quarta-feira, 18 de abril de 2012

Do radicalismo anticapitalista ao capitalismo sistemático esquizoide


Daquilo a que o velho Cunhal chamava de Radicalismo Pequeno burguês de fachada Socialista rezam cada vez mais histórias e cada uma com cada vez mais estranhas voltas a dar. Se depois do 25 de Abril em terras lusas proliferaram ideologias em quase tudo semelhantes, excepto no facto de serem processadas por indivíduos diferentes, nos nossos dias o culto obcecado pelo indivíduo levou a que cada um faça a sua própria ideologia montada e alicerçada no culto da anti-ideologia, um jogo pragmático de poderes que se entrelaçam na bonomia do ser humano e na sua capacidade de decidir fora de contexto organizacional. Não tenho dúvidas que ao ser que se diz humano sobram capacidades de decisão e de gestão do seu próprio destino, mas faltam capacidades de gerir conflitos e consensos porque as verdades do fundamentalismo dos “ismos” impera hoje mais do que imperava há trinta e muitos anos atrás.
Fico assim paralisado perante os meus esforços de entender o que pretendem aqueles que, às onze da manhã vociferam contra o sistema capitalista que se desagrega e que deve ser destruído seja por que meio for, culpado de todos os males do mundo e conspiração extrema e absoluta de uma elite minoritária que governa quase que de forma global o mundo. E confesso que, correndo o risco de me chamarem nomes ainda ais feios do que é habitual, compartilho desta visão, que o capitalismo é, efectivamente, a origem de todo o mal social, com base no financeiro e no político da sociedade actual. Por outro lado, depois do almoço, os mesmos radicais, rejubilam com a tomada democrática da via islandesa e dão como exemplo a seguir por todo o mundo amordaçado e asfixiado pelas crises das dívidas soberanas. Também sou tentado a concordar que a via seguida pela Islândia é um exemplo de como se pode começar por uma ponta do sistema a derrubá-lo. Contudo, não é isso que se coloca em questão. A Islândia é vista como o tal “oásis”, como o exemplo a seguir como solução final rumo a um crescimento e a uma regeneração do próprio capitalismo.

É estranho adormecermos freneticamente anticapitalistas, a acordarmos angelicamente regeneradores do próprio sistema que juramos querer abater por ser o causador de todos os males. Pelo que, a análise que se coloca como emergente é percebermos até que ponto podemos ser coerentes até ao final. Porque é muito fácil acusar partidos políticos integrados nos sistemas dos países (Islândia incluída) de todas as práticas malévolas, e depois encontrar como solução a regulação cidadã dos partidos que seguem sendo a base do sistema que suporta e rege o país que a determinadas horas do dia nos serve de exemplo máximo de democracia. O que devemos levar mais a sério? As pedras lançadas contra a globalização e contra o sistema capitalista sem que seja apresentada alternativa concreta e exequível, ou o júbilo literário e filosófico pela mestria democrata de um povo que se libertou de alguns dos pulhas que o tramaram? O que sucede é que na prática a Islândia continua com o mesmo sistema que criou esses mesmos pulhas, com o mesmo conceito de propriedade e com as mesmas relações de produção, ainda que, sendo o país com um dos maiores índices de produtividade e rendimento per capita.

Eu confesso que vejo as duas vias com igual simpatia, até porque há que haver um espírito pragmático nestes dias e o capitalismo não terá atingido ainda a sua fase derradeira. Considero a posição da Islândia como um exemplo aos países do sul que se colocaram subservientes à obliteração de que estão a sofrer pelo aumento colossal das suas dívidas através dos planos que são supostos constituírem ajuda. Mas eu tenho a visão formatada de um comunista e não a visão libertária de moral impoluta e intocável.

Penso que uma coisa em nada impede a outra. Ou seja, o facto de estarmos neste momento a resolver alguns remendos dentro do sistema que alguns radicais tanto repudiam da parte da manhã, não impede que haja uma intenção forme de derrubar o sistema capitalista por dentro ou por fora, superando-o através de fórmulas conhecidas e de outras mais ou menos criativas que foram surgindo com a dinâmica da própria História. E penso que não devemos ter como fim último a regeneração de um sistema que ora se considera falido, ora se vê como regenerável num carrossel esquizofrénico difícil de entender e que leva as pessoas a desacreditarem cada vez mais, não só dos políticos, mas sobretudo dos detratores dos políticos que dissertam e elaboram fora de qualquer plano coerente.

Sabemos que a democracia representativa e partidária é violentamente criticada. A Islândia é uma democracia deste tipo, ainda que tenham havido alterações profundas impostas por cidadãos que transformaram a face da ética social, nos negócios e na própria política. Mas isso quer dizer então que os nossos radicais esquerdistas defendem finalmente que, afinal o que querem é mesmo uma continuidade do sistema capitalista em toda a sua essência e afirmar que este é reformável? Sendo o exemplo islandês notável em termos de organização e empenho social que envergonha os povos do sul da Europa no seu constante agachamento perante exactamente o mesmo tipo de problemas, não pode ser desmobilizador nos propósitos de superação do próprio sistema e não ter como fim último a sua regeneração e moralização. Algo me escapa quando existem dois discursos tão radicalmente diferentes, na defesa ou no ataque de um mesmo sistema, que nunca deixa de o ser apenas porque foi temporariamente expurgado de alguns dos seus cancros.

Uma curiosidade, para os detratores de todo o tipo de sistemas representativos , é o facto de, terem sido as eleições legislativas de 2009 na Islândia, com a sua elevadíssima participação e com a viragem a uma aliança entre social-democratas (O PS lá do sítio mas em versão a sério) e o Movimento Verde de Esquerda (uma espécie de CDU versão light) a conduzirem a algumas medidas que nos trouxeram ao estado actual em que o país se encontra, e que é, depois da hora do almoço, valentemente defendido pelos mesmos radicais anticapitalistas de antes da hora do almoço. E, convenhamos que os números falam por si. Números que explicam a divisão entre o radicalismo anticapitalista e o capitalismo sistemático, transformando-a num compreensível comportamento esquizoide.


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Do Anarco-Calimerismo

Porque todas as instituições conspiram contra a existência. Porque todas, sem excepção, estão para além da existência do indivíduo e do conceito que ele tem de si mesmo, são um perigo constante à sua liberdade de existir enquanto ser individual que tem de se opor de forma determinada. Só é possível imaginar a organização entre seres desorganizados e desalinhados de tudo e de todos. O cartão partidário equivale à morte cerebral, à paralisia social. Ter uma solução é um alinhamento perigoso, uma formatação que tem de ter necessariamente origens secretas, inscritas em interesses duvidosos. Ainda que o portador do cartão seja um “zé” anónimo, é seguramente um perigoso mutilador de toda e qualquer liberdade de ser e de existir. Em assembleia deve ser condenado, não ao fogo dos infernos que esse existe ou não, mas ao fogo de Auschwitz que não matou judeus suficientes e estes continuam a foder-nos a existência com protocolos, maçonarias e outras porcarias sionistas fascistas.

Ninguém defende a liberdade como o libertário, que na américa quer dizer precisamente o fulano que defende a total liberdade, sem Estado a controlar ou a programar seja o que for. Por isso os libertários americanos se opõem a tudo o que seja protecção social porque entendem que o Estado não pode decidir onde, de que forma e por quem irá um doente ser tratado. Cabe a este decidir, ainda que moribundo, em que mãos vai querer morrer porque a sua liberdade que desde sempre colidiu com a sociedade como um todo, não permitiu que se criasse um sistema, uma estrutura que formasse o bem comum em paralelo com o bem do indivíduo enquanto tal, que os dois se complementassem numa só forma de estruturar a sociedade. Mas a estrutura é sistema e o sistema é mutilação mental, tortura psicológica, manipulação e outras tretas que tais. Os libertários americanos são portadores da derradeira forma de pensamento de Milton Friedman. Friedman era, afinal, um radical anarquista. Porque o indivíduo tem de ser livre de construir ou de destruir, de escolher, de consumir, de viver ou morrer. Que se foda a sociedade ou o Estado. Desde que eu possa falar e gritar numa assembleia e dizer tudo o que vai na alma, descarregar numa espécie de terapia de grupo em que não existe grupo, porque grupo é organização e organização é tomar partido e partido é crime de lesa pensamento. Tomar partido é debitar excremento.

Qualquer forma de organização é totalitária, excepto aquela que incluir o “eu” como centro de acção popular sem povo, porque povo é conceito. Classe é conceito e o “eu” não tem classe. Isso são coisas de marxistas, comunistas, totalitaristas quando o único “total” que pode existir é o indivíduo indignado até com a sua própria existência. Porque lhe dói, porque se contorce, porque o ignoram, porque berra, porque quer falar e teima em querer falar em se aperceber que nunca se calou sequer por um segundo, e argumenta desargumentando ad nauseum. Porque toda a forma de poder é má excepto quando o poder puder ser exercido em parte pelo “eu” que tem voz, não igual, mas superlativa. O “eu” que fala moralmente mais alto porque vale mais que mil “eus” manietados pelos cartões dos partidos, pelos coletes dos sindicatos. Esses são os pulhas que tiram a voz ao “eu” indivíduo Calimero que caga na sociedade para que o “eu” intervenha sem soluções que não as de protestar incessantemente contra tudo e todos até que doa a voz. Ainda que essa voz se junte á do inimigo declarado que, afinal é o mais devoto aliado.




domingo, 1 de abril de 2012

Sindicalismo actual

Uma das principais questões ligadas ao Direito do Trabalho que está na calha para ser mutilada ou mesmo suprimida, é a importância ou a existência da figura do IRCT (Instrumento de Regulamentação Colectiva de Trabalho), mais conhecido como Contrato Colectivo de Trabalho.

 Por ter uma importância vital na relação entre empregadores e trabalhadores, tornando menos díspar a relação de força entre estas duas entidades como colectivo - as negociações são desenvolvidas entre associações patronais e sindicatos - tem vindo a ser alvo de vários tipos de ataques sendo que infelizmente, nem todos vêm do lado do patronato e do governo.

 A negociação dos CCT ou IRCT's é feita pelas entidades, ultrapassando o âmbito da legislação laboral vigente e propondo uma adaptação a cada sector, normalmente sendo alcançadas condições mais favoráveis em sede de negociação. São estabelecidas e aplicadas tabelas salariais sectoriais, que a maioria esmagadora dos trabalhadores actualmente desconhece. A razão pela qual desconhece é apenas o facto de estarem os sindicatos permanentemente sob a propaganda anti-sindicalista vinda de todos os lados, incluindo de alguns que ideologicamente se arrogam como representantes dos trabalhadores, desconhecendo que o papel dos sindicatos está para além dos piquetes de greve e pode influenciar de forma significativa a vida de muitas centenas de milhar de trabalhadores que se encontram ao abrigo da contratação colectiva que o governo pretende de forma oportunista transportar para a esfera do CIT (Contrato Individual de Trabalho) que senta à mesma mesa directamente trabalhador e empregador, cuja relação jurídica passa a ser profundamente desnivelada e torna aceitável qualquer condição em nome da garantia de um posto de trabalho.

O abandono dos IRCT e a passagem ao domínio individual da contratação, deixando de existir a negociação que conduz a enquadramentos como a gestão de carreiras os as tabelas salariais, dita que a entidade patronal possa desvincular-se de toda e qualquer obrigação para lá do estabelecido em sede de Código do Trabalho que, como sabemos, está a sofrer profundas alterações aberrantes neste momento. Contudo isso parece preocupar muito pouca gente. O violento ataque desferido contra os dirigentes sindicais - ainda que admitindo situações provocadas por declarações pouco inteligentes e felizes - ajuda a provocar uma desmobilização ainda maior da única central sindical que representa os interesses dos trabalhadores e abre mais espaço ainda à aplicação dos CIT, alegando que os sindicatos já não representam uma parte significativa da massa assalariada. Também conhecido como tiro no pé, que muita retórica de esquerda transforma a cada dia em mais sacrifícios daqueles a quem jura a pés juntos defender.

Não há organizações perfeitas, mas existem formas de agir e de intervir que devem implicar um esforço de unidade, de diálogo entre iguais com vista à obtenção temporária de um objectivo concreto e que pode e deve ser tido nos espaços criados para tal. Os sindicatos nem têm de ser filiados nas central sindical (apenas temos uma), podem ser independentes. Claro que, juntos, têm maior poder negocial.

Claro que existem falhas, lacunas, formas de intervenção que podem e devem ser melhoradas e alteradas no sentido da defesa de classe mais do que na defesa de sector, sejam os elementos de classe trabalhadores públicos ou privados, efectivos ou precários (à custa da desmobilização sindical os efectivos estão a transformar-se em precários com as novas leis laborais), empregados ou desempregados. Os sindicatos devem responder a questões de classe e actuar onde não o fazem actualmente. E sem a força da mobilização de classe jamais o voltarão a fazer. E a desmobilização é promovida por todos aqueles que olham para os sindicatos de forma meramente orgânica e que esquecem o que está por trás e toda uma intervenção que poderia ser tomada caso a central sindical dos trabalhadores portugueses passasse a ter uma representatividade que permitisse paralisar efectivamente o país. Com todos, sindicalizados ou não, mas mobilizados. Pelas estruturas formais ou pelos movimentos mais ou menos informais, mas sempre integrantes da mesma luta num rumo comum.

sexta-feira, 23 de março de 2012

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A alma ao diabo

A entregar a alma ao diabo desde que ele me entregue o corpo a quem eu queira... A pão e água desde que o repasto eterno seja tão mortal quanto a gula luxuriante. Foda-se, que o mundo não foi criado, e escravizam-se os homens em busca de criador, como gado em torno do seu pastor... em fuga constante da mais anedótica das invenções, o pecado...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

No Way Out

Por muito que tentemos escapar dos nossos próprios medos, eles perseguem-nos como se fossem carrascos do nosso pensamento. Muitas vezes pensar e agir são opostos, e a vida estreita-se num universo limitado que não é senão um factor diminuidor da individualidade. E contudo, como sociais que somos, a individualidade dilui-se no colectividade do "nós", ainda que, cada vez mais a farsa humana nos empurre para "ser para além de" em vez de "ser com". Os medos implicam antes de mais a sua própria consciência, mas implicam também uma força interior inequívoca que rasga todas e quaisquer amarras. Porque as convenções são mentiras chapadas à cara das sociedades que julgam ter um tronco comum com algo que nunca passou de mera fantasia. Não somos senão produtos de mentiras em cima de mentiras. E os medos não são senão o reflexo dessa realidade traduzido no desconhecimento total de um propósito para ser. Mas qual propósito? Nunca uma criatura inteligente poderia ver propósito na existência precária. Pelo que nem acto de criação, nem evolução. o que temos mesmo é uma regressão humana através dos medos ás formas mais primitivas de organização social. O medo tolhe-nos a vontade de transformar porque a transformação é a negação de tudo quanto nos foi imposto porque assim é e assim tem de ser. Mas os tempos revelam que a vida, precária, se abriga não poucas vezes em paragens quiméricas de seres ilusórios. Quando sabemos que a sua existência é tão real como o facto de sermos livres de escolher o nosso caminho. Porque não existe um caminho.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Greve Geral v.2011

Precisamente há um ano atrás, foi realizada uma paralisação (quase) geral do país. As condições eram então muito difíceis e adivinhava-se que viriam dias de grandes desafios levantados aos mesmos sofredores de sempre. Com o acentuar de uma crise cada vez mais transformada em farsa comunicacional, a farsa de uma ditadura de mercados que consegue sobrepor-se ao valor humano, seja ele individual ou colectivo, passámos em doze curtos meses a uma situação de indigência nacional onde, de forma embrutecida e estúpida, aqueles que entenderam que deveriam ir votar nas eleições de Outubro, mesmo tendo muitos deles carregado com cartazes contra o engenheiro Sócrates, entenderam, votar nos partidos que constituem o actual governo.

Dizia-se em tempos que o”o povo é quem mais ordena”, e isso constituiu um princípio básico da construção tendencialmente democrática da nação, que depressa foi transformada nesta amálgama de revanchismo que nos leva a entender, às gerações descendentes dos criadores de Abril, que estes não passaram de cobardes por não terem feito uma verdadeira revolução e por terem deixado escapar incólumes todos aqueles que durante foram décadas os “donos” do país e os sustentáculos do obscurantismo corporativista de Salazar e Marcello. As eleições de Outubro marcaram claramente a intenção de um povo que, na ignorância, na crença ou na imbecilidade deliberada, resolveram devolver à nação os subprodutos elaborados dos resquícios do bolor corporativista. Porque nunca foi aniquilado o poder político. Porque nunca chegou a ser destruída a sua base económica.

Muitos dos actuais mega ricos deste miserável país, saíram alegadamente de cá sem quaisquer bens. E muito rapidamente o capitalismo fez o favor de dizer que necessitava de um exército de empresários para dinamizar uma economia que, não só nunca foi dinamizada, como acabou parasitada por toda a escola ultra-liberal, que, nunca tendo chegado antes ao poder, chegaram agora com todos os ares de prepotência escolástica apelando à fé irracional dos incautos que caíram no conto do vigário, ou que, tal como ele, vivem parasitariamente às custas de um sistema viciado desde a sua fundação. Tendo assim que, eleições seguiram o mesmo padrão de farsa comunicacional que tudo até então e sacrifícios têm que ser feitos em nome da fortuna crescente dos ricos e do empobrecimento irracional e acéfalo dos pobres. Estas eleições foram um acto tão legítimo quanto a prática de um suicídio que tem moldura penal própria. A elição de Passos coelho foi a negação da eutanásia a um país que ainda tinha inclusivamente solução de sobrevivência, numa prática de sadismo político e de masoquismo eleitoral que transporta estes resultados para um patamar de estupidez tão elevados que as torna ilegítimas. E apenas se pode derrubar um governo ilegítimo levado ao poder pela estupidez das massas embrutecidas por um golpe de Estado que resolva construir 26 de Abril em cima do 25.

Hoje, repete-se então uma greve dita geral, mas que todos sabemos que de geral nada pode ter. Não que haja qualquer intenção nesse sentido, mas porque temos mais de setecentos mil desempregados, e a pirâmide demográfica mostra-nos uma população envelhecida e a caminhar para a reforma – eu acrescentaria para a senilidade. Mas ainda temos de analisar todos os contratos de trabalho que não são, todos os micro-empresários que têm de o ser porque não têm outra forma de sobrevivência senão alimentar uma máquina estruturada para fazer dos milionários mais milionários ainda, sustentados nas ordens secretas e outras putarias do género. Um sector privado onde, ainda antes da greve, já adavam a circular documentos onde se exigia a identificação daqueles que haviam a intenção expressa e fazer greve. E todos sabemos para que efeito. Para ir buscar tarefeiros que se sujeitam ao trabalho mendigo para sobreviver ás custas das indigências dos outros. Há sempre uma orde de filhos da puta mesmo nos meios mais miseráveis e autênticos das classes trabalhadoras supostamente esclarecidas. Os encostados da vida, os lambe-botas de sistema e os indignados de ocasião que votaram nesta solução como poderiam ter votado na bomba atómica que o fim seria menos doloroso. A traição é sempre a pior de todas as canalhices, e nas actuais condições há muitos trabalhadores honestos e conscientes que não podem mesmo, em circunstância alguma, fazer greve. O Código de Trabalho tornou-se numa anedota maior ainda que a Constituição que já foi ignorada e contornada por estes vermes que governam a soldo dos seus manobradores. Andamos a pagar os malabarismos de um sistema financeiro para os quais nenhum trabalhador pobre contribui a não ser no roubo contínuo a posteriori dos seus impostos para colmatar os buracos deixados pelos crimes económicos do Presidente Cavaco e da sua escol a de Economia. Os seus fieis discípulos ocuparam os seus lugares e aprenderam a lição de como aumentar fortunas esvaziando totalmente um país, de dinheiro e do resto de soberania que lhe sobrava… O Presidente das reformas antecipadas, mortes anunciadas de gente que aos quarenta e tal anos de idade se viu remetida para o lixo quando esse energúmeno que representa o próprio lixo, foi sucessivamente premiado em eleições pela escória política e económica que ajudou a parir para este país.

Este dia de 24 de Novembro vai representar mais um enorme fracasso das forças do trabalho porque a luta que empreendem é uma luta sem um apoio consciente da enorme maioria embrutecida da população portuguesa, contaminada por televisões e iPhones, que vivem no ideal ainda dos luxos a crédito impostos pelo próprio sistema para que se possa manter, mas dificultado no dia-a-dia por falta de liquidez de bancos que resolveram brincar aos produtos derivados de produtos que não a passaram de enormes fraudes. Ainda assim, representando o que representar esta greve geral, é bom que aconteça, e esperemos que mais gente de trabalho se junte a quem verdadeiramente os defende. Mas ainda não será desta que a luta sai para além do domesticável. E o sistema sabe muito bem que muitas vezes os próprios sindicatos acabam por ser os domadores de algumas situações limite, tornando-se em ultima instância, cúmplices de um sistema irreformável.

sábado, 19 de novembro de 2011

As incongruências técnicas

O Primeiro-Ministro de Portugal afirma que devemos apostar na contenção salarial para que haja um nivelamento dos salários em relação à Função Pública. Um discurso ensaiado no banco do confessionário quando à presença e consequente análise dos peritos da troika em relação à forma como está a ser executado o acordo de empréstimo entre este organismo e o Estado Português, falsamente designado como "ajuda" ou "plano de resgate". Nas entrevistas dadas pelos membros desta comitiva, que é verdadeiramente quem manda no país, ou seja, o governo executivo não eleito, foi clara a intenção de obrigar os salários do sector privado a encostarem-se nas restrições dos salários impostas ao sector público. Acontece que essa ideia, até do ponto de vista do próprio sistema capitalista é um perfeito disparate. Em primeiro lugar porque não existe capitalismo sem poder de compra. E nós não vivemos numa realidade política que nos permita tomar medidas proteccionistas, logo, o consumo interno, em conjunto com o aumento da produção (à qual chamam produtividade sempre que querem fazer entender que os trabalhadores portugueses não são produtivos) é importante para o crescimento do país, da sua riqueza. Mas, noutro plano, porque os salários mais elevados num sector privado fariam com que houvesse uma menor pressão para o emprego público, aquele que é derivado principalmente do amiguismo dos partidos do chamado "arco" do poder. Assim sendo, o próprio peso do Estado tenderia a reduzir. Mas isto são tudo tretas, na realidade. É que, quando dizem estas barbaridades, esquecem-se e querem-nos fazer esquecer que bem mais de metade dos portugueses vivem com salários abaixo dos 700 Euros, sendo que o termo contenção salarial na boca do Primeiro-Ministro tem de ser considerado como obsceno. Quem diz isto desta forma e fora de um contexto que todos conhecemos, aquele em que gestores e outros "boys" levam a fatia de leão dos salários em Portugal quando, os salários da esmagadora maioria dos trabalhadores tem sofrido estagnação (que na prática significa quebra salarial por duas vias, a do efeito da inflação e a da substituição de pessoas nas mesmas funções a ganhar cada vez menos), só pode ser, política e socialmente irresponsável.

A moralidade está do lado das carpideiras

Podem então as alcoviteiras falsas fazer copy /paste deste pedaço de texto. Somos as atitudes que tomamos. Por vezes restos de pessoas que não fazem senão viver a vida de outros que queriam para elas mesmas. Que transmitam por rádio frequência, sinais de fumo ou tambores a rufar. Tanto se me dá ou em bom português, estou-me a cagar. Voltámos aos tempos dos trafulhas, dos delatores, dos escondidos atrás dos arbustos para ver de onde retirar conteúdo para a próxima novela, a próxima intriga, a próxima mentira inventada nos contextos das suas imaginações férteis. Chegámos aos tempos daqueles que, não tendo nada mais útil para fazer, dedicam-se ao exercício do voyerismo psicológico para tentar perceber quem vai "comer" quem, quando as enfabulações já ultrapassam o seu quotidiano de masturbação para os teclados. chegámos ao fim de um caminho onde os amigos traem por medo de entender que os não amigos apenas vivem parasitariamente do seu sofrimento. Chegámos à estação onde o comboio da estupidez chega e descarrega todos os passageiros. Façamos então de conta que a vida se interrompe nestes fait divers, porque a moralidade está do lado das carpideiras.

Os dois tipos

Há dois tipos de pessoas que formam a camada mais baixa do ser humano. Aqueles que não vêem senão para aquém da sua própria dor de cotovelo e passam a vida a invejar os outros pelo que conseguem. E aqueles que são, constantemente nas suas vidas os estereótipos dos perfeitos delatores, os constantes queixinhas. Aqueles que não podem ver ou ler seja o que for que lhes cheira a notícia que logo vão publicar como verdade nos pasquins ou nos ouvidos de quem lhes interessa. Essas duas espécies sub-humanas pairam sempre sobre as nossas cabeças como abutres... Mas os corvos não têm medo dos abutres...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

Da Servidão Humana

Uma peça fantástica de análise social, tão poética como científica.

sábado, 5 de novembro de 2011

Capitalismo, a definição do erro.


Se há algo que não vale a pena é argumentar seja o que for em relação ao comunismo, porque não existe argumento possível contra uma forma de construção social que eleva o humanismo ao seu escalão máximo, ainda que, para isso tenham de existir algumas desumanidades pelo caminho. não existe nenhuma forma de construção e de progresso social sem que existam inimigos e vítimas. não é possível retirar das mãos de uma classe dominante do poder sem que se eliminem os mecanismos que sustentam esse poder.

Falar de democracia e assistir a um domínio dos interesses financeiros acima dos interesses dos povos naqueles que devem ser os pilares da construção social, é uma contradição abissal. É admitir que só é sustentável um projecto de liberdade se aceitarmos de bom grado que uma elite minoritária dos ricos e poderosos domine todo o processo de construção social, que mais não é que um processo de manutenção da subserviência das maiorias por inacção contra o levantamento de soluções alternativas.

Não existem soluções alternativas que não possuam um carácter revolucionário, no sentido em que não será possível construir onde toda uma máquina imperial tem bem definidas as relações de poder cuja base assenta na ilusão de que os povos escolhem, quando, de facto, e de acordo com a "engenharia do consentimento", as elites escolhem por eles.

Se a vida humana possui um valor intrínseco que é indiferenciado, se a vida de um operário desempregado que ficou sem casa por não a conseguir pagar ao banco é de igual valor à vida do banqueiro que conta a sua vida aos milhões, então porque se espera para suprimir esses milhões a quem os tem, para retirar o verdadeiro poder que oprime todos aqueles que nunca na vida saberão o que é um milhão?

Não vale a pena argumentar contra o comunismo de forma básica e acéfala como vejo, ouço e leio de forma constante quando aquilo que t~em a oferecer ao mundo é uma base de construção social baseada na opulência de uns sobre a miséria de outros. Não vale sequer a pena falarem de erros, porque todos os processos de desenvolvimento social podem estar repletos de erros, mas não são, como o capitalismo é, a própria definição de erro.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O proto-fascismo militante do governo português

Portugal, mais do que assumir a sua subserviência para com a Europa, assumiu-se ideologicamente como país a caminho de um proto-fascismo, quando decidiram os nossos governantes por uma posição de abstenção face à entrada da Palestina na UNESCO.

domingo, 16 de outubro de 2011

Inconsequências...

Assusta ver que a dianteira de uma importante manifestação como a de hoje não foi tomada pelas forças mais organizadas e fortes na mobilização popular.E assusta mais quando nas imagens que vemos dá para perceber que os "indignados" não são uma massa homogénea de gentes que sabem o caminho que querem percorrer, não estão orientados não estão focados na superação do problema com que nos defrontamos. Assusta que à frente da manifestação estejam ideias tão distintas que não se conseguiria arranjar um fio condutor caso fosse necessária uma plataforma de entendimento para o que quer que fosse. E isto porque as principais forças organizadas na vanguarda da luta do povo não estiveram oficialmente ali. Estiveram muitos de forma individual, mas não esteve a base que sustenta estas iniciativas como a que sustentou a de dia 1 de Outubro. Neste momento a unidade de todas as forças progressistas e socialistas é a única via para haver um rumo alternativo. Sem essa unidade sem a participação não sectária de todos os movimentos e partidos e de todas as pessoas que, com ou sem partido, tenham a noção clara que chegou a altura de se desfazer o grande erro que foi montado em seu torno, que chegou a hora de desmantelar um sistema mafioso e cruel onde oferecem liberdade na palavra em troca de escravatura do pensamento. Onde os direitos foram desumanizados e convertidos na ideia de que são luxos de viver acima das posses quando toda a miséria que grassa pelo mundo fora é culpa da acumulação de riqueza nos tais um por cento que mandam e são, de facto, os donos do mundo. Viver acima das posses, viver acima do que se produz não pode ser uma referência a salários mínimos que abrangem parte substancial da população. nem sequer a salários médios que são, ainda assim, miseráveis. Viver acima das posses com seiscentos euros mensais é uma ideia insultuosa quando todos os dias vamos comparando com as pensões de gestores, de administradores públicos e privados, de magistrados e outros que vão tornando insustentável um sistema de segurança social que deveria ser, por si mesma, um sistema universal por representar um esforço proporcional ao rendimento. Viver acima das posses não é mendigar de forma constante por direitos que, esses sim, têm de ser considerados de "humanos", o do trabalho o da saúde e o da educação.

Assusta perceber que os slogans e as frases feitas, as tiradas engraçadas, não são portadoras de caminhos alternativos, e por isso, nesta, como em todas as futuras que existam, deveriam ter estado organicamente todas as forças progressistas e socialistas sem medo das patranhas que os infiltrados já preparam. Esta sempre foi e sempre será uma guerra suja da maioria que manda, mas que apenas existe com a anuência e a responsabilidade directa da maioria que vota.

Foto de Paulete Matos in Esquerda.net

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Crise como álibi

O álibi da crise está a condenar as empresas a uma debilidades e incompetência crónicas. À medida que se exige mais polivalência, os níveis de especialização e de exigência dentro de cada função são atirados para um poço do qual não se vê fundo. Enquanto isso as chefias operacionais são convertidas em novas espécies de incompetentes funcionais porque já não sabem como organizar o inorganizável. Ou param de fazer malabarismos com as pessoas ou algo vai correr muito mal para todos. Se a meta não é a incompetência e a ineficácia através da ineficiência, então não cometam os erros que a elas conduzem de forma inevitável. As pessoas não se podem desmultiplicar e inventar onde não foram formadas. Não pode ser exigido conhecimento onde nunca houve nem vontade nem transparência para o comunicar. Não se pode exigir que se saiba o que antes era vedado ao conhecimento. Não se podem atirar pessoas para funções que desconhecem por completo de um momento para o outro, sem estrutura nem acompanhamento. O álibi da crise é uma arma ao serviço das grandes corporações para redução cega de custos. E a redução está sempre nas pessoas que trabalham e nunca naquelas que assistem e supostamente gerem. Quando vemos este nível de incompetência a crescer exponencialmente, as direcções e os gestores de mãos nos bolsos a dizer que é inevitável ser assim, que tirem a merda das mãos dos bolsos e que as metam ao trabalho. Em última instância, se se preocupam tanto, como dizem, com o futuro das suas organizações e das pessoas que as constroem efectivamente, então que se demitam e que vão gerir mal a puta que os pariu. Precisamos de bons soldados e não de generais esclerosados que dependem da polivalência forçada dos outros para disfarçar a sua total e completa inutilidade.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

República 4.0

Onde estão os ideais republicanos? Seria importante avançar para uma República 4.0, se calhar da mesma forma com que terminaram com a monarquia...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Assédio moral oficial

As alterações pretendidas para as relações laborais através da legislação, ditam que esteja a ser criada uma espécie de oficialização e generalização do assédio moral. Não só é pretendido como promovido como forma de pressionar as pessoas a serem aquilo que os seus novos "donos" querem que elas sejam. Dóceis, acéfalas e cooperantes. Produzam muito, falem pouco e recebam ainda menos. Numa lógica de mercado contraditório inclusivamente mesmo com o próprio espírito da construção capitalista. Estamos já para além do capitalismo no capítulo da desumanização radical das relações de trabalho. É a vitória do crime psicológico sobre a ética que ditará a futura transformação social.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Segredos...

Por estes dias milhões de portugueses falam em segredos e deliram com a mutilação cerebral que significa colar na vida de meia dúzia de insuflados e bonecas. O mesmo fenómeno ocorreu em 1917 lá para os lados de Fátima. A grande diferença é que os segredos actuais são francamente melhor engendrados e bem mais verdadeiros que os outros. Claro que as gentes agora são cultas e não se deixam enganar com coisa pouca...