O TEXTO SEGUINTE FOI RETIRADO NA ÍNTEGRA DO ESQUERDA.NET: AQUI
"Na Venezuela, os patrões não podem despedir trabalhadores que ganhem menos de três salários mínimos. A medida já se encontra em prática desde 2002, sendo renovada periodicamente. O governo anunciou que vai estender o decreto de "imobilidade laboral" por mais mais um ano, vigorando até Dezembro de 2009, e sublinha que o país tem a taxa de desemprego mais baixa dos últimos 10 anos.
O governo venezuelano decidiu prolongar outra vez a vigência do decreto de "imobilidade laboral" que impede os patrões de despedir trabalhadores, desta feita até Dezembro de 2009. Na verdade, trata-se da 15ª extensão do decreto, pela primeira vez aprovado em Maio de 2002. Contudo, se nas primeiras aprovações do decreto a sua validade era apenas de alguns meses, as duas últimas extensões da medida foram anuais: em Dezembro de 2007 a validade do decreto foi estendida até ao final de 2008 e agora o governo decidiu estendê-lo até ao final de 2009.A medida permite "proteger os empregados dos sectores público e privado, regidos pela Lei Orgânica do Trabalho" e estipula que os trabalhadores que ganhem mensalmente o equivalente até três salários mínimos mensais (aproximadamente 800 euros) não podem ser despedidos.Para o governo venezuelano, que prevê dificuldades com a crise económica mundial, esta medida é fundamental para não pôr em risco a consistente descida do desemprego no país. Há poucas semanas, Chavez vangloriava-se de ter atingido a taxa de desemprego mais baixa dos últimos 10 anos, que se cifrou em 6,1% no passado mês de Novembro.No entanto, o decreto de "imobilidade laboral" não é universal, pois deixa de fora trabalhadores temporários ou ocasionais, cargos de confiança, empregados que aufiram mais de três salários mínimos mensais, e certos casos em que a redução de pessoal se faça por acordos voluntários entre trabalhadores e patrões.O objectivo futuro do governo venezuelano é integrar a medida definida por este decreto na reforma da Lei Orgânica do Trabalho, pendente há quase dez anos. Além de proibir o despedimento de trabalhadores, a nova Lei Orgância do Trabalho deverá incluir a redução do horário de trabalho para seis horas por dia e o aumento dos dias de férias. "
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
A irracionalidade da guerra
Nada me move contra os judeus em particular – uma vez que falar sobre guerra torna por estes dias incontornável a questão de Israel e Palestina – nem tenho qualquer animosidade para com o estado de Israel, e vejo como uma realidade importante reconhecer o seu direito à existência específica com as características que são compreensíveis num estado formado da forma como este foi.
O problema reside justamente no nascimento, na forma e não no conteúdo, uma vez que nenhum povo pode reclamar o seu direito a existir e a ter um estado ocupando e massacrando os povos que, por todas as razões possíveis são os legítimos ocupantes do território reclamado.
O estado de Israel nasceu torno e tarde ou nunca se endireitará. A vingança do povo massacrado pelo nazismo é ser ele mesmo exterminador de inimigos reais ou potenciais, acossado e estimulado por uma comunidade numerosa e imensamente rica com organizações mais ou menos formais um pouco por todo o mundo. Israel tem sido tantas vezes, a mão e os olhos do imperialismo norte americano onde representa o maior lobby em termo de quantidade de membros e de financiamento aos políticos americanos.
Na curta visita que Obama fez a Israel antes da sua eleição ele disse algo que poderá ter passado despercebido a quase toda a gente. Disse esperar ver o estado de Israel em breve com a cidade de Jerusalém como capital. Esta cidade tem um significado muito especial para as três religiões monoteístas: o judaísmo, o islamismo e o cristianismo. Aquela frase foi tão reveladora quanto a outra que disse no seu discurso na noite da vitória eleitoral cujo conteúdo era simplesmente que os americanos iriam derrotar os seus “inimigos”.
Os ataques de Israel a Gaza foram já condenados por muitos países mas sobretudo por muitos povos. Por muita gente que, independentemente da posição que o país tenha perante a situação, resolveu manifestar-se contra esta guerra.
Israel tem o direito de se defender de ataques. Contudo o que se viu não foram ataques que justificassem, à luz do direito internacional. Não foram de todo proporcionais e não descriminaram alvos. E isto sucede porque os alvos são uma população inteira.
O resultado efectivo destas práticas de guerra imperialista é que os inimigos do Hamas estão hoje a seu lado. A nível internacional, aqueles que sempre foram contra o Hamas e a sua visão islâmica do governo da Autoridade Palestiniana em contraposição com as forças progressistas que sempre dominaram a estrutura dessa mesma débil Autoridade até à vitória eleitoral do Hamas, hoje encontram-se na posição de defensores das posições do Hamas contra essas forças progressistas e contra a postura genocída de Israel. Este país conseguiu a proeza de colocar meio mundo a defender uma organização que até há pouco tempo odiava, porque se compreende facilmente que, com o pretexto de derrubar o Hamas, o que se vai fazendo é esfaimar e atirar sobre uma população inteira.
Assim sendo, a guerra termina de qualquer forma. Sem palestinianos não há Palestina e Israel vive e os EUA mantêm a sua guarda avançada intacta, invicta e intocável pelas autoridades que vão brincando ao direito internacional quando este serve de arma política contra os inimigos do império.
O problema reside justamente no nascimento, na forma e não no conteúdo, uma vez que nenhum povo pode reclamar o seu direito a existir e a ter um estado ocupando e massacrando os povos que, por todas as razões possíveis são os legítimos ocupantes do território reclamado.
O estado de Israel nasceu torno e tarde ou nunca se endireitará. A vingança do povo massacrado pelo nazismo é ser ele mesmo exterminador de inimigos reais ou potenciais, acossado e estimulado por uma comunidade numerosa e imensamente rica com organizações mais ou menos formais um pouco por todo o mundo. Israel tem sido tantas vezes, a mão e os olhos do imperialismo norte americano onde representa o maior lobby em termo de quantidade de membros e de financiamento aos políticos americanos.
Na curta visita que Obama fez a Israel antes da sua eleição ele disse algo que poderá ter passado despercebido a quase toda a gente. Disse esperar ver o estado de Israel em breve com a cidade de Jerusalém como capital. Esta cidade tem um significado muito especial para as três religiões monoteístas: o judaísmo, o islamismo e o cristianismo. Aquela frase foi tão reveladora quanto a outra que disse no seu discurso na noite da vitória eleitoral cujo conteúdo era simplesmente que os americanos iriam derrotar os seus “inimigos”.
Os ataques de Israel a Gaza foram já condenados por muitos países mas sobretudo por muitos povos. Por muita gente que, independentemente da posição que o país tenha perante a situação, resolveu manifestar-se contra esta guerra.
Israel tem o direito de se defender de ataques. Contudo o que se viu não foram ataques que justificassem, à luz do direito internacional. Não foram de todo proporcionais e não descriminaram alvos. E isto sucede porque os alvos são uma população inteira.
O resultado efectivo destas práticas de guerra imperialista é que os inimigos do Hamas estão hoje a seu lado. A nível internacional, aqueles que sempre foram contra o Hamas e a sua visão islâmica do governo da Autoridade Palestiniana em contraposição com as forças progressistas que sempre dominaram a estrutura dessa mesma débil Autoridade até à vitória eleitoral do Hamas, hoje encontram-se na posição de defensores das posições do Hamas contra essas forças progressistas e contra a postura genocída de Israel. Este país conseguiu a proeza de colocar meio mundo a defender uma organização que até há pouco tempo odiava, porque se compreende facilmente que, com o pretexto de derrubar o Hamas, o que se vai fazendo é esfaimar e atirar sobre uma população inteira.
Assim sendo, a guerra termina de qualquer forma. Sem palestinianos não há Palestina e Israel vive e os EUA mantêm a sua guarda avançada intacta, invicta e intocável pelas autoridades que vão brincando ao direito internacional quando este serve de arma política contra os inimigos do império.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Sonoridade magnífica! GODSPEED YOU! BLACK EMPEROR
GODSPEED YOU! BLACK EMPEROR - Com o tema SLEEP (Álbum: lift yr. skinny fists like antennas to heaven! 2000)
Permitam-me que utilize esta peça magnífica como sátira ao próximo imperador do mundo que já adormeceu muitos tontos com o seu discurso, o Sr. Obama.
Permitam-me que utilize esta peça magnífica como sátira ao próximo imperador do mundo que já adormeceu muitos tontos com o seu discurso, o Sr. Obama.
Sobre a Reforma da função Pública...
Os nossos governantes escolhem para o Estado o mesmo sistema podre e disfuncional que é aplicado no meio empresarial privado apenas ajustando as regras aos escalões remuneratórios já existentes. As mesmas regras idiotas e arbitrárias que a iniciativa privada aplica aos seus recursos humanos, com o resultado calamitoso que é conhecido, vão passar a ditar também os destinos dos ex-funcionários públicos agora transformados em funcionários do Estado-patrão enquanto for conveniente. Talvez as coisas não estejam muito bem agora com muita gente a abusar da sua posição e a desbaratar os bens públicos e a trabalhar muito aquém das suas possibilidades. Talvez sejam necessários ajustes na forma como os funcionários são vinculados ao seu estatuto de serventes da coisa pública. No entanto, não me parece que esta seja a mais correcta forma de eliminar essa desresponsabilização de muitos e esse mandriar tão conhecido de alguns que tanto é caricaturado. Isso não representa o funcionarismo público, não representa uma maioria de pessoas que servem como podem e sabem o estado português e consequentemente os cidadãos contribuintes.
Destaco sobre este assunto o texto do economista Eugénio Rosa aqui.
Ficam as palavras com que remata o seu artigo:
"A existência na Administração Pública do vínculo de nomeação e de regras claras na progressão na carreira defendia os trabalhadores contra o arbítrio das chefias e do poder político; impedia a chantagem sobre os trabalhadores para que satisfizessem interesses pessoais ou partidários; e garantia a prestação de serviços públicos, em igualdade, a todos os cidadãos. Este governo, ao pretender acabar com o vínculo de nomeação e ao alterar profundamente as regras que existiam na Administração Pública, nomeadamente quanto à admissão e à progressão na carreira; à fixação de remunerações, ao direito ao emprego, etc, tornando tudo isto totalmente dependente do arbítrio das chefias, como se mostrou, cria condições para o aumento das desigualdades entre os trabalhadores dos diferentes serviços e mesmo no interior de cada serviço, para a chantagem dos trabalhadores, para os despedimento de trabalhadores mais firmes, etc.; em suma, o que se pretende introduzir na Administração Pública é a desigualdade, a precariedade, a psicologia do medo e o poder absoluto e arbitrário das chefias, e acabar, objectivamente, com uma Administração Pública independente, que sirva, em igualdade, todos os cidadãos, passando a servir melhor alguns, aqueles que sejam do agrado das chefias e do poder politico. É contra tudo isto que todos os portugueses se devem opor."
Destaco sobre este assunto o texto do economista Eugénio Rosa aqui.
Ficam as palavras com que remata o seu artigo:
"A existência na Administração Pública do vínculo de nomeação e de regras claras na progressão na carreira defendia os trabalhadores contra o arbítrio das chefias e do poder político; impedia a chantagem sobre os trabalhadores para que satisfizessem interesses pessoais ou partidários; e garantia a prestação de serviços públicos, em igualdade, a todos os cidadãos. Este governo, ao pretender acabar com o vínculo de nomeação e ao alterar profundamente as regras que existiam na Administração Pública, nomeadamente quanto à admissão e à progressão na carreira; à fixação de remunerações, ao direito ao emprego, etc, tornando tudo isto totalmente dependente do arbítrio das chefias, como se mostrou, cria condições para o aumento das desigualdades entre os trabalhadores dos diferentes serviços e mesmo no interior de cada serviço, para a chantagem dos trabalhadores, para os despedimento de trabalhadores mais firmes, etc.; em suma, o que se pretende introduzir na Administração Pública é a desigualdade, a precariedade, a psicologia do medo e o poder absoluto e arbitrário das chefias, e acabar, objectivamente, com uma Administração Pública independente, que sirva, em igualdade, todos os cidadãos, passando a servir melhor alguns, aqueles que sejam do agrado das chefias e do poder politico. É contra tudo isto que todos os portugueses se devem opor."
Brisa e companhia agradecem...
...e eis que começa a roda viva das comunicações de aumentos de preços com as portangens. O Governo anuncia uma subida de 2,20%. Num país onde não existe uma rede alternativa viável de transportes públicos por empresas públicas para servir o interesse público... Brisa e companhia agradecem.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Morreu um dos maiores vultos da música contemporânea: Lars Hollmer
Aqui revisto num trabalho de 1999 com o seu projecto Samla Mammas Manna. Desaparece mais um dos grandes nomes da música contemporânea próxima das sonoridades progressivas. Esteve em Portugal em 2005 por ocasião do festival Gouveia Art Rock (GAR) 2005.
domingo, 28 de dezembro de 2008
sábado, 27 de dezembro de 2008
O oportunismo capitalista da crise
Um facto inegável e indesmentível passa diante dos nossos olhos. Aqueles que, com a sua gula de riqueza, pariram e criaram esta crise, são exactamente os mesmos que agora nos fazem crer que tudo está tão mau que justifica os “ajustamentos” que irão ser introduzidos nas empresas no ano que se aproxima. No fundo, nada mais que a mesma velha receita de sempre: redução de postos de trabalho, redução de salários ou congelamento dos aumentos dos mesmos e por último a natural “mendigagem” ao estado por apoios múltiplos às empresas quando todo o tempo, o gastam a amaldiçoar o excessivo peso deste ou a sua demasiada intervenção na economia.
A palavra “crise” serve para atordoar os atingidos pelos efeitos da própria numa vaga mediática que tenta, ainda assim, explicar o que não tem explicação. Não é por acaso que, aqueles que comentam o actual estado da economia são precisamente os que sempre defenderam as fórmulas que nos trouxeram a esta situação.
É fundamental que cada desempregado, cada excluído directa ou indirectamente por efeitos desta crise, compreenda integralmente as consequências que devem advir da situação criada. É importante que não se premeie num período eleitoral que se aproxima, a direita política que sempre se apoiou nestas soluções económicas e financeiras desastrosas e sempre defendeu o mercado como o seu “bem” mais “sagrado”. Esta direita merece definhar politicamente, em resposta às consequências das suas teorias económicas que tentaram mutilar a política como instrumento base na regulação do poder económico de classe.
A palavra “crise” serve para atordoar os atingidos pelos efeitos da própria numa vaga mediática que tenta, ainda assim, explicar o que não tem explicação. Não é por acaso que, aqueles que comentam o actual estado da economia são precisamente os que sempre defenderam as fórmulas que nos trouxeram a esta situação.
É fundamental que cada desempregado, cada excluído directa ou indirectamente por efeitos desta crise, compreenda integralmente as consequências que devem advir da situação criada. É importante que não se premeie num período eleitoral que se aproxima, a direita política que sempre se apoiou nestas soluções económicas e financeiras desastrosas e sempre defendeu o mercado como o seu “bem” mais “sagrado”. Esta direita merece definhar politicamente, em resposta às consequências das suas teorias económicas que tentaram mutilar a política como instrumento base na regulação do poder económico de classe.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
As organizações SÃO as PESSOAS!
Há uns dias fui confrontado com uma frase que me levou alguns dias para digerir. Proferida pelo Professor Doutor Manuel Pinto Teixeira, referia-se à incapacidade de trabalho em geral dos portugueses. A incapacidade de trabalho gerada numa cultura de irresponsabilidade e de uma certa tendência de desenrasque geral.
Sou levado a concordar com parte do conteúdo ou com a ideia geral de que temos na nossa identidade nacional o factor que contribui para que tudo se faça de forma atabalhoada. Que se contornem as regras, que se violem os princípios do funcionamento esperados das regras e das convenções. Somos realmente assim?
O exemplo dado na mesma sessão não poderia ter sido melhor escolhido. O caso da TSF. Acontece que sou um ouvinte desde que me lembro de ter consciência do mundo e das coisas que nos rodeiam dessa rádio. O que me atraiu nesse projecto foi justamente a excelente qualidade dos seus profissionais que se revelou na programação de excelência que esta emissora tinha há uns anitos atrás. Não quero com isto dizer que tenha deixado de ter na totalidade, mas a qualidade baixou muitos pontos com o novo sistema mercantilista das notícias. E o exemplo concreto foi o do cronista Fernando Alves que me lembro desde sempre nas suas famosas inspirações únicas reveladas pela manhã, dos “sinais” de um mundo visto pelos olhos devoradores do comportamento humano, criados em iluminados momentos de inspiração e ditados ao microfone da rádio com uma das últimas vozes verdadeiramente radiofónicas na rádio portuguesa.
Fernando Alves foi-nos assim apresentado como um incorrigível incumpridor de regras, como um homem intolerável em determinados momentos e extremamente afável noutros, no espírito do “tem dias”… Para mim, que cresci a ouvir a TSF mesmo quando ainda não podia muito bem compreender o que estava por trás daquelas terríveis notícias fabulosamente cobertas da primeira guerra do Golfo Pérsico a voz e as crónicas do Fernando Alves, bem como outros trabalhos que passaram por reportagens e entrevistas, parece-me quase que ofensiva a alusão ao cronista como exemplo de mau comportamento na organização TSF.
Fernando Alves foi uma das figuras que criaram a identidade da TSF ao longo dos anos e mantém-se como um património, talvez mesmo o único que resta, da grande rádio que a TSF já foi. A questão central aqui é que as organizações SÃO as pessoas e são PARA as pessoas. A noção com que fiquei da ideia que foi transmitida é que as organizações não podem suportar identidades pessoais com carácter próprio, que não podem permitir que não se siga à risca um plano traçado num qualquer gabinete porque tudo está estudado ao milímetro incluindo as emoções geradas por cada frase, por cada entoação, por cada hesitação. As organizações necessitariam portanto de se desumanizar para se mecanizarem como homens e mulheres cada vez mais descartáveis, mudos e quedos nos seus lugares esquematizados. E o exemplo é melhor ainda porquanto se trata de um trabalho criativo. Fernando Alves é um mau funcionário mas que cumpre os seus objectivos e mantém um nível criativo invulgar. Porque não foi ainda descartado? Porque a relação custo – benefício indica que ele, ainda assim, como incorrigível incumpridor de regras, cumpre com os objectivos e realiza mais-valia para a sua organização.
Mas a questão não morre neste exemplo. Serão os portugueses um povo de intrujas e de calões que não querem trabalhar e que se desenrascam com o que apanham à mão? Essa é uma boa ideia para vender a quem tiver a vontade de, mais uma vez ser “comido” com verdades feitas que não passam de mistificações. Os trabalhadores portugueses são como todos os outros. Há-os de todas as formas e feitios e lá por fora são dos mais produtivos. Então se assim é, porque não acontece o mesmo por aqui?
Na minha opinião existe um ponto fulcral onde tudo falha no nosso país. Os quadros superiores e intermédios das empresas privadas e públicas são, na sua grande maioria entregues a pessoas pouco qualificadas, senão tecnicamente, pelo menos humanamente. Ou então tecnicamente a nível de recursos humanos. As organizações estão pejadas de escroques e escumalha autoritária de assalariados que se comportam como cães ao serviço de um único propósito, a própria ascensão e dos amigos. Aqui é uma realidade indesmentível. Somos um país de cunhas. Sem as cunhas não teríamos a orde de bestas a pilotar as nossas organizações, os criadores e fazedores de relações laborais precárias, os lambe-botas do sistema que os chicoteia mas ao mesmo tempo lhes oferece o chicote para a vingança nos elos mais fracos.
Na sua esmagadora maioria os quadros intermédios e mesmo muitos superiores são escolhidos entre os que revelam mais desumanidade, os cães raivosos e irracionais das instituições que são capazes de destruir tudo por onde passam. Só assim se explica que a produtividade seja muito mais baixa por aqui. É que os quadros intermédios e superiores são, eles mesmos, incapazes de gerir, não as organizações em si, mas as pessoas. Acontece que as pessoas são a única verdadeira riqueza estável de uma organização e podem ser tão produtivas quanto melhor forem geridas, quanto melhor se souber proporcionar relações estáveis de trabalho, estímulos realistas à produção, informação concreta e em tempo real da situação financeira das organizações, participação nas ideias e nos resultados produzidos pelas mesmas, estímulos à vinculação às funções onde cada um esteja mais adaptado e se sinta bem.
Não vale sequer a pena falar das questões salariais. É ridículo pensarmos que temos de ter excelentes profissionais quando por pouco menos dinheiro, poderiam estar em casa a servir-se dos dinheiros públicos para financiar o desemprego. O desemprego e o baixo consumo privado devem-se primariamente à cultura de baixos salários e de altos impostos (que não seriam altos se o Estado cumprisse as funções para as quais são recolhidos). Os trabalhadores no activo acabam por financiar toda a actividade económica do país. Ainda se lhes deve pedir mais? Não será agora a vez que qualificar técnica e humanamente os nossos quadros das organizações? Não será a vez de terminar com a absurda ideia de que a competitividade gera melhor produtividade, em contraponto com a ideia de que a cooperação e o trabalho organizado de equipa é factor de mais estímulo e melhor desempenho? Que a alta rotatividade de quadros gera menos despesa com pessoal em contraponto com a ideia de que a estabilidade gera maior confiança e mais identidade com a organização levando por sua vez a maior e melhor produtividade?
Sou levado a concordar com parte do conteúdo ou com a ideia geral de que temos na nossa identidade nacional o factor que contribui para que tudo se faça de forma atabalhoada. Que se contornem as regras, que se violem os princípios do funcionamento esperados das regras e das convenções. Somos realmente assim?
O exemplo dado na mesma sessão não poderia ter sido melhor escolhido. O caso da TSF. Acontece que sou um ouvinte desde que me lembro de ter consciência do mundo e das coisas que nos rodeiam dessa rádio. O que me atraiu nesse projecto foi justamente a excelente qualidade dos seus profissionais que se revelou na programação de excelência que esta emissora tinha há uns anitos atrás. Não quero com isto dizer que tenha deixado de ter na totalidade, mas a qualidade baixou muitos pontos com o novo sistema mercantilista das notícias. E o exemplo concreto foi o do cronista Fernando Alves que me lembro desde sempre nas suas famosas inspirações únicas reveladas pela manhã, dos “sinais” de um mundo visto pelos olhos devoradores do comportamento humano, criados em iluminados momentos de inspiração e ditados ao microfone da rádio com uma das últimas vozes verdadeiramente radiofónicas na rádio portuguesa.
Fernando Alves foi-nos assim apresentado como um incorrigível incumpridor de regras, como um homem intolerável em determinados momentos e extremamente afável noutros, no espírito do “tem dias”… Para mim, que cresci a ouvir a TSF mesmo quando ainda não podia muito bem compreender o que estava por trás daquelas terríveis notícias fabulosamente cobertas da primeira guerra do Golfo Pérsico a voz e as crónicas do Fernando Alves, bem como outros trabalhos que passaram por reportagens e entrevistas, parece-me quase que ofensiva a alusão ao cronista como exemplo de mau comportamento na organização TSF.
Fernando Alves foi uma das figuras que criaram a identidade da TSF ao longo dos anos e mantém-se como um património, talvez mesmo o único que resta, da grande rádio que a TSF já foi. A questão central aqui é que as organizações SÃO as pessoas e são PARA as pessoas. A noção com que fiquei da ideia que foi transmitida é que as organizações não podem suportar identidades pessoais com carácter próprio, que não podem permitir que não se siga à risca um plano traçado num qualquer gabinete porque tudo está estudado ao milímetro incluindo as emoções geradas por cada frase, por cada entoação, por cada hesitação. As organizações necessitariam portanto de se desumanizar para se mecanizarem como homens e mulheres cada vez mais descartáveis, mudos e quedos nos seus lugares esquematizados. E o exemplo é melhor ainda porquanto se trata de um trabalho criativo. Fernando Alves é um mau funcionário mas que cumpre os seus objectivos e mantém um nível criativo invulgar. Porque não foi ainda descartado? Porque a relação custo – benefício indica que ele, ainda assim, como incorrigível incumpridor de regras, cumpre com os objectivos e realiza mais-valia para a sua organização.
Mas a questão não morre neste exemplo. Serão os portugueses um povo de intrujas e de calões que não querem trabalhar e que se desenrascam com o que apanham à mão? Essa é uma boa ideia para vender a quem tiver a vontade de, mais uma vez ser “comido” com verdades feitas que não passam de mistificações. Os trabalhadores portugueses são como todos os outros. Há-os de todas as formas e feitios e lá por fora são dos mais produtivos. Então se assim é, porque não acontece o mesmo por aqui?
Na minha opinião existe um ponto fulcral onde tudo falha no nosso país. Os quadros superiores e intermédios das empresas privadas e públicas são, na sua grande maioria entregues a pessoas pouco qualificadas, senão tecnicamente, pelo menos humanamente. Ou então tecnicamente a nível de recursos humanos. As organizações estão pejadas de escroques e escumalha autoritária de assalariados que se comportam como cães ao serviço de um único propósito, a própria ascensão e dos amigos. Aqui é uma realidade indesmentível. Somos um país de cunhas. Sem as cunhas não teríamos a orde de bestas a pilotar as nossas organizações, os criadores e fazedores de relações laborais precárias, os lambe-botas do sistema que os chicoteia mas ao mesmo tempo lhes oferece o chicote para a vingança nos elos mais fracos.
Na sua esmagadora maioria os quadros intermédios e mesmo muitos superiores são escolhidos entre os que revelam mais desumanidade, os cães raivosos e irracionais das instituições que são capazes de destruir tudo por onde passam. Só assim se explica que a produtividade seja muito mais baixa por aqui. É que os quadros intermédios e superiores são, eles mesmos, incapazes de gerir, não as organizações em si, mas as pessoas. Acontece que as pessoas são a única verdadeira riqueza estável de uma organização e podem ser tão produtivas quanto melhor forem geridas, quanto melhor se souber proporcionar relações estáveis de trabalho, estímulos realistas à produção, informação concreta e em tempo real da situação financeira das organizações, participação nas ideias e nos resultados produzidos pelas mesmas, estímulos à vinculação às funções onde cada um esteja mais adaptado e se sinta bem.
Não vale sequer a pena falar das questões salariais. É ridículo pensarmos que temos de ter excelentes profissionais quando por pouco menos dinheiro, poderiam estar em casa a servir-se dos dinheiros públicos para financiar o desemprego. O desemprego e o baixo consumo privado devem-se primariamente à cultura de baixos salários e de altos impostos (que não seriam altos se o Estado cumprisse as funções para as quais são recolhidos). Os trabalhadores no activo acabam por financiar toda a actividade económica do país. Ainda se lhes deve pedir mais? Não será agora a vez que qualificar técnica e humanamente os nossos quadros das organizações? Não será a vez de terminar com a absurda ideia de que a competitividade gera melhor produtividade, em contraponto com a ideia de que a cooperação e o trabalho organizado de equipa é factor de mais estímulo e melhor desempenho? Que a alta rotatividade de quadros gera menos despesa com pessoal em contraponto com a ideia de que a estabilidade gera maior confiança e mais identidade com a organização levando por sua vez a maior e melhor produtividade?
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capitalismo,
Gestão de recursos humanos
domingo, 14 de dezembro de 2008
Lafontaine sobre Obama
“A vitória eleitoral de Barack Obama é uma boa notícia, uma vez que a política do presidente Bush e do seu partido era insuportável. Contudo, tendo em conta as consideráveis somas que o capital americano investiu na campanha eleitoral do novo presidente, sou muito céptico em relação ao seu futuro como reformador. O capital nunca dá sem pedir algo em troca.”
Oskar Lafontaine (in www.sinpermiso.info) contido na declaração de apoio ao recentemente formado Parti de Gauche em França. Mais um passo para a desejada e inevitável união das esquerdas.
Oskar Lafontaine (in www.sinpermiso.info) contido na declaração de apoio ao recentemente formado Parti de Gauche em França. Mais um passo para a desejada e inevitável união das esquerdas.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Bank of America planeia eliminar 35 mil postos de trabalho

Segundo a Lusa, o maior banco americano decidiu desfazer-se de 30 a 35 mil funcionários progressivamente durante os próximos três anos. São alegados para este despejo humano os encargos com o resgate da Merryl Linch e má conjuntura económica em geral. É mais uma contrariedade a somar às muitas que têm vindo a aparecer a cada dia, para o novo presidente eleito que pretende criar 2,5 milhões de postos de trabalho do país durante o seu mandato.
Ao que parece Obama seguiu a lição das promessas e dos resultados de José Sócrates pelo que já se adivinha, mesmo antes de iniciar o mandato, uma reeleição em 2012.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
AS FESTAS, AS SESTAS E AS BESTAS
Hoje consigo cumprir mais um capítulo de incumprimento do dever de ser social. Não o sou nem quero ser. A fantasia espalha-se. É contagiosa que baste para iludir uns quantos. Não estou e não sou para aturar imbecilidades de pessoas que não conheço nem quero conhecer. Sorrisos de circunstâncias complicadas em dias em que tudo é posto em causa sinónimo de amanhãs incertos, nas mãos de uns quantos fazedores de felácios, carreiristas e oportunistas. Os que encolhem nos outros para terem mais por onde chupar. Que se socorrem dos números manipulados para mutilar as vidas de muitos a seu prazer, sempre com as mesmas caras de merda com as quais foram paridos.
domingo, 7 de dezembro de 2008
A manipulação da sondagem
Tenho algumas boas razões para acreditar que as sondagens políticas estão longe de ser uma espécie de consulta ao eleitorado, sendo antes uma impostura ao futuro eleitorado. Daí que defenda que as sondagens devem ser proibidas desde seis meses antes de qualquer acto eleitoral. Estes pretensos estudos têm como consequência os seguintes aspectos:
1 – Desvio do eleitorado das forças políticas da sua primeira escolha para as forças políticas com maior probabilidade teórica de sucesso. É o chamado factor “voto útil”. Num sistema pluripartidário o fenómeno do “voto útil é factor de transformação em sistema bipartidário, que nos casos das supostas democracias ocidentais equivale a dizer a um totalitarismo disfarçado de múltiplas opções;
2 – As sondagens são feitas a partir de amostras. Sabemos que cada vez mais a estatística é trabalhada de forma a quase não errar nas chamadas sondagens de “boca da urna”, mas as que são feitas semanas e meses antes dos escrutínios podem ser sempre manipuladas ao gosto de quem encomenda.
3 – Não existem empresas de sondagens independentes. São todas empresas privadas que dependem de quem lhes paga, nomeadamente os maiores partidos (ou partidos de sistema), e pela comunicação social detida por grupos económicos e interesses ligados aos mesmos grandes partidos.
4 – A sondagem pode ter um efeito mobilizador – “o meu voto não é necessário pois o partido/coligação/proposta em referendo já ganhou” – ou um efeito desmobilizador – “não vale a pena votar pois não há possibilidade do partido/coligação/proposta em referendo ganhar”.
5 – À sondagem segue-se o comentário político, quase sempre feito dentro da esfera limitada dos comentadores oficiais do sistema, mais uma vez motivando ou desmotivando potenciais votos em partidos que não do sistema.
Por esses motivos e por muitos mais que poderíamos retirar de uma análise mais aprofundada destes fenómenos, as sondagens de opinião política deveriam ser proibidas até seis meses antes de qualquer acto eleitoral.
1 – Desvio do eleitorado das forças políticas da sua primeira escolha para as forças políticas com maior probabilidade teórica de sucesso. É o chamado factor “voto útil”. Num sistema pluripartidário o fenómeno do “voto útil é factor de transformação em sistema bipartidário, que nos casos das supostas democracias ocidentais equivale a dizer a um totalitarismo disfarçado de múltiplas opções;
2 – As sondagens são feitas a partir de amostras. Sabemos que cada vez mais a estatística é trabalhada de forma a quase não errar nas chamadas sondagens de “boca da urna”, mas as que são feitas semanas e meses antes dos escrutínios podem ser sempre manipuladas ao gosto de quem encomenda.
3 – Não existem empresas de sondagens independentes. São todas empresas privadas que dependem de quem lhes paga, nomeadamente os maiores partidos (ou partidos de sistema), e pela comunicação social detida por grupos económicos e interesses ligados aos mesmos grandes partidos.
4 – A sondagem pode ter um efeito mobilizador – “o meu voto não é necessário pois o partido/coligação/proposta em referendo já ganhou” – ou um efeito desmobilizador – “não vale a pena votar pois não há possibilidade do partido/coligação/proposta em referendo ganhar”.
5 – À sondagem segue-se o comentário político, quase sempre feito dentro da esfera limitada dos comentadores oficiais do sistema, mais uma vez motivando ou desmotivando potenciais votos em partidos que não do sistema.
Por esses motivos e por muitos mais que poderíamos retirar de uma análise mais aprofundada destes fenómenos, as sondagens de opinião política deveriam ser proibidas até seis meses antes de qualquer acto eleitoral.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
A crise atinge o retalho nos EUA
A Circuit City, uma das maiores companhias retalhistas de produtos electrónicos solicitou um processo de reorganização sob o Capítulo 11 do United States Bankrupcy Code tendo já anunciado o fecho de 115 lojas das 567 que o referido grupo detém. Este processo significa de imediato o desemprego de cerca de 7300 pessoas.
Esta situação deve-se a factores que se prendem com a concorrência crescente dos grupos Best Buy e Wall Mart (O maior grupo retalhista do mundo) e à redução significativa do poder de aquisição dos americanos.
Este recuo poderá ser, com uma gestão cuidada, estratégico para manter a empresa de portas abertas especializando-se a adaptando-se a novas oportunidades. Contudo a gula de que o sistema capitalista ao estilo americano é feito remete-me para a noção clara que este será um grupo empresarial a morrer em poucos meses com todas as consequências negativas que isso pode trazer. Mesmo que seja integrado num dos maiores competidores só piora a situação pois todas as fusões implicam despedimentos e redução de vencimentos.
Esta situação deve-se a factores que se prendem com a concorrência crescente dos grupos Best Buy e Wall Mart (O maior grupo retalhista do mundo) e à redução significativa do poder de aquisição dos americanos.
Este recuo poderá ser, com uma gestão cuidada, estratégico para manter a empresa de portas abertas especializando-se a adaptando-se a novas oportunidades. Contudo a gula de que o sistema capitalista ao estilo americano é feito remete-me para a noção clara que este será um grupo empresarial a morrer em poucos meses com todas as consequências negativas que isso pode trazer. Mesmo que seja integrado num dos maiores competidores só piora a situação pois todas as fusões implicam despedimentos e redução de vencimentos.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
CASO BPN - A irracionalidade do dinheiro
Segundo o DE on-line "Na última semana, ou seja após o anúncio da nacionalização, foram levantados do BPN mais de 300 milhões de euros de depósitos. Este valor equivale a bastante mais do dobro do que tinha sido levantado pelos depositantes do BPN nas semanas que antecederam o anúncio da nacionalização."
E a parte mais interessante:
"A constatação do levantamento de mais de 300 milhões na última semana mostra que os clientes e depositantes do BPN aceleraram os seus movimentos de resgate das contas de que dispunham no banco depois do anúncio da nacionalização. Atitude que contrasta com a mensagem de confiança e de segurança que o Estado procurou transmitir aos depositantes do banco através das garantias que o ministro das Finanças deu a todos os que tinham o seu dinheiro no BPN.
Isto representa o cúmulo da irracionalidade. Durante anos muitos portugueses depositaram no BPN as suas poupanças e tinham uma relação de confiança com um banco de é investigado desde 2001. Surgiu a grave crise financeira internacional. O anterior CEO do grupo saiu de uma forma pouco clara (alegadamente doença) e começaram a sair histórias escabrosas sobre a actuação da administração cessante e sobre o posicionamento e participações ilegais do banco em outras instituições para cobrir milhões em perdas (onde andam esses milhões? Estarão realmente perdidos?) O Governador do Banco de Portugal deixa escapar aquando da falência do Lehman Brothers nos EUA que temos duas instituições financeiras com dificuldades. Um mês mais tarde é divulgado parte do lote de ilegalidades e manobras do banco nos mercados e é apresentado de urgência o facto consumado da necessidade de nacionalização.
Depois de o BPN estar nas mãos seguras do estado através da CGD é que estes loucos retiram o seu dinheiro das contas? Depois do banco estar seguro é que receiam o enorme risco que correram antes? E retiram dinheiro dos cofres de um banco público para o depositar sabe-se lá em que instituição financeira privada? Está provada a estupidez dos portugueses...
E a parte mais interessante:
"A constatação do levantamento de mais de 300 milhões na última semana mostra que os clientes e depositantes do BPN aceleraram os seus movimentos de resgate das contas de que dispunham no banco depois do anúncio da nacionalização. Atitude que contrasta com a mensagem de confiança e de segurança que o Estado procurou transmitir aos depositantes do banco através das garantias que o ministro das Finanças deu a todos os que tinham o seu dinheiro no BPN.
Isto representa o cúmulo da irracionalidade. Durante anos muitos portugueses depositaram no BPN as suas poupanças e tinham uma relação de confiança com um banco de é investigado desde 2001. Surgiu a grave crise financeira internacional. O anterior CEO do grupo saiu de uma forma pouco clara (alegadamente doença) e começaram a sair histórias escabrosas sobre a actuação da administração cessante e sobre o posicionamento e participações ilegais do banco em outras instituições para cobrir milhões em perdas (onde andam esses milhões? Estarão realmente perdidos?) O Governador do Banco de Portugal deixa escapar aquando da falência do Lehman Brothers nos EUA que temos duas instituições financeiras com dificuldades. Um mês mais tarde é divulgado parte do lote de ilegalidades e manobras do banco nos mercados e é apresentado de urgência o facto consumado da necessidade de nacionalização.
Depois de o BPN estar nas mãos seguras do estado através da CGD é que estes loucos retiram o seu dinheiro das contas? Depois do banco estar seguro é que receiam o enorme risco que correram antes? E retiram dinheiro dos cofres de um banco público para o depositar sabe-se lá em que instituição financeira privada? Está provada a estupidez dos portugueses...
Ainda o PREC...
Vale a pena ler esta pequena pérola sobre um colóquio denominado "O PREC visto da América", organizado pela Fundação Mário Soares.
Carlos Brito prestou-se ao triste papel de responsabilizar os EUA pela derrota do PREC numa sala cheia de pessoas que ajudaram a que isso mesmo sucedesse e numa sessão de lavagem histórica negam que tenha havido qualquer intervenção.
E o texto termina com esta anedota: "O autor de "Portugal Classificado - Documentos Secretos Norte-Americanos 1974-1975", cuja pesquisa durou sete anos, considerou "arrepiante quão perto" o País esteve do "abismo", no período revolucionário, ao ponto de os Estados Unidos quererem, em Setembro de 1975, distribuir armas ao PS, o que foi "travado" pelo então secretário de Estado Henry Kissinger."
Alguém no seu prefeito juízo acredita que o Henry Kissinger, esse estratega de incontáveis manobras que provocaram muitos milhares de mortos por esse mundo (veja-se o caso do aval dado aos indonésios para a invasão de Timor Leste) tivesse sido o misericordioso travão ao banho de sangue em Portugal?
Assim se percebe qual o real papel da Fundação Mário Soares na sociedade actual portuguesa.
Carlos Brito prestou-se ao triste papel de responsabilizar os EUA pela derrota do PREC numa sala cheia de pessoas que ajudaram a que isso mesmo sucedesse e numa sessão de lavagem histórica negam que tenha havido qualquer intervenção.
E o texto termina com esta anedota: "O autor de "Portugal Classificado - Documentos Secretos Norte-Americanos 1974-1975", cuja pesquisa durou sete anos, considerou "arrepiante quão perto" o País esteve do "abismo", no período revolucionário, ao ponto de os Estados Unidos quererem, em Setembro de 1975, distribuir armas ao PS, o que foi "travado" pelo então secretário de Estado Henry Kissinger."
Alguém no seu prefeito juízo acredita que o Henry Kissinger, esse estratega de incontáveis manobras que provocaram muitos milhares de mortos por esse mundo (veja-se o caso do aval dado aos indonésios para a invasão de Timor Leste) tivesse sido o misericordioso travão ao banho de sangue em Portugal?
Assim se percebe qual o real papel da Fundação Mário Soares na sociedade actual portuguesa.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
HAPINESS IS THE ROAD - MARILLION
Esta banda que nos tem habituado a muito bons trabalhos de diferentes estilos mas sempre com um fio condutor musical (mais ou menos próximo do rock progressivo) e ético apresenta-nos mais um álbum e mais um conceito. O verdadeiro conceito dos amantes de música. O novo àlbum está disponível para download gratuito aqui.
Estes senhores merecem todo o apoio pois são verdadeiros músicos que não se venderam ao que as grandes editoras ordenam. Eles andam por aí. Podem ser apoiados indo aos seus concertos, comprando a sua música em suporte digital ou fisico ou adquirindo mershandising diverso.
Um bem haja aos Marillion
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