cynthia McKinney/Rosa Clemente - Green (Ecologistas)
Brian Moore/Stewart Alexander - Socialist, Vermont Liberty Union (Social Democratas)
Ralph Nader/Matt Gonzalez - Independent, Independence-Ecology[5], Peace and Freedom, Michigan Natural Law, Delaware Independent, Oregon Peace, New York Populist (Liberal, ecologistas)
Barack Obama/Joe Biden - Democratic, South Carolina United Citizens, New York Working Families (Liberais)
Thomas Stevens/Alden Link - Objectivist (Ultra – Liberais)
Ted Weill/Frank McEnulty - Reform (Ultra –Liberal / Reformista)
Para que se entenda, os eleitores, que em alguns estados já votam há duas semanas, não escolhem o seu presidente. Eles apenas elegem o colégio eleitoral que designará quem será o próximo presidente. Para além disso muitas outras eleições correm em paralelo para cargos de muitas naturezas completamente diversas.
Mesmo com todas as restrições que impedem pequenas estruturas de lançarem candidaturas e as manterem quantos são verdadeiramente os candidatos nestas eleições? Estão muito longe desses dois que os media apresentam, mas os outros estão muito perto da total e absoluta ignorância. Assim sendo, e para que sejam pelo menos falados uma vez na blogosfera nacional aqui fica a lista de TODOS os candidatos à presidência dos EUA:
Gene Amondson/Leroy Pletten - Prohibition (Proibicionistas)
Chuck Baldwin/Darrell Castle - Constitution, Kansas Reform, Virginia Independent Green (Ultra - Liberais)
Bob Barr/Wayne Allyn Root - Libertarian (Ultra - Liberais)
Róger Calero/Alyson Kennedy - Socialist Workers (Socialistas, Trotskistas)
Charles Jay/Thomas L. Knapp - Boston Tea (Ultra – liberais)
Alan Keyes/Brian Rohrbough - Independent, America's Independent (Independente radical religioso)
Gloria La Riva/Eugene Puryear - Socialism & Liberation (Comunista, Marxista)
John McCain/Sarah Palin - Republican, New York Independence, New York Conservative (Republicano – conservador)
Cynthia McKinney/Rosa Clemente - Green (Ecologistas)
Brian Moore/Stewart Alexander - Socialist, Vermont Liberty Union (Social Democratas)
Ralph Nader/Matt Gonzalez - Independent, Independence-Ecology[5], Peace and Freedom, Michigan Natural Law, Delaware Independent, Oregon Peace, New York Populist (Liberal, ecologistas)
Barack Obama/Joe Biden - Democratic, South Carolina United Citizens, New York Working Families (Liberais)
Thomas Stevens/Alden Link - Objectivist (Ultra – Liberais)
Ted Weill/Frank McEnulty - Reform (Ultra –Liberal / Reformista)
Para que se entenda, os eleitores, que em alguns estados já votam há duas semanas, não escolhem o seu presidente. Eles apenas elegem o colégio eleitoral que designará quem será o próximo presidente. Para além disso muitas outras eleições correm em paralelo para cargos de muitas naturezas completamente diversas.
E se os mortos cuspissem....
hoje teria sido mais um dia ideal. No dia de hoje os cemitérios concorrem directamente com os Shoppings. Carpideiras e corneteiros desfazem-se em trabalhos para rivalizar na beleza das últimas moradas dos mortos que foderam em vida. Ou que se perderam da vida. Ou que se cansaram de viver. Ou que sofreram acidente de igual proporção àquele que fez encontrar o espermatozóide e o óvulo. Os que os anos vividos atiraram para o lixo numa sociedade toda ele transformada num enorme aterro.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Os negócios sem crise
Há dois negócios que nunca consegui encarar como sendo sequer passíveis de existirem enquanto negócios e que se mantêm ou crescem abruptamente com as crises. Um dos negócios é precisamente o dos cobradores "do fraque". Vejam esta pérola da imbecilidade no site de uma destas empresas que deveriam ser ilegalizadas. Os idiotas descerebrados contratados para trabalhar(?) nestas empresas produzem textos deste género sobre as suas experiências de trabalho. O factor humano está morto há muito tempo.
Outro dos negócios que me enoja desde criança (não sei onde fui buscar essa clarividência na infância) é precisamente o negócio da morte e do folclore em torno da morte. Em tempos de crise a morte está mais presente e o negócio prossegue a bom ritmo. O serviço de enterro ou cremação de um morto deve ser um serviço social e não um negócio parasitário de gente decrépita e amoral pago a peso de ouro.
Outro dos negócios que me enoja desde criança (não sei onde fui buscar essa clarividência na infância) é precisamente o negócio da morte e do folclore em torno da morte. Em tempos de crise a morte está mais presente e o negócio prossegue a bom ritmo. O serviço de enterro ou cremação de um morto deve ser um serviço social e não um negócio parasitário de gente decrépita e amoral pago a peso de ouro.
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negócio da morte,
O homem do fraque
E para 2009...
teremos José Obama e Manuela McCain nesta roda viva de democracia, neste carrocel estonteante de pluralismo. O papagaio e a catatua desta mercearia em vias de encerrar as portas para o Shopping Center global.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Economia para totós… ou será por totós?
Há uns anos atrás O ex-primeiro-ministro Eng. Guterres afirmou categoricamente que estávamos a atravessar uma crise. É obvio que ele queria dizer pura e simplesmente que era um incapaz (como governante, entenda-se). Após esta deserção o país optou por uma nova liderança que anunciava a salvação. Porém, sempre por factores externos, também era diagnosticada a crise e culpabilizado o anterior governo. O primeiro-ministro deixa que se construa o álibi que o salvará e corre desertando para a União Europeia naquilo que prometiam ser o mais honroso cargo atribuído a um político nacional. Enquanto este senhor Dr. Barroso se prepara para participar na fase de conspiração para a guerra com Bush e Blair em Portugal vive-se a mesma anedota da crise mas desta vez agravada pelo facto de ter ficado à frente do governo um homem ao qual foram negadas quaisquer possibilidades de poder alegar que aí estava a crise. Transformaram-no na crise naquele que foi um dos mais tristes espectáculos de cumplicidade entre a sabujice dos meios de comunicação social e uma bem montada estratégia por um lado do partido socialista e por outro dos seus pares do PSD que não podiam admitir um homem como Santana à frente dos destinos do partido e muito menos do governo. Sem o álibi da crise mas com a legitimidade democrática das sondagens da Marktest o então Presidente da República resolve dissolver uma assembleia democraticamente eleita e com uma maioria governamental coincidindo esse acto com a minúscula distância temporal da eleição do futuro líder socialista.
Na campanha eleitoral muito se falou da crise ou crises e muitas promessas foram debitadas em nome de programas que se sabiam nunca poderem ser cumpridos. A comunicação social cilindrou Santana e elegeu ou fez eleger Sócrates.
Desde que o Eng. José Sócrates assumiu o poder não se fala noutra coisa que não a crise. Se é a mesma, se é outra, se os contextos são diferentes, é algo que devemos pensar, mas a crise é o que existe em comum a todos estes os dirigentes porque também comuns são as soluções e as fórmulas apresentadas. O álibi de Sócrates é a crise internacional ajudada a criar por um dos seus antecessores à escala mundial quando decidiu participar em mais um dos cenários de intervencionismo unilateral e imperialista dos norte-americanos. E não bastando tal demonstração de miserável lambe-botismo à portuguesa ainda teve de o promover em território nacional colocando o país numa situação complicada.
O que distingue Sócrates é que ele passa pela apresentação da crise como vítima de circunstâncias que lhe são totalmente alheias para explicar o relativo insucesso das suas aplicações políticas práticas. Sim, eu disse relativo insucesso. Sócrates aparece hoje vencedor dos que, à sua direita, diziam que era uma estupidez o estado ser proprietário da Caixa Geral de Depósitos. Não que ele não pense da mesma forma, mas agiu de forma diferente. Sócrates aparece no actual cenário, um capítulo avançado dessa eterna crise, como um social-democrata reformador e sobretudo como alguém que resolveu apostar em inovações, ou inovação, como queiram. O discurso da crise permanece o mesmo. Está lá a desculpabilização mas estão também outras coisas como a possibilidade histórica de alterar sem grandes protestos, por exemplo, a legislação laboral. As pessoas estão bêbadas de crise, entorpecidas pela Euribor e pelas cartas das financiadoras a pedir dinheiro. O que é certo é que esta crise eterna é uma máquina de criar excluídos. As práticas socialistas deste governo têm diminuído esses efeitos mas a ferida é bem maior que o penso que a cobre.
Segundo dados recentemente divulgados o valor dos imóveis tem vindo a cair de forma acentuada nos últimos dois anos à semelhança do que sucedeu nos Estados Unidos e que despoletou a chamada crise do subprime. Corremos o mesmo risco de pagarmos algo que não vale uma pequena fracção do valor de aquisição e respectiva hipoteca.
Os economistas dizem que tudo está bem. Que é tudo passageiro e que melhores dias já se vislumbram. Outros mais pessimistas dizem que o fim deste processo de crise, a tal eterna crise, ainda não tem fim à vista. Os mais realistas dizem que estamos apenas no início de algo desconhecido mas que pode transformar radicalmente a sociedade. Ora, tam como o socialismo mitigado de Sócrates demonstra cá pelo nosso pequeno país o capitalismo tornou-se invencível e indestrutível pelo que é só uma questão de tempo e, ou estaremos mortos, ou saídos da crise. Na perspectiva mais realista, se não mortos continuaremos na mesma crise com outros protagonistas. A crise faz parte do processo. É uma espécie de betão que estanca as feridas do capital.
Quando os gigantes do capitalismo começam a despedir em massa continuamos sem ouvir ou ler sobre milionários que ficam miseráveis. Os economistas resolveram reinventar Marx precisamente para salvar o capitalismo, os capitalistas e sobretudo o principal, o capital. Esses economistas até ontem neo-liberais até ao osso hoje são keynesianos e foram lamber os restos do marxismo na intervenção do estado não onde Keynes a previa (absorvendo os restos humanos, as sobras humanas que o mercado não quer) mas antes redistribuindo a riqueza (ou a dívida) dos povos e dos estados pelos milionários do sistema financeiro que, por sua vez, é suposto financiar a economia. Aquilo a que já se chama de Socialismo dos ricos ou o salvamento do credor e não do devedor. Devedor esse que é precisamente a matriz do desenvolvimento do próprio sistema capitalista.
O mercado de capitais está a experimentar momentos complicados, à semelhança de outras alturas. Estas crises são cíclicas. Talvez por isso ouvi com relativo interesse um debate para totós sobre economia na RTP-N que terminou de uma forma espantosa. O apresentador pergunta aos entrevistados se este é o momento ideal para investir em acções. A resposta é clara. Sim, este é o momento ideal se tivermos pelo menos dez anos para esperar pelo retorno e soubermos investir de forma dispersa. Por momentos relembrei muitos dos textos que tenho vindo a ler dobre a matéria e voltei à realidade de que aqueles senhores são economistas. À semelhança da estupidez do comentário de Constâncio sobre a saúde financeira de dois pequenos bancos levando a um levantamento enorme de depósitos do BPN obrigando este banco a recorrer a um empréstimo da CGD, a mesma estupidez é demonstrada pelos economistas em questão. Em primeiro lugar é necessário cair na realidade de que as poupanças dos portugueses muito reduzidas e que o nível de endividamento está já em níveis incomportáveis. Se esta é uma boa altura para o investimento na bolsa não o será certamente para quem não conhece sequer a palavra investimento pois não lhe é apresentada outra fundamental que é o rendimento. Não menos de dez anos é o que prometem estes senhores para um retorno razoável de investimento. Seria bom se a vida humana fosse eterna ou se houvesse dinheiro a rodos para sustentar esse parasitarismo financeirista.
Na campanha eleitoral muito se falou da crise ou crises e muitas promessas foram debitadas em nome de programas que se sabiam nunca poderem ser cumpridos. A comunicação social cilindrou Santana e elegeu ou fez eleger Sócrates.
Desde que o Eng. José Sócrates assumiu o poder não se fala noutra coisa que não a crise. Se é a mesma, se é outra, se os contextos são diferentes, é algo que devemos pensar, mas a crise é o que existe em comum a todos estes os dirigentes porque também comuns são as soluções e as fórmulas apresentadas. O álibi de Sócrates é a crise internacional ajudada a criar por um dos seus antecessores à escala mundial quando decidiu participar em mais um dos cenários de intervencionismo unilateral e imperialista dos norte-americanos. E não bastando tal demonstração de miserável lambe-botismo à portuguesa ainda teve de o promover em território nacional colocando o país numa situação complicada.
O que distingue Sócrates é que ele passa pela apresentação da crise como vítima de circunstâncias que lhe são totalmente alheias para explicar o relativo insucesso das suas aplicações políticas práticas. Sim, eu disse relativo insucesso. Sócrates aparece hoje vencedor dos que, à sua direita, diziam que era uma estupidez o estado ser proprietário da Caixa Geral de Depósitos. Não que ele não pense da mesma forma, mas agiu de forma diferente. Sócrates aparece no actual cenário, um capítulo avançado dessa eterna crise, como um social-democrata reformador e sobretudo como alguém que resolveu apostar em inovações, ou inovação, como queiram. O discurso da crise permanece o mesmo. Está lá a desculpabilização mas estão também outras coisas como a possibilidade histórica de alterar sem grandes protestos, por exemplo, a legislação laboral. As pessoas estão bêbadas de crise, entorpecidas pela Euribor e pelas cartas das financiadoras a pedir dinheiro. O que é certo é que esta crise eterna é uma máquina de criar excluídos. As práticas socialistas deste governo têm diminuído esses efeitos mas a ferida é bem maior que o penso que a cobre.
Segundo dados recentemente divulgados o valor dos imóveis tem vindo a cair de forma acentuada nos últimos dois anos à semelhança do que sucedeu nos Estados Unidos e que despoletou a chamada crise do subprime. Corremos o mesmo risco de pagarmos algo que não vale uma pequena fracção do valor de aquisição e respectiva hipoteca.
Os economistas dizem que tudo está bem. Que é tudo passageiro e que melhores dias já se vislumbram. Outros mais pessimistas dizem que o fim deste processo de crise, a tal eterna crise, ainda não tem fim à vista. Os mais realistas dizem que estamos apenas no início de algo desconhecido mas que pode transformar radicalmente a sociedade. Ora, tam como o socialismo mitigado de Sócrates demonstra cá pelo nosso pequeno país o capitalismo tornou-se invencível e indestrutível pelo que é só uma questão de tempo e, ou estaremos mortos, ou saídos da crise. Na perspectiva mais realista, se não mortos continuaremos na mesma crise com outros protagonistas. A crise faz parte do processo. É uma espécie de betão que estanca as feridas do capital.
Quando os gigantes do capitalismo começam a despedir em massa continuamos sem ouvir ou ler sobre milionários que ficam miseráveis. Os economistas resolveram reinventar Marx precisamente para salvar o capitalismo, os capitalistas e sobretudo o principal, o capital. Esses economistas até ontem neo-liberais até ao osso hoje são keynesianos e foram lamber os restos do marxismo na intervenção do estado não onde Keynes a previa (absorvendo os restos humanos, as sobras humanas que o mercado não quer) mas antes redistribuindo a riqueza (ou a dívida) dos povos e dos estados pelos milionários do sistema financeiro que, por sua vez, é suposto financiar a economia. Aquilo a que já se chama de Socialismo dos ricos ou o salvamento do credor e não do devedor. Devedor esse que é precisamente a matriz do desenvolvimento do próprio sistema capitalista.
O mercado de capitais está a experimentar momentos complicados, à semelhança de outras alturas. Estas crises são cíclicas. Talvez por isso ouvi com relativo interesse um debate para totós sobre economia na RTP-N que terminou de uma forma espantosa. O apresentador pergunta aos entrevistados se este é o momento ideal para investir em acções. A resposta é clara. Sim, este é o momento ideal se tivermos pelo menos dez anos para esperar pelo retorno e soubermos investir de forma dispersa. Por momentos relembrei muitos dos textos que tenho vindo a ler dobre a matéria e voltei à realidade de que aqueles senhores são economistas. À semelhança da estupidez do comentário de Constâncio sobre a saúde financeira de dois pequenos bancos levando a um levantamento enorme de depósitos do BPN obrigando este banco a recorrer a um empréstimo da CGD, a mesma estupidez é demonstrada pelos economistas em questão. Em primeiro lugar é necessário cair na realidade de que as poupanças dos portugueses muito reduzidas e que o nível de endividamento está já em níveis incomportáveis. Se esta é uma boa altura para o investimento na bolsa não o será certamente para quem não conhece sequer a palavra investimento pois não lhe é apresentada outra fundamental que é o rendimento. Não menos de dez anos é o que prometem estes senhores para um retorno razoável de investimento. Seria bom se a vida humana fosse eterna ou se houvesse dinheiro a rodos para sustentar esse parasitarismo financeirista.
domingo, 19 de outubro de 2008
E há realmente uma escolha?
Agora que se aproximam as eleições americanas é necessário entender como funciona esta máquina de brincar às democracias e de queimar dinheiro em nome de interesses ocultos e obscuros. Muitos defendem que os EUA são uma democracia mas escondem como tudo se processa ao ponto de darem a entender ao público que os americanos realmente escolhem seja o que for no processo eleitoral para a presidência. O que se tem visto é que cada candidato do partido único com duas cabeça à direita e à extrema-direita a que decidiram estupidamente chamar de “democratas” e “republicanos” atira contra o outro todos os argumentos possíveis e imaginários de campanha suja criando a ilusão de divergência onde mais concordam. Mas a verdade é que os EUA não são o país mais importante do mundo. São um império forçado militarmente de mentiras. Começando obviamente pelo sistema político que anula as alternativas quando pretensamente é o símbolo da democracia. Se a democracia é escolher de quatro em quatro anos líderes embrenhados em campanhas milionárias, iguais entre si, que anulam a possibilidade de outras escolhas à partida então a democracia burguesa atingiu finalmente a sua última etapa, a da ditadura travestida de democracia. Viver na liberdade a mais humilhante prisão, da ignorância e da estupidez.
Para que votam então alguns americanos? Algum, porque o número de votantes é escasso tendo em conta a população do país. É fácil compreender no final deste texto porque não votam os americanos. Mas os que votam fazem-no com a consciência de que escolhem um presidente?
Os eleitores não votam para o presidente dos EUA. Em primeiro plano há que compreender que para exercerem o voto os eleitores têm de ser reconhecidos como tal. Ao contrário do que conhecemos no nosso país, nos EUA são os eleitores que têm de se registar para votar a cada acto eleitoral. Normalmente os eleitores autopropõem-se como tal através de campanhas de recrutamento pelos dois supostos partidos americanos. O eleitor pode apresentar-se ou propor-se como democrata, republicano ou independente (?) no acto do registo. O registo pode ser feito por uma infinidade de formas. Basta procurar na internet e veremos milhares de páginas com formulários que conduzem ao registo de eleitores partidários ou independentes. Em suma, para que possa votar (o que cá é considerado um direito) o cidadão americano tem de propor-se pelos seus meios tendo de partir da sua iniciativa ou do acompanhamento partidário uma vez que o eleitor se propõe como apoiante do partido democrata, republicano ou independente. Os dados deste processo anedótico de recenseamento estão disponíveis à data das eleições para que se compreendam melhor as circunscrições eleitorais. Ou seja, não exista surpresa na realidade.
Salvo raríssimas situações previstas na lei, o voto em Portugal é universal. Nos EUA existem estados onde sujeitos que estiveram presos jamais poderão votar. No entanto na maioria dos estados esse direito é negado a quem esteja preso ou sob qualquer forma de liberdade vigiada ou condicionada ou por ter um antecedente criminal de delito grave. Mais interessante é que em alguns estados procedem a uma limpeza dos registos eliminando nomes que são idênticos ou muito parecidos com nomes de condenados com crimes graves, presos ou em liberdade. Este processo é feito por empresas informáticas especializadas e próximas dos partidos do sistema e tem como objectivo reduzir ao mínimo possível os votos das minorias, nomeadamente a comunidade negra que vota tendencialmente mais pelos democratas. Nesta eleição que se aproxima a questão coloca-se mais do que nunca uma vez que pela primeira vez aparece um candidato mestiço e com fortes probabilidades de ganhar. Será por isso que se vem ouvindo crescentemente nos comícios republicanos expressões como “arranquem-lhe a cabeça” ou “matem-no!”. Sendo semelhantes entre si os candidatos nas questões principais o candidato republicano não consegue ver sequer o seu opositor como seu igual.
Não é compreensível como num país desenvolvido existem incontáveis irregularidades no processo eleitoral, com supressões deliberadas de votos, com fraude e manipulação no processo electrónico de votação e fraude constante na votação por correio. Os sistemas de votação electrónica têm vindo a substituir os métodos tradicionais. Cada estado, e dentro deste em cada condado é que decide qual o método a utilizar para o voto que pode variar entre as formas mais estranhas como por exemplo cartões perfurados.
A questão central é precisamente o objecto do voto. O presidente não é eleito pelos eleitores. Estes votam para um colégio eleitoral formado por criaturas sinistras que ninguém sabe quem são nem de onde vêm e muito menos ao que vêm e são estes que elegem o presidente. Esse colégio eleitoral de “electoral votes” ou votos eleitorais, decide quem vai ser o próximo presidente. Contudo, na grande maioria dos estados (excepção feita ao Maine e ao Nebraska onde é usado o método de Hondt) é usado a regra maioritária onde o partido com mais votos leva todos os representantes. Não existindo proporcionalidade é negada a possibilidade de existência de outras candidaturas. No entanto é mesmo esse o intuito. A bipolarização não é mais que fachada uma vez que republicanos e democratas são duas faces da mesma moeda como em qualquer sistema totalitário. Os cidadãos votam em fulanos que desconhecem e em quem acreditam estar bem depositada a sua vontade embora nada os obrigue a cumprir o sentido de voto de quem os elegeu.
A democracia tal como a devemos entender deve ser regida clareza do sistema político. Este não é nada claro. É mesmo muito sombrio. Numa época de crise, dizem mesmo a maior desde a grande depressão estão a ser disputadas as eleições mais caras de sempre. São milhões de dólares que servem para empobrecer o sistema político e que terão de ser mais tarde retribuídos a quem os financiou. O sistema está preso por milhões à grande finança para que depois, em momentos de desespero e falhanço o estado intervenha para a salvar tornando este ciclo no mais ruinoso ciclo político na história da humanidade. Este é, sem sombra de dúvida o mais podre império de todos os tempos.
Um pormenor curioso é o facto insólito de as eleições se realizarem sempre a uma terça-feira quando a grande maioria das pessoas estão a trabalhar e muitas vezes fora das suas circunscrições eleitorais. Será fácil entender as abstenções superiores a 50% e o facto de um em cada quatro americanos dizer não acreditar no sistema político do seu país? Não seria de terem em consideração um sistema de sufrágio universal? É evidente que não. Este sistema permite a manutenção automática do poder dentro do totalitarismo bicéfalo da política americana.
As campanhas eleitorais são disputadas fundamentalmente através dos meios audiovisuais pelo que representam um grande negócio para os designados “media” nas mãos das mesmas corporações que “doam” para ambas as campanhas.
E para culminar, por norma os candidatos têm vindo a tornar-se cada vez mais burros e estúpidos, mais acéfalos, mais patriotas e religiosos, mais despesistas, mais liberais ou mais conservadores. Têm-se feito rodear sempre da pior escumalha à face do planeta.
Remato os votos sinceros para a vitória de McCain pois parece-me o caminho mais curto para a destruição dos EUA enquanto império e para a sua desgraça económica e militar.
Para que votam então alguns americanos? Algum, porque o número de votantes é escasso tendo em conta a população do país. É fácil compreender no final deste texto porque não votam os americanos. Mas os que votam fazem-no com a consciência de que escolhem um presidente?
Os eleitores não votam para o presidente dos EUA. Em primeiro plano há que compreender que para exercerem o voto os eleitores têm de ser reconhecidos como tal. Ao contrário do que conhecemos no nosso país, nos EUA são os eleitores que têm de se registar para votar a cada acto eleitoral. Normalmente os eleitores autopropõem-se como tal através de campanhas de recrutamento pelos dois supostos partidos americanos. O eleitor pode apresentar-se ou propor-se como democrata, republicano ou independente (?) no acto do registo. O registo pode ser feito por uma infinidade de formas. Basta procurar na internet e veremos milhares de páginas com formulários que conduzem ao registo de eleitores partidários ou independentes. Em suma, para que possa votar (o que cá é considerado um direito) o cidadão americano tem de propor-se pelos seus meios tendo de partir da sua iniciativa ou do acompanhamento partidário uma vez que o eleitor se propõe como apoiante do partido democrata, republicano ou independente. Os dados deste processo anedótico de recenseamento estão disponíveis à data das eleições para que se compreendam melhor as circunscrições eleitorais. Ou seja, não exista surpresa na realidade.
Salvo raríssimas situações previstas na lei, o voto em Portugal é universal. Nos EUA existem estados onde sujeitos que estiveram presos jamais poderão votar. No entanto na maioria dos estados esse direito é negado a quem esteja preso ou sob qualquer forma de liberdade vigiada ou condicionada ou por ter um antecedente criminal de delito grave. Mais interessante é que em alguns estados procedem a uma limpeza dos registos eliminando nomes que são idênticos ou muito parecidos com nomes de condenados com crimes graves, presos ou em liberdade. Este processo é feito por empresas informáticas especializadas e próximas dos partidos do sistema e tem como objectivo reduzir ao mínimo possível os votos das minorias, nomeadamente a comunidade negra que vota tendencialmente mais pelos democratas. Nesta eleição que se aproxima a questão coloca-se mais do que nunca uma vez que pela primeira vez aparece um candidato mestiço e com fortes probabilidades de ganhar. Será por isso que se vem ouvindo crescentemente nos comícios republicanos expressões como “arranquem-lhe a cabeça” ou “matem-no!”. Sendo semelhantes entre si os candidatos nas questões principais o candidato republicano não consegue ver sequer o seu opositor como seu igual.
Não é compreensível como num país desenvolvido existem incontáveis irregularidades no processo eleitoral, com supressões deliberadas de votos, com fraude e manipulação no processo electrónico de votação e fraude constante na votação por correio. Os sistemas de votação electrónica têm vindo a substituir os métodos tradicionais. Cada estado, e dentro deste em cada condado é que decide qual o método a utilizar para o voto que pode variar entre as formas mais estranhas como por exemplo cartões perfurados.
A questão central é precisamente o objecto do voto. O presidente não é eleito pelos eleitores. Estes votam para um colégio eleitoral formado por criaturas sinistras que ninguém sabe quem são nem de onde vêm e muito menos ao que vêm e são estes que elegem o presidente. Esse colégio eleitoral de “electoral votes” ou votos eleitorais, decide quem vai ser o próximo presidente. Contudo, na grande maioria dos estados (excepção feita ao Maine e ao Nebraska onde é usado o método de Hondt) é usado a regra maioritária onde o partido com mais votos leva todos os representantes. Não existindo proporcionalidade é negada a possibilidade de existência de outras candidaturas. No entanto é mesmo esse o intuito. A bipolarização não é mais que fachada uma vez que republicanos e democratas são duas faces da mesma moeda como em qualquer sistema totalitário. Os cidadãos votam em fulanos que desconhecem e em quem acreditam estar bem depositada a sua vontade embora nada os obrigue a cumprir o sentido de voto de quem os elegeu.
A democracia tal como a devemos entender deve ser regida clareza do sistema político. Este não é nada claro. É mesmo muito sombrio. Numa época de crise, dizem mesmo a maior desde a grande depressão estão a ser disputadas as eleições mais caras de sempre. São milhões de dólares que servem para empobrecer o sistema político e que terão de ser mais tarde retribuídos a quem os financiou. O sistema está preso por milhões à grande finança para que depois, em momentos de desespero e falhanço o estado intervenha para a salvar tornando este ciclo no mais ruinoso ciclo político na história da humanidade. Este é, sem sombra de dúvida o mais podre império de todos os tempos.
Um pormenor curioso é o facto insólito de as eleições se realizarem sempre a uma terça-feira quando a grande maioria das pessoas estão a trabalhar e muitas vezes fora das suas circunscrições eleitorais. Será fácil entender as abstenções superiores a 50% e o facto de um em cada quatro americanos dizer não acreditar no sistema político do seu país? Não seria de terem em consideração um sistema de sufrágio universal? É evidente que não. Este sistema permite a manutenção automática do poder dentro do totalitarismo bicéfalo da política americana.
As campanhas eleitorais são disputadas fundamentalmente através dos meios audiovisuais pelo que representam um grande negócio para os designados “media” nas mãos das mesmas corporações que “doam” para ambas as campanhas.
E para culminar, por norma os candidatos têm vindo a tornar-se cada vez mais burros e estúpidos, mais acéfalos, mais patriotas e religiosos, mais despesistas, mais liberais ou mais conservadores. Têm-se feito rodear sempre da pior escumalha à face do planeta.
Remato os votos sinceros para a vitória de McCain pois parece-me o caminho mais curto para a destruição dos EUA enquanto império e para a sua desgraça económica e militar.
Como o revivalismo nos pode salvar do lixo futuro
Esqueçam, o tema comprido é apenas para enganar. Queria apenas fazer uma referência agora que o negócio de alguns trouxe de novo à ribalta os suecos ABBA. É que eu gosto daquele pop rafeiro e de vez em quando ainda ouço aquelas maravilhas sem algodão ou cotonetes. Gosto muito do "The visitors" ou da melodia ingénua do "Arrival". Hoje já não se faz merda com aquela qualidade.
sábado, 11 de outubro de 2008
Nos piores momentos, as piores ideias
Hoje foram chumbados na Assembleia da República duas propostas que visavam a possibilidade de casamentos civis de pessoas do mesmo sexo. Felizmente essa lei não passou e infelizmente a esquerda política foi quem trouxe à baila este tema quando atravessamos um momento em que temos temas muito importantes sobre os quais temos de reflectir. No entanto, e como nada vem por acaso será importante esclarecer porque motivo não consigo compreender particularmente o voto do PCP nestas propostas.
Em primeiro lugar a “instituição” casamento tem uma origem religiosa. A lei, com as várias mutações que sofreu ao longo dos anos e dos regimes conferiu-lhe um certo enquadramento que só pode ser entendido como um contrato conjugal.
De há uns anos a esta parte foi também criado um outro contexto que considero de muito maior importância na sociedade actual, o de “União de facto”.
Casamento e União de Facto são duas realidades diferentes porque representam logo à partida uma diferenciação legal em matérias como direito de sucessão por exemplo. No entanto, e dado que vivemos num país laico, a União de Facto deveria ter-se desde logo apresentado como uma alternativa que pode ou não (consoante vontade dos intervenientes) ser comparado juridicamente a um contrato matrimonial sem que exista formalmente um acto civil.
A limitação atribuída à opção da União de Facto impede que a sociedade se liberte do casamento não só como instituição religiosa mas como contrato civil. Os direitos e deveres desta “instituição" não são traduzidos para a UF como deveriam ser caso fosse essa a vontade dos intervenientes sem lhes exigir o folclore religioso ou legal.
Assim sendo, entendo que uma sociedade laica deve dar a opção do casamento religioso a quem professe uma religião qualquer (reconhecido de forma automática a nível civil), do casamento civil a quem entenda que deve ser formalizado um contrato matrimonial mas também deveria dar a opção aos casais em UF de terem regimes idênticos a todos os níveis ao casamento sem a formalidade do acto ou a opção do presente contexto limitativo das UF.
Perante as propostas de lei apresentadas hoje à apreciação do parlamento parece-me que é pretendido para “pares” de pessoas do mesmo sexo o regime do casamento civil ignorando que já podem ter os regimes das UF. Perante isto fico com a ideia de que a sociedade em geral quer continuar a descriminar as pessoas que decidem não querer celebrar contractos de casamento formais tanto que os “pares” homossexuais se vêem na necessidade de recorrer à única figura legal que lhes permite terem direitos semelhantes aos dos casamentos. Casamentos, entenda-se de heterossexuais porque outros não são permitidos. Essa é a raiz da descriminação.
Sendo politicamente incorrecto não entendo sequer como lógicas estas propostas. Nada vejo de benéfico num contrato de casamento. Não altera ou não acrescenta nada de novo às pessoas apenas lhes atribui um conjunto de direitos e deveres consagrados numa lei algo retrógrada. E não vendo nada de positivo no casamento apenas o consigo entender nos tempos modernos como rituais de puro folclore religioso ou legal. Sendo mais politicamente incorrecto não vejo como pode uma sociedade permitir que se normalizem e se formalizem relações homossexuais como sendo normais dentro de “instituições” que foram geradas em contextos fundamentalmente religiosos. E mais além não vejo porque motivos estarão interessados os “pares” homossexuais em entrar nesses mesmos processos ritualizados quando estes representam a contradição e a negação à sua própria condição. Senão vejamos as posições que as igrejas diversas têm sobre este tema.
A palavra casamento é o ponto de discórdia principal aqui. Este representa um determinado contexto que não pode nem deve ser alterado. Pertence a uma cultura, é uma referência cultural e civilizacional. Se copiarmos o texto de lei e o colocarmos nas UF deixa de tocar nessa ferida e não creio que retire qualquer ponta de justiça ou igualdade seja a quem for.
Mas a questão ainda pode ser vista mesmo pelo prisma da igualdade. Os “pares” homossexuais pretendem essa igualdade? Como se manifesta no dia-a-dia essa pretensão, nas marchas folclóricas realizadas justamente para afirmação e diferenciação de uma comunidade que tende a ser muito elitista e muito dominadora em certos aspectos?
A recusa pura e simples das duas leis postas à discussão, parece-me ser a posição mais acertada. E acredito que o PCP de outros tempos o teria feito sem hesitar. Hoje, a luta cerrada com o BE por uma ideia de esquerda moderna parece-me que pode estar a causar algumas estranhas reacções e posições do partido.
Quanto à questão da possibilidade de adopção contida na proposta do BE penso que nem sequer deve ser tida em conta. Não deve ser discutível e deve ser travada a todo o custo. A nossa sociedade já está mal quanto baste.
Em primeiro lugar a “instituição” casamento tem uma origem religiosa. A lei, com as várias mutações que sofreu ao longo dos anos e dos regimes conferiu-lhe um certo enquadramento que só pode ser entendido como um contrato conjugal.
De há uns anos a esta parte foi também criado um outro contexto que considero de muito maior importância na sociedade actual, o de “União de facto”.
Casamento e União de Facto são duas realidades diferentes porque representam logo à partida uma diferenciação legal em matérias como direito de sucessão por exemplo. No entanto, e dado que vivemos num país laico, a União de Facto deveria ter-se desde logo apresentado como uma alternativa que pode ou não (consoante vontade dos intervenientes) ser comparado juridicamente a um contrato matrimonial sem que exista formalmente um acto civil.
A limitação atribuída à opção da União de Facto impede que a sociedade se liberte do casamento não só como instituição religiosa mas como contrato civil. Os direitos e deveres desta “instituição" não são traduzidos para a UF como deveriam ser caso fosse essa a vontade dos intervenientes sem lhes exigir o folclore religioso ou legal.
Assim sendo, entendo que uma sociedade laica deve dar a opção do casamento religioso a quem professe uma religião qualquer (reconhecido de forma automática a nível civil), do casamento civil a quem entenda que deve ser formalizado um contrato matrimonial mas também deveria dar a opção aos casais em UF de terem regimes idênticos a todos os níveis ao casamento sem a formalidade do acto ou a opção do presente contexto limitativo das UF.
Perante as propostas de lei apresentadas hoje à apreciação do parlamento parece-me que é pretendido para “pares” de pessoas do mesmo sexo o regime do casamento civil ignorando que já podem ter os regimes das UF. Perante isto fico com a ideia de que a sociedade em geral quer continuar a descriminar as pessoas que decidem não querer celebrar contractos de casamento formais tanto que os “pares” homossexuais se vêem na necessidade de recorrer à única figura legal que lhes permite terem direitos semelhantes aos dos casamentos. Casamentos, entenda-se de heterossexuais porque outros não são permitidos. Essa é a raiz da descriminação.
Sendo politicamente incorrecto não entendo sequer como lógicas estas propostas. Nada vejo de benéfico num contrato de casamento. Não altera ou não acrescenta nada de novo às pessoas apenas lhes atribui um conjunto de direitos e deveres consagrados numa lei algo retrógrada. E não vendo nada de positivo no casamento apenas o consigo entender nos tempos modernos como rituais de puro folclore religioso ou legal. Sendo mais politicamente incorrecto não vejo como pode uma sociedade permitir que se normalizem e se formalizem relações homossexuais como sendo normais dentro de “instituições” que foram geradas em contextos fundamentalmente religiosos. E mais além não vejo porque motivos estarão interessados os “pares” homossexuais em entrar nesses mesmos processos ritualizados quando estes representam a contradição e a negação à sua própria condição. Senão vejamos as posições que as igrejas diversas têm sobre este tema.
A palavra casamento é o ponto de discórdia principal aqui. Este representa um determinado contexto que não pode nem deve ser alterado. Pertence a uma cultura, é uma referência cultural e civilizacional. Se copiarmos o texto de lei e o colocarmos nas UF deixa de tocar nessa ferida e não creio que retire qualquer ponta de justiça ou igualdade seja a quem for.
Mas a questão ainda pode ser vista mesmo pelo prisma da igualdade. Os “pares” homossexuais pretendem essa igualdade? Como se manifesta no dia-a-dia essa pretensão, nas marchas folclóricas realizadas justamente para afirmação e diferenciação de uma comunidade que tende a ser muito elitista e muito dominadora em certos aspectos?
A recusa pura e simples das duas leis postas à discussão, parece-me ser a posição mais acertada. E acredito que o PCP de outros tempos o teria feito sem hesitar. Hoje, a luta cerrada com o BE por uma ideia de esquerda moderna parece-me que pode estar a causar algumas estranhas reacções e posições do partido.
Quanto à questão da possibilidade de adopção contida na proposta do BE penso que nem sequer deve ser tida em conta. Não deve ser discutível e deve ser travada a todo o custo. A nossa sociedade já está mal quanto baste.
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PCP
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
IVA com recibo
Mesmo partindo esta ideia da direita política há muito que tenho vindo a escrever sobre este tema. portanto só fica bem juntar a minha voz a algumas que apareceram a pretender alterar a forma como é processado o pagamento do IVA.
A questão é simples. Presume o estado que a uma factura corresponde um pagamento e perante isto exige que ao fecho do mês ou do trimestre (consoante o tipo de regime escolhido) a empresa tenha de liquidar o IVA constante nas facturas emitidas. Acontece que os pagamentos podem se rmuito posteriores (ou mesmo até nem serem efectuados) à data da emissão da factura. Tal como já sucede em alguns países a melhor solução para melhorar a liquidez das pequenas e das médias empresas (as mais afectadas pelo problema) será justamente a cobrança do IVA pelo recebimento e não pela facturação tornando o recibo e não a factura no documento central do negócio em causa.
Não se trata de uma questão ideológica mas de uma contradição contabilistica. No entanto é preciso termos em atenção o facto de que o princípio gerador da falta de liquidez das empresas é justamente o terrível hábito português dos pagamentos a perder de vista mantidos pela grande maioria dos empresários portugueses.
A questão é simples. Presume o estado que a uma factura corresponde um pagamento e perante isto exige que ao fecho do mês ou do trimestre (consoante o tipo de regime escolhido) a empresa tenha de liquidar o IVA constante nas facturas emitidas. Acontece que os pagamentos podem se rmuito posteriores (ou mesmo até nem serem efectuados) à data da emissão da factura. Tal como já sucede em alguns países a melhor solução para melhorar a liquidez das pequenas e das médias empresas (as mais afectadas pelo problema) será justamente a cobrança do IVA pelo recebimento e não pela facturação tornando o recibo e não a factura no documento central do negócio em causa.
Não se trata de uma questão ideológica mas de uma contradição contabilistica. No entanto é preciso termos em atenção o facto de que o princípio gerador da falta de liquidez das empresas é justamente o terrível hábito português dos pagamentos a perder de vista mantidos pela grande maioria dos empresários portugueses.
Entre o inferno e a salvação...

A imagem tem 33 anos e representa o momento histórico da nacionalização da banca portuguesa pouco depois do 25 de Abril, de forma a assegurar que este sector terminasse com a sabotagem sobre múltiplas formas à economia nacional então em processo. As movimentações da banca tinham a intenção clara de inviabilizar a evolução política democrática pelo seu comprometimento com o anterior sistema e com as oligarquias reinantes.
António Borges, uma das mais importantes figuras da opinião económica e do PSD actual defendeu há poucos meses que deveríamos caminhar para a privatização do único banco do estado, a Caixa Geral de Depósitos. Ainda não se conheciam os acontecimentos últimos desta crise que agora assola os mais desenvolvidos redutos do neo-liberalismo. Esta ideia vem na mesma senda dos crimes económicos cometidos quando se privatizaram companhias como a Galp, a EDP ou a PT. Vem sobretudo em contra-corrente com a pouca-vergonha das soluções apresentadas para conter a sangria da actual crise financeira. No mesmo caminho que leva os contribuintes das nações mais afectadas a pagarem duramente a factura da irresponsabilidade criminosa de alguns no sector e de muitos na política. E, pasme-se, aqueles que tiveram as mesmas linhas de pensamento que este prestigiado economista.
Relembrar as nacionalizações de há 33 anos em Portugal serve apenas para ilustrar como aquilo que os ultra-liberais apontam como tendo sido o responsável pelo atraso do nosso país serve hoje de ferramenta para salvar o próprio sistema capitalista. Mas mesmo isso pode não chegar. O caso da Islândia é disso um exemplo. É o próprio estado que se encontra falido. Como é possível suceder uma crise desta envergadura num dos países mais ricos do mundo? Pior do que tentar chegar a uma resposta breve e simples é tentar compreender como é que pode a contracção de mais uma dívida perante a Rússia pode trazer a solução ao problema deste país.
Chegámos ao ponto em que temos de compreender que não podemos andar uma vida inteira a parecer algo que não somos. A viver bem às custas de um endividamento que nos pode cair em cima a qualquer momento ceifando-nos toda uma vida de trabalho e de esforço. Temos de compreender que, aconteça o que acontecer os responsáveis por toda esta confusão nunca serão sequer beliscados por esta crise. Os contribuintes pagarão a manutenção das suas fortunas. Aliás, é de pensar porque já se falam de tantas falências e de algumas “nacionalizações” de instituições financeiras e não se ouça rigorosamente nada sobre ricos a ficarem pobres. Nem vai suceder porque estes pobres, mas sobretudo as camadas intermédias, irão providenciar a manutenção das suas riquezas através destes processos fraudulentos de nacionalização que não são mais que o absorver das dívidas nas contas do estado para salvaguardar os interesses dos especuladores e das grandes fortunas.
À semelhança do que aconteceu no Portugal do pós-25 de Abril em que, no dia seguinte toda a gente passou a ser revolucionária até ao osso, mesmo os que sempre dormiram com o regime Salazar-Caetano, hoje todos os liberais escarnecem o neo-liberalismo e que sempre foram pela regulamentação dos mercados. Não nos iludamos. Os novos esquerdistas e direitistas com discurso de esquerda são da mesma laia que os que saíram do MRPP para a liderança da política e da intelectualidade de direita no Portugal actual. Eles sempre quiseram tudo desregulamentado e entregue aos mesmos patrões de sempre, os seus ou melhor ainda, eles mesmos.
Estes são os senhores que nos querem fazer crer que as nacionalizações do 25 de Abril eram más mas que as actuais são boas porque são a tábua de salvação do próprio sistema financeiro. Os mesmos que venderam por valores ridículos aos privados empresas públicas lucrativas e algumas delas monopólios. Os mesmo que sempre têm feito um finca-pé ideológico contra o intervencionismo estatal.
À esquerda tem de haver uma postura forme de salvaguarda da identidade ideológica da diferenciação entre os processos de nacionalização e o actual processo de fraudes de nacionalização de dívidas absorvendo no estado os falhanços e os irregularidades e irresponsabilidades assumidas pela alta finança e pela política sempre cooperante e conivente. A esquerda tem de manter firme a ideia de que a banca e os seguros têm sempre de ter uma âncora firme no estado.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
O debate mais estúpido do mundo
Acerca deste segundo debate entre os dois candidatos à presidência dos EUA e segundo um dos comentadores da CNN (não sei quem porque me pareciam todos iguais) McCain prometeu pagar as casas de toda a gente e Obama prometeu cuidados de saúde para toda a gente, o que é bom para um país que se encontra falido. A expressão é dele. A realidade também.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Não fora a mão protectora e o capitalismo um destes dias acordava morto
Cada dia que vai passando sobre este carrocel de acontecimentos respeitantes à crise financeira vai-nos dando uma imagem mais real e mais tenebrosa quanto às causas e consequências de tudo isto. Mais preocupante é termos a noção que as soluções apresentadas são apenas e só a potenciação dos factores de crise. A manutenção da desregulamentação e a injecção de capital onde ele foi suprimido por manobras criminosas. Um sistema político e económico que tem como base da sua propaganda o sucesso e a eficácia premeia justamente os mais capazes desta espécie de Darwinismo económico. É que os mais fortes são sempre os que sobrevivem mesmo que as estruturas que criaram e mantiveram se desfaçam em pó. Desaparecem as estruturas empresariais mas o capital não se move das finanças pessoais de cada um dos criminosos dos movimentos de capitais. Não fora a mão protectora dos políticos cobardes e cumplices e o capitalismo um destes dias acordava morto.
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