quinta-feira, 21 de março de 2013
UMA MÁQUINA DE ASSUSTAR AS IDEIAS
A mulher tinha uma máquina nos dentes. Uma máquina de assustar ideias. Mas dizem que não. A máquina metálica fora-lhe colocada porque nascera de ideias tortas e queria saber de tudo um pouco. Fazia perguntas de forma constante. Agora perguntas metálicas. Queria saber a origem das coisas. De quantos elementos é composto um homem. Mas ninguém anda com tabelas periódicas dentro dos bolsos e muito menos sabe de cor os elementos que existem. A mulher sorria e logo se lembrava que o sorriso demoliria qualquer perspectiva de vislumbre da sua plenitude. a mulher pensara que a sua máquina metálica de ocultar dentes, lhe iria repor a ordem dos pensamentos e ajeitar o reflexo dos espelhos. O brilho, esse haveria de de se retirar directamente para o bolso da bata dos mecânico estrábico e míope. A mulher lembra-se perfeitamente. Como não lembrar. Tinha um BMW, o mecânico das máquinas metálicas dos dentes. Circulava em excesso de velocidade nas contas bancárias. Corrigia as deficiências milimétricas das ideias. Esfregava a mãos compulsivamente como quem pensa sem dizer "vamos lá!" Tinha um BMW no qual, um certo dia levou a passear a mulher. Não a sua mulher. A mulher que nascera e crescera torta das ideias, ainda assim ágil de boca. Haviam falado sobre a beleza. como seriam belas as bocas uniformes de brancura, alinhadas ao gosto de uma perfeição que pudesse aprumar todos os pensamentos, como se fossem estruturas lógicas e sequenciais. A mulher fazia perguntas. Queria saber das coisas. Queria saber de quantos dentes era composta a humanidade. Daria para fazer contas por alto. Os cabelos longos e soltos dançavam já ao sabor da velocidade e as árvores davam as intermitências ao som que o tornava como que um ritmo de dança. Era mais de que evidente, que depois de conhecer o pénis pequeno e torto do mecânico das máquinas metálicas de colocar nos dentes para endireitar as ideias, esta boca tão molhada quando uma esponja que acaba de ser retirada de um rio, iria fazer a derradeira pergunta, a mais valiosa e importante. Depois de engolir de um trago a pasta macia de infectar o mundo de gente, perguntou como poderia alcançar toda a beleza, todo o conhecimento e ter ao mesmo tempo todas as suas ideias de um branco puro.
Dizem que não. Fora-lhe dito que a máquina era uma espécie de passaporte para uma felicidade desconhecida. Quem sempre se questiona não consegue sequer tocar nos rebordos cortantes da felicidade. No entanto, e passados anos o peso da máquina fazia-se sentir como o peso do tempo deve sempre fazer-se sentir a quem dele se torna consciente. As ideias haviam sido assustadas de tal forma que se tornaram como que miragens. A presença metálica na boca nunca viria a disfarçar o sabor estranho e amargo do esperma do pénis torto e pequeno. A máquina tornara as perguntas metálicas, ainda constantes mas metálicas. Era já certo que o homem era composto de muito elementos, mais era estúpido querer saber quais desde que conduzisse sempre automóveis topo em excesso de velocidade nas contas.
segunda-feira, 18 de março de 2013
Desencanto....
Há espinhos cravados em gargantas
E vozes cravadas nos espinhos.
Há a vontade de soltar gritos
onde nem existem ouvidos que possam
testemunhar materialmente o grito
absurdo. Há espinhos cravados no absurdo
dos gritos. E bocas abertas de espanto.
Quanto mais mudos os gritos, maior o pranto.
Há todo um desencanto...
terça-feira, 5 de março de 2013
MÃE E A ANULAÇÃO DO TU
Mãe, esqueceste-te de ser
tu, a tua pessoa, de viver
tu, a tua vida, de fazer
tu, as tuas coisas
E fizeste de mim muito
mais do que sou
muito mais do que quero ser,
muito mais do que poderia ser
longe, distante, porque tu,
mãe, deixaste de o ser
quando decidiste esvair-te
num tempo de ausências
quando querias a teu lado.
Mãe, tu não tens estado
para ti. Tu, para ti
Não tens estado
Nem respirado a tranquilidade
dos dias a contar, decrescentes
e apressados
serás a única forma
de inexistência que
aguardará a minha
Numa qualquer nesga de tempo
que virá um dia.
E esqueceste-te de ser. Tu.
De fitar o horizonte
com objectivo próprio
Esqueceste-te de beber o chá
para lhe sentir o sabor
sem a canseira dos dias
em que pensas se a paz
me acompanha na existência
pálida de um caminho
feito de silêncios
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
A ARCA DO DESPERTAR SEM INOCÊNCIA
Somos no despertar dióspiros amarfanhados
Por uma noite que é uma mãe de chuvas.
E num esfregar de olhos, limpamos de nós
os restos. Descascamos o dia que se encerrou
em arca de madeira escura, que dura
há gerações no mesmo local. Somos
a pedra que se faz calçada e dá passagem
aos que, apressados passam. Para onde vão,
apressados, para onde?
Num salto repentino do leito quente
de olhar límpido e lavado do ontem,
como se os inícios fossem dias,
como se o passar dos dias fossem inícios
de algo mais que uma claridade
que nos inunda, a que chamamos manhã.
E as manhãs são pedaços de horas
que passam ao lado do olhar fixo
interdito aos despojados da sorte de ver
ainda que com buracos no sítio de olhos
ainda que com uma cegueira infinita
das cores e das formas, mas fixo,
o olhar, que da noite herdou a lentidão
do reflexo. A manhã do despertar
de olhos aflitos, de músculos tolhidos
por um esticão de trovoadas
Um grito abafado e solitário
que as mãos acompanham no gesto,
na dor, o sabor acre do sol que
viola as frestas das fitas velhas
que tapam as janelas. E as teias
onde as pequenas aranhas se acostumaram
também a amanhecer, parecem
uma rede de avenidas de uma metrópole
deserta, ou melhor, de um único passageiro.
De uma única via, de sentido
também ele único. Com presas nocturnas.
Choveu. Foi mãe a noite.
E a chuva é como todos os objectos
De tortura e prazer. É uma franja
de tiras de couro a fustigar de frio
as peles e as roupas, na manhã
onde despojados dos restos de outros dias
cuidamos renascer e apenas
revivemos desejos miméticos.
O espelho ignora a teia, ignora a aranha
ignora os raios de sol que entram
pela janela, ignora a janela,
ignora as fitas velhas imundas
que há anos tentam esconder luz do dia
nas manhãs consecutivas de despertares.
Ignora-me a mim. Ignora a inocência
do crer que existe um espelho
ou qualquer outro cenário.
Ignora qualquer cenário e termina
por ignorar o dia, fechando-o
na arca de madeira escura, que dura
há gerações no mesmo local.
Por uma noite que é uma mãe de chuvas.
E num esfregar de olhos, limpamos de nós
os restos. Descascamos o dia que se encerrou
em arca de madeira escura, que dura
há gerações no mesmo local. Somos
a pedra que se faz calçada e dá passagem
aos que, apressados passam. Para onde vão,
apressados, para onde?
Num salto repentino do leito quente
de olhar límpido e lavado do ontem,
como se os inícios fossem dias,
como se o passar dos dias fossem inícios
de algo mais que uma claridade
que nos inunda, a que chamamos manhã.
E as manhãs são pedaços de horas
que passam ao lado do olhar fixo
interdito aos despojados da sorte de ver
ainda que com buracos no sítio de olhos
ainda que com uma cegueira infinita
das cores e das formas, mas fixo,
o olhar, que da noite herdou a lentidão
do reflexo. A manhã do despertar
de olhos aflitos, de músculos tolhidos
por um esticão de trovoadas
Um grito abafado e solitário
que as mãos acompanham no gesto,
na dor, o sabor acre do sol que
viola as frestas das fitas velhas
que tapam as janelas. E as teias
onde as pequenas aranhas se acostumaram
também a amanhecer, parecem
uma rede de avenidas de uma metrópole
deserta, ou melhor, de um único passageiro.
De uma única via, de sentido
também ele único. Com presas nocturnas.
Choveu. Foi mãe a noite.
E a chuva é como todos os objectos
De tortura e prazer. É uma franja
de tiras de couro a fustigar de frio
as peles e as roupas, na manhã
onde despojados dos restos de outros dias
cuidamos renascer e apenas
revivemos desejos miméticos.
O espelho ignora a teia, ignora a aranha
ignora os raios de sol que entram
pela janela, ignora a janela,
ignora as fitas velhas imundas
que há anos tentam esconder luz do dia
nas manhãs consecutivas de despertares.
Ignora-me a mim. Ignora a inocência
do crer que existe um espelho
ou qualquer outro cenário.
Ignora qualquer cenário e termina
por ignorar o dia, fechando-o
na arca de madeira escura, que dura
há gerações no mesmo local.
LAÇOS DE APERTAR PESCOÇOS SEM REGRESSO
Fantasmas, chamam-lhes fantasmas, bom, não sei o que são, estão presos nas correntes que me vestem de aço o olhar de cada vez que piso o mármore negro, estão num desassossego tal que me tento desligar deles, tento desligar-me de tudo, tento fazer-me à estrada, entupida de entulhos, são obras que não param, são desgraças vertidas em lençóis de água, são águas rebentadas de crianças prometidas a mães convencidas que as crianças são de se ter, e fingem que a vida é coisa fácil, e comem sonhos esmagados, com sorrisos doces mas amargurados à medida que a ideia se concebe, porque têm frio, porque não sabem que nada é como lhes disseram quando cresciam, a vida é sempre uma coisa diferente do que as conversas de crescer, são dias, são dias que cortam a eito o estreito vínculo entre as margens, são as pontes construídas a mãos de morte, são casas envelhecidas por muitas vidas e outras tantas ausências, sim, uma dor de parir não é coisa pouca, é a dor dos fantasmas enriquecidos como urânio em ponta de míssil, o míssil que aponta aos úteros abertos à vida que não se sabe sequer se se quer. porque as palavras escorrem, as estradas vão ficando desimpedidas e sigo depressa, atrasado para o trabalho diário, ou para o diário do trabalho que há-se ser feito em escala, em nota musical, em tranquilidade, e sigo eu mesmo intranquilo pelo relógio, pelo ruído que sinto nas vozes que ouço sempre que chego ao armário de onde mais fantasmas se soltam e saltam por toda a superfície, está aspirada, está limpa, está na hora de carregar as palavras dos outros, está na hora de fazer de conta que existo no peso de todos os dramas de todas as tramas, de todas as tragédias, de todos os cálculos e de alguns dos pensamentos, não há tempo no tempo da ampulheta manipulada que regista cada atraso como condenação lenta e progressiva à morte, e pode ser súbita, quem sabe, que os fantasmas e os úteros nunca se deram, são formas opostas, não se vêem, não se tocam, não se esgotam, são melodias desencontradas de instrumentos divergentes, são cordas, são guitas, são baraços, são laços de apertar pescoços.
Espera-me o trânsito de regresso sem regresso.
Espera-me o trânsito de regresso sem regresso.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
A CARIMBADORA
A carimbadora veste os dedos de saliva.
Doutora,
fulana qualquer coisa.
E carimba os dias à secretária
lançando ironias toscas.
A carimbadora é uma cabra
manca das ideias...
ESTÁ UMA ARANHA NO TECTO
Está uma aranha no tecto.
Não, não está. É antes uma luz azul.
Está uma luz azul no tecto,
não vês? A luz? Azul?
Luz com patas de aranha,
no tecto(,) azul...
Não tenho medo de aranhas.
Não tenho medo de tectos
Não tenho medo de luzes.
Mas é azul e tem patas de aranha...
TENS UM CHEFE NA BARRIGA
Olha lá, sim tu
fizeste que mandavas
sem mando lógico
sem subordinado
debaixo das tuas mamas.
Sim tu, olha lá
Não sabes falar sequer
com estrume de cabra
Tens um chefe na barriga
tens uma boca de
fazer chefes ao rodopiar
da língua. tens uma língua
de serpente que
entra e sai sem aviso
tens um chocalho
tens um guizo.
Olha lá, sim tu
fizeste que sabias
da ordem e das ideias.
Mandaste labaredas
de esgoto. Deste o mando.
Fizeste de conta
que sabias pronunciar
palavras, E fingiste,
fingiste, continuaste a fingir
debaixo de uma capa insólita.
Olha lá, sim tu
nem cuidaste de saber
estar ou ser em posto
inventado para os teus
saltos altos.
Fizeste um assalto
à redoma dos medíocres
e pintaste-te em tons
berrantes. E como berras!
Sim tu, olha lá
Berras, e falas como
quem não sabe das letras.
Tens um chefe na barriga
por onde terá entrado?
Ele que te diga, que te diga
Se é que o sabe dizer
Porque penteias de manhã
os caracóis de ranho
E mandas sem saber
sem mando lógico
sem subordinado.
Olha lá, sim tu.
Faz-te à vida de cordel
Monta outro circo
Pinta outra manta
Manda na tua paisagem
faz do folclore que é
o teu estado, transformar-se
em subordinado de ti mesma
E manda-o foder!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Avaliação de "desempenhos"...
Quando num processo de avaliação de desempenho no trabalho acreditares que o que está a ser medido é, efectivamente a qualidade e quantidade daquilo que foi esse desempenho, desengana-te. O que esses processos representam é a aferição da tua capacidade de seguir de forma mais ou menos submissa e de coadjuvares de forma silenciosa a incapacidade e a incompetência de quem te lidera. Obviamente que também, o grau de amizade e "companheirismo" ajuda na elaboração desse processo. O ideal é mesmo comer à mesma mesa ou partilhar a mesma cama (nos casos aplicáveis)...
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
O Montador de Cavalos de Ferro.
O homem é um pouco rude, faz pela vida. Toma o gosto às boas andanças. Solta um sorriso fácil, levanta a flanela da perna das calças. Remata a mola com o fecho macabro e solta-se a mão fácil a passear-te nas costas. Há um olhar de farsante, um estilo de esgoto e uma voz que não esconde as horas a cantar as cantigas da escola dos artolas. Há a esperteza do Chico, a forma adocicada da fala que enrola. Há o escarro pendente para marcar território. Desvia o olhar, como quem diz "não me fodam" quando aponto o dedo e digo, ali vai, é aquele, o montador de cavalos de ferro...
quarta-feira, 2 de maio de 2012
O que podemos esperar do futuro senão o passado?
Ao assistir ao documentário de Jorge Costa, “Os Donos de
Portugal”, recentemente lançado na noite de 23 para 24 de Abril, fiquei com a
impressão que a análise que seria ali produzida seria ao mesmo tempo histórica,
mas também projectiva. O país não tem
conhecido grande alteração naquilo a que os autores do trabalho transposto para
documentário, intitulam de “donos”. Podemos ver que existem umas incursões aqui
ou ali por vias menos ortodoxas, mas, fundamentalmente, este país está
conhecidamente nas mãos de um punhado de famílias que não tiveram o tratamento
devido quando se deu o 25 de Abril, e muito menos depois, quando os governos
resolveram covardemente reprivatizar indemnizando principescamente os antigos proprietários.
A conivência, mais do que coexistência, entre poder político
e o seu verdadeiro motor que é o poder económico conseguiu surpreender um dia
1º de Maio que se previa pouco agitado mas razoavelmente participado. E
surpreendeu pela razão mais estranha que poderia ser imaginada por alguém de
bom senso. Este país comemorou as conquistas de Maio fazendo compras. Ou
melhor, açambarcando e pilhando oficialmente prateleiras de uma superfície
comercial que resolveu boicotar não só os direitos dos seus próprios
trabalhadores como convocar uma maioria silenciosa para um plano de poupança
que abarcava todos aqueles que tivessem dinheiro suficiente para fazer compras
de vários meses, dando-lhes a possibilidade de o fazerem por metade do seu
valor comercial. O plano resultou num êxito estrondoso e as atenções foram
desviadas das manifestações normais deste dia comemorativo do dia do trabalhador,
para a comemoração planeada do dia do consumidor.
Aparentemente a importância deste acontecimento parece ser diminuta. Uma questão de mera fiscalização resolve as eventuais dúvidas que possam surgir. Contudo não se fiscalizam processos de intenções e manipulação deliberada de necessidades de consumo.
Já li relatos hoje que alegavam que os funcionários da superfície que causou toda esta celeuma estavam a trabalhar tranquilos e mesmo sorridentes. O que eu acredito. Uma vez, há poucas semanas, aqui bem perto vi um responsável a desancar numa funcionária que cumpria as suas tarefas, mas que não correspondia exactamente ao que estava na mente retorcida do responsável que, elaboração minha, deve imaginar o que anda por baio das saias e não come há muito tempo. A moça estava ao nível mais baixo das prateleiras do linear e o chefe estava em pé de dedo em riste e de voz firme. Para os clientes nunca vi nada que não fosse um sorriso. Toda a gente sabe que as gentes do norte sorriem, são bem-dispostas por natureza e comunicativas mesmo quando são instigadas a sorrir familiarmente para os clientes normais. Não falo das bestas acéfalas que correm à cenoura dos cinquenta por cento, sendo que nestes não incluo aqueles que contam o vencimento até ao último cêntimo e que viram nesta oportunidade uma forma de pouparem alguns euros, mesmo sabendo que comprariam coisas que necessitariam e outras que nem por isso.
Aparentemente a importância deste acontecimento parece ser diminuta. Uma questão de mera fiscalização resolve as eventuais dúvidas que possam surgir. Contudo não se fiscalizam processos de intenções e manipulação deliberada de necessidades de consumo.
Já li relatos hoje que alegavam que os funcionários da superfície que causou toda esta celeuma estavam a trabalhar tranquilos e mesmo sorridentes. O que eu acredito. Uma vez, há poucas semanas, aqui bem perto vi um responsável a desancar numa funcionária que cumpria as suas tarefas, mas que não correspondia exactamente ao que estava na mente retorcida do responsável que, elaboração minha, deve imaginar o que anda por baio das saias e não come há muito tempo. A moça estava ao nível mais baixo das prateleiras do linear e o chefe estava em pé de dedo em riste e de voz firme. Para os clientes nunca vi nada que não fosse um sorriso. Toda a gente sabe que as gentes do norte sorriem, são bem-dispostas por natureza e comunicativas mesmo quando são instigadas a sorrir familiarmente para os clientes normais. Não falo das bestas acéfalas que correm à cenoura dos cinquenta por cento, sendo que nestes não incluo aqueles que contam o vencimento até ao último cêntimo e que viram nesta oportunidade uma forma de pouparem alguns euros, mesmo sabendo que comprariam coisas que necessitariam e outras que nem por isso.
O que eu acho que deveria ter sido feito, até porque acredito
que o poder político, tal como digo acima, estava conhecedor e conivente com esta
acção que transformou trabalhadores em perdigueiros de saldos, seria uma
sondagem, não à boca da urna, mas à boca do supermercado para aferir, no acto
da compra, em quem estariam os portugueses a pensar votar para as próximas
eleições. Não ando longe de uma quase certa verdade se disser que a esmagadora
maioria dos consumidores intensivos do insólito 1º de Maio, teria como intenção
de voto os partidos de Coelho e de Portas.
Lembro-me de uma vez, enquanto criança ainda (há pouco tempo, portanto) visitar o santuário de Fátima. Não por devoção que sou ateu, mas porque acompanhava familiares que entre as drogas e a religião distorcida que sempre praticaram, preferiram a religião. Uma das coisas que me chamou a atenção naquela visita foi a forma como as pessoas cumpriam promessas queimando velas que eram compradas, derretidas e depois novamente ressuscitadas para o mundo da promessa de outro qualquer. Foi a minha primeira lição de capitalismo. Mantive-me ateu como era desde os seis anos de idade, desde aa primeira vez que pisei uma igreja após o baptismo ao qual não podia fugir por dele não possuir consciência. E começaram as minhas raízes profundamente anticapitalistas. Ainda hoje chamo ao santuário o supermercado de Fátima.
Lembro-me de uma vez, enquanto criança ainda (há pouco tempo, portanto) visitar o santuário de Fátima. Não por devoção que sou ateu, mas porque acompanhava familiares que entre as drogas e a religião distorcida que sempre praticaram, preferiram a religião. Uma das coisas que me chamou a atenção naquela visita foi a forma como as pessoas cumpriam promessas queimando velas que eram compradas, derretidas e depois novamente ressuscitadas para o mundo da promessa de outro qualquer. Foi a minha primeira lição de capitalismo. Mantive-me ateu como era desde os seis anos de idade, desde aa primeira vez que pisei uma igreja após o baptismo ao qual não podia fugir por dele não possuir consciência. E começaram as minhas raízes profundamente anticapitalistas. Ainda hoje chamo ao santuário o supermercado de Fátima.
Esta estória vem a propósito da fé. O capitalismo é um
sistema de fé. Temos a fé que um dia estaremos naquele um porcento que
vislumbra o que é ser milionário e podemos olhar de cima para baixo os
falhados, os mal sucedidos e preguiçosos da vida. O nosso sucesso ou o nosso
extremo fracasso começa precisamente no mesmo acto. Quando decidimos que
aqueles 50% são realmente importantes para nós. Mais importantes que perceber
porque raio se comemora, no dia em que nos querem enfiar a cabeça nas
prateleiras lineares a chafurdar no jogo das supostas necessidades, aquilo a
que chamam dia do “trabalhador”.
Todos sabemos que o imperialismo financeiro a que se elevou
o capitalismo há muito transformou ou travestiu os trabalhadores de
colaboradores. Um termo tenebroso que me lembra os bufos do fascismo. Mas são colaboradores
e não existe um dia do colaborador. E se os trabalhadores lutaram por condições
de trabalho humanas, os colaboradores estão submetidos à doutrina mediática de
que o sacrifício funciona como a vela de Fátima. Se não fizer a promessa e
arder a vela, nunca ela surgirá de novo
para que possa ser readquirida e fruto de nova promessa. E é essa reflexão que
me leva ao entendimento de que a resposta à sondagem à boca do supermercado
seria definitivamente aproximada da composição política actual. A mesma
abstenção. O mesmo nulo. As mesmas intenções de votos expressos porque não há
alternativa. Este governo é também ele mesmo um desconto de cinquenta porcento,
não no seu valor nominativo em termos de custo, mas no seu valor quantitativo
em termos de eficácia e qualidade de produção de soluções e alternativas. Temos
aquilo que era esperado desta gente. Só pensa o contrário quem não está nas
realidades da vida. Quem já faleceu, ou quem come à mesa com eles.
O que se prova com o dia de ontem é que o sistema político, ainda que muito rudimentar, evoluiu muito mais depressa que o seu povo que apenas sabe funcionar debaixo do chapéu-de-chuva de regimes autoritários. A maior parte dos eleitores, não dos abstencionistas, mas daqueles que efectivamente escolhem votar num partido, está perfeitamente convicto e tem o desejo mais íntimo de não escolher coisa nenhuma. E fica em casa à espera dos resultados e vibra com victórias que nunca são as suas próprias. Prova-se que o português, como todos os outros povos ocidentais, não está preparado para tomar poder em suas mãos. Para assumir uma ideologia, para intervir na sociedade, pensando, criando agindo. Não há estrutura moral para uma construção social baseada na moral, porque esta é um conceito subvertido, mutilado. O serviço da pátria é tão estranho que não tem qualquer sentido. Embora a maioria seja patriota. Portugal é um grande país. Pena estar repleto de portugueses. E pena que estes tenham já abdicado de o ser em nome de prisões de dívidas que ninguém questiona. Os mesmos mercados que decidem estas promoções megalómanas, são os que colocam a nossa própria cabeça enquanto país num saldo de mais de cinquenta porcento. Empresas privadas, com interesses privados juram a pés juntos que somos péssimos pagadores de dinheiros que vieram para satisfazer a gula predatória dos bancos. Habitação, automóvel, consumo, férias, estudos. Tudo crédito sobre crédito que se haverá de pagar um dia, quando se estiver morto. Para o português quando mais tarde se pagar, melhor. para pagar e morrer quanto mais tarde melhor a não ser que esteja em promoção, em saldo liquidação total, e sobretudo se estiver no dia de um trabalhador que já não existe. Da próxima vez que trabalharmos 16 horas já será como colaboradores, aqueles que são símbolo de sucesso e que exibem meses depois, triunfantes, os 5000 rolos de papel higiénico que compraram neste dia de promoção, e onde será escrita a próxima revisão constitucional.
O que se prova com o dia de ontem é que o sistema político, ainda que muito rudimentar, evoluiu muito mais depressa que o seu povo que apenas sabe funcionar debaixo do chapéu-de-chuva de regimes autoritários. A maior parte dos eleitores, não dos abstencionistas, mas daqueles que efectivamente escolhem votar num partido, está perfeitamente convicto e tem o desejo mais íntimo de não escolher coisa nenhuma. E fica em casa à espera dos resultados e vibra com victórias que nunca são as suas próprias. Prova-se que o português, como todos os outros povos ocidentais, não está preparado para tomar poder em suas mãos. Para assumir uma ideologia, para intervir na sociedade, pensando, criando agindo. Não há estrutura moral para uma construção social baseada na moral, porque esta é um conceito subvertido, mutilado. O serviço da pátria é tão estranho que não tem qualquer sentido. Embora a maioria seja patriota. Portugal é um grande país. Pena estar repleto de portugueses. E pena que estes tenham já abdicado de o ser em nome de prisões de dívidas que ninguém questiona. Os mesmos mercados que decidem estas promoções megalómanas, são os que colocam a nossa própria cabeça enquanto país num saldo de mais de cinquenta porcento. Empresas privadas, com interesses privados juram a pés juntos que somos péssimos pagadores de dinheiros que vieram para satisfazer a gula predatória dos bancos. Habitação, automóvel, consumo, férias, estudos. Tudo crédito sobre crédito que se haverá de pagar um dia, quando se estiver morto. Para o português quando mais tarde se pagar, melhor. para pagar e morrer quanto mais tarde melhor a não ser que esteja em promoção, em saldo liquidação total, e sobretudo se estiver no dia de um trabalhador que já não existe. Da próxima vez que trabalharmos 16 horas já será como colaboradores, aqueles que são símbolo de sucesso e que exibem meses depois, triunfantes, os 5000 rolos de papel higiénico que compraram neste dia de promoção, e onde será escrita a próxima revisão constitucional.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Do radicalismo anticapitalista ao capitalismo sistemático esquizoide
Daquilo a que o velho Cunhal chamava de Radicalismo Pequeno burguês
de fachada Socialista rezam cada vez mais histórias e cada uma com cada vez
mais estranhas voltas a dar. Se depois do 25 de Abril em terras lusas
proliferaram ideologias em quase tudo semelhantes, excepto no facto de serem
processadas por indivíduos diferentes, nos nossos dias o culto obcecado pelo
indivíduo levou a que cada um faça a sua própria ideologia montada e alicerçada
no culto da anti-ideologia, um jogo pragmático de poderes que se entrelaçam na bonomia
do ser humano e na sua capacidade de decidir fora de contexto organizacional.
Não tenho dúvidas que ao ser que se diz humano sobram capacidades de decisão e
de gestão do seu próprio destino, mas faltam capacidades de gerir conflitos e consensos
porque as verdades do fundamentalismo dos “ismos” impera hoje mais do que
imperava há trinta e muitos anos atrás.
Fico assim paralisado perante os meus esforços de entender o
que pretendem aqueles que, às onze da manhã vociferam contra o sistema capitalista
que se desagrega e que deve ser destruído seja por que meio for, culpado de
todos os males do mundo e conspiração extrema e absoluta de uma elite
minoritária que governa quase que de forma global o mundo. E confesso que,
correndo o risco de me chamarem nomes ainda ais feios do que é habitual,
compartilho desta visão, que o capitalismo é, efectivamente, a origem de todo o
mal social, com base no financeiro e no político da sociedade actual. Por outro
lado, depois do almoço, os mesmos radicais, rejubilam com a tomada democrática
da via islandesa e dão como exemplo a seguir por todo o mundo amordaçado e
asfixiado pelas crises das dívidas soberanas. Também sou tentado a concordar
que a via seguida pela Islândia é um exemplo de como se pode começar por uma
ponta do sistema a derrubá-lo. Contudo, não é isso que se coloca em questão. A
Islândia é vista como o tal “oásis”, como o exemplo a seguir como solução final
rumo a um crescimento e a uma regeneração do próprio capitalismo.
É estranho adormecermos freneticamente anticapitalistas, a acordarmos angelicamente regeneradores do próprio sistema que juramos querer abater por ser o causador de todos os males. Pelo que, a análise que se coloca como emergente é percebermos até que ponto podemos ser coerentes até ao final. Porque é muito fácil acusar partidos políticos integrados nos sistemas dos países (Islândia incluída) de todas as práticas malévolas, e depois encontrar como solução a regulação cidadã dos partidos que seguem sendo a base do sistema que suporta e rege o país que a determinadas horas do dia nos serve de exemplo máximo de democracia. O que devemos levar mais a sério? As pedras lançadas contra a globalização e contra o sistema capitalista sem que seja apresentada alternativa concreta e exequível, ou o júbilo literário e filosófico pela mestria democrata de um povo que se libertou de alguns dos pulhas que o tramaram? O que sucede é que na prática a Islândia continua com o mesmo sistema que criou esses mesmos pulhas, com o mesmo conceito de propriedade e com as mesmas relações de produção, ainda que, sendo o país com um dos maiores índices de produtividade e rendimento per capita.
Eu confesso que vejo as duas vias com igual simpatia, até porque há que haver um espírito pragmático nestes dias e o capitalismo não terá atingido ainda a sua fase derradeira. Considero a posição da Islândia como um exemplo aos países do sul que se colocaram subservientes à obliteração de que estão a sofrer pelo aumento colossal das suas dívidas através dos planos que são supostos constituírem ajuda. Mas eu tenho a visão formatada de um comunista e não a visão libertária de moral impoluta e intocável.
Penso que uma coisa em nada impede a outra. Ou seja, o facto de estarmos neste momento a resolver alguns remendos dentro do sistema que alguns radicais tanto repudiam da parte da manhã, não impede que haja uma intenção forme de derrubar o sistema capitalista por dentro ou por fora, superando-o através de fórmulas conhecidas e de outras mais ou menos criativas que foram surgindo com a dinâmica da própria História. E penso que não devemos ter como fim último a regeneração de um sistema que ora se considera falido, ora se vê como regenerável num carrossel esquizofrénico difícil de entender e que leva as pessoas a desacreditarem cada vez mais, não só dos políticos, mas sobretudo dos detratores dos políticos que dissertam e elaboram fora de qualquer plano coerente.
Sabemos que a democracia representativa e partidária é violentamente criticada. A Islândia é uma democracia deste tipo, ainda que tenham havido alterações profundas impostas por cidadãos que transformaram a face da ética social, nos negócios e na própria política. Mas isso quer dizer então que os nossos radicais esquerdistas defendem finalmente que, afinal o que querem é mesmo uma continuidade do sistema capitalista em toda a sua essência e afirmar que este é reformável? Sendo o exemplo islandês notável em termos de organização e empenho social que envergonha os povos do sul da Europa no seu constante agachamento perante exactamente o mesmo tipo de problemas, não pode ser desmobilizador nos propósitos de superação do próprio sistema e não ter como fim último a sua regeneração e moralização. Algo me escapa quando existem dois discursos tão radicalmente diferentes, na defesa ou no ataque de um mesmo sistema, que nunca deixa de o ser apenas porque foi temporariamente expurgado de alguns dos seus cancros.
Uma curiosidade, para os detratores de todo o tipo de sistemas representativos , é o facto de, terem sido as eleições legislativas de 2009 na Islândia, com a sua elevadíssima participação e com a viragem a uma aliança entre social-democratas (O PS lá do sítio mas em versão a sério) e o Movimento Verde de Esquerda (uma espécie de CDU versão light) a conduzirem a algumas medidas que nos trouxeram ao estado actual em que o país se encontra, e que é, depois da hora do almoço, valentemente defendido pelos mesmos radicais anticapitalistas de antes da hora do almoço. E, convenhamos que os números falam por si. Números que explicam a divisão entre o radicalismo anticapitalista e o capitalismo sistemático, transformando-a num compreensível comportamento esquizoide.
É estranho adormecermos freneticamente anticapitalistas, a acordarmos angelicamente regeneradores do próprio sistema que juramos querer abater por ser o causador de todos os males. Pelo que, a análise que se coloca como emergente é percebermos até que ponto podemos ser coerentes até ao final. Porque é muito fácil acusar partidos políticos integrados nos sistemas dos países (Islândia incluída) de todas as práticas malévolas, e depois encontrar como solução a regulação cidadã dos partidos que seguem sendo a base do sistema que suporta e rege o país que a determinadas horas do dia nos serve de exemplo máximo de democracia. O que devemos levar mais a sério? As pedras lançadas contra a globalização e contra o sistema capitalista sem que seja apresentada alternativa concreta e exequível, ou o júbilo literário e filosófico pela mestria democrata de um povo que se libertou de alguns dos pulhas que o tramaram? O que sucede é que na prática a Islândia continua com o mesmo sistema que criou esses mesmos pulhas, com o mesmo conceito de propriedade e com as mesmas relações de produção, ainda que, sendo o país com um dos maiores índices de produtividade e rendimento per capita.
Eu confesso que vejo as duas vias com igual simpatia, até porque há que haver um espírito pragmático nestes dias e o capitalismo não terá atingido ainda a sua fase derradeira. Considero a posição da Islândia como um exemplo aos países do sul que se colocaram subservientes à obliteração de que estão a sofrer pelo aumento colossal das suas dívidas através dos planos que são supostos constituírem ajuda. Mas eu tenho a visão formatada de um comunista e não a visão libertária de moral impoluta e intocável.
Penso que uma coisa em nada impede a outra. Ou seja, o facto de estarmos neste momento a resolver alguns remendos dentro do sistema que alguns radicais tanto repudiam da parte da manhã, não impede que haja uma intenção forme de derrubar o sistema capitalista por dentro ou por fora, superando-o através de fórmulas conhecidas e de outras mais ou menos criativas que foram surgindo com a dinâmica da própria História. E penso que não devemos ter como fim último a regeneração de um sistema que ora se considera falido, ora se vê como regenerável num carrossel esquizofrénico difícil de entender e que leva as pessoas a desacreditarem cada vez mais, não só dos políticos, mas sobretudo dos detratores dos políticos que dissertam e elaboram fora de qualquer plano coerente.
Sabemos que a democracia representativa e partidária é violentamente criticada. A Islândia é uma democracia deste tipo, ainda que tenham havido alterações profundas impostas por cidadãos que transformaram a face da ética social, nos negócios e na própria política. Mas isso quer dizer então que os nossos radicais esquerdistas defendem finalmente que, afinal o que querem é mesmo uma continuidade do sistema capitalista em toda a sua essência e afirmar que este é reformável? Sendo o exemplo islandês notável em termos de organização e empenho social que envergonha os povos do sul da Europa no seu constante agachamento perante exactamente o mesmo tipo de problemas, não pode ser desmobilizador nos propósitos de superação do próprio sistema e não ter como fim último a sua regeneração e moralização. Algo me escapa quando existem dois discursos tão radicalmente diferentes, na defesa ou no ataque de um mesmo sistema, que nunca deixa de o ser apenas porque foi temporariamente expurgado de alguns dos seus cancros.
Uma curiosidade, para os detratores de todo o tipo de sistemas representativos , é o facto de, terem sido as eleições legislativas de 2009 na Islândia, com a sua elevadíssima participação e com a viragem a uma aliança entre social-democratas (O PS lá do sítio mas em versão a sério) e o Movimento Verde de Esquerda (uma espécie de CDU versão light) a conduzirem a algumas medidas que nos trouxeram ao estado actual em que o país se encontra, e que é, depois da hora do almoço, valentemente defendido pelos mesmos radicais anticapitalistas de antes da hora do almoço. E, convenhamos que os números falam por si. Números que explicam a divisão entre o radicalismo anticapitalista e o capitalismo sistemático, transformando-a num compreensível comportamento esquizoide.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Do Anarco-Calimerismo
Porque
todas as instituições conspiram contra a existência. Porque todas, sem excepção,
estão para além da existência do indivíduo e do conceito que ele tem de si
mesmo, são um perigo constante à sua liberdade de existir enquanto ser
individual que tem de se opor de forma determinada. Só é possível imaginar a
organização entre seres desorganizados e desalinhados de tudo e de todos. O
cartão partidário equivale à morte cerebral, à paralisia social. Ter uma
solução é um alinhamento perigoso, uma formatação que tem de ter
necessariamente origens secretas, inscritas em interesses duvidosos. Ainda que
o portador do cartão seja um “zé” anónimo, é seguramente um perigoso mutilador
de toda e qualquer liberdade de ser e de existir. Em assembleia deve ser
condenado, não ao fogo dos infernos que esse existe ou não, mas ao fogo de Auschwitz
que não matou judeus suficientes e estes continuam a foder-nos a existência com
protocolos, maçonarias e outras porcarias sionistas fascistas.
Ninguém defende a liberdade como o libertário, que na américa quer dizer precisamente o fulano que defende a total liberdade, sem Estado a controlar ou a programar seja o que for. Por isso os libertários americanos se opõem a tudo o que seja protecção social porque entendem que o Estado não pode decidir onde, de que forma e por quem irá um doente ser tratado. Cabe a este decidir, ainda que moribundo, em que mãos vai querer morrer porque a sua liberdade que desde sempre colidiu com a sociedade como um todo, não permitiu que se criasse um sistema, uma estrutura que formasse o bem comum em paralelo com o bem do indivíduo enquanto tal, que os dois se complementassem numa só forma de estruturar a sociedade. Mas a estrutura é sistema e o sistema é mutilação mental, tortura psicológica, manipulação e outras tretas que tais. Os libertários americanos são portadores da derradeira forma de pensamento de Milton Friedman. Friedman era, afinal, um radical anarquista. Porque o indivíduo tem de ser livre de construir ou de destruir, de escolher, de consumir, de viver ou morrer. Que se foda a sociedade ou o Estado. Desde que eu possa falar e gritar numa assembleia e dizer tudo o que vai na alma, descarregar numa espécie de terapia de grupo em que não existe grupo, porque grupo é organização e organização é tomar partido e partido é crime de lesa pensamento. Tomar partido é debitar excremento.
Qualquer forma de organização é totalitária, excepto aquela que incluir o “eu” como centro de acção popular sem povo, porque povo é conceito. Classe é conceito e o “eu” não tem classe. Isso são coisas de marxistas, comunistas, totalitaristas quando o único “total” que pode existir é o indivíduo indignado até com a sua própria existência. Porque lhe dói, porque se contorce, porque o ignoram, porque berra, porque quer falar e teima em querer falar em se aperceber que nunca se calou sequer por um segundo, e argumenta desargumentando ad nauseum. Porque toda a forma de poder é má excepto quando o poder puder ser exercido em parte pelo “eu” que tem voz, não igual, mas superlativa. O “eu” que fala moralmente mais alto porque vale mais que mil “eus” manietados pelos cartões dos partidos, pelos coletes dos sindicatos. Esses são os pulhas que tiram a voz ao “eu” indivíduo Calimero que caga na sociedade para que o “eu” intervenha sem soluções que não as de protestar incessantemente contra tudo e todos até que doa a voz. Ainda que essa voz se junte á do inimigo declarado que, afinal é o mais devoto aliado.
Ninguém defende a liberdade como o libertário, que na américa quer dizer precisamente o fulano que defende a total liberdade, sem Estado a controlar ou a programar seja o que for. Por isso os libertários americanos se opõem a tudo o que seja protecção social porque entendem que o Estado não pode decidir onde, de que forma e por quem irá um doente ser tratado. Cabe a este decidir, ainda que moribundo, em que mãos vai querer morrer porque a sua liberdade que desde sempre colidiu com a sociedade como um todo, não permitiu que se criasse um sistema, uma estrutura que formasse o bem comum em paralelo com o bem do indivíduo enquanto tal, que os dois se complementassem numa só forma de estruturar a sociedade. Mas a estrutura é sistema e o sistema é mutilação mental, tortura psicológica, manipulação e outras tretas que tais. Os libertários americanos são portadores da derradeira forma de pensamento de Milton Friedman. Friedman era, afinal, um radical anarquista. Porque o indivíduo tem de ser livre de construir ou de destruir, de escolher, de consumir, de viver ou morrer. Que se foda a sociedade ou o Estado. Desde que eu possa falar e gritar numa assembleia e dizer tudo o que vai na alma, descarregar numa espécie de terapia de grupo em que não existe grupo, porque grupo é organização e organização é tomar partido e partido é crime de lesa pensamento. Tomar partido é debitar excremento.
Qualquer forma de organização é totalitária, excepto aquela que incluir o “eu” como centro de acção popular sem povo, porque povo é conceito. Classe é conceito e o “eu” não tem classe. Isso são coisas de marxistas, comunistas, totalitaristas quando o único “total” que pode existir é o indivíduo indignado até com a sua própria existência. Porque lhe dói, porque se contorce, porque o ignoram, porque berra, porque quer falar e teima em querer falar em se aperceber que nunca se calou sequer por um segundo, e argumenta desargumentando ad nauseum. Porque toda a forma de poder é má excepto quando o poder puder ser exercido em parte pelo “eu” que tem voz, não igual, mas superlativa. O “eu” que fala moralmente mais alto porque vale mais que mil “eus” manietados pelos cartões dos partidos, pelos coletes dos sindicatos. Esses são os pulhas que tiram a voz ao “eu” indivíduo Calimero que caga na sociedade para que o “eu” intervenha sem soluções que não as de protestar incessantemente contra tudo e todos até que doa a voz. Ainda que essa voz se junte á do inimigo declarado que, afinal é o mais devoto aliado.
domingo, 1 de abril de 2012
Sindicalismo actual
Uma das principais questões ligadas ao Direito do Trabalho que está na calha para ser mutilada ou mesmo suprimida, é a importância ou a existência da figura do IRCT (Instrumento de Regulamentação Colectiva de Trabalho), mais conhecido como Contrato Colectivo de Trabalho.
Por ter uma importância vital na relação entre empregadores e trabalhadores, tornando menos díspar a relação de força entre estas duas entidades como colectivo - as negociações são desenvolvidas entre associações patronais e sindicatos - tem vindo a ser alvo de vários tipos de ataques sendo que infelizmente, nem todos vêm do lado do patronato e do governo.
A negociação dos CCT ou IRCT's é feita pelas entidades, ultrapassando o âmbito da legislação laboral vigente e propondo uma adaptação a cada sector, normalmente sendo alcançadas condições mais favoráveis em sede de negociação. São estabelecidas e aplicadas tabelas salariais sectoriais, que a maioria esmagadora dos trabalhadores actualmente desconhece. A razão pela qual desconhece é apenas o facto de estarem os sindicatos permanentemente sob a propaganda anti-sindicalista vinda de todos os lados, incluindo de alguns que ideologicamente se arrogam como representantes dos trabalhadores, desconhecendo que o papel dos sindicatos está para além dos piquetes de greve e pode influenciar de forma significativa a vida de muitas centenas de milhar de trabalhadores que se encontram ao abrigo da contratação colectiva que o governo pretende de forma oportunista transportar para a esfera do CIT (Contrato Individual de Trabalho) que senta à mesma mesa directamente trabalhador e empregador, cuja relação jurídica passa a ser profundamente desnivelada e torna aceitável qualquer condição em nome da garantia de um posto de trabalho.
O abandono dos IRCT e a passagem ao domínio individual da contratação, deixando de existir a negociação que conduz a enquadramentos como a gestão de carreiras os as tabelas salariais, dita que a entidade patronal possa desvincular-se de toda e qualquer obrigação para lá do estabelecido em sede de Código do Trabalho que, como sabemos, está a sofrer profundas alterações aberrantes neste momento. Contudo isso parece preocupar muito pouca gente. O violento ataque desferido contra os dirigentes sindicais - ainda que admitindo situações provocadas por declarações pouco inteligentes e felizes - ajuda a provocar uma desmobilização ainda maior da única central sindical que representa os interesses dos trabalhadores e abre mais espaço ainda à aplicação dos CIT, alegando que os sindicatos já não representam uma parte significativa da massa assalariada. Também conhecido como tiro no pé, que muita retórica de esquerda transforma a cada dia em mais sacrifícios daqueles a quem jura a pés juntos defender.
Não há organizações perfeitas, mas existem formas de agir e de intervir que devem implicar um esforço de unidade, de diálogo entre iguais com vista à obtenção temporária de um objectivo concreto e que pode e deve ser tido nos espaços criados para tal. Os sindicatos nem têm de ser filiados nas central sindical (apenas temos uma), podem ser independentes. Claro que, juntos, têm maior poder negocial.
Claro que existem falhas, lacunas, formas de intervenção que podem e devem ser melhoradas e alteradas no sentido da defesa de classe mais do que na defesa de sector, sejam os elementos de classe trabalhadores públicos ou privados, efectivos ou precários (à custa da desmobilização sindical os efectivos estão a transformar-se em precários com as novas leis laborais), empregados ou desempregados. Os sindicatos devem responder a questões de classe e actuar onde não o fazem actualmente. E sem a força da mobilização de classe jamais o voltarão a fazer. E a desmobilização é promovida por todos aqueles que olham para os sindicatos de forma meramente orgânica e que esquecem o que está por trás e toda uma intervenção que poderia ser tomada caso a central sindical dos trabalhadores portugueses passasse a ter uma representatividade que permitisse paralisar efectivamente o país. Com todos, sindicalizados ou não, mas mobilizados. Pelas estruturas formais ou pelos movimentos mais ou menos informais, mas sempre integrantes da mesma luta num rumo comum.
Por ter uma importância vital na relação entre empregadores e trabalhadores, tornando menos díspar a relação de força entre estas duas entidades como colectivo - as negociações são desenvolvidas entre associações patronais e sindicatos - tem vindo a ser alvo de vários tipos de ataques sendo que infelizmente, nem todos vêm do lado do patronato e do governo.
A negociação dos CCT ou IRCT's é feita pelas entidades, ultrapassando o âmbito da legislação laboral vigente e propondo uma adaptação a cada sector, normalmente sendo alcançadas condições mais favoráveis em sede de negociação. São estabelecidas e aplicadas tabelas salariais sectoriais, que a maioria esmagadora dos trabalhadores actualmente desconhece. A razão pela qual desconhece é apenas o facto de estarem os sindicatos permanentemente sob a propaganda anti-sindicalista vinda de todos os lados, incluindo de alguns que ideologicamente se arrogam como representantes dos trabalhadores, desconhecendo que o papel dos sindicatos está para além dos piquetes de greve e pode influenciar de forma significativa a vida de muitas centenas de milhar de trabalhadores que se encontram ao abrigo da contratação colectiva que o governo pretende de forma oportunista transportar para a esfera do CIT (Contrato Individual de Trabalho) que senta à mesma mesa directamente trabalhador e empregador, cuja relação jurídica passa a ser profundamente desnivelada e torna aceitável qualquer condição em nome da garantia de um posto de trabalho.
O abandono dos IRCT e a passagem ao domínio individual da contratação, deixando de existir a negociação que conduz a enquadramentos como a gestão de carreiras os as tabelas salariais, dita que a entidade patronal possa desvincular-se de toda e qualquer obrigação para lá do estabelecido em sede de Código do Trabalho que, como sabemos, está a sofrer profundas alterações aberrantes neste momento. Contudo isso parece preocupar muito pouca gente. O violento ataque desferido contra os dirigentes sindicais - ainda que admitindo situações provocadas por declarações pouco inteligentes e felizes - ajuda a provocar uma desmobilização ainda maior da única central sindical que representa os interesses dos trabalhadores e abre mais espaço ainda à aplicação dos CIT, alegando que os sindicatos já não representam uma parte significativa da massa assalariada. Também conhecido como tiro no pé, que muita retórica de esquerda transforma a cada dia em mais sacrifícios daqueles a quem jura a pés juntos defender.
Não há organizações perfeitas, mas existem formas de agir e de intervir que devem implicar um esforço de unidade, de diálogo entre iguais com vista à obtenção temporária de um objectivo concreto e que pode e deve ser tido nos espaços criados para tal. Os sindicatos nem têm de ser filiados nas central sindical (apenas temos uma), podem ser independentes. Claro que, juntos, têm maior poder negocial.
Claro que existem falhas, lacunas, formas de intervenção que podem e devem ser melhoradas e alteradas no sentido da defesa de classe mais do que na defesa de sector, sejam os elementos de classe trabalhadores públicos ou privados, efectivos ou precários (à custa da desmobilização sindical os efectivos estão a transformar-se em precários com as novas leis laborais), empregados ou desempregados. Os sindicatos devem responder a questões de classe e actuar onde não o fazem actualmente. E sem a força da mobilização de classe jamais o voltarão a fazer. E a desmobilização é promovida por todos aqueles que olham para os sindicatos de forma meramente orgânica e que esquecem o que está por trás e toda uma intervenção que poderia ser tomada caso a central sindical dos trabalhadores portugueses passasse a ter uma representatividade que permitisse paralisar efectivamente o país. Com todos, sindicalizados ou não, mas mobilizados. Pelas estruturas formais ou pelos movimentos mais ou menos informais, mas sempre integrantes da mesma luta num rumo comum.
sexta-feira, 23 de março de 2012
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
A alma ao diabo
A entregar a alma ao diabo desde que ele me entregue o corpo a quem eu queira... A pão e água desde que o repasto eterno seja tão mortal quanto a gula luxuriante.
Foda-se, que o mundo não foi criado, e escravizam-se os homens em busca de criador, como gado em torno do seu pastor... em fuga constante da mais anedótica das invenções, o pecado...
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
No Way Out
Por muito que tentemos escapar dos nossos próprios medos, eles perseguem-nos como se fossem carrascos do nosso pensamento. Muitas vezes pensar e agir são opostos, e a vida estreita-se num universo limitado que não é senão um factor diminuidor da individualidade. E contudo, como sociais que somos, a individualidade dilui-se no colectividade do "nós", ainda que, cada vez mais a farsa humana nos empurre para "ser para além de" em vez de "ser com". Os medos implicam antes de mais a sua própria consciência, mas implicam também uma força interior inequívoca que rasga todas e quaisquer amarras. Porque as convenções são mentiras chapadas à cara das sociedades que julgam ter um tronco comum com algo que nunca passou de mera fantasia. Não somos senão produtos de mentiras em cima de mentiras. E os medos não são senão o reflexo dessa realidade traduzido no desconhecimento total de um propósito para ser. Mas qual propósito? Nunca uma criatura inteligente poderia ver propósito na existência precária. Pelo que nem acto de criação, nem evolução. o que temos mesmo é uma regressão humana através dos medos ás formas mais primitivas de organização social. O medo tolhe-nos a vontade de transformar porque a transformação é a negação de tudo quanto nos foi imposto porque assim é e assim tem de ser. Mas os tempos revelam que a vida, precária, se abriga não poucas vezes em paragens quiméricas de seres ilusórios. Quando sabemos que a sua existência é tão real como o facto de sermos livres de escolher o nosso caminho. Porque não existe um caminho.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Greve Geral v.2011
Precisamente há um ano atrás, foi realizada uma paralisação (quase) geral do país. As condições eram então muito difíceis e adivinhava-se que viriam dias de grandes desafios levantados aos mesmos sofredores de sempre. Com o acentuar de uma crise cada vez mais transformada em farsa comunicacional, a farsa de uma ditadura de mercados que consegue sobrepor-se ao valor humano, seja ele individual ou colectivo, passámos em doze curtos meses a uma situação de indigência nacional onde, de forma embrutecida e estúpida, aqueles que entenderam que deveriam ir votar nas eleições de Outubro, mesmo tendo muitos deles carregado com cartazes contra o engenheiro Sócrates, entenderam, votar nos partidos que constituem o actual governo.
Dizia-se em tempos que o”o povo é quem mais ordena”, e isso constituiu um princípio básico da construção tendencialmente democrática da nação, que depressa foi transformada nesta amálgama de revanchismo que nos leva a entender, às gerações descendentes dos criadores de Abril, que estes não passaram de cobardes por não terem feito uma verdadeira revolução e por terem deixado escapar incólumes todos aqueles que durante foram décadas os “donos” do país e os sustentáculos do obscurantismo corporativista de Salazar e Marcello. As eleições de Outubro marcaram claramente a intenção de um povo que, na ignorância, na crença ou na imbecilidade deliberada, resolveram devolver à nação os subprodutos elaborados dos resquícios do bolor corporativista. Porque nunca foi aniquilado o poder político. Porque nunca chegou a ser destruída a sua base económica.
Muitos dos actuais mega ricos deste miserável país, saíram alegadamente de cá sem quaisquer bens. E muito rapidamente o capitalismo fez o favor de dizer que necessitava de um exército de empresários para dinamizar uma economia que, não só nunca foi dinamizada, como acabou parasitada por toda a escola ultra-liberal, que, nunca tendo chegado antes ao poder, chegaram agora com todos os ares de prepotência escolástica apelando à fé irracional dos incautos que caíram no conto do vigário, ou que, tal como ele, vivem parasitariamente às custas de um sistema viciado desde a sua fundação. Tendo assim que, eleições seguiram o mesmo padrão de farsa comunicacional que tudo até então e sacrifícios têm que ser feitos em nome da fortuna crescente dos ricos e do empobrecimento irracional e acéfalo dos pobres. Estas eleições foram um acto tão legítimo quanto a prática de um suicídio que tem moldura penal própria. A elição de Passos coelho foi a negação da eutanásia a um país que ainda tinha inclusivamente solução de sobrevivência, numa prática de sadismo político e de masoquismo eleitoral que transporta estes resultados para um patamar de estupidez tão elevados que as torna ilegítimas. E apenas se pode derrubar um governo ilegítimo levado ao poder pela estupidez das massas embrutecidas por um golpe de Estado que resolva construir 26 de Abril em cima do 25.
Hoje, repete-se então uma greve dita geral, mas que todos sabemos que de geral nada pode ter. Não que haja qualquer intenção nesse sentido, mas porque temos mais de setecentos mil desempregados, e a pirâmide demográfica mostra-nos uma população envelhecida e a caminhar para a reforma – eu acrescentaria para a senilidade. Mas ainda temos de analisar todos os contratos de trabalho que não são, todos os micro-empresários que têm de o ser porque não têm outra forma de sobrevivência senão alimentar uma máquina estruturada para fazer dos milionários mais milionários ainda, sustentados nas ordens secretas e outras putarias do género. Um sector privado onde, ainda antes da greve, já adavam a circular documentos onde se exigia a identificação daqueles que haviam a intenção expressa e fazer greve. E todos sabemos para que efeito. Para ir buscar tarefeiros que se sujeitam ao trabalho mendigo para sobreviver ás custas das indigências dos outros. Há sempre uma orde de filhos da puta mesmo nos meios mais miseráveis e autênticos das classes trabalhadoras supostamente esclarecidas. Os encostados da vida, os lambe-botas de sistema e os indignados de ocasião que votaram nesta solução como poderiam ter votado na bomba atómica que o fim seria menos doloroso. A traição é sempre a pior de todas as canalhices, e nas actuais condições há muitos trabalhadores honestos e conscientes que não podem mesmo, em circunstância alguma, fazer greve. O Código de Trabalho tornou-se numa anedota maior ainda que a Constituição que já foi ignorada e contornada por estes vermes que governam a soldo dos seus manobradores. Andamos a pagar os malabarismos de um sistema financeiro para os quais nenhum trabalhador pobre contribui a não ser no roubo contínuo a posteriori dos seus impostos para colmatar os buracos deixados pelos crimes económicos do Presidente Cavaco e da sua escol a de Economia. Os seus fieis discípulos ocuparam os seus lugares e aprenderam a lição de como aumentar fortunas esvaziando totalmente um país, de dinheiro e do resto de soberania que lhe sobrava… O Presidente das reformas antecipadas, mortes anunciadas de gente que aos quarenta e tal anos de idade se viu remetida para o lixo quando esse energúmeno que representa o próprio lixo, foi sucessivamente premiado em eleições pela escória política e económica que ajudou a parir para este país.
Este dia de 24 de Novembro vai representar mais um enorme fracasso das forças do trabalho porque a luta que empreendem é uma luta sem um apoio consciente da enorme maioria embrutecida da população portuguesa, contaminada por televisões e iPhones, que vivem no ideal ainda dos luxos a crédito impostos pelo próprio sistema para que se possa manter, mas dificultado no dia-a-dia por falta de liquidez de bancos que resolveram brincar aos produtos derivados de produtos que não a passaram de enormes fraudes. Ainda assim, representando o que representar esta greve geral, é bom que aconteça, e esperemos que mais gente de trabalho se junte a quem verdadeiramente os defende. Mas ainda não será desta que a luta sai para além do domesticável. E o sistema sabe muito bem que muitas vezes os próprios sindicatos acabam por ser os domadores de algumas situações limite, tornando-se em ultima instância, cúmplices de um sistema irreformável.
Dizia-se em tempos que o”o povo é quem mais ordena”, e isso constituiu um princípio básico da construção tendencialmente democrática da nação, que depressa foi transformada nesta amálgama de revanchismo que nos leva a entender, às gerações descendentes dos criadores de Abril, que estes não passaram de cobardes por não terem feito uma verdadeira revolução e por terem deixado escapar incólumes todos aqueles que durante foram décadas os “donos” do país e os sustentáculos do obscurantismo corporativista de Salazar e Marcello. As eleições de Outubro marcaram claramente a intenção de um povo que, na ignorância, na crença ou na imbecilidade deliberada, resolveram devolver à nação os subprodutos elaborados dos resquícios do bolor corporativista. Porque nunca foi aniquilado o poder político. Porque nunca chegou a ser destruída a sua base económica.
Muitos dos actuais mega ricos deste miserável país, saíram alegadamente de cá sem quaisquer bens. E muito rapidamente o capitalismo fez o favor de dizer que necessitava de um exército de empresários para dinamizar uma economia que, não só nunca foi dinamizada, como acabou parasitada por toda a escola ultra-liberal, que, nunca tendo chegado antes ao poder, chegaram agora com todos os ares de prepotência escolástica apelando à fé irracional dos incautos que caíram no conto do vigário, ou que, tal como ele, vivem parasitariamente às custas de um sistema viciado desde a sua fundação. Tendo assim que, eleições seguiram o mesmo padrão de farsa comunicacional que tudo até então e sacrifícios têm que ser feitos em nome da fortuna crescente dos ricos e do empobrecimento irracional e acéfalo dos pobres. Estas eleições foram um acto tão legítimo quanto a prática de um suicídio que tem moldura penal própria. A elição de Passos coelho foi a negação da eutanásia a um país que ainda tinha inclusivamente solução de sobrevivência, numa prática de sadismo político e de masoquismo eleitoral que transporta estes resultados para um patamar de estupidez tão elevados que as torna ilegítimas. E apenas se pode derrubar um governo ilegítimo levado ao poder pela estupidez das massas embrutecidas por um golpe de Estado que resolva construir 26 de Abril em cima do 25.
Hoje, repete-se então uma greve dita geral, mas que todos sabemos que de geral nada pode ter. Não que haja qualquer intenção nesse sentido, mas porque temos mais de setecentos mil desempregados, e a pirâmide demográfica mostra-nos uma população envelhecida e a caminhar para a reforma – eu acrescentaria para a senilidade. Mas ainda temos de analisar todos os contratos de trabalho que não são, todos os micro-empresários que têm de o ser porque não têm outra forma de sobrevivência senão alimentar uma máquina estruturada para fazer dos milionários mais milionários ainda, sustentados nas ordens secretas e outras putarias do género. Um sector privado onde, ainda antes da greve, já adavam a circular documentos onde se exigia a identificação daqueles que haviam a intenção expressa e fazer greve. E todos sabemos para que efeito. Para ir buscar tarefeiros que se sujeitam ao trabalho mendigo para sobreviver ás custas das indigências dos outros. Há sempre uma orde de filhos da puta mesmo nos meios mais miseráveis e autênticos das classes trabalhadoras supostamente esclarecidas. Os encostados da vida, os lambe-botas de sistema e os indignados de ocasião que votaram nesta solução como poderiam ter votado na bomba atómica que o fim seria menos doloroso. A traição é sempre a pior de todas as canalhices, e nas actuais condições há muitos trabalhadores honestos e conscientes que não podem mesmo, em circunstância alguma, fazer greve. O Código de Trabalho tornou-se numa anedota maior ainda que a Constituição que já foi ignorada e contornada por estes vermes que governam a soldo dos seus manobradores. Andamos a pagar os malabarismos de um sistema financeiro para os quais nenhum trabalhador pobre contribui a não ser no roubo contínuo a posteriori dos seus impostos para colmatar os buracos deixados pelos crimes económicos do Presidente Cavaco e da sua escol a de Economia. Os seus fieis discípulos ocuparam os seus lugares e aprenderam a lição de como aumentar fortunas esvaziando totalmente um país, de dinheiro e do resto de soberania que lhe sobrava… O Presidente das reformas antecipadas, mortes anunciadas de gente que aos quarenta e tal anos de idade se viu remetida para o lixo quando esse energúmeno que representa o próprio lixo, foi sucessivamente premiado em eleições pela escória política e económica que ajudou a parir para este país.
Este dia de 24 de Novembro vai representar mais um enorme fracasso das forças do trabalho porque a luta que empreendem é uma luta sem um apoio consciente da enorme maioria embrutecida da população portuguesa, contaminada por televisões e iPhones, que vivem no ideal ainda dos luxos a crédito impostos pelo próprio sistema para que se possa manter, mas dificultado no dia-a-dia por falta de liquidez de bancos que resolveram brincar aos produtos derivados de produtos que não a passaram de enormes fraudes. Ainda assim, representando o que representar esta greve geral, é bom que aconteça, e esperemos que mais gente de trabalho se junte a quem verdadeiramente os defende. Mas ainda não será desta que a luta sai para além do domesticável. E o sistema sabe muito bem que muitas vezes os próprios sindicatos acabam por ser os domadores de algumas situações limite, tornando-se em ultima instância, cúmplices de um sistema irreformável.
sábado, 19 de novembro de 2011
As incongruências técnicas
O Primeiro-Ministro de Portugal afirma que devemos apostar na contenção salarial para que haja um nivelamento dos salários em relação à Função Pública. Um discurso ensaiado no banco do confessionário quando à presença e consequente análise dos peritos da troika em relação à forma como está a ser executado o acordo de empréstimo entre este organismo e o Estado Português, falsamente designado como "ajuda" ou "plano de resgate".
Nas entrevistas dadas pelos membros desta comitiva, que é verdadeiramente quem manda no país, ou seja, o governo executivo não eleito, foi clara a intenção de obrigar os salários do sector privado a encostarem-se nas restrições dos salários impostas ao sector público.
Acontece que essa ideia, até do ponto de vista do próprio sistema capitalista é um perfeito disparate. Em primeiro lugar porque não existe capitalismo sem poder de compra. E nós não vivemos numa realidade política que nos permita tomar medidas proteccionistas, logo, o consumo interno, em conjunto com o aumento da produção (à qual chamam produtividade sempre que querem fazer entender que os trabalhadores portugueses não são produtivos) é importante para o crescimento do país, da sua riqueza. Mas, noutro plano, porque os salários mais elevados num sector privado fariam com que houvesse uma menor pressão para o emprego público, aquele que é derivado principalmente do amiguismo dos partidos do chamado "arco" do poder. Assim sendo, o próprio peso do Estado tenderia a reduzir.
Mas isto são tudo tretas, na realidade. É que, quando dizem estas barbaridades, esquecem-se e querem-nos fazer esquecer que bem mais de metade dos portugueses vivem com salários abaixo dos 700 Euros, sendo que o termo contenção salarial na boca do Primeiro-Ministro tem de ser considerado como obsceno. Quem diz isto desta forma e fora de um contexto que todos conhecemos, aquele em que gestores e outros "boys" levam a fatia de leão dos salários em Portugal quando, os salários da esmagadora maioria dos trabalhadores tem sofrido estagnação (que na prática significa quebra salarial por duas vias, a do efeito da inflação e a da substituição de pessoas nas mesmas funções a ganhar cada vez menos), só pode ser, política e socialmente irresponsável.
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